Quarta-feira
13 de maio
A escada da infâmia
Se alguém quer processar você e tirar-lhe a túnica, deixe que leve também a capa. Mateus 5:40

Na igreja do Santo Sepulcro, em Jerusalém, há uma velha escada de madeira, manchada pelo tempo, posicionada na janela superior direita, acima da porta principal desse antigo templo. Acredite se quiser: essa escada está lá desde 1852!

A razão para isso é surpreendente. A igreja do Santo Sepulcro está sob a custódia de seis diferentes denominações cristãs: Ortodoxa Oriental, Apostólica Armênia, Católica Romana, Ortodoxa Copta, Ortodoxa Etíope e Ortodoxa Siríaca. O problema é que, em razão de profundas divisões entre essas comunidades, foi necessário estabelecer um acordo rígido em 1853 para evitar conflitos. Esse pacto determina horários, áreas de culto e regras de uso do templo, proibindo qualquer alteração nas áreas comuns sem o consentimento de todas as denominações envolvidas.

E a escada? Bem, quando o acordo foi firmado, alguém a havia deixado na janela – uma área comum. Desde então, não houve consenso para removê-la.

No entanto, a escada parada no templo não é o episódio mais vergonhoso dessa história. No verão de 2002, um monge copta moveu sua cadeira para a sombra, saindo levemente do local combinado. O ato foi considerado uma afronta pelos monges etíopes e resultou em uma briga violenta, com 11 religiosos hospitalizados. Em 2004, durante a celebração da Festa de Santa Cruz, houve outra briga entre ortodoxos gregos e franciscanos, forçando a polícia a intervir. A lista de desentendimentos continua, mas sinto-me envergonhado em descrevê-los.

Essa realidade é profundamente triste para os cristãos. Cristo morreu na cruz para oferecer perdão aos inimigos e nos ensinou que, se alguém quiser lutar por nossa “túnica”, devemos dar-lhe também a “capa” (Mt 5:40). No entanto, para os guardiões do templo, parece mais importante brigar por um pedaço do túmulo vazio de Cristo do que viver Sua mensagem de humildade e amor!

Analise sua vida. Há alguma “escada” que você precisa remover? Você também luta furiosamente pelo controle de um “túmulo vazio”? Será que, às vezes, não seria melhor abrir mão do que é seu, como Jesus fez, para honrar verdadeiramente o Salvador? Pense nisso.