Você se lembra de sua primeira Bíblia? Pode ter sido na infância, um pre-sente especial de alguém da família. Ou quem sabe foi uma escolha sua, já na fase adulta, ao comprar um exemplar por conta própria. Seja qual for a história, pense no valor que você dá a esse Livro. Será que, por estar sem-pre por perto, você nem percebe mais o privilégio de ter a Palavra viva de Deus ao alcance das mãos? Você sente dificuldade em manter uma rotina de estudo da Bíblia? Já ficou sem saber por onde começar ou como ler para realmente se aproximar mais de Deus?
Lutero escreveu: “Há vários anos tenho o hábito de ler a Bíblia inteira duas vezes por ano. Se a Bíblia fosse uma grande árvore, e cada palavra um pequeno galho, eu teria tocado todos esses galhos, ansioso para descobrir o que havia neles e o que tinham a oferecer.”
Independentemente de como esteja sua rotina espiritual hoje, sempre há espaço para crescer. Nesta semana, vamos descobrir juntos algumas formas práticas de aprofundar o estudo da Palavra de Deus.
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Você já tentou acordar cedo para ler a Bíblia? Talvez já tenha passado por aquele momento em que o despertador toca, você abre os olhos com dificuldade, olha o relógio e pensa: “Tenho só 15 minutos antes de começar o dia... Preciso correr.” E então faz uma oração rápida, lê um versículo e sente a consciência mais tranquila, mas o coração continua vazio. Ellen White escreveu: “É muito pequeno o benefício que se tira de uma leitura apressada das Escrituras. Pode-se ler a Bíblia inteira sem que se veja sua beleza ou se compreenda sua profundidade, nem seus significados mais latentes” (Caminho a Cristo [CPB, 2024], p. 57).
Ainda que haja bênçãos ao ler a Bíblia como alguém tentando beber água direto de um hidrante (de forma intensa e rápida), é possível perder muito em uma leitura assim, apressada. Deus nos deu Sua Palavra, inspirada e preciosa, para que pudéssemos conhecê-Lo mais de perto – e, nesse processo, também nos conhecer melhor.
Quando paramos para contemplar a beleza do caráter de Deus e a forma como Ele agiu ao longo da história, nosso amor por Ele só cresce. Tudo isso está bem diante de nós. Mas precisamos encontrar tempo – e, mais do que isso, escolher dedicar tempo – para conhecer a Deus por meio da Bíblia (At 17:11). Aqui vão algumas sugestões práticas:
1. Peça a Deus que desperte esse desejo em você – Reivindique as promessas de Jeremias 29:13 e do Salmo 37:4. Peça ao próprio Deus que ajude você a acordar mais cedo ou abra espaço na sua rotina para esse encontro especial com Ele.
2. Entregue seu tempo a Deus – Sim, a rotina é cheia, e as tarefas urgentes não param de surgir. Mas nada se compara ao tempo com o Senhor. Encontre um lugar tranquilo para esse encontro, só você e Deus. Leia o Salmo 46:10. Depois, cante ou recite o hino “Tudo Entregarei” (Hinário Adventista do Sétimo Dia, no 302). Pense nas áreas da sua vida que talvez ainda não estejam completamente entregues e apresente todas elas ao Senhor.
3. Busque a Deus mesmo quando não estiver com vontade – Ter saúde exige esforço e disciplina: comer bem, exercitar-se, dormir direito. Isso vale para o relacionamento com Deus: é preciso decisão e intenção. Lembre-se: novos hábitos podem levar pelo menos 21 dias para se firmar – e sem a ajuda do Espírito Santo, não conseguimos sozinhos.
1. O que Jesus nos ensina em João 15:1-8? Por que permanecer Nele é essencial para a fé?
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2. Jesus é o nosso exemplo perfeito em tudo, inclusive na vida devocional. O que aprendemos sobre os momentos de Jesus com o Pai em Marcos 1:35?
Esse versículo é curto, mas nos ensina muito. Antes mesmo de o Sol nascer, Jesus já havia Se levantado e saído para um lugar isolado e tranquilo, longe da correria do dia a dia, onde pudesse passar tempo com o Pai. Consegue imaginar a cena? Jesus sentado à beira do Mar da Galileia ou em um monte silencioso, conversando com o Pai antes que o mundo despertasse. Embora o texto fale especificamente da oração, fica claro que esse momento era uma prioridade absoluta para Jesus. Sem dúvida, era ali que Ele encontrava forças para enfrentar tudo o que viria. E se o próprio Jesus precisava disso a cada manhã, quanto mais nós?
O próprio Deus nos convida: “Busquem a Minha presença.” E espera que nossa resposta seja: “Buscarei, pois, Senhor, a Tua presença” (Sl 27:8).
3. O que 1 Crônicas 16:11 diz sobre a forma como devemos buscar a Deus?
Você tem um lugar especial no qual costuma encontrar Deus todas as manhãs? Talvez uma poltrona perto da janela, um cantinho silencioso ao ar livre ou mesmo a mesa da cozinha, onde você possa se sentar aos pés de Jesus e aprender com a Palavra. Esse é o melhor lugar do mundo (Lc 10:39-42). Quando criamos o hábito de ir sempre ao mesmo lugar para esse encontro com Deus, fica mais fácil manter a rotina.
E se um dia você não conseguir? Tudo bem, imprevistos acontecem. Só procure não deixar que um dia vire uma semana ou que semanas se tor-nem meses. O relacionamento com Deus é construído em decisões diárias. E a boa notícia é que, se for preciso, você pode recomeçar hoje mesmo.
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Você não precisa ser um pastor ou teólogo para estudar a Bíblia. Mas como aprofundar-se no estudo da Palavra?
Ore – A oração é essencial no estudo da Bíblia – ao lê-la, não estamos sozinhos. Ao convidarmos o Espírito Santo para ser nosso guia, as distrações perdem força, e o inimigo se afasta. “Nunca se deve estudar a Bíblia sem oração. Somente o Espírito Santo pode nos fazer sentir a importância do que é fácil assimilar ou impedir que nos afastemos do sentido das verdades de difícil compreensão” (Ellen G. White, O Grande Conflito [CPB, 2021], p. 499).
Leia e escreva – Talvez a principal diferença entre ler a Bíblia e estudá-la de verdade esteja em um detalhe: escrever. Esse hábito nos ajuda a desacelerar os pensamentos, refletir com calma sobre o que lemos e aprofundar o processo de observar, interpretar, aplicar e responder ao que Deus nos diz. Colocar no papel as ideias que vêm à mente ajuda a organizá-las: da cabeça para a caneta, e da caneta para o coração. Além disso, temos muito mais chance de nos lembrar do que escrevemos (Sl 119:15, 16).
Compartilhe – Conte para alguém o que você aprendeu. Isso fortalece a mensagem no seu coração e pode encorajar outra pessoa também.
Escolha um livro curto da Bíblia para começar (por exemplo, Jonas, Marcos, Filipenses ou 1 João) e estude com calma, aos poucos. Você pode aplicar o método a seguir a um versículo, um trecho inteiro ou até todo um capítulo:
1. Ore, pedindo que o Espírito Santo abra sua mente e prepare seu coração.
2. Escolha um versículo ou capítulo.
3. Copie à mão o texto ou destaque as partes que mais chamarem sua atenção.
4. Leia novamente com oração e sublinhe as ideias principais.
5. Anote o que essas ideias revelam para você.
6. Ore e reflita sobre o impacto dessas verdades no seu relacionamento com Deus.
7. Pense em alguém com quem você possa compartilhar o que aprendeu.
“Quando o povo de Deus estiver crescendo na graça, obterá de maneira constante uma compreensão mais clara de Sua Palavra. Discernirá nova luz e beleza em suas verdades sagradas. Isso tem sido verdade na história da igreja em todas as épocas, e assim será até o fim” (Ellen G. White, Caminho a Cristo [CPB, 2024], p. 72).
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Existem várias formas de estudar a Bíblia: versículo por versículo (como vimos antes), por capítulo, por tema, por palavra-chave ou um livro inteiro. Podemos usar uma concordância ou um dicionário bíblico, ou ler a Bíblia acompanhada da “Série Conflito”, de Ellen White, para uma compreensão ampliada. Você pode caminhar ao ar livre ouvindo a Bíblia em áudio ou combinar com um amigo, ou mesmo com um pequeno grupo, para estudar juntos.
Assim como mantemos vivas nossas amizades com diversidade e novas experiências, devemos conservar nosso encontro diário com Deus vigoroso e vibrante ao usarmos diferentes métodos de estudo. Sempre há algo novo para aprender!
Uma das maneiras mais eficazes de manter o estudo da Bíblia relevante e significativo é compartilhar o que aprendemos. Ao explicar o que entendemos, organizamos os pensamentos – e isso ajuda a fixar o conteúdo. A bênção em dobro acontece porque, ao dividirmos essas descobertas com alguém, a conversa espiritual que surge costuma fortalecer ambos. Muitas vezes, é ao ensinar que mais aprendemos.
Com o tempo, você vai perceber que o que Deus falou ao seu coração por meio do estudo também pode ser uma mensagem para outras pessoas.
4. L eia Isaías 50:4. O que esse texto nos ensina sobre o relacionamento com Deus e de que forma isso pode nos ajudar a abençoar quem está ao nosso redor?
O tempo que passamos com Deus, estudando Sua Palavra, não apenas fortalece nossa fé, mas também nos prepara para encorajar outros ao longo do dia. Esse tempo se transforma em uma bênção em dobro.
A vida espiritual é como uma maratona. Peça ao Senhor que ajude você a seguir firme nessa corrida, mantendo os olhos no alvo (Fp 3:14). E se, em algum momento, você deixou isso de lado, não desanime. Apenas faça os ajustes necessários para que seu tempo com Deus - especialmente no estudo da Bíblia e na oração - volte a ser vivo e transformador.
Afinal, é isso que significa ter vida eterna: conhecer a Deus hoje (Jo 17:3). Quando decidimos, dia após dia, permanecer Nele e em Sua Palavra, tudo pode ser transformado.
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Pense na sua sobremesa favorita. Ela faz bem para a saúde? Talvez você use mel como adoçante - ou até mesmo o mel de aroeira, por seus possíveis benefícios medicinais. Se você já provou um favo de mel, sabe como ele é macio e doce, derretendo na boca.
No Salmo 119:103 e 104, a Bíblia é comparada a um favo de mel, uma imagem que expressa prazer e satisfação: “Quão doces são as Tuas palavras ao meu paladar! Mais que o mel à minha boca. Por meio dos Teus preceitos, consigo entendimento.”
5. O que significa este versículo: “Por meio dos Teus preceitos, consigo entendimento”? Por que essa verdade é tão importante para entendermos o valor do estudo da Bíblia?
As palavras de Deus são realmente doces para a alma e não se comparam a nada que o mundo possa oferecer. Ao contrário de muitas sobremesas, a doçura da Palavra de Deus traz cura para o coração e transformação para o caráter. E mesmo que você tenha se afastado de Deus, pode se ajoelhar agora, abrir a Bíblia e beber da água viva, a única que sacia de verdade a sede do coração.
6. Em Isaías 55, o profeta expande o conceito acima. Leia o capítulo e reflita: O que o Senhor oferece a quem vai a Ele para se alimentar da Sua Palavra? Quais são o desafio e a promessa de Deus para você?
A Palavra de Deus é viva e poderosa. Ela fala diretamente ao nosso coração e à nossa mente, chamando-nos a crescer em Cristo. Mas isso só acontece quando escolhemos dedicar tempo e esforço - sim, exige esforço! - para nos aprofundar nas Escrituras com humildade, entrega e disposição a fim de praticar aquilo que aprendemos.
7. De que formas práticas você pode buscar “o Senhor enquanto Ele pode ser encontrado” (Is 55:6)?
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O propósito do estudo da Bíblia é conhecer a Deus e crescer no relaciona-mento com Ele (Jo 5:39; 17:3). Jesus deseja ter esse tipo de relacionamento conosco (Ap 3:20). E, como seres criados, sempre temos algo novo a apren-der sobre o nosso Criador. Por isso, assim como um garimpeiro que cava em busca de pedras preciosas, devemos nos dedicar à leitura da Bíblia com atenção e zelo. “Seja qual for o grande adiantamento intelectual do homem, não pense ele, nem por um momento, que não há necessidade de inteira e contínua pesquisa das Escrituras em busca de maior luz. Como um povo, somos convidados individualmente ao estudo da profecia” (Ellen G. White, Testemunhos Para a Igreja [CPB, 2021], v. 5, p. 601, 602).
É importante também ter cuidado para não tentar forçar a Bíblia a dizer apenas o que queremos ouvir. “Como examinaremos as Escrituras? Iremos de um para outro pilar das nossas doutrinas, tentando fazer com que toda a Bíblia se molde às nossas opiniões preconcebidas? Ou levaremos nossas ideias e visões às Escrituras e avaliaremos cada aspecto de nossas teorias em comparação com a verdade? Muitos que leem e mesmo ensinam a Bíblia não compreendem a preciosa verdade que ensinam ou estudam. [...] Muitos conferem às palavras da Bíblia um significado adaptado a suas opiniões” (Ellen G. White, Conselhos aos Escritores [CPB, 2024], p. 23).
Perguntas para consideração
1. Com que atitude você costuma se aproximar da Bíblia? Existe algo que talvez precise mudar nessa forma de encarar o estudo? Por que a humildade e a disposição de se submeter à Palavra são essenciais?
2. Há alguma opinião ou convicção pessoal que talvez precise ser deixada de lado para que você permita que a Bíblia fale por si mesma? Se sim, como você pode começar a apresentar isso a Deus em oração desde já?
3. De que forma buscar algo original ou diferente pode atrapalhar nosso relacionamento com Deus? Como o desejo de descobrir algo “novo” –especialmente por motivos egoístas – pode acabar nos desviando do caminho certo?
Respostas às perguntas da semana: 1. Permanecer em Jesus é como estar ligado à fonte da vida. Sem Ele, nossa fé enfraquece e não dá frutos. 2. Jesus separava tempo para estar com o Pai antes de começar o dia. A comunhão era essencial para Ele e deve ser para nós também. 3. Devemos buscar a Deus com perseverança e depender Dele em todos os momentos. 4. Quando buscamos a Deus diariamente, Ele nos capacita a levar palavras de ânimo e esperança a outras pessoas. 5. Ao estudar a Palavra de Deus, passamos a entender melhor quem Ele é, como agir com sabedoria e como viver de forma correta. 6. Deus oferece alimento espiritual, convida cada pessoa a se voltar para Ele, desafia a abandonar caminhos errados e promete uma vida transformada. 7. Resposta pessoal.
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TEXTO-CHAVE: Is 55:11; Sl 119:105
FOCO DO ESTUDO: Sl 119
ESBOÇO
Introdução: No meio de sua oração, o salmista compara a Palavra de Deus a uma lâmpada, que ilumina seus pés (Sl 119:105). O salmo é iniciado com bênçãos concedidas aos que são íntegros e que escolhem andar na lei do Senhor e guardar Seus preceitos (Sl 119:1-3). O salmo é encerrado com a imagem de um caminhante que, por mais que fosse alguém que havia se desviado, ora para que Deus o encontre (Sl 119:176).
Nesta lição, andaremos com o salmista em sua busca por uma compreensão mais profunda da Palavra de Deus. Nossa peregrinação é uma continuação do estudo da semana passada, no qual discutimos a importância de estudar as Escrituras.
À medida que avançarmos em nossa peregrinação, refletiremos sobre princípios para a melhor abordagem das Escrituras. A imagem da lâmpada iluminando um caminho escuro à noite sugere uma caminhada lenta e cautelosa, na qual não se vê muito além do único passo dado. Tal caminhada exige tempo, pois é uma progressão passo a passo. Ao mesmo tempo, também se mostra uma aventura, contendo um elemento do desconhecido: não sabemos exatamente onde podemos chegar ou a que alturas sublimes a jornada pode nos conduzir.
Para extrairmos o máximo de nosso es-tudo, qualquer texto em consideração deve ser lido com franqueza, sem pressupostos ou preconceitos. Em vez disso, precisamos lê-lo com a mente aberta; e, para continuar a metáfora da caminhada, é necessário dar o passo da fé e ir aonde o Espírito nos conduzir. Uma leitura franca do texto bíblico nos ajuda a ouvir e receber a voz de Deus falando conosco por meio de Sua Palavra. Dessa forma, encontramos as Escrituras como algo significativo, belo, inspirado, envolvente e moral.
COMENTÁRIO
Introdução: Seis princípios de leitura das Escrituras são sugeridos para nossa consideração no comentário a seguir. Os três primeiros (1-3) dizem respeito à atenção do leitor ao texto. Os três últimos (4-6) referem-se à resposta do leitor.
Seção 1: Atenção ao texto
O texto como relevante. Ao longo do Salmo 119, pode-se dizer que o salmista meditava na Palavra de Deus (Sl 119:15, 48) apenas duas vezes: “o dia inteiro” (Sl 119:97) e durante a noite (Sl 119:148). Ou seja, o salmista meditava continuamente nas Escrituras, porque elas eram o seu prazer (Sl 119:44, 47). O amor pela Palavra de Deus era a motivação para o estudo do salmista (Sl 119:97, 113, 127). De fato, as santas palavras de Deus eram como uma carta de amor a ser lida e relida, inspirando o salmista a buscar seus pensamentos e intenções mais profundos.
O salmista pratica o método que estudos recentes chamam de leitura atentiva (close reading). Esse método consiste em ler o texto cuidadosamente, palavra por palavra, partindo do princípio de que cada palavra, cada detalhe sintático e cada forma grama-tical têm significado. Nessa abordagem, o texto é lido várias vezes. Tal leitura é sem-pre significativa e prazerosa, como testemunha o próprio salmista (Sl 119:14, 111). Esse método garante que sempre haverá mais riquezas a serem descobertas no texto.
O texto como belo. Antes de ser significativo, porém, o texto bíblico é belo. Sua música e suas imagens muitas vezes são apreciadas antes que seu significado seja plenamente compreendido pela mente. Por essa razão, o primeiro exercício do leitor consiste em prestar muita atenção à expressão poética do texto. A estrutura literária que organiza toda a passagem orienta o lei-tor em seu significado, permitindo-lhe captar a intenção geral do autor bíblico. Os parale-lismos e ecos linguísticos que relacionam palavras e frases entre si ajudam o leitor a entender melhor seus respectivos sentidos.
O Salmo 119 é um salmo alfabético (acróstico). Esse salmo possui 22 estrofes, uma para cada letra do alfabeto hebraico. Cada uma das 22 estrofes contém oito versos, o que totaliza 176 versículos. A intenção desse recurso literário é instruir-nos na per-feição da Palavra de Deus, que é mencionada em todo o salmo.
Na estrofe da letra NUN (Sl 119:105-112), por exemplo, cada versículo faz referência à lei de Deus com um termo diferente: “a Tua palavra” (Sl 119:105, 107), “os Teus juízos” (Sl 119:108), “a Tua lei” (Sl 119:109), “os Teus preceitos” (Sl 119:110), “os Teus testemunhos” (Sl 119:111) e “os Teus decretos” (Sl 119:112). Esse recurso literário aponta para os diversos aspectos da Lei de Deus, sugerindo, assim, sua perfeição.
O texto como escritural. Aqui nos concentramos apenas no contexto literário da estrofe NUN (Sl 119:105-112). A estrofe NUN é precedida pela estrofe MEM (Sl 119:97-104) e é seguida pela estrofe SAMEK (Sl 119:113-120). O tema principal da estrofe MEM é o amor pela lei, o caminho cor-reto que Deus havia ensinado (Sl 119:102), em contraste com a aversão pelo caminho falso (Sl 119:101, 104). A mesma linha de pensamento reaparece na estrofe SAMEK, que se reconecta com os mesmos temas vis-tos na estrofe MEM (Sl 119:113, 119). A estrofe NUN deve, portanto, ser analisada à luz desse contexto.
A consideração contextual da estrofe NUN também inclui a estrutura mais ampla das Escrituras (conexão intertextual), assim como o contexto imediato e restrito do Salmo 119 (conexão intratextual), à medida que alusões possam ser estabelecidas. É exatamente essa abordagem do texto bíblico que Ellen White recomenda quando afirma: “A Bíblia interpreta a si mesma. Um texto deve ser comparado com outro. O estudante deve aprender a encarar a Palavra como um todo e entender a relação de suas partes” (Conselhos aos Pais, Professores e Estudantes [CPB, 2024], p. 332). E ainda: “Um texto explica outro texto, sendo uma passagem a chave para outras passagens” (Evangelismo [CPB, 2023], p. 403).
Seção 2: A resposta do leitor
O texto como inspirado. O texto bíblico é diferente de qualquer outra obra literária. Isso porque as Sagradas Escrituras são “sopradas por Deus” e, portanto, inspiradas. Por essa razão, é imperativo que utilizemos uma abordagem espiritual em nosso estudo (1Co 2:13, 14). Como estudantes das Escrituras, devemos nos aproximar do texto bíblico com espírito de oração e contínuo autoexame, para termos certeza de que es-tamos sendo guiados objetivamente pelo alto e não influenciados subjetivamente por nossas pautas e preconceitos pessoais.
Como não somos profetas, não devemos esperar que o significado do texto seja revelado a nós por meio de um sonho ou de uma visão. Por outro lado, somos aconselhados a orar por entendimento ao Deus que inspirou esses escritos. Deus, então, envia o Seu Espírito para nos guiar em nosso estudo do texto, à medida que buscamos com diligência e sinceridade seu significado. Muitas vezes, a resposta divina ao nosso pedido de entendi-mento vem de forma inesperada, de maneiras que não prevemos ou talvez nem desejemos (veja a resposta do profeta Jeremias ao falso profeta Hananias, em Jeremias 28).
Outra maneira importante de cooperar com o Espírito de Deus em nossa busca por entendimento do texto bíblico é consultar nossos irmãos e irmãs na fé. Essa leitura “coletiva” também testará nossa humildade; o intercâmbio de ideias permitirá que o Espírito de Deus sopre “onde quer” (Jo 3:8), cultivando e ampliando nossas perspectivas.
O texto como envolvente. Ao ler e estudar o texto bíblico, aplique-o à sua vida presente. Leia-o como se ele falasse a você pessoalmente e diretamente (o que de fato acontece).
Além disso, reflita sobre como a Palavra de Deus pode iluminar os diferentes caminhos da sua vida: o seu trabalho, os problemas e os relacionamentos familiares, com amigos e colegas. Comprometa-se a guardar os mandamentos de Deus (Sl 119:106). Ore para que Ele o ajude a receber e compreender os Seus ensinos (Sl 119:108). Continue fiel às leis de Deus (Sl 119:109, 110). Desfrute de Seus mandamentos ao obedecer a eles. Não se limite a apenas praticar os mandamentos; assegure-se de que sua obediência flua do coração (Sl 119:111). Coloque toda a sua vida em contato com a eternidade ao praticar e obedecer a cada mandamento (Sl 119:112).
O texto como moral. As palavras inspiradas de Deus contêm potenciais “explosivos”. Ou seja, a Escritura traz ensinos que podem detonar ou provocar resistência e até certas reações negativas no coração humano, ao exigir o sacrifício de nossos ídolos ou a renúncia de erros há muito acariciados. Por isso, devemos lidar com essas verdades com cuidado, sabedoria e amor em nosso relacionamento com os outros.
Lamentavelmente, a palavra bíblica muitas vezes foi usada por pessoas para mal-tratar e agredir, em vez de redimir e elevar. A lista desses abusos é longa e dolorosa. Muitos crimes foram cometidos em nome da Bíblia, e isso é trágico. A profecia também aponta para mais acontecimentos desse tipo (ver Ap 13 e 14). Assim, em vez de ser uma palavra de consolo e a boa-nova da salvação, a Bíblia foi usada como pretexto para julgar, rebaixar e ferir pessoas.
Dessa forma, a humildade e um coração ensinável são necessários ao ler as Escrituras, para que as palavras divinas de vida não se transformem em palavras de morte. A consciência ética também deve estar presente, como quando se lê a estrofe NUN do Salmo 119. A palavra de luz de Deus (Sl 119:105) deve restringir e moldar as palavras e as ações em relação ao próximo. A palavra “justo” (tsedeq) é um termo técnico que carrega a noção de comportamento ético. Como tal, o Salmo 119, em sua totalidade, pode ser ouvido como um apelo à sensibilidade e à responsabilidade moral, não apenas na vida, mas também na leitura das Sagradas Escrituras.
APLICAÇÃO PARA A VIDA
Atividade 1 (em classe): Selecione uma estrofe do Salmo 119:
1. Aplique os seis princípios de “como estudar a Bíblia” à estrofe de sua escolha no Salmo 119 (exceto a estrofe NUN, Salmo 119:105-112, que já estudamos).
2. Divida sua classe em grupos menores. Convide cada grupo a se concentrar em uma estrofe de sua escolha, aplicando os seis princípios de estudo.
3. Após 10 minutos, peça a cada grupo que compartilhe e discuta suas respectivas descobertas.
Atividade 2 (em classe):
1. Discuta com a classe a importância, a relevância e a dificuldade do estudo da Bíblia.
2. Por que devemos estudar a Bíblia? O estudo da Bíblia é realmente necessário? Explique.
3. Aborde os argumentos que se opõem ao estudo da Bíblia.
4. Encontre textos bíblicos que promovem o estudo da própria Escritura.
5. Encontre também, no Antigo Testamento (veja os textos de sabedoria) e no Novo Testamento (veja o método de Jesus), material e orientações para o estudo da Bíblia.
Atividade 3: Pergunte aos seus alunos como eles adaptariam os princípios de estudo da Bíblia desta lição para públicos diferentes, como intelectuais (acadêmicos), ateus-seculares, muçulmanos, judeus, pessoas pobres e indivíduos ricos.
Atividade 4: Incentive seus alunos a encontrarem histórias extrabíblicas que ajudem a elucidar as lições e os ensinos do texto selecionado para estudo (por exemplo: biografias, relatos humorísticos, experiências pessoais, etc.).
Atividade 5 (somente para professores):
1. Pesquise ferramentas e recursos adicionais para o estudo da Bíblia.
2. Apresente à sua classe uma lista desses recursos para o estudo bíblico, como livros-texto e vídeos.
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Animais assustadores
República Democrática do Congo | Dieudonne
Dieudonne era apaixonada por Deus na República Democrática do Congo.
Seu trabalho era pregar nos campi universitários e levar alunos para sua igreja. Ele era bom em seu trabalho e se destacou por muitos anos.
Então, quando ele tinha 68 anos, obreiros bíblicos apareceram inesperadamente à sua porta e o convidaram para as reuniões evangelísticas adventistas do sétimo dia. Dieudonne e sua esposa foram à noite de abertura e ficaram surpresos ao ver um banner gigante com imagens de animais feios.
"Uau!", exclamou Dieudonne. "O que é isso?"
Sua esposa disse que estava assustada e não queria ficar.
"Estes animais são assustadores", disse ela. "Isso é uma igreja ou é outra coisa?
Nunca vimos coisas assim em nossa igreja. Então duvido que essas pessoas estejam pregando o evangelho. Podemos ser enganados por elas."
Enquanto ela se preparava para sair, Dieudonne lhe disse que não estava assustado com os animais e que planejava ficar. Ela meneou a cabeça e saiu.
Então, a reunião começou. Enquanto Dieudonne ouvia, ele soube que as imagens foram tiradas dos livros bíblicos de Daniel e Apocalipse. Ele havia pregado por muitos anos, mas nunca havia entendido as profecias de Daniel e Apocalipse da forma que ouvira naquela noite.
Ele voltou na noite seguinte e na seguinte. Aprendeu muitas coisas que nunca ouvira.
Mas todo o seu entendimento sobre Deus mudou quando o pregador leu Lucas 24:l. O verso descrevia mulheres indo à tumba de Jesus e começa com as palavras: "Agora, no primeiro dia da semana, bem cedo de manhã" (ARC).
Dieudonne sempre havia pensado que o primeiro dia da semana era domingo. Por isso, ele pensava que estava guardando o quarto mandamento que ele lia em Êxodo 20:8-70: "Lembra-te do dia do sábado, para o santificar. Seis dias trabalharás e farás toda a tua obra, mas o sétimo dia é o sábado do Senhor teu Deus; não farás nenhuma obra[ .. .]".
Agora ele percebeu pela primeira vez que a Bíblia ensinava que o primeiro dia da semana era domingo, não segunda-feira. Ele decidiu guardar o sábado como o dia de descanso daquele dia em diante.
Quando o pregador fez o chamado para o batismo, Dieudonne não precisou pensar duas vezes. Ele já havia sido batizado antes, mas pensou: "Esta é a minha oportunidade de ser batizado na verdade". Ele foi à frente imediatamente.
Todas as noites, após as reuniões, Dieudonne compartilhava o que ele estava aprendendo com sua esposa. Ela aceitou que o sétimo dia era o sábado e também foi batizada. Dieudonne contou aos outros membros de sua família sobre suas novas convicções, e vá rios de seus netos foram batizados.
Hoje, Dieudonne está ardendo por Deus na República Democrática do Congo. Ele já não prega nos campi das universidades em nome de sua antiga igreja. Em vez disso, sua nova igreja o ajudou a montar uma tenda ao lado da calçada da cidade, onde ele convida os transeuntes para estudarem a Bíblia. Ele também as convida para sua nova igreja. Nos primeiros meses em sua tenda de pregação, 20 pessoas se uniram à igreja.
"Minha maior alegria é ir à comunidade", disse Dieudonne. "Todos os dias, eu estudo a Bíblia com as pessoas."
A igreja de Dieudonne está conectada à Clínica Adventista de Kinshasa, a recebedora de uma oferta anterior do Décimo Terceiro Sábado, também conhecida como Oferta Trimestral de Projetos Missionários. Obrigado por apoiar a clínica e sua igreja com suas orações. Estre trimestre, você pode apoiar o novo projeto em Kinshasa, o futuro centro de mídia que acolherá o Hope Channel, a Rádio Adventista Mundial, um centro evangelístico de mídia social e uma central de atendimento em francês em Kinshasa. Obrigado por doar generosamente a este projeto importante.
Por Andrew McChesney
Dicas para a história
- Mostre o continente africano e a República Democrática do Congo no mapa. Em seguida, mostre a cidade de Kinshasa, a localização da Clínica Adventista de Kinshasa e do futuro megacentro de mídia.
- Pronuncie Dieudonnecomo: DEE-oh-don-ay.
- Assista a um pequeno vídeo de Dieudonne no YouTube em: bit.ly/Dieudonne-ECD.
- Baixe as fotos para esta história no Facebook: bit.ly/fb-mq.

