Na ilha onde nasci, há cobras extremamente venenosas, que chegam a medir mais de 2 metros de comprimento e são tão grossas quanto o braço de um homem. Poucas pessoas sobrevivem se forem atingidas e mordidas por uma dessas cobras; então, não é de admirar que tivéssemos medo delas.
Meu pai alugava frações de terra para plantar legumes a fim de complementar a renda familiar. Antes da temporada de plantio, ele retirava as ervas daninhas que invadiam o terreno. Em muitas ocasiões, ele encontrava essas terríveis criaturas; no entanto, Deus sempre o protegia.
Essas cobras têm nervos sensíveis na parte inferior da barriga, o que lhes permite sentir a presença das pessoas. Assim, elas podem se posicionar enrolando todo o corpo em uma espiral com a cabeça no topo, prontas para atacar antes que a pessoa perceba sua presença.
Certa ocasião, meu pai estava limpando folhas secas ao redor de bananeiras enquanto se movia de costas em direção a uma árvore caída. Mais tarde, ele contou que, de repente, ouviu alguém chamá-lo pelo nome. Isso o assustou, pois sabia que era a única pessoa naquele local. Rapidamente, ele se virou para ver quem estava ali e ficou de frente com a maior cobra que já tinha visto. Ele orou e, lentamente, deu alguns passos para trás, aumentando a distância entre ele e a cobra. Felizmente, ele conseguiu alcançar um galho longo, com o qual matou o perigoso réptil. No entanto, meu pai ficou tão assustado com o encontro que voltou para casa mais cedo, após perceber o quão perto esteve de ser atacado por aquela cobra.
Se não fosse pela proteção do Senhor, meu pai teria morrido. Todos nós ficamos gratos a Deus por Seu olhar vigilante sobre meu pai e temos certeza de que um anjo do Senhor o chamou pelo nome, salvando sua vida.
Quando a Bíblia fala da serpente sendo astuta e procurando a quem possa devorar, não há dúvida: Satanás está esperando qualquer movimento que nos afaste da proteção de nosso Deus, pronto para atacar com fúria. Agradeço ao meu Pai celestial, que nos protege, nos liberta e nos mantém seguros das presas do inimigo.
Flore Aubry-Hamilton