Certo dia, li o Salmo 88 na versão Nova Almeida Atualizada (NAA). O título e a introdução dizem: “Oração de um sofredor – Cântico. Salmo dos filhos de Corá. Ao mestre de canto. […] Salmo didático de Hemã, ezraíta.” Logo percebi o porquê do título e da descrição. O salmo começa com uma sentença positiva: “Ó Senhor, Deus da minha salvação”, mas rapidamente se deteriora. Embora mencione Deus, o salmo fala, de fato, a respeito de Hemã e seus problemas: “Dia e noite clamo diante de Ti. […] Inclina os Teus ouvidos ao meu clamor. Pois a minha alma está cheia de angústias” (v. 1-3).
Pouco mais adiante, o salmista culpa e acusa a Deus: “Afastaste de mim os meus conhecidos” (v. 8). “Por que rejeitas, Senhor, a minha alma […]?”(v. 14). “Sobre mim passou a Tua ira; os Teus terrores acabaram comigo” (v. 16). E o salmo termina em depressão: “Os meus conhecidos agora são as trevas” (v. 18).
Desejando algo mais encorajador, continuei a ler. O Salmo 89 começa assim: “Cantarei para sempre as Tuas misericórdias, ó Senhor” (v. 1). E os louvores continuam por 37 versos! O escritor fala do amor inesgotável de Deus, de Sua fidelidade, Suas promessas, Seu poder, Sua glória, justiça, verdade, reputação formidável, retidão, entre outros atributos.
Nos versos 38 a 48, o salmista analisa aquilo que ele não entende e, nos versos 49 a 51, ele expressa seus receios. O salmo finaliza em triunfo: “Bendito seja o Senhor para sempre! Amém e amém!” (v. 52).
Uau! Que contraste! Qual foi a diferença?
O primeiro foi escrito por Hemã, o ezraíta; o segundo, por Etã, o ezraíta. Os dois eram descendentes da mesma família, e cada um expressou suas frustrações, mas as palavras de um foram deprimentes e as do outro, edificantes. Enquanto eu lia os capítulos novamente, percebi que Hemã se concentrou em si mesmo e em suas emoções. Em contraste, Etã levou suas emoções a Deus, concentrando-se Nele e na verdade.
Já ouvi falar muitas vezes que nos tornamos aquilo que contemplamos. Senhor, ajuda-me a reconhecer a verdade sobre mim mesma e meus desafios, mas olhando para Ti e para a Tua verdade. Ajuda-me a ser semelhante a Ti. Torna minhas palavras, e até as expressões em meu rosto, edificantes e encorajadoras.”
Helen Heavirland