Alguém já lhe perguntou por que você guarda o sábado? Talvez você já tenha visto o verso para memorizar desta semana sendo usado como argumento contra a observância do quarto mandamento. No entanto, o texto não foi escrito com esse propósito, mas sim como uma resposta aos erros ensinados por alguns falsos mestres na igreja de Colossos. Quais eram esses erros?
Em primeiro lugar, o falso ensino é descrito como “filosofia” e “tradição dos homens”, conforme os “rudimentos do mundo” e “não segundo Cristo” (Cl 2:8). Além disso, envolvia a circuncisão e a observância de festas judaicas, bem como rituais de pureza e regras relacionadas à alimentação (Cl 2:11, 16, 21). Também incluía a adoração de anjos, ou com anjos, ou tentativas de imitar a adoração angelical. Por fim, esse falso ensino se baseava em “preceitos e doutrinas dos homens” e possivelmente envolvia práticas rigorosas de disciplina pessoal (Cl 2:18, 22, 23).
Esses falsos mestres eram claramente pessoas religiosas e sinceras, mas tinham uma compreensão bastante equivocada do evangelho. Ao longo desta semana, analisaremos os motivos desse equívoco e esclareceremos por que o verso para memorizar não está relacionado à observância do sábado do sétimo dia.
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Jó perguntou: “Onde se achará a sabedoria? E em que lugar estará o entendimento?” (Jó 28:12). Paulo respondeu: O entendimento está em Cristo, “em quem estão ocultos todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento” (Cl 2:3; compare com 1Co 1:30). Se temos Cristo, possuímos tudo, inclusive a “plena convicção do entendimento” sobre o propósito da vida (Cl 2:2). Por meio Dele, o mistério de Deus, que abrange todo o plano da salvação, foi revelado.
1. Leia Colossenses 2:1-7. Qual foi o propósito de Paulo ao escrever essa carta?
A palavra grega paraklethosin significa “consolado” (Cl 2:2, NAA) ou “fortalecido” (NVI). O objetivo de Paulo não era apenas ajudar os crentes de Colossos a reconhecer os falsos ensinos, mas também uni-los (em grego, sumbibasthentes) no amor cristão. O tempo usado para os verbos “consolar” e “unir” (ARC) mostra que Paulo estava confiante de que essa carta realmente alcançaria o propósito desejado. O apóstolo também elogiou os colossenses pela “boa ordem” e a “firmeza da fé” que tinham em Cristo (Cl 2:5).
O termo grego taxis, traduzido como “ordem”, é usado no NT em referência às ordens sacerdotais de Arão (Lc 1:8; Hb 7:11) e de Melquisedeque (Hb 5:6, 10; 6:20; 7:11, 17). Contudo, em Colossenses 2:5, Paulo utilizou esse termo para se referir à organização que deve existir na igreja (1Co 14:40). Algumas pessoas enxergam a ordem e a organização da igreja apenas como uma estrutura administrativa, sem importância espiritual.
No entanto, ao estabelecer normas para o comportamento adequado no culto (1Co 11) e ao apresentar os critérios para a escolha de presbíteros e diáconos (1Tm 3; Tt 1), Paulo demonstrou cuidado em preservar a organização da igreja. Por meio dessas medidas, a sabedoria de Deus e os ensinos bíblicos são preservados e transmitidos.
Como resultado do ensino sólido que os colossenses receberam dos colaboradores de Paulo, eles tinham “firmeza” de fé. Essa firmeza não podia ser abalada, pois estava fundamentada em uma base bíblica sólida que, se preservada, os ajudaria a se proteger dos erros espalhados pelos falsos mestres.
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Colossenses apresenta um dos princípios mais importantes da vida cristã: “Assim como vocês receberam Cristo Jesus, o Senhor, continuem a viver Nele” (Cl 2:6). Obtemos a salvação ao receber uma Pessoa, não apenas um conjunto de ensinos. No entanto, receber Cristo também significa aceitar todos os Seus ensinos, conforme transmitidos pelos apóstolos e profetas da Bíblia (Ef 2:20).
Acima de tudo, aceitar Jesus significa morrer para si mesmo, rendendo-se completamente ao Cristo vivo. A Palavra Viva (Cristo) não pode ser separada da Palavra escrita (Bíblia). Elas são inseparáveis, como dois lados de uma mesma moeda. De fato, é somente por meio das Escrituras que podemos conhecer Jesus. Viver ou andar “Nele” significa permitir que Sua Palavra e Seu Espírito guiem todas as nossas decisões e práticas diárias.
Em Colossenses 2:7, Paulo utilizou uma metáfora bíblica comum, comparando os cristãos a plantas. Tornamo-nos enraizados em Cristo ao aceitá-Lo como Salvador e ao ordenar nossa vida conforme Sua Palavra. É assim que somos “confirmados na fé".
2. Como as seguintes passagens nos ajudam a entender a metáfora da planta como símbolo do cristão? Is 61:3; Mt 3:10; Lc 8:11-15; 1Co 3:6
Paulo apresentou claramente duas opções para os crentes. A primeira é permanecer “plantados pelo Senhor” (Is 61:3), mantendo-nos completos em Cristo ao nos apegarmos a Ele e aos Seus ensinos. A segunda é ser como uma planta artificial: parece verdadeira, mas não tem vida. Quando seguimos filosofias e tradições humanas, somos escravizados por elas (Cl 2:8). Mesmo que Cristo tenha nos libertado, ainda existe o perigo de voltarmos a nos submeter, “de novo, a jugo de escravidão” (Gl 5:1; compare com At 15:10).
Em resumo, aceitar ensinos contrários às Escrituras é rejeitar a Cristo. Aqueles que abraçam falsos ensinos acabam, tragicamente, adotando um “evangelho” diferente e colocando autoridades humanas acima da autoridade da Bíblia (Gl 1:6-9). Esse foi um perigo na igreja apostólica e continua sendo uma ameaça hoje.
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3. Leia Colossenses 2:11-15. Que tipo de problemas Paulo estava enfrentando?
Quantas vezes já vimos alguns desses textos, especialmente Colossenses 2:14, sendo mal utilizados como argumento contra a lei e a guarda do sábado?
Para entender esses textos, foram propostas diferentes interpretações. Uma delas é que o “escrito de dívida” cravado na cruz se refere à lista de acusações que havia “contra nós” (Cl 2:14), semelhante à inscrição que Pilatos colocou na cruz de Jesus (Mt 27:37; Jo 19:19, 20). Outra interpretação é que a lei cerimonial, escrita por Moisés, foi cravada na cruz (Dt 31:24-26).
Paulo mencionou a “circuncisão” que não é “feita por mãos humanas” (Cl 2:11), ou seja, a circuncisão “do coração” (Rm 2:28, 29; Dt 30:6). Isso está em contraste com a circuncisão física, uma das principais exigências da lei cerimonial (Lv 12:3; Êx 12:48).
Paulo relacionou essa transformação interior à “remoção do corpo da carne” e ao batismo por imersão. Por meio do batismo, nos identificamos com a morte e a ressurreição de Cristo (Cl 2:11, 12).
Essa experiência de conversão é descrita como o momento em que estávamos “mortos nos [nossos] pecados” e recebemos “vida juntamente com Cristo”, que perdoou “todos os nossos pecados "(Cl 2:13).
A palavra “ordenanças” (Cl 2:14) refere-se a decretos legais seculares (Lc 2:1; At 17:7) ou eclesiásticos (At 16:4). Esse termo grego aparece apenas mais uma vez nos escritos de Paulo, em referência à lei cerimonial, que servia como uma “parede de separação” entre judeus e gentios (Ef 2:14, 15).
Paulo parece reforçar que os crentes gentios não precisam guardar a lei cerimonial, incluindo a circuncisão, nem obedecer aos regulamentos de pureza relacionados a essa lei (At 10:28, 34, 35).
Paulo não sugeriu que os Dez Mandamentos foram cravados na cruz, especialmente porque ele define o pecado como a violação dos Dez Mandamentos (Rm 7:7). Outra interpretação sustenta que o “escrito de dívida” (Cl 2:14) cravado na cruz não se refere à lei moral, mas consiste numa metáfora da nossa dívida moral para com Deus por causa do nosso pecado (Rm 6:23), o que coloca o escrito de dívida no contexto da salvação. Foi essa dívida moral que Jesus cravou na cruz ao morrer em nosso lugar (2Co 5:19; Gl 3:13; ver Wilson Paroschi, “The Sabbath in Colossians 2:16-17: Identify, Meaning, and Theological Implications”, em The Sabbath in the New Testament and in Theology: Implications for Christians in the Twenty-First Century, ed. Ekkehardt Mueller e Eike Mueller [Silver Spring, MD: Biblical Research Institute, 2023], 381-407).
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4. Leia Colossenses 2:16-19. Quais práticas Paulo mencionou nesse texto?
Até hoje, estudiosos cristãos debatem sobre quais foram exatamente as questões abordadas por Paulo nessa passagem. No entanto, a carta traz informações suficientes para mostrar que havia uma influência provocando divisões em uma igreja formada predominantemente por gentios (Cl 2:13). Tentavam impor práticas que não eram necessárias.
Colossenses 2:16 menciona práticas judaicas que aparentemente continuavam sendo observadas por judeus convertidos ao cristianismo. Os elementos de Colossenses 2:18 se encaixam nesse contexto. Jesus criticou a suposta humildade dos líderes (Mt 6:1, 5, 7, 16). Os manuscritos do Mar Morto revelam que os anjos desempenhavam um papel importante no entendimento de adoração de alguns grupos judaicos.
Como Colossenses 2:16 é mal interpretado, é essencial analisá-lo com atenção. Em primeiro lugar, a palavra “portanto” indica que Paulo tirou uma conclusão do que havia dito antes. Nos versos anteriores, ele rejeitou a necessidade da circuncisão literal, destacando que o mais importante é a transformação do coração (Cl 2:11-15). Além disso, “comida e bebida” referem-se às ofertas levadas pelos israelitas ao templo. Por fim, a expressão “dia de festa, ou lua nova, ou sábados” parece remeter a Oseias 2:11, onde a mesma sequência de dias cerimoniais é mencionada, incluindo os sábados cerimoniais. (Lv 23:11, 24, 32).
Para entender esse verso, é fundamental observar a explicação do próprio Paulo: essas práticas eram “sombra das coisas que haviam de vir; porém o corpo é de Cristo” (Cl 2:17). Esses dias cerimoniais, assim como os sacrifícios, apontavam para a obra de Cristo (1Co 5:7; 15:23). O sábado, por outro lado, foi instituído no Éden, antes do pecado, muito antes que os sacrifícios cerimoniais fossem adotados (Gn 2:1-3). Portanto, ele não era uma sombra destinada a desaparecer após a cruz. Estudos recentes demonstram que a melhor tradução do verso 16 é a seguinte: “Ninguém, pois, vos julgue pelo comer ou pelo beber [em grego, en brosei kai en posei] ou por qualquer outra parte [e en merei] de um festival, ou lua nova, ou sábado.” Eram essas celebrações cúlticas que eram “sombras das coisas futuras” (v. 17), não necessariamente os dias em si.
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5. Leia Colossenses 2:20-23. Como você compreende as advertências de Paulo à luz das outras ideias apresentadas nesse capítulo?
Assim como na Carta aos Gálatas, Paulo descreveu a observância de regras e cerimônias por razões salvíficas como “rudimentos do mundo” (NAA) ou “princípios elementares deste mundo” (NVI; Cl 2:8, 20; compare com Gl 4:3, 9). Qualquer tentativa de alcançar a salvação por meio de regras humanas ou práticas cerimoniais de qualquer natureza não condiz com o evangelho de Jesus Cristo. São elementos terrenos, não celestiais. “Nossa pátria está nos Céus” (Fp 3:20; ver Cl 3:1, 2), diz Paulo. Não precisamos nos sobrecarregar com aquilo que é terreno, mesmo as leis cerimoniais, que apenas apontam para a realidade em Cristo. Embora essas ordenanças tenham sido originalmente dadas por Deus, após cumprirem sua função, tornaram-se desnecessárias.
Essas regulamentações terminaram na cruz, conforme demonstrado pela mão divina que rasgou o véu do templo (Mt 27:51; Dn 9:27). Por isso, os cristãos, incluindo os de origem judaica, não são mais obrigados a seguir essas práticas. Voltar a segui-las seria se identificar com este mundo, que está perecendo (Cl 2:22), em vez de desejar o novo mundo prometido em Cristo. Afinal, aguardamos “novos Céus e nova Terra, nos quais habita a justiça” (2Pe 3:13), e não apenas a renovação deste mundo passageiro.
Além disso, fariseus e escribas acrescentaram inúmeras exigências humanas às regulamentações dadas por Deus (Mc 7:1-13). Por essas razões, as cerimônias do AT, já cumpridas em Cristo, não podem mais ser consideradas mandamentos divinos, mas apenas imposições humanas. Essas práticas, em vez de fortalecerem a fé, tornaram-se um peso. É fácil cair na armadilha de usar essas observâncias como uma forma de se sentir superior aos que não as seguem (o que já é problemático) ou, ainda pior, como algo que pudesse, de alguma forma, acumular mérito para a salvação.
Ao longo da história cristã, muitos estudiosos da Bíblia têm caído na tentação de fazer declarações religiosas que usurpam o papel do Espírito Santo em guiar os crentes quanto ao significado das Escrituras. No entanto, Cristo é a verdadeira fonte da qual brota a verdade bíblica, conforme ensinado por Paulo e pelos demais escritores da Bíblia.
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“Como nos dias dos apóstolos os homens procuravam destruir a fé nas Escrituras pelas tradições e filosofias, hoje, usando os agradáveis conceitos da ‘alta crítica’, da evolução, do espiritismo, da teosofia e do panteísmo, o inimigo da justiça procura levar a humanidade para caminhos proibidos. Para muitos, a Bíblia é uma lamparina sem óleo, porque voltaram a mente para canais de crenças especulativas que produzem má compreensão e confusão. A obra da alta crítica, ao dissecar, conjecturar e reconstruir [as Escrituras], está destruindo a fé na Bíblia como revelação divina; está destituindo a Palavra de Deus do poder de dirigir, enobrecer e inspirar vidas humanas. Pelo espiritismo, multidões são ensinadas a crer que o desejo é a mais alta lei, que imoralidade é liberdade, e que o ser humano deve prestar contas apenas a si mesmo.
“O seguidor de Cristo enfrentará ‘raciocínios falazes’ (Cl 2:4), contra os quais o apóstolo advertiu os cristãos colossenses. Enfrentará interpretações espiritualistas das Escrituras, mas não deve aceitá-las. Sua voz deve ser ouvida na clara afirmação das verdades eternas das Escrituras” (Ellen G. White, Atos dos Apóstolos [CPB, 2021], p. 301).
Perguntas para consideração
1. O que significa que, em Cristo, “habita corporalmente toda a plenitude da divindade”, e que Ele “é o cabeça de todo principado e potestade” (Cl 2:9, 10)? Veja também João 1:1; Hebreus 1:3; 1 Pedro 3:22.
2. Colossenses 2:14 a 16 é usado como argumento contra a observância do sábado. Quais problemas surgem desse uso do texto?
3. Como responder a quem diz que as leis cerimoniais ainda devem ser observadas? Embora reconheçamos as bênçãos e lições espirituais dessas leis na história, que problemas surgem ao insistir na sua observância hoje?
4. Por que é essencial evitar o que enfraquece a fé na autoridade e inspiração de toda a Escritura, mesmo as partes difíceis?
Respostas às perguntas da semana: 1. Paulo escreveu para fortalecer os colossenses na fé, combater falsas doutrinas e reafirmar que a plenitude da salvação está apenas em Cristo. 2. Essas passagens comparam os crentes a plantas: Deus os cultiva para que frutifiquem; sua raiz está em Cristo, o crescimento vem Dele, e os frutos revelam conexão com Ele. 3. Paulo enfrentava ensinos que misturavam práticas judaicas com tradições humanas, questionando a suficiência de Cristo. Ele respondeu que, na cruz, jesus venceu todas as forças espirituais. 4. Paulo mencionou práticas cerimoniais ligadas ao sistema judaico, impostas como exigências espirituais. Ele rejeitou essa imposição, pois essas práticas eram sombras da realidade que se cumpriu em Cristo. 5. Paulo advertiu contra a volta de regras humanas e tradições que pareciam religiosas, mas sem valor espiritual. Observar práticas já cumpridas em Cristo era apegar-se a um sistema que perece, quando deveríamos olhar para o que é eterno.
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TEXTO-CHAVE: Cl 2:16, 17
FOCO DO ESTUDO: Cl 2
ESBOÇO
Introdução: Na conclusão de Colossenses 1, Paulo expressa o desejo de que seus leitores cresçam na maturidade em Cristo (Cl 1:28). Em Colossenses 2, ele desenvolve essa ideia. Colossenses 2:1 a 5 estabelece a base para o que viria em seguida. Paulo queria que seus leitores estivessem “vinculados em amor”, que tivessem “toda a riqueza da plena convicção do entendimento, para conhecimento do mistério de Deus” (Cl 2:2), e que fortalecessem sua fé em Cristo (Cl 2:5). Em resumo, Paulo queria que seus leitores crescessem na fé, no conhecimento do mistério de Deus e no amor por Cristo e uns pelos outros. O apóstolo exortou sua audiência a ser completa em Cristo ou, usando outro termo, a demonstrar maturidade no exercício da fé. Em Colossenses 2:6 a 23, Paulo apresenta mais detalhes sobre como esse objetivo pode ser alcançado.
A lição desta semana enfatiza dois temas principais:
1. A plenitude em Cristo envolve conhecê-Lo e crescer Nele. Isso nos protege de ser enganados por falsos mestres.
2. A plenitude em Cristo também envolve confiar unicamente Nele para a salvação, e não em regulamentos. É importante observar, contudo, que a cruz tornou desnecessária a lei cerimonial, não a lei moral. Os eventos cerimoniais do AT eram apenas sombras da futura obra de Cristo e do Seu sacrifício. Esses tipos terminaram com Sua morte. Os Dez Mandamentos, no entanto, incluindo o sábado do sétimo dia, continuam válidos para os cristãos.
COMENTÁRIO
Ilustração
“Quando James Garfield, que mais tarde se tornaria presidente dos Estados Unidos, foi diretor do Hiram College, em Ohio, um pai lhe perguntou se o curso de estudos do filho não poderia ser encurtado, para que o jovem pudesse concluir os estudos em menos tempo. ‘Certamente’, respondeu Garfield. ‘Mas tudo depende do que o senhor deseja fazer do seu filho. Quando Deus quer fazer um carvalho, Ele leva cem anos. Quando quer fazer uma abóbora, precisa de apenas dois meses’” (Michael P. Green, 1500 Illustrations for Biblical Preaching [Grand Rapids, MI: Baker Books, 2000], p. 356).
Paulo disse: “Aquele que começou boa obra em vocês há de completá-la até o Dia de Cristo Jesus” (Fp 1:6). Comentando sobre a jornada espiritual de Davi, Alan Redpath expressou a mesma ideia: “A conversão de uma alma é o milagre de um momento; a formação de um santo é a tarefa de uma vida inteira” (The Making of a Man of God: Lessons from the Life of David (Grand Rapids, MI: Fleming H. Revell, 2013), extraído do Prefácio.
Conhecendo a Cristo e crescendo Nele
A leitura de Colossenses nos permite concluir que Paulo estava muito preocupado com a infiltração de falsos mestres na igreja. Essa preocupação provavelmente foi expressa na frase: “Quão grande tem sido a nossa luta por vocês” (Cl 2:1). Nesse contexto, o termo “luta” provavelmente significa “ansiedade” ou “preocupação” (William Arndt et al., A Greek English Lexicon of the New Testament and Other Early Christian Literature [Chicago: University of Chicago Press, 2000], p. 17). A palavra grega traduzida como “luta” foi usada, em outros trechos, em referência a uma luta contra a oposição humana ou espiritual (por exemplo, 1Ts 2:2: “Apesar de mal-tratados e insultados em Filipos, como vocês sabem, tivemos ousada confiança em nosso Deus para anunciar a vocês o evangelho de Deus, em meio a muita luta”). Nesse contexto, ela foi empregada para descrever o “trabalho incansável do apóstolo, uma luta e um esforço intensos pela propagação, crescimento e fortalecimento da fé, como objetivo de sua missão” (David J. Williams, Paul’s Metaphors: Their Context and Character [Grand Rapids, MI: Baker Academic, 1999], p. 290).
O termo “luta” provém do contexto esportivo, mais especificamente das competições atléticas, sugerindo a ideia de esforço extremo. Esses dados indicam que Paulo não considerava o enfrentamento de falsos ensinos como algo de pouca importância. E nós deveríamos considerá-lo assim? Muito provavelmente, por meio de seu combate ou luta em favor dos colossenses, Paulo quis dizer que suas orações eram por eles. Paulo orava para que o coração deles estivesse fortalecido, a fim de que não fossem enganados por falsos ensinamentos. Ele desejava que
eles permanecessem “vinculados em amor” e tivessem “toda a riqueza da plena convicção do entendimento, para conhecimento do mistério de Deus, que é Cristo” (Cl 2:2).
O conceito de conhecimento é muito importante em Colossenses. Ao longo da carta, Paulo desejava que seus ouvintes tivessem o conhecimento da “graça de Deus na verdade” (Cl 1:6); da “vontade de Deus, em toda a sabedoria e entendimento espiritual” (Cl 1:9); da “riqueza da glória deste mistério entre os gentios, que é Cristo em vocês” (Cl 1:27); e “do mistério de Deus, que é Cristo” (Cl 2:2). Assim, em resumo, Paulo mostrou que o antídoto contra os falsos ensinos é o conhecimento de Deus e de Cristo (Cl 2:1-4, 8). Esse conhecimento provém da Palavra de Deus, como Paulo deu a entender em Colossenses 3:16: “Que a palavra de Cristo habite ricamente em vocês. Instruam e aconselhem-se mutuamente em toda a sabedoria, louvando a Deus com salmos, hinos e cânticos espirituais, com gratidão no coração”.
Cristo, nossa única esperança de salvação
Em Colossenses 2:11 a 15, Paulo exaltou a obra salvífica de Cristo em nosso favor. Em Cristo, fomos circuncidados “não com uma circuncisão feita por mãos humanas” (Cl 2:11), mas por meio da obra de Cristo em nosso coração. Fomos “sepultados juntamente com Ele no batismo” e com ele fomos ressuscitados (Cl 2:12). Em outras palavras, Deus nos vivificou com Cristo, “perdoando todos os nossos pecados” (Cl 2:13). Em resumo, Paulo afirmou que Cristo é nossa única esperança de salvação.
No entanto, algumas declarações de Paulo em Colossenses 2, especialmente em Colossenses 2:11 a 23, têm sido usadas por muitos hoje para sugerir que o apóstolo estava falando sobre a anulação dos Dez Mandamentos; mais especificamente, argumenta-se que o sábado do sétimo dia não é mais válido nem obrigatório para os cristãos. Contrariamente a essa afirmação, Colossenses 2 não trata do cancelamento dos Dez Mandamentos. Paulo deu a entender diversas vezes em suas cartas que os Dez Mandamentos continuam válidos para os cristãos, como se pode observar nas passagens a seguir.
Paulo citou o quinto mandamento em Efésios 6:2 e 3; o sexto, o sétimo, o oitavo e o nono em Romanos 13:9; o décimo em Romanos 7:7 e 13:9. Em Colossenses 3:20, ele repetiu uma exortação que aparece em Efésios 6:1: “Filhos, obedeçam a seus pais”. Com base em Efésios 6:1 a 3, pode-se concluir que a exortação “Filhos, obedeçam a seus pais” (tanto em Ef 6:1 quanto em Cl 3:20) estava fundamentada na validade do quinto mandamento (Ef 6:2, 3; comparar com Êx 20:12). Em todas essas passagens está implícito que os Dez Mandamentos permanecem obrigatórios para os crentes sob a nova aliança. Além disso, as listas de vícios e virtudes nas epístolas paulinas, especialmente a lista de vícios encontrada em Colossenses 3:5 a 9, foram elaboradas com base nos Dez Mandamentos (ver David W. Pao, “Colossians & Philemon”, em Zondervan Exegetical Commentary on the New Testament [Grand Rapids, MI: Zondervan, 2012], p. 220).
Um estudioso presbiteriano reconheceu: “Há boas razões para se crer [...] que os Dez Mandamentos [...] ainda são obrigatórios para nós. Quando Jesus, por exemplo, falou sobre ‘os mandamentos’, ficou claro que Ele tinha em vista os Dez Mandamentos (Lc 18:20). De modo semelhante, quando Paulo falou sobre a lei em Romanos 7:7, ele estava se referindo aos Dez Mandamentos” (Iain D. Campbell, “Opening up Exodus”, Opening Up Commentary [Leominster, U.K.: Day One Publications, 2006], p. 83).
Em relação ao sábado do sétimo dia, as evidências do NT indicam que ele continua obrigatório para os crentes sob a nova aliança. Assim como Jesus, Paulo também guardava o sábado (ver Lc 4:16; At 17:2). Em Apocalipse 14:6 e 7, uma alusão ao quarto mandamento ressalta a validade do sábado do sétimo dia para os cristãos. De modo semelhante, quando Paulo e Barnabé protestaram contra a adoração que estava sendo oferecida a eles por idólatras, chamaram a atenção para a adoração ao “Deus vivo, que fez o céu, a Terra, o mar e tudo o que neles há” (At 14:15; ver Êx 20:11). Também é possível que, ao retratar a supremacia de Cristo em Colossenses 1:15 a 20, Paulo tivesse em mente tanto Gênesis 1 e 2 quanto Êxodo 20:8 a 11. Esses dois trechos têm em comum o tema do sábado (ver John K. McVay, “Colossians,” em Ángel Manuel Rodríguez, ed., Andrews Bible Commentary: New Testament [Berrien Springs, MI: Andrews University Press, 2022], p. 1745, 1751-1753).
Considerando que Paulo guardava o sábado, é evidente que ele não poderia estar argumentando a favor do cancelamento dos Dez Mandamentos em Colossenses 2:11-23. Assim, o “escrito de dívida” (v. 14) cravado na cruz não se refere à lei moral, mas consiste numa metáfora para ilustrar nossa dívida moral para com Deus por causa de nosso pecado (Rm 6:23). Foi essa dívida que Jesus cravou na cruz ao morrer em nosso lugar (2 Co 5:19; Gl 3:13). Da mesma forma, Colossenses 2:16 não afirma que o sábado semanal foi abolido; o que cessou foram as celebrações cúlticas (“comer e beber”) associadas aos dias festivos do calendário judaico. Estudos recentes demonstram que a melhor tradução do verso 16 é a seguinte: “Ninguém, pois, vos julgue pelo comer ou pelo beber [em grego, en brosei kai en posei] ou por qualquer outra parte [? en merei] de um festival, ou lua nova, ou sábado.” Eram essas celebrações cúlticas que eram “sombras das coisas futuras” (v. 17), não necessariamente os dias em si. O sábado do sétimo dia nunca foi uma “sombra” temporária de nenhuma realidade salvífica. Para mais detalhes, ver Wilson Paroschi, “The Sabbath in Colossians 2:16-17: Identify, Meaning, and Theological Implications”, em The Sabbath in the New Testament and in Theology: Implications for Christians in the Twenty-First Century, ed. Ekkehardt Mueller e Eike Mueller [Silver Spring, MD: Biblical Research Institute, 2023], 381-407).
APLICAÇÃO PARA A VIDA
Reflita nos seguintes temas. Em seguida, peça aos alunos que respondam às perguntas ao fim da seção.
Filipenses 1:6 é, sem dúvida, uma das passagens mais conhecidas da Bíblia. Amamos esta promessa: “Aquele que começou boa obra em vocês há de completá-la até o Dia de Cristo Jesus”. É essencial lembrar que a conclusão dessa obra em Cristo envolve o processo de conhecê-Lo por meio de Sua Palavra. De fato, não há como permanecer Nele se Suas palavras não permanecerem em nós (Jo 15:7). É da Palavra de Deus que recebemos o alimento para o crescimento espiritual (1Pe 2:2), o que inclui o crescimento na fé (Rm 10:17). Como escreveu o salmista:
“Em Ti, pois, confiam os que conhecem o Teu nome” (Sl 9:10). O conhecimento de Deus e de Sua Palavra nos impede de sermos enganados por falsos ensinamentos.
O verdadeiro conhecimento de Deus conduz naturalmente à submissão e à fidelidade a Ele. Nesse sentido, a lei moral exerce um papel fundamental, pois nos ensina sobre o caráter de Deus e revela Sua vontade. No entanto, algumas pessoas afirmam que a lei é um obstáculo ao evangelho. Nada, porém, poderia estar mais distante da verdade. A realidade é justamente o oposto. Nas palavras de Joe M. Sprinkle, um estudioso metodista, a lei moral “é um prelúdio do evangelho”, no sentido de que “aponta para Cristo, que é o cumprimento da lei” (Joe Sprinkle, Biblical Law and Its Relevance: A Christian Understanding and Ethical Application for Today of the Mosaic Regulations, citado por Roy E. Gane, Old Testament Law for Christians: Original Context and Enduring Application [Grand Rapids, MI: Baker Academic, 2017], p. 4, nota de rodapé 2).
Perguntas:
1. Compartilhe com a classe um texto bíblico de que você gosta muito. De que maneira esse texto tem alimentado sua vida espiritual, fortalecido seu relacionamento com Deus ou protegido você de falsos ensinamentos?
2. Como a lei moral aponta para Jesus? De que forma Jesus é o cumprimento da lei? Por que é incorreto afirmar que a lei moral é um obstáculo ao evangelho?
DE FIJI PARA A LINHA DE FRENTE
Fiji | Jordan
Tudo começou com uma chama em meu coração, um chamado que eu não podia ignorar. Em 2023, depois de compartilhar minha história em um podcast, eu acreditei que estava à beira de algo grandioso. Poucos meses depois, me formei em teologia, esperançoso e ansioso para servir onde quer que Deus me enviasse.
Minha primeira inscrição foi para a Missão Tonga, em resposta a uma vaga na capelania. Quando eu recebi uma resposta positiva duas semanas depois, me enchi de entusiasmo e orei com confiança, acreditando que era isso- meu primeiro posto missionário oficial. Mas tão rapidamente quanto a porta se abriu, ela se fechou. A missão reconsiderou sua decisão e eu não era mais necessário.
Candidatei-me a cargos missionários em outras organizações adventistas, mas nada dava certo. Eu estava desanimado. Sentia-me invisível e esquecido. Mas então, uma palavra calma de sabedoria mudou tudo.
Um dos meus antigos professores, Dr. Tabua Tui ma, olhou-me nos olhos e disse: "Comece seu ministério em Fiji, antes de sair para o mundo". Suas palavras se enraizaram em meu coração.
Não muito tempo depois, encontrei com o secretário ministerial da Missão Fiji. Ele me encorajou a enviar um pedido formal ao escritório da Missão. Com o coração humilde, enviei um currículo simples, expressando meu desejo de servir entre os falantes nativos de fijiano e trabalhar na área de comunicação.
No final de março de 2024, Deus abriu uma porta que eu não esperava. Fui designado para supervisionar três igrejas na cidade. Eu não tinha título ou salário - apenas um chamado, um coração disposto e uma missão.
Desde o primeiro dia, enfrentei grandes desafios. A barreira do idioma era uma montanha que eu tinha que escalar. Tive que aprender rapidamente a pregar, orar e ministrar fluentemente em fijiano. Um dia, a esposa de um ancião confessou discretamente: "Alguns de nossos membros não gostam do novo pastor porque ele prega em inglês". Outros questionaram por que a Missão havia enviado alguém tão jovem. Eu tinha apenas 22 anos.
Essas palavras me magoaram profundamente, mas não deixei que elas me definissem. Eu fiquei. Orei. Persisti.
Minha agenda era intensa. Os sábados eram uma maratona: Escola Sabatina em uma igreja, culto divino em outra, e JA em uma terceira. Os dias da semana eram preenchidos com reuniões de oração, programas para jovens, ministério de Pequenos Grupos. Mas algo maravilhoso aconteceu em meio à agitação: comecei a entender meu povo. A língua deles se tornou minha língua. A confiança deles se tornou minha recompensa.
Então, em maio, um novo capítulo se desenrolou. Fui convidado para apresentar o programa Coast to Coast Breakfast Show da nossa igreja, na Hope FM Fiji. No começo, eu era terrível. Tropeçava nas palavras, me atrapalhava com o equipamento e lutava contra a exaustão do ministério noturno. Mensagens negativas chegavam por mensagens de texto e e-mails. Mas eu não desisti. Estudei. Ouvi. Cresci. Lentamente, minha voz se tornou familiar, não apenas em Fiji, mas em todo o mundo.
No ar, compartilhei testemunhos, explorei princípios da igreja, abri as Escrituras e incentivei os ouvintes. Fora do ar, estava lutando contra uma tempestade pessoal.
Eu não tinha renda, e carregava o fardo de ajudar outros. Ajudei na educação da minha irmã de 16 anos e ofereci a mesma oportunidade à minha prima, que havia abandonado a escola devido às dificuldades financeiras. Prometi cobrir as mensalidades deles por três semestres, confiando que Deus providenciaria. Foi difícil, mas nunca passei fome. O meu ancião me dava carona e, às vezes, me dava um pequeno presente. Nunca esqueci a sua generosidade discreta.
Mesmo no meu único dia de folga - segunda-feira - não era meu. Passava o tempo como voluntário em um lar de idosos, orando para que Deus me ensinasse a ser humilde. E Ele o fez, por meio das mãos enrugadas e dos olhos sábios daqueles a quem eu servia.
Mais tarde, eu me matriculei em um curso básico de língua de sinais, frequentando duas vezes por semana durante seis meses. Eu me formei em novembro de 2024, o mesmo mês em que paguei as mensalidades de ambas as garotas. Um milagre, verdadeiramente.
Hoje, estou em Java Oriental, na Indonésia, longe de casa, mas exatamente onde Deus quer que eu esteja. Ensino inglês em um colégio,orientando os alunos a terem um caráter semelhante ao de Cristo, em um lugar onde declarar Jesus publicamente não é bem-vindo.
Eu luto. Sinto-me sozinho. Não há nenhuma igreja por perto. No entanto, todos os dias sou lembrado: este é o seu campo missionário. Eu me apego à verdade de que Jesus é meu companheiro constante, meu melhor Amigo.
Estou honrado por fazer parte da iniciativa Eu vou:
• Eu vou até a minha família: Deus respondeu minhas orações e libertou minha mãe do vício.
• Eu vou até o meu próximo: Ajudei minha prima a voltar para a escola.
• Eu vou ao meu local de trabalho: Eu ofereci a minha voz e meu tempo para servir através da mídia e da escrita.
• Eu vou até os confins da Terra: E agora eu sirvo em uma região onde não posso falar o nome Dele livremente, mas posso vivê-Lo com ousadia.
Essa é a minha jornada de fé, serviço e entrega. De Fiji para Java Oriental- Deus me guiou a cada passo do caminho.
Parte das ofertas trimestrais de anos anteriores ajudaram a apoiar o ministério do Canal de Televisão e Rádio Hope FM, no Pacífico Sul. Obrigado por sua deste trimestre, que ajudará a apoiar projetos de saúde para crianças nas Ilhas Salomão e Vanuatu.
Conforme contado a Maika Tuima, escrito por Jordan Weatherall.
Eu vou
A iniciativa Eu Vou é um grito de guerra para o envolvimento total dos membros. É um chamado para que cada membro da igreja se envolva ativamente em alcançar o mundo para Jesus, usando seus dons espirituais dados por Deus para o testemunho e serviço. Explore o plano "Eu Vou" e encontre seu lugar neste movimento global! Visite IWillGo.org.
Dicas para a história
• Mostre a localização de Fiji e Java Oriental, Indonésia, onde Jordan é um missionário, no mapa.
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• Compartilhe fatos e atividades relacionadas à Divisão do Pacífico Sul: bit.ly/spd-2026.

