Para desenvolvermos um relacionamento profundo com o Senhor, precisamos compreender com clareza o Seu caráter. Nesta semana, vamos examinar atentamente o que a Bíblia revela sobre quem Deus é, lembrando esta verdade: “A escuridão do falso conceito acerca de Deus é que está envolvendo o mundo. Os homens estão perdendo o conhecimento de Seu caráter. Este tem sido mal compreendido e mal-interpretado. Neste tempo deve ser proclamada uma mensagem de Deus, uma mensagem de influência iluminadora e capacidade salvadora. O caráter de Deus deve tornar-se notório. Deve ser difundida nas trevas do mundo a luz de Sua glória, a luz de Sua benignidade, misericórdia e verdade. [...] Os últimos raios da luz misericordiosa, a última mensagem de graça a ser dada ao mundo, é uma revelação do caráter do amor divino” (Ellen G. White, Parábolas de Jesus [CPB, 2022], p. 245).
Descrever Deus plenamente está além de nossa capacidade. Jamais compreenderemos toda a beleza do Seu caráter, mas podemos pedir que o Senhor faça crescer nosso entendimento e amor por Ele. Assim, desejaremos viver cada vez mais perto Dele, refletindo Seu amor e Seu caráter.
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A Bíblia nos oferece o retrato mais verdadeiro, claro e coerente de Deus. Toda a Bíblia tem o propósito de retirar o véu que separa o mundo visível do invisível, revelando de onde viemos, para onde vamos e, acima de tudo, quem está no controle de tudo – e como Ele é.
De Gênesis a Apocalipse, lemos a respeito do único Deus verdadeiro, que Se revela a nós por meio das Escrituras e de Jesus Cristo, o Deus encarnado. A Bíblia fala de inúmeras características de Deus que nos dão razões incontáveis para amá-Lo e desejar um relacionamento constante com Ele: Sua onipotência (Jó 1:12), Sua onisciência (Is 46:9, 10), Sua justiça (Is 30:18), Sua misericórdia (Dt 7:9), Sua paciência e amor por nós (Rm 2:4), Sua sabedoria (1Co 2:7), Sua graça (2Co 12:9), Seu perdão (Mt 6:14), Sua vontade para a nossa vida (Jr 29:11), Seu poder sobre a morte (Jo 11:25), Sua soberania (Sl 47:8) e Sua eternidade (Dt 33:27), entre muitos outros atributos. Quanto mais conhecermos a Deus e entendermos quem Ele é, mais O amaremos e mais desejaremos desenvolver um relacionamento íntimo e contínuo com Ele.
Foi Lúcifer quem primeiro duvidou do caráter de Deus. Suas dúvidas sobre quem é o Senhor deram início à maior batalha da história do Universo. Desde então, “é o constante cuidado de Satanás manter a mente dos homens ocupada com aquilo que os impede de obter o conhecimento de Deus” (Ellen G. White, Testemunhos Para a Igreja [CPB, 2021], v. 5, p. 628). Satanás não se importa com a imagem que alguém faz de Deus – seja panteísta, ateísta, deísta ou qualquer outra ideia –, desde que essa imagem não corresponda à realidade.
1. Leia Gênesis 3:1-5. Qual foi o objetivo de Lúcifer ao conversar com Eva? Que mentiras ele contou sobre o caráter de Deus?
No fim das contas, a mensagem de Satanás para Eva foi clara: “Deus está escondendo algo de você. Ele não quer o melhor para sua vida. Você não pode confiar Nele.” Ellen White aprofundou essa verdade ao afirmar: “Desde o início do grande conflito, o propósito de Satanás tem sido representar mal o caráter de Deus e provocar a rebelião contra Sua lei” (Patriarcas e Profetas [CPB, 2022], p. 287).
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“Santidade” não é uma palavra utilizada com frequência – talvez porque haja tão poucas realidades verdadeiramente santas ao nosso redor. O sábado, por exemplo, é um dia santo. E, acima de tudo, Deus é santo. No entanto, a vida humana costuma estar longe da santidade.
Se estudarmos os atributos que associamos ao caráter de Deus, perceberemos que a santidade está no centro de tudo o que Ele é. Mas o que isso realmente significa?
2. Como os textos a seguir descrevem Deus? Lv 20:26; 1Sm 2:2; Is 57:15; Ez 38:23
Quando a Bíblia ensina que Deus é santo, isso significa que Ele está completamente separado do mal e do pecado. Ele é sempre bom – em todo tempo. A santidade é o alicerce de todas as outras características divinas.
Isso dizer que o amor de Deus é puro e santo – livre de egoísmo e interesses próprios. Sua onisciência é santa, sem más intenções. Afinal, você confiaria em um Deus que conhece todas as coisas se Ele não fosse santo? Com razão, teríamos medo Dele.
A onipotência de Deus também é santa. Agora, imagine um Deus com poder infinito, mas sem santidade: seria um tirano aterrorizante. Só a santidade do Senhor permite que O amemos de verdade, pois garante que Ele é bom em tudo o que faz. Por isso, talvez a santidade seja a característica mais importante que precisamos compreender sobre o caráter de Deus – embora seja uma das mais mal compreendidas.
Pense em Moisés, Isaías, Ezequiel, Daniel e João, que contemplaram a glória divina. Qual foi a primeira reação deles? Tiraram as sandálias, esconderam o rosto ou caíram como mortos. Somos pecadores, e nossa condição humana está tão distante da santidade que não conseguimos permanecer de pé diante do Senhor. Nenhum ser humano pode olhar diretamente para a face de Deus e continuar vivo.
Entretanto, o Apocalipse descreve os quatro seres viventes diante do trono de Deus, que dizem: “Santo, santo, santo é o Senhor Deus, o Todo-Poderoso, Aquele que era, que é e que há de vir” (Ap 4:8).
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“Amor” talvez seja a palavra mais usada pelos cristãos para descrever o caráter de Deus. Isso está ligado ao conhecido texto de 1 João 4:8, que diz: “Deus é amor.” João não afirmou apenas que Deus é amoroso, mas que Ele é amor – o amor é a essência do que Ele é.
Para muitos, a imagem que formam de Deus baseia-se na ideia humana de amor – sempre limitada e imperfeita. No entanto, nossa definição de amor precisa apoiar-se no que Deus revelou sobre Si mesmo em Sua Palavra inspirada.
3. O que 1 João 4:7-19 nos ensina sobre o amor?
O amor de Deus é perfeito, soberano e relacional. Isso fica claro no convite para permanecermos Nele: “E nós conhecemos o amor e cremos neste amor que Deus tem por nós. Deus é amor, e aquele que permanece no amor permanece em Deus, e Deus permanece nele” (1Jo 4:16).
Deus é amor e nos criou à Sua imagem (Gn 1:27), com capacidade de amar e de ser amados. Em hebraico, uma das palavras mais importantes para amor é hesed, que descreve o amor de Deus em Sua aliança com a humanidade: leal, protetor, constante e terno.
As línguas originais da Bíblia usam diversos títulos para Deus, cada um iluminando algum aspecto do Seu caráter maravilhoso. Adonai, por exemplo, significa “Senhor”. Esse título destaca que Deus reina para sempre sobre todas as coisas e entra em aliança com Seu povo (Gn 15:2; Jz 6:15; Ml 1:6; Sl 97:5). Outro nome, Yahweh Yir’eh, significa “o Senhor proverá” (Gn 22:13, 14).
Em última análise, a maior expressão do amor de Deus está no dom que Ele deu à humanidade: Seu próprio Filho (Jo 3:16), que morreu pelos pecadores (Rm 5:8). Deus poderia ter retido essa dádiva, mas, por Seu amor extraordinário, generoso e totalmente altruísta, enviou Jesus à Terra para que pudéssemos responder livremente a esse amor, revelado na morte substitutiva de Cristo em nosso lugar. Jesus não apenas desfez a separação que o pecado criou entre nós e Deus (Is 59:1, 2), mas também revelou o caráter perfeito do amor divino (Jo 14:9; Hb 1:3), atraindo as pessoas para Ele (Jo 12:32).
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Você provavelmente conhece de cor as primeiras palavras da Bíblia: “No princípio, Deus criou” (Gn 1:1). No hebraico, a palavra usada para Deus é Elohim. Em outras passagens, esse termo também pode designar falsos deuses; porém, quando se refere ao único Deus verdadeiro, descreve o Todo-Poderoso, o Deus transcendente, que está além de nossa compreensão e que governa o Universo. Quando Ele fala, o que não existia passa a existir.
No capítulo seguinte, Gênesis 2, aparece outro nome divino: Yahweh (traduzido como “Senhor”). Ele é combinado com o anterior, formando a expressão Yahweh Elohim (“Senhor Deus”). Yahweh é o nome pessoal do Deus verdadeiro. Muitas vezes, ressalta que o Senhor é um Deus de aliança, que deseja relacionar-Se em amor com as pessoas que criou.
4. Compare as descrições de Deus em Gênesis 1:1 e Gênesis 2:7. O que você percebe?
Em Gênesis 2:7, podemos imaginar Deus inclinando-Se para formar o primeiro ser humano do pó da terra com Suas próprias mãos: “Então o Senhor Deus formou o homem do pó da terra e lhe soprou nas narinas o fôlego de vida, e o homem se tornou um ser vivente.” Esse é um Deus que Se aproxima – tão perto que sopra o fôlego de vida nas narinas de Adão. O nome Yahweh oferece um retrato íntimo de Deus. Ainda assim, Moisés utilizou ambos os nomes nos primeiros capítulos da Bíblia para revelar duas dimensões do caráter divino: Sua grandeza e Sua proximidade.
Que verdade extraordinária! O título Elohim revela a sublimidade de Deus, enquanto o nome Yahweh ressalta Sua proximidade conosco. Quão bom é refletirmos nesses dois aspectos: Deus está no controle de tudo e, ao mesmo tempo, perto de cada um de nós. Como disse Paulo aos habitantes de Atenas: “Ainda que não esteja longe de cada um de nós; pois Nele vivemos, nos movemos e existimos” (At 17:27, 28).
Por isso, é essencial buscarmos uma imagem clara e equilibrada de Deus, baseada no que a Bíblia revela sobre quem Ele é. Assim, cresceremos em nosso relacionamento com Ele. E é também por isso que precisamos ler toda a Bíblia, e não apenas algumas partes. Quanto mais conhecermos o caráter de Deus, mais O amaremos.
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Como explicar a alguém que não é cristão o caráter de Deus? A melhor resposta, sem dúvida, é Jesus. A Bíblia ensina que Ele não apenas reflete a imagem de Deus, mas também O revela. Vários textos apresentam essa verdade, e talvez o mais direto seja João 14:9, no qual Jesus declarou: “Quem vê a Mim vê o Pai.” Se queremos entender como Deus é, devemos olhar para Cristo: Suas palavras, Suas ações, Seu modo de ser e Seu imenso amor pela humanidade, revelado em Sua morte e ressurreição.
O amor e o cuidado do Pai se manifestam em Seu Filho, Jesus Cristo. A Bíblia apresenta quatro perspectivas sobre Cristo, dando-nos uma visão mais completa de quem Ele é. Em Mateus (escrito por um judeu, para judeus), vemos Jesus como o Messias esperado, que veio cumprir o que o Antigo Testamento havia prometido. Em Marcos, encontramos Jesus em uma vida ativa de serviço e sacrifício, atento às necessidades humanas e totalmente submisso à vontade do Pai. Em Lucas, descobrimos como Jesus Se sentia, com Sua compaixão e humanidade. Por meio desse evangelho, encontramos a fidelidade do relato (Lc 1:3, 4). Em João, contemplamos o Filho de Deus encarnado e somos convidados a crer que Jesus é quem disse ser, para que nossa vida espiritual seja renovada.
Embora os evangelistas descrevam a vida de Jesus, “eles não dizem as coisas exatamente no mesmo estilo. Cada um traz uma experiência sua, própria, e essa diversidade amplia e aprofunda o conhecimento que vem satisfazer às necessidades dos diferentes tipos de intelecto” (Ellen G. White, Mensagens Escolhidas [CPB, 2022], v. 1, p. 16, 17).
5. Em Mateus 1:23, Jesus recebeu um nome específico. Por que isso é tão importante para compreendermos o caráter de Deus? Leia também Mateus 28:20, especialmente a última parte do versículo. Compare as duas passagens. O que você percebe?
Nesta semana, apenas “arranhamos” a superfície desse tema grandioso: o caráter de Deus. O Senhor é muito maior e mais extraordinário do que conseguimos compreender, e passaremos a eternidade aprendendo mais sobre Ele.
Deus merece o nosso louvor por quem Ele é, por tudo o que já fez e pelo que faz em nossa vida. Louve-O com base no que a Bíblia revela sobre Seu caráter. Por exemplo: “Obrigado, Senhor, porque Tu és ______, como está escrito em _________.”
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Deus chama Seu povo a refletir Seu caráter diante do mundo, mas, para isso, precisamos conhecê-Lo por nós mesmos.
“Todo o amor paternal que veio de geração em geração por meio do coração humano e toda fonte de ternura que se abriu na alma do homem não passam de tênue riacho em comparação com o ilimitado oceano, quando postos ao lado do infinito, inesgotável amor de Deus. A língua não consegue exprimir, nem a caneta é capaz de descrever isso. Pode-se meditar nele todos os dias de nossa vida; pode-se examinar diligentemente as Escrituras a fim de compreendê-lo; pode-se reunir toda faculdade e poder a nós concedidos por Deus, no esforço de compreender o amor e a compaixão do Pai celeste; e todavia existe ainda um infinito para além. Pode-se estudar por séculos esse amor; no entanto, jamais se poderá compreender plenamente a extensão, a largura, a profundidade e a altura do amor de Deus em dar Seu Filho para morrer pelo mundo. A própria eternidade nunca o poderá bem revelar. No entanto, ao estudarmos a Bíblia e meditarmos sobre a vida de Cristo e o plano da redenção, esses grandes temas se desdobrarão cada vez mais ao nosso entendimento” (Ellen G. White, Testemunhos Para a Igreja [CPB, 2021], v. 5, p. 628).
Perguntas para consideração
1. Que outros aspectos do caráter de Deus você poderia estudar para aprofundar e fortalecer seu relacionamento com Ele?
2. Com um familiar ou amigo, leia o capítulo 1 do livro Caminho a Cristo, de Ellen G. White, e converse sobre esse conteúdo. Que novas percepções a respeito do caráter de Deus e de Jesus esse capítulo despertou em você?
3. Muitos têm uma imagem distorcida de Deus – e foi para corrigi-la que Jesus veio ao mundo. Como você pode compartilhar uma imagem mais clara e real do caráter de Deus com quem está ao seu redor?
4. Deus é santo – e nos convida a sermos santos (1Pe 1:13-16; Rm 6:22; Hb 12:14). O que isso significa, na prática, em sua vida?
Respostas às perguntas da semana: 1. Lúcifer tentou fazer Eva acreditar que Deus estava escondendo algo dela e que não queria o melhor para sua vida, distorcendo assim o caráter divino. 2. Deus é santo, totalmente separado do pecado, puro e bom em tudo o que faz. Sua santidade sustenta todos os outros atributos do Seu caráter. 3. O amor de Deus é perfeito, leal e constante. Ele foi revelado em Jesus e deve ser refletido em nossa vida por meio de relacionamentos cheios de amor e fidelidade. 4. Em Gênesis 1, vemos Deus como o Criador todo-poderoso; em Gênesis 2, Ele Se revela como o Senhor próximo e pessoal, que forma o ser humano com cuidado. 5. O título Emanuel revela que Deus não está distante, mas Se fez presente ao vir a este mundo. Jesus prometeu estar ao nosso lado e cumpre fielmente essa promessa.
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TEXTO-CHAVE: Jo 17:3
FOCO DO ESTUDO: Jr 23:23, 24; Gn 1:1; 2:7; Is 7:14
ESBOÇO
Introdução: Nós não podemos compreender plenamente Deus em toda a Sua glória ou majestade. Seus caminhos e pensamentos estão além do nosso entendimento (Is 55:9; Rm 11:33). De fato, estão tão distantes de nossa compreensão finita quanto os céus estão da terra. E, no entanto, maravilha das maravilhas, a Bíblia insiste que nós podemos, e devemos, conhecer a Deus (Jr 9:23, 24).
Ao rei babilônico – que acreditava que os deuses eram inalcançáveis porque, segundo insistiam os seus sábios, eles “não moram entre os mortais” (Dn 2:11) –, Daniel responde de modo contrário. Embora Deus esteja no Céu, Daniel declara que Ele revela os mistérios (Dn 2:28). A Bíblia transmite, então, uma mensagem paradoxal sobre conhecer a Deus: Ele está, ao mesmo tempo, distante e próximo (Jr 23:23, 24). Essa tensão dinâmica já estava presente na narrativa da criação, que apresenta a simultaneidade da distância e da proximidade de Deus (compare as relações divino-humanas em Gênesis 1 e 2). Além disso, o Criador é também o Salvador (Gn 3:15). Essa verdade fundamental, que aprendemos logo no início das Escrituras, contém uma lição importante sobre nossa resposta de adoração ao Deus grande e poderoso: não apenas Ele nos criou e criou o Universo, mas também é o Deus acessível e amoroso que desceu em carne humana para estar “conosco” (Is 7:14).
COMENTÁRIO
“Conhecer a Deus”. Implícito no conceito hebraico de “conhecer” está uma metáfora conjugal, conforme exemplificada na frase: “Adão conheceu Eva, sua mulher; e ela concebeu” (Gn 4:1, ACF). Conhecer a Deus, em essência, refere-se ao relacionamento conjugal, ou de aliança, que mantemos com Ele. Essa linguagem da aliança (Gn 17:7, 8) também é refletida na linguagem de amor de Cântico dos Cânticos (Ct 2:16).
No Novo Testamento, Paulo trabalha o paradoxo de conhecer a Deus, explicando que, na verdade, isso significa que Ele nos conhece (Gl 4:9).
O Deus da Criação e da Salvação. A Bíblia começa com dois relatos paralelos da criação: Gênesis 1 e 2. O nome de Deus, ’Elohim, no primeiro relato da criação (Gn 1), transmite as ideias de grandeza e poder. O nome ’Elohim está no plural, o que expressa intensidade e majestade. Esse nome evoca ideias de poder e força. Já o nome YHWH, no segundo relato da criação (Gn 2), transmite ideias de proximidade e existência. Esse nome, etimologicamente relacionado ao verbo hayah (“ser”), refere-se ao Deus que existe por nós: Ele desce à Terra, fala com os seres humanos e anda com eles. É o Deus da história, o Deus pessoal de Abraão, Isaque e Jacó.
Há também significado na proporção de referências a Deus nos relatos da criação em comparação com o número de referências aos seres humanos. Enquanto ’Elohim ocorre 35 vezes no primeiro relato da criação, YHWH aparece 11 vezes no segundo. No primeiro relato, Deus falou aos seres humanos apenas duas vezes e de maneira geral. Além disso, nesse relato, os seres humanos foram criados à imagem de Deus (Gn 1:27). No segundo relato, Deus criou o homem moldando o pó, o elemento de sua formação, com Suas próprias mãos e soprou nele o fôlego de vida (Gn 2:7). No primeiro relato da criação, Deus falou aos seres humanos, mas nenhuma resposta humana foi registrada. Já no segundo relato, Deus fala pessoalmente com os seres humanos, e estes respondem a Ele.
O contraste entre os dois relatos paralelos da criação tem a intenção de destacar o glorioso paradoxo de Deus: o poderoso Deus da criação, que criou o Universo, é, ao mesmo tempo, o Deus pessoal da salvação, que Se relaciona com os seres humanos.
O Deus a quem adoramos. Deus é o nosso Criador e Salvador. Essas duas revelações de Deus impactam nossa adoração. Além disso, contêm lições importantes sobre a razão pela qual devemos adorar. A primeira e fundamental razão é a criação: Deus criou os céus e a Terra (Gn 1; 2), incluindo a espécie humana (Gn 1:26, 27; 2:7; Sl 139:13-16). Na Bíblia, a adoração é uma resposta às obras da criação de Deus; por exemplo, a adoração a Deus no sábado do sétimo dia (Gn 2:1-3) constitui a primeira resposta humana à criação divina. Temer a Deus significa guardar os Seus mandamentos, e o mandamento do sábado do sétimo dia é o único que faz referência à criação (Êx 20:8-11).
Nos Salmos, a adoração está sempre diretamente ligada à criação. Além disso, o livro do Apocalipse faz referência à criação como a razão principal para a adoração: “Tu és digno, Senhor e Deus nosso, de receber a glória, a honra e o poder, porque criaste todas as coisas” (Ap 4:11).
A segunda razão para a adoração está enraizada no entendimento da salvação como uma recriação que ocorrerá no fim dos tempos. A menção do primeiro anjo às “fontes das águas” (Ap 14:6, 7), além dos elementos usuais da criação – a saber, céu, terra e mar (Êx 20:11; Ne 9:6) –, transmite a conotação escatológica de vida e, por extensão, de esperança (compare com Gn 16:7; Êx 15:27; Sl 107:35). No livro de Ezequiel, a Nova Jerusalém transborda de fontes de água (Ez 47:1-12), evocando o jardim do Éden (Gn 2:10-14; compare com Jl 3:18; Zc 13:1; Sl 46:4). Do mesmo modo, no livro do Apocalipse, os “rios de água” representam a vida (Ap 22:1, 2). O Cordeiro, representando Cristo, conduz o Seu povo às fontes de água (Ap 7:17; 21:6; 22:17). As “fontes das águas” possuíam, portanto, uma conotação futura, apontando para a redenção final, a restauração do jardim do Éden, com a promessa da própria presença do Senhor entre o Seu povo (Ap 22:1-3).
O Deus que esconde Seu rosto. No livro de Isaías, o tema de Deus que esconde Seu rosto (hester panim) é um símbolo importante. Mas é no contexto do Servo Sofredor que esse tema assume seu significado mais profundo. A imagem do rosto escondido, usada em Isaías 53, não significa a morte de Deus nem a nossa, e, portanto, a separação Dele. Pelo contrário, trata-se de um esconder que salva e que, paradoxalmente, restaura o relacionamento de Deus com os seres humanos pecadores. Significativamente, essa característica divina em particular se contrasta com os ídolos. Estes são vistos, ao contrário de Deus, que Se esconde (Is 45:15).
Nosso verso deixa claro que, em contraste com os ídolos, o Deus que Se esconde é o verdadeiro Deus, “o Salvador”. O versículo seguinte enfatiza o contraste entre Deus e os ídolos. Logo após mencionar a vergonha e a confusão dos fabricantes de ídolos em Isaías 45:16, o versículo 17 se refere à salvação de Israel pelo Senhor, o Criador. A salvação não vem dos ídolos que alguém faz e vê, mas de Deus, a quem não se faz e não se vê. Ou seja, a salvação vem do Deus que esconde o Seu rosto.
“Deus conosco”. A história de fundo da profecia do nascimento de Emanuel contém uma lição de esperança, apesar do ceticismo humano. Acaz temeu perder a guerra contra seus inimigos e que a linhagem davídica fosse extirpada. Então o Senhor o advertiu: “Se vocês não crerem, certamente não permanecerão” (Is 7:9). No entanto, Acaz ainda se recusou a crer e rejeitou a oferta de Deus para pedir-Lhe um sinal (Is 7:12).
A resposta de Deus parece carregada de ironia: porque o rei de Judá se recusou a se envolver no plano divino, “portanto” a criança será concebida sem a ajuda dele, isto é, independentemente de qualquer agência humana. Assim, “a virgem conceberá e dará à luz um filho” (Is 7:14). O profeta Isaías predisse ao rei um nascimento de caráter sobrenatural. O nascimento dessa criança viria de uma mulher virgem; além disso, o nome do menino seria “Emanuel”, que significa “Deus conosco”. O nascimento dessa criança traria, então, Deus para mais perto de Seu povo, uma experiência que constitui a evidência concreta de que Deus responderia e estaria presente na história, apesar do próprio rei.
Para Acaz, o futuro nascimento de Emanuel de uma virgem foi um sinal de que o trono de Davi não ficaria vazio, uma garantia de que a linhagem davídica não seria extirpada. Para Acaz, a promessa do futuro nascimento de Emanuel tinha a intenção de servir como um sinal de esperança para confortá-lo em suas circunstâncias presentes. Para nós, hoje, a promessa de Emanuel, que veio e voltará, deve permear e iluminar nossa caminhada presente, de agora até o fim. Como o nosso Salvador disse: “E eis que estou com vocês todos os dias até o fim dos
tempos” (Mt 28:20).
APLICAÇÃO PARA A VIDA
Leia o Salmo 139:19-24.
1. Paulo diz que somos “conhecidos por Deus” (Gl 4:9). Como esse fato afeta minha vida?
2. Que impacto ser conhecido por Deus causa no meu relacionamento com outras pessoas (Sl 139:19)?
Leia Apocalipse 14:7.
1. Em Apocalipse 14:7, de que maneira o uso do pronome “Aquele” (referindo-se a Deus) depois do verbo “adorar” afeta sua forma de adoração?
2. É possível adorar sem ser a Deus? Explique.
3. Como líder ou membro de igreja, pergunte a si mesmo: O que posso fazer para certificar-me da presença de Deus na minha congregação e em minha mente?
Leia Daniel 3.
1. Faça uma lista comparativa das características da falsa adoração (os caldeus) e da verdadeira adoração (os três hebreus).
2. O que essa comparação ensina a você sobre a diferença entre a verdadeira e a falsa adoração?
Leia Isaías 6:5.
Ao adorar a Deus, lembre-se dos sentimentos de Isaías. O que a atitude dele ensina a você sobre a necessidade de humildade na presença de Deus?
Leia Êxodo 34:6, 7.
1. Identifique nesses versículos as muitas características de Deus.
2. Como você tem experimentado essas características (misericórdia, graça, bondade, perdão, etc.) em sua própria caminhada com o Senhor?
Atividade: O fato de a adoração ser uma resposta à criação deve inspirar nossa forma de adorar. O Deus a quem adoramos é, ao mesmo tempo, o Deus poderoso e transcendente, Elohim (Gn 1:1–2:4), e o Deus pessoal e amoroso, YHWH (Gn 2:4-25). O chamado do salmista para a adoração ressoa com essa mesma tensão: “Sirvam o Senhor com temor e alegrem-se Nele com tremor” (Sl 2:11). Prepare um programa litúrgico, incluindo música e pregação, que reflita a tensão entre os dois relatos da criação.
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Universidade transforma corações
República Democrática do Congo | Malembe Tatasi Fils
Um dos projetos missionários especiais deste trimestre é uma escola de enfermagem na Universidade Adventista de Lukanga, em Lubero, na República Democrática do Congo. Aqui, o diretor da universidade, Dr. Malembe Tatasi Fils, compartilha três histórias de pessoas cujas vidas foram mudadas por meio da universidade.
Confronto sério
A jovem veio de uma importante religião mundial não cristã e se matriculou na Universidade Adventista de Lukanga, por recomendação do pai.
Ele disse a ela que havia escolhido a universidade porque havia pesquisado muitas denominações cristãs e sentiu que os adventistas eram os mais sinceros em viver sua fé. Mas ele acrescentou: "Mesmo que você esteja indo para uma instituição adventista do sétimo dia, eu não estou enviando você para lá para se tornar adventista".
A jovem havia chegado à universidade com o coração curioso sobre os ensinamentos da Igreja Adventista do Sétimo Dia. Quando a universidade teve uma semana de ênfase espiritual, ela foi tocada pelos sermões e decidiu se unir à igreja. Ela foi batizada em 2024 sem o conhecimento de seu pai.
"Ela ainda não contou à família que foi batizada", disse o Dr. Malembe. "Ela está esperando um confronto sério com o pai. Ela está pedindo orações."
Gestante
Uma gestante foi a uma clínica com 52 leitos, ligada à universidade, para exames. Foi na clínica que ela soube, por meio de um ultrassom de gravidez, que teria gêmeos. Ela ficou muito surpresa. O marido a havia abandonado, e ela precisaria criar não apenas um, mas dois filhos sozinha.
A clínica oferecia devocionais matinais para pacientes, funcionários e outros membros da comunidade. Um estudante da universidade conduzia cada devocional matinal, e a clínica distribuía pão fresco depois.
A mãe gostava das reuniões matinais. Quando os estudantes prepararam uma série evangelística especial de duas semanas para a clínica, ela veio a todas as reuniões. A Palavra de Deus tocou seu coração, e ela foi batizada.
Então, ela deu à luz gêmeos.
Quando o marido soube que era pai de gêmeos, ele foi procurar sua esposa. Ele ficou surpreso, pois ela não era a mesma mulher que ele havia deixado. Em vez de ser uma mulher que amava beber e ser infiel, ele encontrou uma mãe sóbria que amava a Deus de todo o coração.
Ele disse ao Dr. Malembe: "Estou muito surpreso em ver uma mudança tão grande em minha esposa. Quero seguir seus ensinamentos".
Agora ele está adorando em uma igreja adventista com a esposa e os gêmeos, que têm sete meses de idade. O Dr. Malembe e outros estão orando para que ele se una à esposa e entregue seu coração a Jesus.
Estudante possuído por um espírito
Um jovem chegou à universidade com um forte desejo de estudar teologia e se tornar pastor. Ele havia se unido à Igreja Adventista enquanto cursava o ensino médio, mas sua família se opunha ferozmente aos seus planos. Eles queriam que ele se tornasse um curandeiro. Ninguém o ajudava a pagar as mensalidades. Ele estava por conta própria.
O jovem conseguiu um trabalho na universidade como vigia e trabalhou por dois anos para ganhar dinheiro suficiente para começar a estudar.
Mas ele adoeceu logo depois de se tornar estudante. Ele não conseguia se lembrar de nada e muitas vezes vagava pelo campus sem saber para onde estava indo. Desanimado, ele pensou em desistir dos estudos.
Sua família afirmava que ele estava possuído por um espírito. "É porque ele deve se tornar um curandeiro, não um pastor", diziam eles.
Médicos da clínica da universidade o examinaram e disseram que não puderam encontrar nada de errado que pudesse ser tratado com remédios.
"Este é um assunto espiritual", eles disseram. "Todos vocês do departamento de teologia devem orar por ele."
Então, 27 professores e estudantes do departamento de teologia se reuniram em uma quinta-feira e realizaram uma sessão especial de oração.
O estudante foi curado e voltou ao seu juízo perfeito. Hoje, ele se graduou na universidade e está esperando um chamado para servir como pastor da igreja.
"Ele é um orador muito eloquente, e esperamos e acreditamos que ele fará um grande trabalho para a igreja",disse o Dr. Malembe.
Neste trimestre, você pode ajudar a Universidade Adventista de Lukanga a alcançar mais corações para Jesus. Atualmente, os alunos da faculdade de enfermagem estão usando o laboratório apertado da clínica universitária para suas pesquisas. A Oferta do Décimo Terceiro Sábado, também conhecida como Oferta Trimestral para os Projetos de Missionários, ajudará a construir um edifício que terá laboratórios maiores para os cinco campos de estudo da faculdade de enfermagem: enfermagem geral, obstetrícia, imagem, técnicas de laboratório e pediatria. Obrigado por doar generosamente para este importante projeto.
Por Hyacinthe Santino.
Dicas para a história
• Mostre o continente africano e depois a República Democrática do Congo no mapa.
• Assista a um pequeno vídeo no YouTube do Dr. Malembe Tatasi Fils em: bit.ly/ Malembe-ECD.
• Baixe as fotos dessa história no Facebook: bit.ly/fb-mq.
• Leia mais sobre a Universidade Adventista de Lukanga na Enciclopédia dos Adventistas do Sétimo Dia em: bit.ly/Lukanga.
• Saiba que a escola de enfermagem foi inaugurada na Universidade Adventista de Lukanga em 2012 e foi a primeira desse tipo no país. Atualmente, forma cerca de 200 enfermeiros por ano.
• Saiba que 70 por cento dos pastores da República Democrática do Congo se formaram na Universidade Adventista de Lukanga.

