Como está o seu relacionamento com Deus? Está firme, vivo, cheio de sig-nificado? Você tem investido tempo nessa conexão, buscando a Palavra inspirada de Deus e conversando com Ele como um amigo pessoal? Se sim, quanto tempo tem dedicado a isso?
Talvez você sinta vontade de compartilhar essa experiência. Afinal, é a mais preciosa da vida. Porventura, não. Pode ser que seu relacionamento com Deus esteja desgastado: a conexão existe, você a retoma de vez em quando, mas já não parece tão próxima. Ou talvez você esteja em um ponto intermediário, aquilo que a Bíblia chama de mornidão (Ap 3:16).
É possível que os anjos fiquem intrigados ao ver como conseguimos viver sem adorar nosso Salvador e Redentor. Como conseguimos seguir a rotina sem buscar a presença de Deus, com o coração sedento e a mente desperta? A verdade é que um relacionamento real com o Senhor muda tudo: a maneira como vivemos agora e o nosso destino eterno.
Nesta semana, refletiremos sobre nosso relacionamento com Deus e o que a Bíblia diz a respeito. Só avançaremos quando encararmos a realidade e aceitarmos a solução divina.
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O que Jesus diria sobre seu relacionamento com Ele hoje? Talvez diria que está firme. Ou reconheceria que, no passado, esse relacionamento já foi mais forte. O que Jesus diria sobre Seu povo nestes últimos dias da história? Na verdade, Ele já disse em Apocalipse 3:14 a 22.
Jesus começa Se apresentando como a “Testemunha Fiel e Verdadeira, o Princípio da criação de Deus” (Ap 3:14). Uma testemunha assim não distorce os fatos; fala com clareza e honestidade.
1. Qual é a condição espiritual do povo de Deus e a sua condição pessoal? Ap 3:14-17
Jesus está falando conosco, cristãos que vivem nos últimos dias. Ele diz que nos conhece e sabe como estamos: não somos quentes nem frios. Aos nossos olhos, não precisamos de nada. Vivemos dia após dia passando momentos com Deus e pensamos que isso basta. Mas não. Precisamos muito mais de Jesus do que conseguimos perceber.
Se ao menos fôssemos intensos em nosso amor e dedicação por Ele ou escolhêssemos viver longe Dele… Para Deus, isso seria melhor do que a mornidão. Jesus diz que está prestes a nos vomitar da Sua boca, porque, espiritualmente, o nosso “sabor” reflete exatamente o nosso estado. Contudo, Ele ainda não fez isso; ao contrário, está nos chamando a tomar decisões corajosas hoje mesmo.
2. Qual é o conselho de Jesus em Apocalipse 3:18 e 19?
Na antiguidade, compras quase sempre envolviam trocas – um bem por outro. E é isso que Jesus propõe: uma troca. Ele nos convida a entregar nossa indiferença em troca do Seu ouro, de Suas vestes brancas e do colírio espiritual que só Ele pode oferecer. Jesus deseja nos tornar ricos aos Seus olhos, cobrir-nos com Suas vestes perfeitas de justiça e abrir nossos olhos para enxergarmos que um relacionamento real e constante com Ele muda tudo. Ele nos oferece tudo de que precisamos, sobretudo porque não conseguimos prover por nós mesmos aquilo de que mais carecemos. Somente Ele pode fazê-lo – e o fará, se aceitarmos.
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Jesus diz: “Eu repreendo e disciplino aqueles que amo. Portanto, seja zeloso e arrependa-se” (Ap 3:19). Jesus Se importa com cada um de nós e com o nosso futuro. Se não fosse assim, teria sido fácil nos deixar seguir sozinhos, entregues à própria sorte, em vez da dolorosa jornada que Ele escolheu trilhar neste mundo. Porque nos ama, Cristo nos repreende. Ele deseja um relacionamento conosco e não Se satisfaz com fé superficial, atitudes inconstantes ou a busca de Deus apenas quando surgem necessidades.
Jesus nos repreende para o nosso bem e nos chama ao arrependimento. Mas só nos arrependemos quando reconhecemos que algo está errado. E foi isso que Jesus revelou: pensamos que estamos bem, mas somos infelizes, miseráveis, pobres, cegos e nus (Ap 3:17).
3. Qual é a promessa de Apocalipse 3:20? O que fazer para que ela se cumpra em nós?
É uma cena linda e extraordinária: o Deus do Universo quer sentar-Se à mesa para uma refeição conosco. Ele deseja compartilhar momentos de comunhão e conversa enquanto dividimos o alimento. Isso descreve um relacionamento profundo e duradouro, e Jesus nos convida a viver essa experiência com Ele.
Jesus está esperando com paciência e batendo à porta do seu coração. Talvez você já tenha visto essa cena em quadros ou ilustrações antigas. Jesus não força a entrada nem obriga você a falar com Ele. Não invade sua rotina nem exige atenção à força. É um convite manso, porém urgente. Afinal, o tempo é curto. Se você O ouvir, abra a porta. Ele entrará e passará a conduzir sua vida.
Essa imagem revela o tipo de relacionamento que Cristo deseja ter com cada um de nós. Quando você se encontrar com Jesus face a face, quando lançar sua coroa aos pés Dele, junto a milhões em adoração ao Criador (Ap 4:9-11; 5:11-14), olhará para trás e tentará lembrar as provações da vida – apenas para perceber que se tornaram pequenas diante da eternidade. Você acha que vai se arrepender do tempo que passou com Jesus aqui na Terra?
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Depois de descrever nossa indiferença, Jesus afirma que ela deve ser ven-cida: “Àquele que vencer darei o direito de se assentar Comigo no Meu trono, como Eu também venci e Me assentei com o Meu Pai no Seu trono” (Ap 3:21, NVI). Para muitos, a batalha mais difícil é reconhecer sua fragilidade, admitir a própria incapacidade, aceitar a repreensão de Jesus, arrepender-se e receber, com os olhos espiritualmente abertos, as vestes de Sua justiça.
O mais impressionante é que Jesus compreende nossa mornidão e indiferença – não porque tenha passado por isso, mas porque Se identifica conosco. Ele diz: “Àquele que vencer [...] como Eu também venci.” Jesus morreu para nos salvar. Por isso, venceu o pecado e sua penalidade. Ele entende a luta que travamos contra o pecado e promete nos ajudar.
Na Bíblia, muitas pessoas responderam ao convite de Deus para entrar em um relacionamento de aliança com Ele. Essa é a história que percorre toda a Escritura. E, ao analisarmos a vida dessas pessoas, percebemos que Deus interagiu com cada uma delas de modo único, conforme a situação e o momento.
4. O que os seguintes textos revelam sobre como Deus interage com as pessoas?
Gn 2:7; 3:8-10
Gn 5:24
Gn 6:13
Gn 12:1-4
Êx 34:29
Seja andando visivelmente ao lado de Seus filhos, seja falando com eles, Deus sempre desejou estar perto da humanidade. E isso não mudou. Independentemente de como esteja seu relacionamento com Ele hoje, o desejo de Deus permanece o mesmo: estar ao seu lado. O profeta escreveu: “De longe o SENHOR lhe apareceu, dizendo: ‘Com amor eterno Eu a amei; por isso, com bondade a atraí. Eu a edificarei de novo, e você será edificada’” (Jr 31:3, 4).
Seja no começo, seja no fim do dia, Deus está buscando você, esperando para levá-lo para perto Dele. O Pai deseja construir ou, quem sabe, reconstruir seu relacionamento com Ele. E, se isso ainda não acontece, o problema não está com Deus, mas com você.
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Os discípulos seguiram Jesus, descendo as escadas estreitas da sala onde haviam jantado até a rua. Caminharam juntos em direção ao jardim do Getsêmani, naquela que se tornaria uma das noites mais importantes da história. Talvez ainda não tivessem compreendido o peso das últimas pala-vras que tinham ouvido de Jesus.
5. O que as palavras de Cristo em João 15:1-11 revelam sobre estar ligado a Ele?
Essas palavras, ditas pelo próprio Jesus, mostram o que significa ter um relacionamento profundo com Deus. O verbo permanecer é repetido dez vezes nesse trecho. Permanecer em Jesus é viver em conexão constante com Ele. Às vésperas da cruz, Jesus não apenas ressaltou a importância dessa permanência, como também explicou, de modo claro e prático, como isso acontece no dia a dia.
A ilustração é clara: Jesus é a Videira, e nós somos os ramos. Se permanecermos Nele – isto é, se estivermos ligados a Ele –, produziremos frutos. Não conseguimos frutificar por conta própria. Às vezes, até parecemos estar conectados, mas a prova real está nos frutos. Sem frutos, os ramos secam; e ramos secos são cortados pelo Lavrador (Deus, o Pai). Produzindo frutos ou não, todo ramo é podado.
Todos enfrentamos lutas e momentos dolorosos. Mas, se permanecermos em Jesus, até essas experiências difíceis acabarão produzindo frutos com o tempo. Frutificar confirma quem somos: discípulos de Cristo. E os frutos não nascem para a nossa glória, mas para a glória de Deus. Permanecer em Jesus significa obedecer aos Seus mandamentos, que refletem Seu caráter de amor altruísta. E isso gera alegria verdadeira. Permanecer em Jesus é fazer o que Ele nos pede, como resposta de amor: “Porque este é o amor de Deus: que guardemos os Seus mandamentos. E os Seus mandamentos não são difíceis de guardar” (1Jo 5:3).
Se pensarmos bem, permanecer em Jesus é um dos antídotos mais poderosos contra a condição espiritual de Laodiceia (Ap 3:20; Jo 15:4). É o grande segredo de uma vida plena e significativa – agora e por toda a eternidade. Ainda assim, com frequência nos esquecemos desse conselho.
Jesus diz a cada um de nós: “Como o Pai Me amou, também Eu amei vocês; permaneçam no Meu amor” (Jo 15:9). O amor de Jesus é o elo mais forte que nos atrai a Ele. E, quando conhecemos esse amor de verdade, somos profundamente tocados e levados a responder com amor a Deus e aos outros.
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Permanecer em Cristo pode, às vezes, parecer uma das tarefas mais difí-ceis da vida. Sabemos que é disso que precisamos, mas a correria do dia a dia nos arrasta, e tudo parece pesado demais. Esse tipo de religião vira uma rotina árdua, porque se concentra no exterior, e não no que está no coração.
Nada poderia estar mais distante do que Deus deseja: um relacionamento de amor, não apenas de regras. É um vínculo que nasce de decisões conscientes: Ele nos escolheu primeiro, e nossa resposta nasce do amor e da liberdade.
Às vezes, estamos apenas parcialmente ligados à Videira, mas não nos ligamos a ela de todo o nosso ser. Vamos à igreja, oramos, tentamos viver de maneira correta, mas, por dentro, nos sentimos secos e esgotados. A ver-dade é que não conseguimos permanecer em Jesus por conta própria, assim como um ramo não consegue se conectar sozinho à videira. Foi Deus quem nos amou primeiro. Foi Ele quem deu o primeiro passo. Sempre que respondemos, apenas reagimos ao que Ele já fez por nós.
Observando como a videira atravessa o inverno, descobrimos uma ver-dade fascinante: os brotos ficam desidratados e se isolam do sistema de crescimento até a primavera. Quando o solo aquece e as raízes absorvem água, a seiva sobe pelo tronco, alcança os brotos e inicia um novo ciclo de vida. Sem essa seiva fluindo, não há crescimento.
A seiva da videira é como o Espírito Santo em nossa vida. Podemos ser como um ramo seco, sem vigor, mas, quando decidimos passar tempo com Deus, o Espírito Santo flui em nós como a seiva que vem das raízes e nos leva à vida, de modo que começamos a crescer. Da mesma forma que precisamos decidir conscientemente permanecer em Jesus, devemos pedir que o Espírito Santo (a “seiva”) seja derramado em nossa vida.
6. Leia Lucas 11:13 juntamente com Jeremias 31:3; 1 João 4:19 e Romanos 8:9-11. Qual é a mensagem central desses textos?
É o Espírito Santo quem promove nosso crescimento espiritual e garante que estejamos realmente vivos e conectados à Videira. Por isso, deve-mos pedir todos os dias Sua presença. Ele está conosco aqui na Terra para cumprir quatro propósitos: 1. Ser nosso Consolador (Jo 14:16-18); 2. Revelar Jesus a nós (Jo 15:26); 3. Convencer-nos do pecado (Jo 16:7, 8); e 4. Guiar-nos a toda a verdade (Jo 16:13).
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Antes do nosso nascimento, Deus nos amava. Ele queria ter um relaciona-mento conosco. Como o Bom Pastor, Ele nos busca e nos convida a permanecer Nele. Nossa parte é responder ao chamado, trocando nossa miséria e a condição espiritual de Laodiceia pelos verdadeiros tesouros que Cristo deseja nos dar (Ap 3:18, 19).
Assim como os ramos da videira crescem devagar, nosso relacionamento com Deus pode se desenvolver aos poucos, ou dar saltos de crescimento, como resultado de uma chuva. Seja qual for o ritmo, e independentemente da quantidade de frutos produzida, precisamos todos os dias da “seiva”, isto é, do Espírito Santo, para permanecer ligados a Jesus. “Permanecer em Cristo significa receber constantemente de Seu Espírito; uma vida de inteira entrega a Seu serviço. As vias de comunicação entre a pessoa e seu Deus devem estar sempre abertas. Como o ramo tira sem cessar a seiva da videira viva, assim devemos nos apegar a Cristo, e receber Dele, pela fé, a força e perfeição de Seu caráter” (Ellen G. White, O Desejado de Todas as Nações [CPB, 2021], p. 544).
“Como um ramo seco e separado pode tornar-se um com o tronco da videira-mãe? Como se tornar participante da vida e do alimento da videira viva? Somente sendo enxertado na videira, sendo levado a um relaciona-mento profundo com ela. Fibra por fibra, veia por veia, o ramo se fixa firmemente à videira que comunica vida, até que a vida da videira se torna uma com o ramo. Então o ramo começa a produzir frutos semelhantes aos da videira” (Ellen G. White, Manuscrito 67, 1897).
Perguntas para consideração
1. Quais eventos o levaram à condição de Laodiceia? Quais fatos o aproximaram de Deus?
2. Você tem orado pelo Espírito Santo? Como isso mudaria sua vida?
3. O que aconteceria se orássemos com mais fervor e frequência pedindo o Espírito Santo?
4. Como está seu relacionamento com Deus? Como restaurar essa conexão?
Respostas às perguntas da semana: 1. O povo de Deus se considera rico e sem necessidades, mas está morno, pobre e cego. Somos chamados a reconhecer onde temos nos acomodado e a depender de Cristo. 2. Trocar nossa condição por aquilo que só Jesus pode conceder: ouro, vestes brancas e colírio, respondendo com zelo e arrependimento. 3. Jesus promete entrar e cear conosco. Para isso, precisamos ouvir Sua voz e abrir a porta, acolhendo Sua presença. 4. Deus toma a iniciativa e Se aproxima de modos distintos (cria, busca, fala, chama, manifesta Sua glória), estabelecendo Sua aliança e transformando quem responde ao Seu chamado. 5. Estar ligado a Cristo é permanecer Nele: um relacionamento diário que produz fruto, alegria e obediência amorosa. Sem Ele, secamos. 6. Deus possui amor eterno, e amamos porque Ele nos amou primeiro. O Espírito Santo é o dom pedido pela fé, habita em nós e nos dá vida em Cristo.
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TEXTO-CHAVE: Ap 3:14-22; Jo 15:9; Jr 31:3
FOCO DO ESTUDO: Ap 3:14-22
ESBOÇO
Introdução: Nesta lição, confrontaremos a realidade de nossa atual condição espiritual como igreja. Essa realidade nos diz respeito tanto coletivamente, como povo de Deus, quanto pessoalmente, como indivíduos. Nossa análise dessa condição será feita à luz da mensagem apocalíptica à igreja dos laodiceanos. Essa mensagem constitui a sétima e última carta às igrejas da Ásia Menor, encontrada no livro do Apocalipse. As sete cartas, contidas nos capítulos 2 e 3, são profecias que abrangem a história da igreja cristã, desde o período da igreja primitiva até o tempo do fim. Nelas, é o próprio Deus quem Se dirige à Sua igreja.
É claro que as sete igrejas da “Ásia” não se referem literalmente a igrejas contemporâneas, as quais, obviamente, são muito mais numerosas hoje do que no tempo de João. Em vez disso, seguindo a tradição das profecias do Antigo Testamento (Dn 2; 7; 8; Jr 6:2), o livro do Apocalipse utiliza figuras para transmitir sua mensagem escatológica. Especificamente, as igrejas literais, com suas características históricas e geográficas, são usadas como representações simbólicas da verdade profética. Como exemplo, um olhar rápido sobre a progressão das ações do Senhor em favor de Sua igreja, conforme retratadas nas sete cartas, sugere que a vinda literal do Senhor se aproxima cada vez mais:
1. Éfeso: O Senhor “anda” (Ap 2:1).
2. Esmirna: O Senhor “esteve morto e tornou a viver” (Ap 2:8).
3. Pérgamo: O Senhor adverte Seu povo: “Portanto, arrependa-se! Se não, irei até aí sem demora” (Ap 2:16).
4. Tiatira: O Senhor exorta com insistência Seu povo a conservar o que tem “até que Eu venha” (Ap 2:25).
5. Sardes: O Senhor adverte Seu povo que, se não guardasse o que havia recebido e ouvido e não se arrependesse, viria “como ladrão” (Ap 3:3).
6. Filadélfia: O Senhor exclama: “Venho sem demora!” (Ap 3:11).
7. Laodiceia: O Senhor declara Sua proximidade em relação ao coração do Seu povo, anunciando: “Eis que estou à porta e bato” (Ap 3:20).
A mensagem aos laodiceanos marca, portanto, o momento crucial em que a vinda do Senhor está mais próxima: Ele agora bate à porta do coração. Espera nossa resposta ao Seu gracioso convite para que O concedamos entrada, a fim de que habite conosco (ver também Cl 1:27).
COMENTÁRIO
Introdução: A carta à igreja de Laodiceia é uma profecia que prevê a condição espiritual do povo de Deus nos últimos dias e os exorta a responder adequadamente. O Autor da mensagem é designado por três títulos, os quais se referem à história humana do fim para o começo, seguindo a sequência efeito–causa–efeito típica do pensamento hebraico. O primeiro título é “o Amém” (Ap 3:14), palavra que conclui a oração cristã e expressa a esperança escatológica do cumprimento da promessa de salvação de Deus (2Co 1:20). O título “Testemunha Fiel e Verdadeira” refere-se à presença de Deus ao longo do contínuo curso da história humana. “O Princípio da criação de Deus” refere-se ao Criador que deu início à história. Esses títulos remetem à descrição de Jesus Cristo, vista na visão introdutória do Filho do Homem no Apocalipse, em que Ele é retratado como “a Testemunha Fiel” e “o Primogênito dos mortos” (Ap 1:5).
A carta à igreja de Laodiceia envolve três figuras principais: (1) o mensageiro, que é o anjo da igreja de Laodiceia (Ap 3:14); (2) o Autor da carta, que é Jesus; e (3) o povo que recebe a mensagem. A mensagem em si é dividida em quatro partes. Primeiro, Deus é apresentado como o Juiz que conhece (Ap 3:15). Em segundo lugar, a atenção é direcionada ao povo de Deus, que não tem consciência de sua verdadeira condição (Ap 3:16, 17). Terceiro, o Senhor responde à situação deles e aconselha Seu povo quanto ao remédio (Ap 3:18). Quarto, a carta revela a extensão do amor de Deus por Seu povo (Ap 3:19-21). Examinaremos cada uma dessas partes com mais atenção no comentário que segue.
Seção 1: O Juiz do povo. Nesta primeira parte, o Senhor confronta Seu povo com um diagnóstico de sua condição. Mas, antes mesmo de diagnosticá-los, Ele lembra-os de Sua onisciência: “Conheço as obras que você realiza” (Ap 3:15). Nos Salmos, Davi inicia sua oração de confissão com essa mesma consciência: “Senhor, Tu me sondas e me conheces” (Sl 139:1). O povo não pode escapar dos olhos de Deus: “Para onde me ausentarei do Teu Espírito?” (Sl 139:7). Deus é reconhecido como o Juiz que tudo vê (Hb 12:23; 2Tm 4:1; Pv 5:21; Pv 15:3). Não há como fugir ou enganar o olhar penetrante do grande Juiz, que também é o nosso Criador: “Pois Tu formaste o meu interior” (Sl 139:13); e “Aquele que fez o ouvido será que não ouve? Aquele que formou os olhos será que não enxerga?” (Sl 94:9).
Significativamente, seguindo a tradição do antigo profeta hebreu Miqueias (Mq 1:10-16), João faz uso de jogos de palavras com nomes geográficos, conferindo ao texto bíblico um profundo significado espiritual. Assim, o nome Laodiceia, que significa “justiça do povo”, serve de lembrete ao povo de Deus de que Ele fará três coisas por eles: (1) conceder-lhes um veredito favorável e justo no dia do juízo; (2) vingá-los de seus inimigos; e (3) salvar, por meio da obra substitutiva de Cristo, seus seguidores da ira de um Deus justo e santo contra o pecado. As justas exigências da lei foram cumpridas por meio do sacrifício expiatório de Cristo. Assim, Deus pode, com misericórdia, livrar Seu povo da penalidade do pecado. No sentido mais pleno, portanto, como Aquele que substitui a sentença de morte deles aceitando Ele mesmo a penalidade, Cristo Se coloca como a “justiça do povo”.
Seção 2: A condição do povo. A primeira acusação de Deus contra Laodiceia diz respeito à sua profissão religiosa: eles não são “frios nem quentes”, mas mornos (Ap 3:15, 16).
O povo de Deus afirma ser “rico” (Ap 3:17). Ou seja, consideram-se ricos em verdades bíblicas; afinal, são “o remanescente”. Pensam que são o laos dikaios, “o povo justo” (ironicamente, outro significado do nome “Laodiceia”). No entanto, são culpados de uma deficiência quíntupla: pobres, miseráveis, infelizes, cegos e nus. Acreditam que veem; afirmam ter grande entendimento espiritual. Gabam-se das grandes verdades das quais são detentores. Contudo, são incapazes de enxergar a própria condição ou a real necessidade que possuem: estão destituídos do Espírito Santo. Não são santificados pelas verdades que professam. Essa pretensão autoconfiante e a incapacidade de perceber sua necessidade alimentam e sustentam seu orgulho e a falta de humildade; por isso, o povo se vangloria, ao dizer: “Não preciso de nada” (Ap 3:17). Também não sentem necessidade de aprender, crescer, mudar ou compreender a causa de sua miserável condição. Como resultado, não sentem necessidade de arrependimento.
Seção 3: Os conselhos do Senhor. Diante da condição do povo, os conselhos de Deus a Laodiceia são uma resposta direta às suas três necessidades. A primeira necessidade diz respeito à sua profissão de fé, comparada à água morna. A água morna é repulsiva para beber. Por essa razão, Deus adverte Seu povo de que “está a ponto de vomitá-lo da Sua boca” (Ap 3:16). Ou seja, Ele os rejeitaria – assim como advertira o antigo Israel, nos tempos do Antigo Testamento, por causa de sua infidelidade (Lv 18:25). O fato de o povo de Laodiceia não ser nem frio nem quente mostra, ainda mais, seu pensamento ilusório de que são ricos no favor de Deus, quando, na realidade, são espiritualmente empobrecidos.
O conselho de Deus, portanto, a Laodiceia é primeiramente que comprem Dele ouro refinado no fogo. Esse pequeno detalhe sobre a qualidade do ouro tem implicações significativas: sugere que o povo de Deus não deveria se contentar com ouro barato, amalgamado com impurezas. Tampouco deveria aceitar ouro falso, que possui apenas a cor e a aparência do ouro genuíno. Por meio desses símbolos, o Senhor adverte Seu povo contra uma religião falsa e superficial. Assim, Deus exorta Seu povo a adquirir Dele o artigo genuíno.
O segundo conselho de Deus diz respeito às vestes do Seu povo. Por estarem nus, Deus os aconselhou a comprar também “vestes brancas para se vestir” (Ap 3:18). Em outra parte do Apocalipse, João afirma que a Nova Jerusalém, a noiva do Cordeiro, deve “vestir-se de linho finíssimo, resplandecente e puro, porque o linho finíssimo são os atos de justiça dos santos” (Ap 19:8). Como a nossa justiça é, na melhor das hipóteses, “como trapo da imundícia” (Is 64:6), precisamos da justiça de Cristo para cobrir nossa nudez, conforme ilustrado pelas vestiduras brancas. A brancura exemplifica a pureza, que representa a justiça imputada e comunicada de Deus. Por serem incapazes de enxergar sua verdadeira condição, Deus recomenda que unjam os olhos com colírio, a fim de lhes restaurar a visão. Então poderiam perceber sua nudez e a urgente necessidade dos meios de cura divinamente providos.
Seção 4: O amor do Senhor. O diagnóstico de Deus sobre a verdadeira condição do Seu povo tem o propósito de despertar neles a consciência de sua real impotência e desesperança sem Ele (Ap 3:15-18). Em seguida, no versículo 19, Deus expressa a infinita medida de Seu amor.
O profeta Jeremias usa a mesma linguagem ao se referir ao “amor eterno” de Deus (Jr 31:3). O termo hebraico ‘olam, geralmente traduzido como “eterno”, refere-se a mais do que uma qualidade cronológica ou longa duração. Essa expressão idiomática transmite a ideia de intensidade. Ou seja, o amor de Deus é tão intenso e tão grandioso que está além de qualquer medida, assim como o caráter infinito da própria eternidade. A eternidade do amor de Deus, revelada ao Seu povo, tem o objetivo de despertar nele uma resposta positiva à Sua disciplina: “Portanto, seja zeloso e arrependa-se” (Ap 3:19)
Nesse momento, logo após Suas palavras de exortação pastoral, o discurso do Senhor torna-se mais pessoal. Até então, Deus Se dirigiu a Laodiceia coletivamente, como Seu povo, a igreja como um todo nos últimos dias. Agora, no versículo 20, Ele Se volta subitamente para cada crente dentro dessa igreja como um indivíduo único, a quem Ele ama pessoalmente e com quem mantém um relacionamento distinto. É significativo que, na repetição apocalíptica do número sete, o verbo “Eu amo”, na primeira pessoa, é seguido por outros sete verbos que expressam o amor intenso e pessoal do Senhor por cada um de nós (Ap 3:19-21): (1) “Eu repreendo”; (2) “Eu disciplino”; (3) “Estou à porta”; (4) “bato”; (5) “entrarei”; (6) “cearei com ele, e ele Comigo”; e (7) “lhe concederei sentar-se Comigo no Meu trono.”
APLICAÇÃO PARA A VIDA
Dica para o professor: Peça a um voluntário que releia a mensagem à igreja de Laodiceia em Apocalipse 3:14 a 11. Em seguida, discuta com a classe as seguintes atividades e perguntas.
Críticas de Deus à Sua igreja
1. “Você não é frio nem quente” (Ap 3:15).
A. Encontre casos em que essa profecia tenha se cumprido na igreja e em sua própria experiência pessoal.
B. O que você pode fazer para enfrentar o problema da mornidão sem cair no fanatismo?
2. “Você diz: ‘Sou rico [...] e de nada tenho falta’” (Ap 3:17).
A. Liste casos em que sua igreja, no passado ou no presente, tenha se vangloriado, para seu próprio prejuízo, de riquezas e conquistas espirituais, materiais ou missionários.
B. Como o conselho de Deus à igreja de Laodiceia ajuda a proteger constra essa atitude orgulhosa?
Exigências de Deus
3. “Compre de Mim ouro refinado no fogo” (Ap 3:18).
O HOMEM COM UMA PERNA
Papua-Nova Guiné| Sam
Sam morava em um bairro onde drogas, extorsão, prostituição e roubo eram comuns. Então, ainda muito jovem, ele começou a beber álcool, usar drogas e passar a maior parte do tempo nas ruas.
Aos 15 anos, ele entrou para uma gangue. Começou a roubar, furtar e vender o que roubava. Todas as coisas ruins que ele fez trouxeram muitos problemas para sua família e para ele mesmo. Sua esposa e família tentaram fazê-lo frequentar a igreja, mas ele não estava interessado.
Em 19 de maio de 1995, ele foi baleado na perna direita pela polícia, que tentava impedir suas atividades criminosas. Ele perdeu a perna e sabia que, se tivesse morrido, não estaria pronto para encontrar com o Criador. Então, ele decidiu mudar.
No entanto, pouco tempo depois, ele passou uma semana com jovens em uma casa, bebendo álcool e fumando drogas. Às 3 da manhã, ele estava bêbado, ouvindo música pop com seus fones de ouvido.
No meio da playlist, a música de Carrie Underwood "Jesus Take the Wheel" (Jesus, assuma o volante) tocou. A letra tocou Sam e, com lágrimas nos olhos, ele deixou o grupo. Aquele refrão continuou ecoando em seus ouvidos e levou à sua conversão. No entanto, ele não contou a ninguém.
Na sexta-feira seguinte, uma voz continuava dizendo a ele: "Vá à igreja amanhã". Ele se levantou na manhã de sábado e, para que sua esposa não soubesse para onde ele estava indo, vestiu suas roupas habituais. Antes de chegar à igreja, ele vestiu suas roupas de sábado. Aquele sábado era 25 de novembro de 2013.
Quando sua esposa descobriu que ele havia aceitado Jesus, mudado seus caminhos e estava indo à igreja, ela ficou muito feliz.
Sam foi batizado em 19 de abril de 2014 e tornou-se um membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia em Popondetta.
Sam tornou-se um missionário e, em 2024, estava cuidando de uma igreja recém-organizada em Popondetta, que tinha sete igrejas plantadas. Em 2025, ele começou o treinamento na Escola Adventista de Ministério de Omaura, nas Terras Altas Orientais, para se preparar para o ministério.
Sam diz que é "muito grato por estar vivo e viver em liberdade". Muitos de seus antigos amigos estão mortos e outros estão cumprindo longas penas na prisão. A boa notícia é que, devido ao testemunho de Sam, muitos de seus antigos amigos também aceitaram Jesus, mudaram seus caminhos e se uniram à Igreja Adventista do Sétimo Dia.
Ele é um cristão altamente respeitado, e mesmo os membros de gangues que não aceitaram Jesus o respeitam -sua palavra tem muito peso para eles. Portanto, foi apropriado que Sam fosse nomeado como chefe de segurança das reuniões da Papua-Nova Guiné para Cristo em Popondetta.
Fora alguns tiros disparados atrás da multidão numa das noites, não houve nenhum problema. Na noite em que o apelo foi feito para aceitar Cristo como Salvador, um membro da gangue disse aos seus colegas: "Eu não sei o que vocês vão fazer, mas eu vou lá para a frente aceitar a Cristo". Seus colegas responderam: "Nós vamos com você".
Na última noite do programa, o pastor Don Fehlberg, ex-pastor sênior da área remota do Ministério Aborígene e das Ilhas do Estreito de Torres da União Australiana, que estava falando em Popondetta, conheceu um homem chamado Ronnie.
Ronnie disse ao pastor Don que havia sido batizado durante as reuniões. Ele disse que tinha tido uma vida bastante difícil e, apontando para Sam, disse: "Eu estava com ele". O pastor Don, que já havia ouvido a história de Sam, disse a Ronnie que entendia.
Agora, Sam e Ronnie se uniram, trabalhando para ganhar almas para Jesus. Eles são um time poderoso sob as bênçãos do Espírito Santo.
"Olhando para trás, sou muito grato à minha família adventista do sétimo dia", diz Sam. "Eles estavam dispostos a ser diferentes, a viver de acordo com os princípios da Bíblia. Eu passei a respeitá-los mais do que qualquer pessoa da gangue".
"Acima de tudo, agradeço a Deus por me ensinar a melhor maneira de viver."
Deus não apenas ajudou Sam a mudar seus hábitos e viver uma vida para glorificar Jesus, mas também está usando Sam de uma maneira poderosa para levar pessoas para Jesus. Ele preparou 95 pessoas para o batismo na Papua-Nova Guiné para Cristo!
Sam conclui: "Que essa história possa abençoar e encorajar um irmão como eu. Não importa o quanto você tenha errado - Deus ainda ama e se importa com você".
A versão original desta história, escrita por Don Fehlberg, foi publicada na edição de 28 de março de 2025 da Adventist Record, a revista oficial de notícias da Igreja Adventista do Sétimo Dia no Pacífico Sul. Adaptado com permissão.
Sua generosa oferta para este trimestre ajudará a Escola Adventista de Ministério de Omaura a preparar homens e mulheres a compartilharem as boas-novas em Papua-Nova Guiné. Obrigado por sua doação fiel!
Dicas para a história
• Mostre a localização de Papua-Nova Guiné no mapa.
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• Compartilhe fatos e atividades relacionadas à Divisão do Pacífico Sul: bit.ly/spd-2026.
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