Sem dúvida, você possui uma Bíblia em casa, e talvez até mais de uma. Ao longo da história, esse Livro precioso foi copiado em segredo e até proibido – pessoas se sacrificaram por ele. É o livro mais publicado de todos os tempos, em todas as línguas, e um dos mais antigos.
Que lugar a Bíblia ocupa em sua vida? Você tem lido a Palavra de Deus, ou ela está ali, ao lado da cama ou esquecida em alguma prateleira, acumulando poeira? Será que a rotina está tão cheia que não sobra tempo para estudar a Bíblia a fundo? Ou talvez você se sinta sem forças para abrir suas páginas?
A Palavra de Deus é viva e poderosa. Ele quer usar a Bíblia para falar ao seu coração, encorajar você, confrontar o que precisa mudar, transformar sua vida, conduzi-lo e renovar sua esperança.
A Bíblia não é apenas um livro acadêmico ou uma coletânea de histórias antigas. É a história profunda e bela de como o Criador do Universo busca Se aproximar de nós. Para crescer no relacionamento com Deus, você deve separar tempo de qualidade todos os dias para estar com Ele – orando, lendo Sua Palavra inspirada e se abrindo para aquilo que ela tem a lhe ensinar.
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Um dos ataques mais sutis e perigosos de Satanás é justamente impedir você de passar tempo com Deus por meio da Sua Palavra. A principal estratégia do inimigo é manter as pessoas longe da Bíblia, usando a correria do dia a dia, a indiferença, o cansaço ou até a dúvida. Quando passamos tempo com Deus por meio da Palavra, nossa vida é renovada, e nosso coração é alimentado. Por isso, o tentador fará de tudo para evitar que isso aconteça.
“Satanás usa todos os meios possíveis para impedir os seres humanos de obter conhecimento da Bíblia, pois os claros ensinos dela desmascaram seus enganos” (Ellen G. White, O Grande Conflito [CPB, 2021], p. 494). O ini-migo sabe que a Palavra de Deus tem poder – e que esse poder o torna impo-tente. Sabe que oração e estudo da Bíblia são as armas mais poderosas que a humanidade tem para resisti-lo (Ef 6:17, 18; Hb 4:12). É por isso que se esforça tanto para impedir que você ore e estude as Escrituras. Ele sabe que as palavras de Deus têm poder: por meio delas o Universo veio à existência (Sl 33:6), os mortos são ressuscitados (Jo 11:41-44) e recebemos poder para vencer a tentação (Mt 4:1-11).
Ao nos afastar da Bíblia, Satanás prejudica não apenas nossa ligação com o Senhor, mas também nossos relacionamentos com as outras pessoas. Os casamentos passam por mais conflitos, os pais se irritam mais facilmente com os filhos e perdemos a paciência com os outros. A vida parece corrida demais, os dias se tornam pesados, e a sensação de sufoco toma conta. Muitas vezes, não percebemos o que está acontecendo. Podemos até achar que estamos perto de Deus, mas quando dias e semanas se passam sem abrirmos a Bíblia, vamos nos enfraquecendo pouco a pouco.
1. Mesmo quando somos inconstantes e nossa comunhão diária é instável, Ele continua sendo o mesmo (Lm 3:22, 23). Em que isso é diferente da maneira como costumamos agir?
Antes de pecar, Lúcifer era um querubim cobridor (Ez 28:14-17), ouvia as palavras de Deus e conhecia de perto o poder delas. Hoje, ele odeia essa verdade. Por isso, não surpreende que, quando decidimos não ouvir nem acolher as palavras de Deus em nossa vida, nossa mente fica menos atenta, e nosso coração se endurece.
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2. A própria Bíblia afirma claramente qual é sua autoridade e sua função. Leia 2 Timóteo 3:15-17. De acordo com esse texto, qual é o objetivo das Escrituras?
Ao estudarmos a Bíblia, precisamos tomar cuidado para não a usar do nosso jeito, tentando encaixar os textos nas nossas ideias ou vontades – que nem sempre combinam com as de Deus. Por exemplo, não devemos usar o método de “fechar os olhos e apontar para um versículo”, porque essa não é a forma que Deus deseja usar para falar conosco. Ele não é um fantoche pronto para fazer nossas vontades. Seus pensamentos e caminhos estão muito acima dos nossos (Is 55:9). Portanto, jamais devemos tentar controlar o que Ele nos diz.
Também não devemos escolher apenas os textos da Bíblia que nos agra-dam ou que já conhecemos bem, deixando de lado as partes mais desafiadoras. A Bíblia precisa ser lida como um todo, como uma mensagem completa. Se quisermos realmente ouvir a voz de Deus, precisamos estudar a Bíblia integralmente, com métodos sólidos e responsáveis, crendo que Ele nos revelará, no tempo oportuno, o que precisamos saber.
O próprio Jesus disse: “Ame o Senhor, seu Deus, de todo o seu coração, de toda a sua alma e de todo o seu entendimento” (Mt 22:37). Deus não quer que deixemos o raciocínio de lado. Pelo contrário, Ele deseja iluminar nosso entendimento com a sabedoria que vem da Sua Palavra. Em muitas histórias da Bíblia, vemos que Deus conversava com seres humanos como Enoque, Abraão, Moisés e Jó. Além disso, Jesus também teve longas conversas com várias pessoas. Deus respeita a nossa capacidade de pensar, mas nos con-vida a submeter nossa mente à Palavra e à sabedoria Dele, à medida que desenvolvemos nossa salvação (veja Fp 2:12).
No entanto, a razão humana continua sendo simplesmente humana – sujeita ao erro, à ilusão e ao orgulho. E jamais é infalível. Quando usa-mos apenas o nosso entendimento, corremos o risco de nos colocarmos no lugar de Deus. Às vezes, lemos a Bíblia com uma atitude crítica e arrogante, achando que já sabemos tudo e que não encontraremos mais nada de novo. E é justamente quando estamos nos sentindo importantes, presunçosos e autossuficientes que negligenciamos o relacionamento com Deus e passamos a depender apenas do nosso entendimento limitado e falho.
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Em 2017, uma capa da revista Time estampou a pergunta: “A verdade está morta?” Essa pergunta reflete bem a sociedade atual. A própria ideia de “verdade” vem perdendo força, e muitos já não sabem mais no que acredi-tar. Na cultura atual, tudo parece relativo: não existe mais um padrão con-fiável, uma base sólida que permaneça firme com o passar do tempo. Mas Jesus declarou: “Eu sou [...] a verdade” (Jo 14:6). E a Palavra testifica sobre Ele como a verdade em sua forma mais pura.
3. Leia os versículos abaixo com atenção. O que eles ensinam sobre a verdade?
Jo 17:17 ________________________________________
Pv 30:5, 6 ________________________________________
Sl 12:6 _________________________________________
A Bíblia afirma que a verdade essencial – o próprio Jesus – não muda (Hb 13:8). Ao mesmo tempo, ao estudarmos a Palavra de Deus, nosso enten-dimento sobre Ele e sobre a verdade crescerá constantemente. “Há minas de verdade ainda por descobrir por parte do fervoroso pesquisador” (Ellen G. White, Testemunhos Para a Igreja [CPB, 2021], v. 5, p. 598). Quando falava sobre a verdade, Ellen White sempre se referia àquilo que Deus revelou por meio de Sua Palavra. Podemos buscar mais luz na Bíblia porque ela nunca contradiz as verdades reveladas anteriormente; ao contrário, as amplia.
4. Leia 1 Tessalonicenses 2:13; Salmo 33:4, 5 e Efésios 1:13. O que esses textos ensinam sobre a verdade revelada por Deus?
No fim das contas, é a Bíblia – e somente a Bíblia – que deve ser nossa base para saber o que é verdade. Todas as outras fontes de conhecimento precisam ser avaliadas à luz da Palavra de Deus. Até mesmo a nossa razão deve ser colocada sob esse mesmo critério.
Imagine que você estivesse diante de uma grande decisão, um problema familiar ou um desafio difícil. O que aconteceria no seu lar se, antes de tudo, você recorresse à Bíblia? O que poderia mudar no seu trabalho ou na igreja se as pessoas passassem a enxergar o mundo pelas lentes da Palavra de Deus e realmente decidissem viver de acordo com ela?
Os autores da Bíblia sabiam o valor que existe nas palavras que escreveram. Nenhum outro livro tem o poder de transformar nossa vida como a Bíblia. Mas, em vez de deixar que essas palavras fiquem apenas impressas nas páginas, como guardá-las no coração?
5. Qual é o conselho de Davi no Salmo 119:11 e como colocá-lo em prática? (Cf. Hb 4:12)
Um dos ensinos mais profundos que a Bíblia apresenta sobre si mesma está em Hebreus 4:12. Uma espada afiada de dois gumes é cortante e pode-rosa, mas a Bíblia pode realizar o que nenhuma ferramenta humana é capaz de fazer. Ela se descreve como viva. E talvez você já tenha se perguntado como isso é possível, já que foi escrita há tantos séculos. Mas Jesus afirmou: “As palavras que Eu lhes tenho falado são espírito e são vida” (Jo 6:63). Se o seu coração está partido ou se sua vida está desmoronando, Deus pode usar a Palavra para transformar sua realidade. O Antigo Testamento também afirma que a Palavra de Deus sempre cumpre seus propósitos e nunca volta vazia (Is 55:11). Davi escreveu: “O que me consola na minha angústia é isto: que a Tua palavra me vivifica” (Sl 119:50).
Talvez você já tenha sentido fome em algum momento, feito jejum ou seguido uma dieta bem restrita. Lembra como a comida parece ainda mais gostosa depois disso? Em termos espirituais, a Bíblia é o alimento da nossa alma.
Se você sente que sua alma está vazia e faminta, abra a Palavra viva. Leia Jeremias 15:16; 1 Pedro 2:2 e Mateus 4:4. A Palavra de Deus alimenta nosso coração e nossa mente, e, quando a lemos com fé, ela nos preenche e nos sustenta, como o Senhor prometeu.
As palavras que lemos na Bíblia vieram do próprio Deus. Ele as enviou especialmente para nós e para todas as pessoas que O buscam. Quando as lemos com um coração sincero e aberto, em espírito de oração, essas palavras jamais voltam vazias.
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6. Nossa capacidade de aprender com a Palavra de Deus depende muito da disposição do nosso coração quando nos aproximamos da Bíblia (veja Jó 22:22). O que 1 Coríntios 2:14 diz sobre isso?
Discernimento espiritual é a capacidade de perceber e entender as realidades espirituais. Por isso, faz sentido que uma pessoa com o coração aberto ao Espírito Santo enxergue a Bíblia de forma muito diferente de quem já a rejeita antes mesmo de ler. Quem acredita que a Bíblia não faz sentido dificilmente vai procurar a verdade em suas páginas.
7. Nossa atitude em relação à Bíblia e a maneira como a lemos são decisivas para que nosso relacionamento com Deus se desenvolva. Como Paulo explicou isso em 1 Tessalonicenses 2:13?
A Palavra de Deus age em nós quando cremos. Se você abre a Bíblia acreditando que Deus tem algo a dizer pessoalmente para você, pode ter certeza: Ele vai falar ao seu coração e atuar na sua vida. Mas tudo depende da sua fé e das suas expectativas. A boa notícia é que, mesmo que sua fé seja pequena, Deus pode fortalecê-la (Mc 9:24) – mesmo que pareça do tamanho de uma sementinha de mostarda (Lc 17:6).
Um dos grandes propósitos da Bíblia é nos mostrar como está nosso relacionamento com Deus e como podemos fortalecê-lo. Se o seu coração estiver aberto ao Espírito Santo, se você se aproximar da Palavra com humildade, você sempre será transformado. Talvez essa transformação não seja visível de um dia para o outro – muitas vezes, ela acontece aos poucos, de forma quase imperceptível. Mas ela acontece.
Por outro lado, se insistirmos na indiferença, no pecado e na recusa à mudança, o estudo da Bíblia não fará muito efeito. O Espírito Santo nos convida a nos aproximarmos mais de Jesus Cristo. A pergunta é: queremos dar esse passo? Se dissermos “sim”, nós nos tornaremos sábios “para a salvação” (2Tm 3:15) e veremos coisas que nunca imaginamos.
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Se você parasse agora para pensar nas palavras que disse nas últimas 24 horas, como avaliaria o que saiu da sua boca? Suas palavras foram amorosas, gentis, alegres, encorajadoras? Ou talvez carregadas de frustração, cansaço, ansiedade, raiva, fofoca ou até mágoa? A Bíblia diz: “Porque a boca fala do que está cheio o coração” (Mt 12:34). Do mesmo modo, a Palavra de Deus revela o que há no coração Dele e o que Ele deseja para nós. É impressionante pensar que essas palavras, vindas diretamente do coração de Deus, estão ao nosso alcance por meio da Bíblia. E é ainda mais extraordinário ver o poder que a Palavra tem demonstrado ao longo da história.
“Uma coisa é considerar a Bíblia como um livro de boa instrução moral, a que se deve atender tanto quanto seja compatível com o espírito da época e nossa posição no mundo; outra coisa é considerá-la como realmente é: a Palavra do Deus vivo, palavra que é a nossa vida, que deve modelar nossas ações, palavras e pensamentos. Considerar a Palavra de Deus qualquer coisa inferior a isso é rejeitá-la. E essa rejeição, por parte dos que professam crer nela, é a principal causa de ceticismo e incredulidade entre os jovens” (Ellen G. White, Educação [CPB, 2021], p. 185).
Perguntas para consideração
1. Quais são os motivos lógicos e racionais que o levam a crer na Bíblia?
2. Como a oração e o estudo da Bíblia podem se tornar a base do seu relacionamento com Deus? É possível andar com Deus sem ter tempo diário de oração e estudo da Palavra?
3. Se alguém dissesse que quer aprofundar o relacionamento com Deus, que partes da Bíblia você recomendaria para começar a leitura?
4. O que significa, na prática, viver de “toda palavra que procede da boca de Deus” (Mt 4:4)?
5. O que os seguintes textos revelam sobre o poder da Palavra de Deus? (Hb 11:3; Sl 33:6; Mt 11:4, 5; 1Ts 4:16; Ef 6:17; Tg 1:21)
Respostas às perguntas da semana: 1. Mesmo quando somos falhos e inconstantes, Deus continua agindo com amor e compaixão. Diferente de nós, Ele não desiste quando alguém falha. 2. As Escrituras nos conduzem ao conhecimento que salva, ensinam a verdade, corrigem o erro e capacitam para uma vida segundo a vontade de Deus. 3. A verdade de Deus é pura, confiável e não pode ser alterada. A Bíblia a revela e nos chama a viver em conformidade com ela. 4. A verdade que Deus revela é correta, digna de confiança e eficaz. Recebida com fé, ela opera transformação em nossa vida. 5. O conselho é guardar a Palavra no coração para não pecar. Fazemos isso lendo-a com atenção, memorizando-a, meditando nela e deixando que ela oriente nossas escolhas. 6. Quando nos aproximamos da Bíblia com um coração fechado, não conseguimos entender suas verdades. Só com a ajuda do Espírito Santo podemos discernir seu verdadeiro sentido. 7. Quando recebemos a Bíblia como Palavra de Deus e a aceitamos com fé, ela transforma nossa vida. A atitude do coração e a abertura para ouvir fazem toda a diferença.
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TEXTO-CHAVE: Hb 4:12
FOCO DO ESTUDO: 2Tm 3:15-17; Jo 17:17; Ef 1:13; Sl 119:11; 1Co 2:14
ESBOÇO
Introdução: O papel principal da Palavra de Deus é nos alimentar espiritualmente para nos manter vivos. Os israelitas aprenderam essa importante lição espiritual quando passaram por fome física no deserto. A interpretação de Moisés sobre o milagre do maná reflete essa noção: “Para que vocês compreendessem que o ser humano não viverá só de pão, mas de tudo o que procede da boca do Senhor” (Dt 8:3). Jesus estava faminto no deserto quando proferiu esse princípio ao diabo (Mt 4:4). Ouvimos a mesma ideia na epístola de Pedro, em que ele compara a Palavra de Deus ao leite que alimenta e nutre recém-nascidos famintos: “Para que, por ele, lhes seja dado crescimento para a salvação” (1Pe 2:2; comparar com Hb 5:13). Esses exemplos bíblicos nos alertam para uma condição importante que precisamos ter a fim de participar do alimento espiritual da Palavra de Deus: devemos nos aproximar da Palavra com a consciência de nossa necessidade. Devemos vir com fome e sede; caso contrário, não valorizaremos a vital necessidade do sustento espiritual, nem provavelmente o apreciaremos ou tiraremos proveito dele.
Neste estudo, tentaremos compreender duas verdades cruciais sobre o alimento espiritual: (1) por que e (2) como o processo de se alimentar da Palavra de Deus nos sustenta. A base do nosso estudo será 2 Timóteo 3:14 a 17, a passagem fundamental de Paulo em sua segunda carta a Timóteo. A primeira pergunta, “Por quê?”, nos permitirá examinar, de uma perspectiva bíblica, as qualidades e os efeitos especiais que tornaram o livro de 2 Timóteo tão poderoso e transformador. A segunda pergunta, “Como?”, proporá métodos para a leitura das Escrituras. Tais métodos possibilitarão que o milagre de se alimentar da Palavra de Deus aconteça em nossa própria vida.
COMENTÁRIO
O “porquê” das Escrituras. Por que as Escrituras possuem o poder de sustentar a vida? Paulo sugere duas respostas para essa pergunta. A primeira resposta tem que ver com a elevada visão que Paulo tinha das Escrituras, bem como com a natureza, ou qualidade sagrada, delas. A segunda resposta diz respeito ao efeito das Escrituras, isto é, ao poder transformador dos escritos sagrados na vida do leitor de Paulo, Timóteo (2Tm 3:15), a quem Paulo também chama de “homem de Deus” (1Tm 6:11).
1. A qualidade das Escrituras. As Escrituras que formaram a Bíblia foram inicialmente identificadas como “santas”. A expressão “Santas Escrituras” (no grego: hiera grammata), a qual Paulo utiliza, ocorre apenas aqui no Novo Testamento. Essa expressão reflete o título técnico Torah sebbiktav, “a lei escrita”, que designou, no judaísmo antigo, os escritos considerados inspirados – em oposição à Torah sebbe‘al pe, “a lei oral,” que não era considerada inspirada. Com esse termo, Paulo refere-se ao Antigo Testamento, um título que alguns cristãos usariam muito mais tarde de forma pejorativa para sugerir uma inspiração inferior (ou até mesmo inválida).
Para Paulo, o chamado Antigo Testamento era a única Escritura Sagrada. Naquele tempo, o Novo Testamento não existia e ainda não fazia parte da instrução que Timóteo havia recebido. A razão pela qual esses escritos são chamados de “santos” vem do fato de serem considerados theopneustos (“inspirados”, literalmente “soprados por Deus”), termo que emprega a forma passiva, indicando Deus como sujeito da inspiração. Esse mesmo verbo é usado para descrever o processo da criação do homem, em que Deus “lhe soprou nas narinas o fôlego de vida” (Gn 2:7). Com base nessa visão elevada do texto sagrado, Paulo infere não apenas lições a respeito do efeito das Escrituras sobre nós, mas também lições sobre a maneira como devemos nos aproximar da Palavra de Deus.
2. O efeito das Escrituras. O paralelo entre a inspiração do texto sagrado e o processo da criação dos seres humanos não é acidental. Esse paralelo tem a intenção de sugerir que a Palavra de Deus é vida. Como tal, ela transmite vida a quem a recebe, assim como Adão recebeu vida de seu Criador. Paulo especifica que as Sagradas Escrituras “podem tornar-te sábio” (2Tm 3:15). Paulo não quer dizer que esse efeito é mecânico, que aqueles que recebem as Escrituras imediatamente e de forma mágica se tornariam dotados de sabedoria. Ele nos relembra de que a sabedoria da qual fala vem pela fé em Jesus Cristo. Em seguida, no próximo verso, Paulo explica que essa sabedoria atua de quatro maneiras distintas na vida do crente:
• A primeira função das Escrituras é doutrinária. Elas guiam na descoberta e compreensão da verdade.
• A segunda função das Escrituras é a repreensão, isto é, elas tornam evidentes os erros cometidos, não apenas em doutrina, mas também no modo de viver.
• A terceira função das Sagradas Escrituras é a correção. Não basta perceber os próprios erros; é necessário também compreender como corrigir o rumo e determinar a direção certa a seguir.
• A quarta e última função das Escrituras é educar na justiça. Elas, em última análise, conduzem ao arrependimento e à obediência, por meio do Espírito Santo. Paulo então conclui que o objetivo das Escrituras é a formação do indivíduo completo. Ele encerra sua lição de modo prático com a ordem de agir. Assim, as Escrituras também capacitam “para toda boa obra” (2Tm 3:17).
A abordagem das Escrituras. Como as Escrituras produzem esses efeitos extraordinários, levando-nos de onde estamos até uma vida de justiça, com todas as “boas obras” que ela implica? Para nos ajudar a responder a essa pergunta, quatro lições, ou princípios, sobre nossa abordagem das Escrituras podem ser extraídas dos conselhos de Paulo a Timóteo:
1. Toda a Escritura: O primeiro e mais básico princípio em nossa abordagem dos textos bíblicos é o fato de que sua qualidade “santa” e inspirada diz respeito à totalidade da Bíblia. Paulo insiste que toda a Escritura é inspirada (2Tm 3:16). Esse princípio significa que todo o corpus da Bíblia deve ser considerado em nossos estudos e em nossa busca pela revelação de Deus. A declaração de Paulo nos encoraja a ler a Escritura confiando que seus escritos santos nos guiam em nossa busca pela verdade divina e por conselhos práticos para a vida. Nenhum livro ou passagem isolada da Bíblia deve ser privilegiado acima de outros livros ou passagens. Toda a Escritura merece o mesmo grau elevado de interesse e atenção. Paulo sugere aqui uma abordagem que foi definida, em estudos bíblicos mais recentes, como a “abordagem canônica”. Assim, um texto específico deve ser analisado à luz de outras passagens bíblicas que podem se referir a ele ou aludir a ele (também chamado de princípio intertextual).
2. Aprender e conhecer: Paulo valoriza o esforço de aprender e conhecer (2Tm 3:14, 15). Por essa razão, a ignorância das Escrituras, ou uma leitura superficial da Bíblia, tem um impacto sério, não apenas sobre a existência presente, mas também sobre a salvação eterna. Dentro desse quadro, o apelo de Paulo para aprender e conhecer implica que se deve dar atenção especial ao texto bíblico que é objeto de estudo. Ellen G. White escreveu: “A importância de [buscar um conhecimento profundo das Escrituras] dificilmente pode ser superestimada. ‘Inspirada por Deus’, ‘capaz de nos tornar sábios para a salvação’, tornando ‘o homem de Deus perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra’, o Livro dos livros tem a mais alta reivindicação à nossa reverente atenção. Não devemos nos contentar com conhecimento superficial, mas devemos buscar aprender o pleno significado das palavras da verdade e beber profundamente do espírito dos oráculos sagrados” (Advent Review and Sabbath Herald, 9 de outubro de 1883).
3. Fidelidade: A advertência de Paulo a Timóteo para que “permanecesse” nas coisas que havia aprendido (2Tm 3:14) ecoa no apelo de Jesus para “permanecer” em Sua Palavra (Jo 8:31). O mesmo verbo grego meno, “continuar/permanecer”, aparece em ambos os versos. Não é suficiente aprender a verdade bíblica uma vez; é necessário revisá-la. Há um provérbio hebraico que diz: “Alguém que aprende uma lição e não a revisa é como um agricultor que semeia e não colhe”. Para Timóteo, e para muitos cristãos, esse treinamento não é um evento único; o trabalho começa “desde a infância” (2Tm 3:15) e se estende por toda a vida. O aviso de Paulo para continuar na Palavra não significa apenas engajar-se em uma recordação intelectual de verdades e doutrinas abstratas, nem se trata de uma lembrança sentimental e passageira. Paulo chama Timóteo a permanecer na Palavra e a praticá-la em todo o tempo. Tiago pensa de forma semelhante quando discute a conexão entre fé e obras (Tg 2:14-26).
4. O impacto dos mestres: Nós não temos acesso à verdade divina por nós mesmos. Como a Bíblia ensina que a verdade é dada por revelação, também precisamos do testemunho de pessoas que aceitam essa revelação como verdadeira. Por essa razão, precisamos de mestres. Desde o início da história de Israel, Deus incentivou Seu povo a ensinar seus filhos (Dt 6:7). Paulo alude a esse princípio quando escreve a Timóteo sobre aqueles “de quem” ele aprendeu (2Tm 3:14). Paulo tem em mente a mãe de Timóteo, Eunice, e sua avó, Lóide, mas também a si mesmo entre as “muitas testemunhas” da comunidade cristã (2Tm 2:2). O apelo de Paulo, então, diz respeito não apenas aos alunos ou filhos, que são devedores a seus pais e mestres, mas também aos próprios pais e mestres, que têm a responsabilidade de compartilhar o que aprenderam.
APLICAÇÃO PARA A VIDA
Dica para o professor: Como aplicar com sucesso as Escrituras à nossa vida? As atividades a seguir têm o objetivo de nos ajudar justamente nisso. Peça a um voluntário que leia a seção abaixo, intitulada “para reflexão”. Depois, incentive os membros da classe a colocar em prática, durante a semana, uma ou mais das atividades propostas e, no próximo sábado, a relatarem sua experiência em classe. Peça que eles compartilhem especificamente como a atividade fortaleceu sua compreensão das Escrituras e como aprofundou seu relacionamento com o Senhor.
Para reflexão: Existe sempre o risco de se entender mal a forma de aplicar as Escrituras em nossa vida. Aplicá-las à nossa vida não significa que temos liberdade para manipular a Palavra de Deus a fim de acomodar nossas próprias inclinações. Pelo contrário, aplicar as Escrituras em nossa vida significa que devemos conformar nossa vida aos ensinos da Palavra.
Atividade 1:
Meditação diária. Durante uma semana, use um texto curto (um versículo ou uma passagem bíblica) todas as manhãs em seu devocional. Aprenda o que esse texto significa à luz de seu contexto. Seja criativo. Busque novas percepções e lições a cada leitura.
Atividade 2:
Memorizar um versículo. Todo mês, escolha um versículo bíblico dos textos usados em suas meditações e repita-o todas as manhãs até que esteja memorizado.
Atividade 3:
Ensinar. A melhor maneira de aprender é compartilhar com seu cônjuge ou um amigo aquilo que você aprendeu e descobriu nas Escrituras. Encontre alguém com quem você possa compartilhar e discutir seus novos conhecimentos e percepções sobre a Bíblia.
Atividade 4:
Obedecer. Não basta saber um versículo de cor. O mais importante é aplicá-lo à sua vida e obedecer ao seu conselho. Como disse Jesus: “Se vocês sabem estas coisas, bem-aventurados serão se as praticarem” (Jo 13:17). Ao ler e estudar a Palavra, peça ao Espírito Santo que lhe dê sabedoria para saber como aplicar a verdade de Deus de maneira prática em sua vida.
Buscando a verdade pura
República Democrática do Congo | Safi
O nome Safi significa "puro" na língua suaíli. Assim como seu nome, Safi gostava de ter pensamentos puros, falar palavras puras e agir de maneira pura. Ela gostava especialmente de cantar canções puras. Safi tinha um profundo amor por cantar ao Senhor e compartilhar sua voz em várias igrejas em Kinshasa, capita Ida República Democrática do Congo.
Mas algo não estava certo.
Enquanto ela observava a confusão de pessoas gritando em línguas e orando a plenos pulmões, ela se sentia desconfortável. Estava faltando algo. Ela sentia que as igrejas onde estava adorando não tinham a verdade pura.
Em casa, Safi implorou a Deus que a ajudasse a encontrar Sua igreja verdadeira igreja com a verdade pura. Depois disso, ela foi a outras igrejas e cantou para elas. Mas permaneceu insatisfeita.
Finalmente, ela decidiu não ir mais a nenhuma igreja. Ela ficaria em casa e oraria para que Deus lhe mostrasse Sua igreja verdadeira com a verdade pura.
Em vez de ir à igreja, Safi assistia a sermões no YouTube em casa e, um dia, se deparou com um sermão falando sobre a igreja remanescente. O pregador identificou a Igreja Adventista do Sétimo Dia como a igreja remanescente, dizendo que era a única denominação que guardava completa mente a Palavra de Deus.
Safi ficou intrigada e perguntou a si mesma: "Como posso encontrar essa igreja?"
Abrindo o Facebook, ela fez uma pesquisa com as palavras: "Igreja Adventista do Sétimo Dia". A pesquisa levou ao perfil de um estranho. Ela entrou em contato com o homem e soube que ele era membro da Igreja Adventista. Ele lhe deu o endereço de sua igreja e a convidou para ir no sábado.
Safi foi. Ela gostou da forma como as pessoas oravam e pregavam na igreja. Não havia gritos e caos. Tudo era ordenado e tranquilo. Ela pensou: "Este é o lugar onde eu quero estar".
Ela também ficou impressionada ao ver as classes da Escola Sabatina para crianças e adolescentes. Ela desejava encontrar uma igreja com programas para seus três filhos, de 8, 9 e 70 anos.
Aquele sábado, os membros da igreja falaram a Safi sobre outra igreja adventista mais perto de sua casa.
Então, ela foi à igreja mais próxima no sábado seguinte e soube que essa igreja estava começando um programa evangelístico de 35 dias.
Ela participou de todas as reuniões. Ela sentiu que o programa fora projetado especialmente para ela. Enquanto ouvia, ela pensou: "Deus, eu deveria ter vindo aqui há muito tempo".
No final nas reuniões, Safi foi batizada e se uniu à Igreja Adventista. O homem adventista que ela contatou primeiro pelo Facebook ficou muito feliz!
Hoje, Safi ainda gosta de ter pensamentos puros, falar palavras puras e agir de maneira pura.
Ela também ainda gosta de cantar canções puras e pode ser encontrada cantando em muitos sábados em sua própria igreja adventista.
Ela disse que Deus usou a mídia para levá-la à Sua verdade pura. "Agradeço a Deus", disse ela. "Tudo isso aconteceu porque assisti à mídia."
Um dos projetos missionários especiais deste trimestre é um novo centro de mídia que abrigará o Hope Channel, a Rádio Adventista Mundial, um centro evangelístico de mídia social e uma central de atendimento em francês, na cidade natal de Safi, Kinshasa, na República Democrática do Congo. Por meio desse projeto, muitas pessoas em Kinshasa, na República Democrática do Congo, e o mundo de língua francesa serão convidados a aprender a pura verdade de Deus. Obrigado por doar generosamente para esse importante projeto.
Por Andrew McChesney
Dicas para a história
- Mostre o continente africano e o país da República Democrática do Congo no mapa. Em seguida, mostre a cidade de Kinshasa, a localização do futuro centro de mídia com o Hope Channel, a Rádio Mundial Adventista, um centro evangelístico de mídia social e uma central de atendimento em francês, que receberá parte da oferta deste trimestre.
- Pronuncie Safi como: saa-FEE.
- Assista a um pequeno vídeo no YouTube de Safi cantando em: bit.ly/Safi-ECD.
- Saiba que a entrevista para esta história foi realizada com Safi em um estúdio apertado usado pelo Hope Channel e pela Rádio Mundial Adventista antes da construção do novo megacentro. Safi gosta da programação do Hope Channel e da AWR e disse: "Quero agradecer a Deus por este trabalho".
- Baixe as fotos para esta história no Facebook: bit.ly/fb-mq.

