Acho que talvez eu seja a única pessoa no mundo que consegue ver beleza em um varal cheio de roupas recém-lavadas. As cores dos tecidos, os diferentes tamanhos das peças e o cheirinho agradável de amaciante provocam em mim uma sensação de leveza.
Quando menina, ficava fascinada observando as roupas e os lençóis pendurados nas cercas de madeira que protegiam nossa pequena casa feita de barro com varas, lá no sertão do Nordeste do Brasil. Aqueles lençóis brancos, que haviam estado em condições tão lamentáveis de sujeira e, às vezes, muito malcheirosos, exalavam, então, um aroma muito agradável de limpeza, que fora obtido à base de sabão feito em casa e de longas horas quarando ao sol.
Depois de adulta, comecei a refletir que nós somos como aqueles lençóis, secando ao vento, tão limpinhos e cheirosos, mas também já estivemos sujas e com o cheiro ruim do pecado; já nos encontramos feias e amarrotadas pelos vícios, maus hábitos e defeitos de caráter.
Para deixar os lençóis sem manchas, branquinhos e com cheiro agradável, minha mãe e minhas tias gastavam horas lavando, ensaboando e até batendo os lençóis em uma tábua de pedra na beira de um rio. Jesus também passou horas sofrendo pelo abandono de Seus melhores amigos e sendo interrogado por líderes religiosos egoístas. Foi pregado em uma rude cruz, na qual derramou Seu precioso sangue, a fim de nos lavar e purificar de nossos vergonhosos pecados, que nos causam vazio e tristeza. Ele nos ensina, transforma e às vezes permite que sejamos sacudidas pelas provações, para que a limpeza, a beleza e o bom cheiro de um cristianismo prático possam atrair pessoas carentes de amor, perdão e bondade aos pés do Mestre. Elas ficarão fascinadas em saber que também podem ser lavadas e purificadas pelo sagrado sangue de Jesus.
Maria Lucia Oliveira