Lição 9
23 a 29 de maio
Pecado, evangelho e lei | 2º Trimestre 2026
Sábado à tarde
Ano Bíblico: RPSP: 2CR 35
Verso para memorizar: “Nunca me esquecerei dos Teus preceitos, pois é por meio deles que me tens dado vida. Sou Teu; salva-me, pois eu busco os Teus preceitos” (Sl 119:93, 94).
Leituras da semana: Jz 14:1-20; Mc 9:42-48; Rm 3:20, 28; Mt 5:17, 18; Mt 7:24-29

Sem dúvida, o pecado é o maior obstáculo para um relacionamento próximo com Deus. Ele não apenas nos separa do Senhor (Is 59:2), como também engana, fere, corrói e, por fim, destrói. A luta contra o pecado e contra o ego é a maior batalha de nossa vida, pois tem consequências enormes e eternas.

Alguns tratam o pecado como algo “normal” da vida. Afinal, é da natu-reza humana buscar prazer. Mas será que temos dado menos importân-cia ao pecado porque a sociedade se acostumou com ele? Às vezes, evitamos o assunto com receio de ofender alguém ao chamar o pecado pelo nome. No fim, quanto mais escolhemos conviver em paz com o pecado, mais nos afastamos de um relacionamento saudável com Deus.

Sim, todos pecamos, e nossos pensamentos, nossas motivações, nossas ações e palavras ferem a nós mesmos, aos outros e a Deus. No fim, o pecado destrói nosso relacionamento com o Senhor. Mas Ele Se revelou por meio de Sua lei, que aponta para o pecado em nossa vida.

Nesta semana, vamos entender por que Deus nos deu Sua lei e entender também que, quando uma pessoa desobedece a ela e peca, há Alguém que pode restaurar o relacionamento com o Pai.

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Domingo, 24 de maio
Ano Bíblico: RPSP: 2CR 36
Distrações e tentações

1. Leia Juízes 14:1-20; 16:1, 4, 16, 17. Sansão foi chamado por Deus para uma missão, mas cedeu a tentações ao longo do caminho. O que a vida dele nos ensina?

O grande conflito é real, e todos nós estamos no meio dele. A batalha que começou no Céu se desenrola hoje em nossa vida.

Satanás sabe que, nos tempos em que vivemos – às vésperas da volta de Jesus –, precisa usar tudo para nos afastar de um relacionamento íntimo com Deus. Há coisas que não são erradas em si, mas ocupam tanto tempo que quase não sobra espaço para o Senhor: trabalho, redes sociais, compras, esportes, comida. Se formos honestos, perceberemos que o excesso e o desequilíbrio nessas áreas deixam pouco espaço para Deus e para o próximo. O inimigo conhece nossas fraquezas e sabe exatamente o que rouba nosso tempo com o Senhor. Por isso, coloque Deus em primeiro lugar ao começar o dia (Mt 6:33).

Jesus entende nossa condição, mas repreende nossa indiferença e mornidão (Ap 3:14-22). Embora seja Deus, Ele também viveu como homem e sentiu cansaço (Jo 4:6). Conheceu as pressões da vida, mas Se retirava para orar ao Pai (Lc 5:16; 6:12; Mc 1:35; Mt 14:23). Ele sabia que esse tempo com o Pai era a melhor forma de receber forças e, assim, enfrentar as tentações. Para nós, esse é o caminho mais seguro também. 

Sansão caiu porque confiou em si mesmo. Achou que era forte o bastante para vencer as tentações. Todos os dias, também enfrentamos batalhas contra o pecado, enquanto o inimigo tenta enfraquecer e destruir nossa comunhão com Deus. Ele mira nossas fraquezas, diminui nossa sensibilidade espiritual, semeia culpa e a sensação de que “não somos dignos” – tudo para nos afastar do Senhor. Ele tenta mudar nosso modo de pensar, nossas intenções e escolhas, até ganhar terreno em alguma área da vida. Lembre-se: é pela fé que permanecemos firmes, e essa fé nasce quando ouvimos a Palavra de Deus.

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O que você está enfrentando agora? Como a Palavra de Deus pode ajudar você hoje?
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Segunda-feira, 25 de maio
Ano Bíblico: RPSP: ED 1
Barreiras no relacionamento com Deus

A Bíblia traz muitas mensagens sobre nosso relacionamento com Deus e sobre os obstáculos que nos impedem de crescer em Cristo. Veja estas palavras de Paulo e de Jesus:

“Aquele que considera estar de pé, cuide-se para que não caia!” (1Co 10:12, NVI). Como Sansão, confiar só em nós mesmos poderá nos derrubar.

“Não fique tocando trombeta [...], como fazem os hipócritas, para serem elogiados pelos outros” (Mt 6:2). Pare de alardear sua bondade e santidade. Seja humilde, como Jesus foi.

“Eu, porém, lhes digo: todo o que olhar para uma mulher com intenção impura, já cometeu adultério com ela no seu coração. Se o seu olho direito leva você a tropeçar, arranque-o e jogue-o fora” (Mt 5:28, 29). Faça o que for preciso para arrancar a cobiça do coração – ela cria um muro entre você e Deus.

“Não julguem, para que vocês não sejam julgados. Pois com o critério com que vocês julgarem vocês serão julgados” (Mt 7:1, 2). Evite a crítica e o julgamento. Somente Deus é o Juiz (1Co 4:5).

“Eu, porém, lhes digo: amem os seus inimigos e orem pelos que perseguem vocês” (Mt 5:44). Pare de alimentar ódio contra quem o fere. Quando você nutre sentimentos negativos por quem o trata mal, ergue uma barreira entre você e Deus. Em vez disso, comece a orar por essas pessoas e veja como isso transformará não apenas sua caminhada com o Senhor, mas também seus relacionamentos pessoais.

“Eu, porém, lhes digo que todo aquele que se irar contra o seu irmão estará sujeito a julgamento” (Mt 5:22). Justificar explosões de raiva corrói sua comunhão com Deus e fere quem está perto. Como sua ira afeta sua relação com Deus e com quem a recebe?

2. Jesus falou sobre o que fazer quando mãos, pés ou olhos nos levam ao pecado. Qual foi o alerta Dele? Mc 9:42-48

 

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Cortar a mão ou o pé, ou arrancar o olho, é uma linguagem forte – e essa é a intenção. Percebemos quão seriamente Jesus vê o pecado e seu impacto em nossa vida. E você: Tem levado isso a sério?
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Terça-feira, 26 de maio
Ano Bíblico: RPSP: ED 2
A lei de Deus

3. Como você explicaria o que é pecado para alguém que não é cristão? Como a Bíblia define o pecado? Rm 3:20; 1Jo 3:4

Pecado é a transgressão da lei de Deus (1Jo 3:4) e está dentro de nossa natureza (Sl 51:5; Jr 17:9). A lei de Deus é como um espelho que revela quem somos, é como um par de óculos que nos ajuda a enxergar com nitidez o que o pecado realmente é. A lei traz clareza e convicção à vida e ao caráter e, ao mesmo tempo, revela o caráter de Deus e o que é importante para Ele.

Os Dez Mandamentos (Êx 20:3-17) foram escritos pelo próprio dedo de Deus. Jesus reafirmou a importância deles: “‘Ame o Senhor, seu Deus, de todo o seu coração, de toda a sua alma e de todo o seu entendi-mento.’ Este é o grande e primeiro mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: ‘Ame o seu próximo como você ama a si mesmo’” (Mt 22:37-39). E Ele acrescentou: “Destes dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas” (Mt 22:40).

As palavras de Deus aos israelitas no Sinai – e que hoje chegam até nós (Hb 1:1, 2) – mostram que a lei trata de relacionamentos. Deus a deu para proteger nossa relação com Ele e com o próximo. Porém, Satanás distorceu a beleza da lei, levando muitos a vê-la como um fardo. Em vez de associá-la ao amor e à liberdade, a relacionam ao legalismo. Mas a Bíblia afirma: “Porque este é o amor de Deus: que guardemos os Seus mandamentos. E os Seus mandamentos não são difíceis de guardar” (1Jo 5:3). Reflita nestas questões:

1. Em uma escala de 1 a 5, quão preciosa é para mim a Palavra viva de Deus (e a lei, como parte dela)?

2. Quando penso na lei de Deus, acredito que ela tira a minha liberdade ou me fortalece? Se me sinto limitado, como posso compreendê-la melhor?

3. O que mudaria se a lei de Deus - o amor a Ele e ao próximo - estivesse no centro da minha vida, da minha família e da minha igreja?

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Quarta-feira, 27 de maio
Ano Bíblico: RPSP: ED 3
Lei e evangelho

O próprio Jesus explicou de forma clara e direta qual é Sua relação com a lei de Deus.

4. Em Mateus 5:17 e 18, o que Jesus disse a respeito da lei?

Assim como os limites que os pais estabelecem revelam o que eles valo-rizam, a lei de Deus nos mostra Seu caráter e o que é importante para Ele. O Senhor nos deu Sua lei para proteger nosso relacionamento com Ele e com o próximo, guiando cada aspecto da vida enquanto crescemos Nele. Afinal, quem nunca sentiu, na própria pele, as consequências do pecado – a violação da lei?

O amor por Jesus está no centro da lei. Ele disse: “Se vocês Me amam, guardarão os Meus mandamentos” (Jo 14:15). Quando amamos de verdade a Cristo, naturalmente guardamos Sua lei. Quanto mais entendemos a beleza da lei, mais nosso amor por Jesus cresce. E o mais importante: manter diante de nós a cena da cruz e a morte substitutiva de Cristo em nosso favor é o caminho mais poderoso para promover esse amor.

Por isso, lei e evangelho caminham juntos. Embora creiamos na lei e na importância de obedecer a ela, precisamos lembrar: diante de Deus, em ter-mos legais, a lei apenas condena. A lei não perdoa, não justifica, não faz expiação. Pelo contrário, ela mostra por que precisamos de perdão, de justificação e de expiação. Assim, ao lado da lei – e fundamental para entendê-la – está o evangelho: a morte de Cristo por nós, que não é creditada a nosso favor por guardarmos a lei, mas por termos fé Nele.

5. Leia Romanos 3:28; 4:13-16; Gálatas 2:16; 3:13; Filipenses 3:9. O que esses textos nos ensinam sobre como, mesmo valorizando a obediência à lei, podemos evitar o legalismo?

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Quinta-feira, 28 de maio
Ano Bíblico: RPSP: ED 4
Conhecer e praticar

No Sermão do Monte, Jesus falou muito sobre relacionamento – com Ele e com o próximo. E, perto do fim, fez uma afirmação decisiva: “Nem todo o que Me diz: ‘Senhor, Senhor!’ entrará no reino dos Céus, mas aquele que faz a vontade de Meu Pai, que está nos Céus” (Mt 7:21).

Jesus explicou que muitos O invocariam e até saberiam muito a respeito Dele, sem de fato conhecê-Lo. Buscar conhecimento é essencial – a Bíblia alerta que o povo perece por falta de conhecimento de Deus e por rejeitar esse conhecimento (Os 4:1, 6, 10). Porém, se o que aprendemos não nos transforma nem aprofunda nossa caminhada com o Senhor, esse saber pouco vale.

Jesus disse: “E a vida eterna é esta: que conheçam a Ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste” (Jo 17:3). A condição para entrar no Céu é fazer a vontade de Deus – e isso pressupõe conhecê-Lo, porque ninguém pratica Sua vontade sem antes conhecê-Lo. É algo razoável: quando um filho ama os pais, costuma atender seus pedidos; suas ações revelam o amor e o respeito que sente. Da mesma forma, quem ama a Deus deseja fazer Sua vontade, porque não há caminho melhor. Nossa resposta – a obe-diência que transborda do amor – revela a verdadeira natureza do nosso relacionamento com Ele.

6. Jesus concluiu o Sermão do Monte com um apelo forte. Qual foi? Mt 7:24-29

Quando realmente ouvimos as mensagens de Jesus, somos desafiados e transformados. Para isso, precisamos de ouvidos abertos e coração receptivo, a fim de que o projeto de vida para um relacionamento íntimo com Deus fique gravado em nosso coração. Assim, nossa vida será construída sobre a Rocha e sobre o plano perfeito de Deus. Esse projeto não é segredo: está revelado nas páginas da Palavra inspirada de Deus, oferecido a todos. Cabe a cada um aceitá-lo pela fé, apropriar-se da justiça perfeita de Cristo e vivê-la no dia a dia.

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Sexta-feira, 29 de maio
Ano Bíblico: RPSP: ED 5
Estudo adicional

Não deve nos surpreender que o tema da lei seja, tantas vezes, distorcido e mal-entendido. Afinal, o maior desafio de Satanás contra Deus foi a respeito de Sua lei. Na época de Jesus, alguns pensavam que Ele viera abolir a lei, mas nada poderia estar mais longe da verdade. Cristo lançou luz sobre a lei e sobre o belo caráter de Deus e veio cumpri-la (Mt 5:17, 18), revelando quem Deus é.

“Foi o respeito pela lei divina que deu a Israel força durante o reinado de Davi e nos primeiros anos do reinado de Salomão. Foi pela fé na viva Palavra que se realizou a reforma nos dias de Elias e Josias. E foi para essas mesmas Escrituras da verdade – a mais rica herança de Israel – que Jeremias ape-lou em seus esforços para levar o povo a fazer uma reforma. Onde quer que ministrasse, ele ia ao encontro das pessoas com o fervente convite: ‘Ouve as palavras desta aliança’ (Jr 11:2) – palavras que dariam a eles plena com-preensão do propósito de Deus de estender a todas as nações o conhecimento da verdade salvadora” (Ellen G. White, Profetas e Reis [CPB, 2021], p. 273).

Perguntas para consideração

1. Como a cultura popular enxerga o pecado hoje? Como nossa igreja deveria responder a essa visão?

2. Você já presenciou, na prática, o pecado destruir relacionamentos com Deus e com outras pessoas? Como isso aconteceu?

3. Obedecer à lei de Deus tem sido fácil ou difícil para você? Que fatores contribuem para isso?

4. Como nós, adventistas – cujo próprio nome mostra o quanto levamos a lei a sério –, podemos evitar o legalismo, isto é, a ideia de que nossa obediência nos salva? Faça um exercício de reflexão: No dia do juízo, quando cada pecado for apresentado diante de um Deus santo e perfeito, em que você vai confiar? Na sua obediência à lei ou na justiça perfeita de Jesus em seu lugar?

5. De que maneira o conhecimento (ou a falta dele) pode afetar o relaciona-mento de alguém com Deus? (Leia Pv 24:3, 13, 14.)

Respostas às perguntas da semana: 1. Sansão mostra que dons e chamado não substituem caráter: conces-sões “pequenas” e paixões não tratadas destroem a missão. Deus é misericordioso, mas a colheita do pecado traz perda; precisamos de vigilância e domínio próprio. 2. Jesus advertiu a lidar com o pecado de modo decisivo: remover o que faz tropeçar, mesmo que custe caro. É melhor perder algo agora do que perder a vida eterna, e jamais fazer “pequeninos” tropeçarem. 3. Para quem não é cristão: pecado é viver fora do padrão de amor de Deus, romper com Seu plano para nós. A Bíblia o define como transgressão da lei e nos mostra a lei como espelho que revela nossa culpa. 4. Jesus não aboliu a lei; Ele a cumpriu e confirmou sua validade. Seu ensino aprofunda o sentido da lei e nos chama à obediência do coração. 5. Somos justificados somente pela fé em Cristo, não por obras da lei; a justiça é dom da graça. A obediência é fruto dessa fé, resposta de amor; assim evitamos o legalismo. 6. Apelo: ouvir e praticar Suas palavras, construindo a vida sobre a Rocha. A verdadeira sabedoria é obedecer a Jesus, cuja autoridade é suprema.

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Resumo da Lição 9
Pecado, evangelho e lei | 2º Trimestre 2026

TEXTO-CHAVE: Mt 5:17, 18
FOCO DO ESTUDO: Sl 119:93, 94; Ec 7:29; Mt 7:24-29; Rm 3:20

ESBOÇO

Introdução: Conta-se a história de dois meninos gêmeos que aprenderam, desde a infância, que todo prazer era pecado. Todas as suas ações eram restringidas por regras rígidas: “Não leia este livro, pois é pecado; não coma aquele alimento, pois é pecado; não ria, pois é pecado; não vá àquele lugar, pois é pecado”.

Quando esses dois meninos cresceram, seus caminhos na vida divergiram. Um dos irmãos desenvolveu um grande medo do que era proibido e mal ousava sair de casa, com receio de entrar em contato com influências moral e fisicamente contaminadas. Ele chegou até a ter medo de abrir as janelas do quarto e não se atrevia a comer a maior parte dos produtos vendidos no mercado. Por fim, morreu jovem por ser excessivamente abstêmio.

O outro irmão, porém, sofreu do problema oposto. Ele desenvolveu uma forte atração pelo que era proibido. Experimentou drogas, exagerou no consumo de álcool e frequentou todo tipo de cassinos e bares de-cadentes. Criou até um gosto especial por certos alimentos proibidos. Não demorou muito para que o jovem adoecesse e morresse por causa do excesso.

A educação que aqueles meninos receberam foi tão errada assim? Afinal, não de-veríamos fazer o nosso melhor para evitar o pecado? O problema essencial da educação deles foi nunca terem aprendido o que realmente é o pecado. Tampouco compreenderam por que o pecado é ruim; assim, não estavam preparados para lutar contra ele. Nesta lição, abordaremos o que é o pecado e como superá-lo.

COMENTÁRIO

O que é o pecado e por que ele é maligno?

Falhando em identificar o pecado. Quando deixamos de chamar o pecado pelo seu nome, aumentamos seu problema. Por exemplo, se não chamamos o adultério de pecado, corremos o risco de minimizar sua gravidade e, pior ainda, de normalizá-lo.

O problema de não chamar o pecado pelo seu nome é particularmente comum em muitas culturas hoje. Na sociedade secular, podemos evitar o uso do termo “pecado” por várias razões. Primeiro, na sociedade secularizada, tendemos a evitar o termo porque ele carrega conotações religiosas. Para a maioria das pessoas, o pecado não existe; implica algo proibido por Deus ou pela religião. Para aqueles que não creem em Deus nem seguem os padrões morais da religião, não há tal coisa como o pecado. Falam de erros, crimes, comportamentos antiéticos ou inadequados socialmente, mas não de “pecados”. Do ponto de vista deles, uma discussão sobre pecado é, portanto, irrelevante ou até mesmo percebida como um ataque às suas liberdades. Contudo, uma das graves consequências de nossa recusa em reconhecer o pecado é permanecer ignorante quanto ao mal. Assim, para a mente secular, a motivação para evitar um “erro” não é porque ele seja ruim ou perverso; mas simplesmente uma questão de consideração social ou cívica. A mente secular não sabe que peca, porque não tem conhecimento do que a Bíblia chama de “temor de Deus”.

Quando Abraão viajou para uma terra estrangeira, ele temeu ser maltratado porque o povo daquele lugar não tinha o temor de Deus (Gn 20:11) no coração. Assim, o conceito de “pecado” lhes era estranho. No entanto, o fato de o conceito ser estranho a eles não significa que aqueles que ignoram o pecado não sejam responsáveis por seus atos. Mesmo que os que são ignorantes de seus pecados não creiam no Deus de Israel, esse mesmo Deus os julgará, tão certamente quanto julgará Seu povo (Am 1–2). Quanto àqueles que sabem que “pecam” e ainda assim se recusam a reconhecer isso, dizendo que não o fazem, Deus promete entrar em juízo contra eles (Jr 2:35).

Pecado como distorção. A palavra hebraica para pecado, khata’, significa literalmente “errar o alvo”. O “pecado” é entendido como um desvio ou uma distorção do caminho original, o caminho “reto”. Eclesiastes descreve a condição humana como tragicamente “torta”, algo irreparável: “Aquilo que é torto não pode ser endireitado” (Ec 1:15). Por essa razão, o ato de cometer “pecado” está ligado ao problema do “esquecimento”, ou seja, uma situação passada que é irredimível, perdida pelo próprio decorrer do tempo. Daí a existência de inúmeras passagens bíblicas nas quais o profeta exorta o povo de Deus a não se esquecer, para que não caia em pecado sem perceber (Dt 6:12; Dt 32:18; cf. Tg 1:24).

Pecado contra Deus. No antigo Israel, o pecado era um ato religioso que dizia respeito diretamente a Deus, como, por exemplo, a idolatria (Dt 9:16) ou a desobediência a Ele (Dt 1:41). A injustiça ou comportamentos antiéticos contra outras pessoas também eram considerados pecados contra Deus.

Quando José resistiu às investidas lascivas da esposa de Potifar, que tentou seduzi-lo para se deitar com ela, ele identificou a proposta não apenas como um crime contra o marido dela, mas como um pecado contra o Senhor (Gn 39:9). Quando Davi cometeu adultério com Bate-Seba e fez com que seu marido, Urias, o hitita, fosse morto, compreendeu posteriormente que, ao agir assim, havia pecado contra o Senhor (2Sm 12:13).

Mais tarde, na história do Antigo Testamento, os profetas confrontaram tanto as nações quanto Israel por cometerem crimes violentos e atos antiéticos que prejudicavam o próximo (Am 1:11; 2:6-8). O profeta Miqueias chega até mesmo a enfatizar a superioridade do dever ético sobre o ritual religioso (Mq 6:6-8).

O Novo Testamento segue na mesma linha. Para Jesus, se pecamos contra o próximo ou deixamos de cuidar dele, é como se tivéssemos pecado contra Ele ou O tivéssemos negligenciado (Mt 25:45). Para Paulo, quando alguém peca contra os irmãos, “peca contra Cristo” (1Co 8:12). Até mesmo quando pecamos contra nós mesmos, em nosso próprio corpo, estamos pecando contra Deus. O contrário também é

verdadeiro: o primeiro pecado cometido por Adão contra Deus impactou não apenas sua própria vida, mas também seu ambiente (Gn 3:17-19). O pecado é a causa da morte de todos os seres humanos (Gn 2:17), um princípio repetido diversas vezes ao longo da Bíblia (Pv 8:36; Ez 18:4; Rm 5:12). E, porque nosso corpo é o templo do Espírito Santo, pecar contra o corpo é pecar contra o próprio Deus (1Co 6:18-19).

Como podemos lutar contra o pecado?

Conhecimento do pecado. Por nossas próprias forças, nada podemos fazer contra o pecado. Por isso, a primeira solução para o problema é reconhecê-lo e admitir que sua própria natureza é má. Para esse fim, precisamos da lei de Deus. Pois somente “pela lei vem o pleno conhecimento do pecado” (Rm 3:20). A lei é, então, comparada a um “tutor” que nos conduz a Cristo (Gl 3:24). Assim como o tutor na antiga sociedade grega levava a criança até seu mestre, a lei de Deus nos conduz a Cristo. E, à medida que lutamos com a lei da justiça, percebemos quão difícil é esse caminho e quão desesperançados estamos por nós mesmos. É então que compreendemos que nossa única esperança é abraçar a graça de Deus.

O caminho de Adão e Eva. Consideremos a confissão de pecado de Adão e Eva. Por um lado, podemos inferir que eles perceberam ter transgredido a lei de Deus, pois se esconderam da presença de um Deus justo (Gn 3:6-10). Por outro lado, quando Deus os chamou à Sua presença e começou a conduzir Sua investigação sobre o ocorrido, ambos responderam atribuindo ao Senhor a responsabilidade por sua transgressão. Adão mencionou sua nudez, que era o estado original em que Deus o havia criado (Gn 2:25), e depois culpou a mulher, que Deus lhe havia dado (Gn 3:12). Eva, por sua vez, culpou a serpente, que também havia sido criada por Deus (Gn 3:1, 13).

A única passagem que revela o efeito do pecado sobre a natureza de Adão e Eva encontra-se em Gênesis 3:22, 23, na qual Deus nota que eles eram originalmente semelhantes a Ele. (Observe que o verbo hebraico hayah, traduzido como “se tornou” em Gênesis 3:22, deveria ter sido traduzido no passado como “era”, assim como ocorre em Gênesis 3:1.) A tradução comum, “se tornou”, sugere equivocadamente que o pecado representou uma melhora na condição e status deles. Além disso, tal tradução passa a impressão de que a serpente estava certa quando advertiu Eva de que Deus não queria que ela e Adão fossem como Ele (Gn 3:5). Na realidade, Deus lamentou a trágica condição em que Adão e Eva se encontravam: depois do pecado, eles perderam a semelhança com Ele. Apenas Deus reconheceu o verdadeiro efeito negativo do pecado sobre eles. Adão e Eva não eram capazes de confessar seu pecado porque já tinham perdido sua ligação com o Criador. Enquanto não haviam caído, sua conexão com Deus lhes permitia discernir a realidade do mal. Mas, assim que se afastaram de Sua presença, perderam a capacidade de distinguir entre o bem e o mal. Ellen White comenta: “Por misturar o mal com o bem, sua mente ficou confusa, e suas faculdades mentais e espirituais se tornaram entorpecidas. Não mais poderiam reconhecer o bem que Deus tão livremente havia concedido” (Educação [CPB, 2021], p. 17).

A lição básica que aprendemos com a queda da humanidade é simples: porque os seres humanos pecaram, perderam seu senso inato de discernimento, a capacidade de distinguir entre o bem e o mal. Assim, separados de Deus, somos incapazes de exercer esse juízo de forma correta. Por essa razão, Deus nos deu a lei e o evangelho. Precisamos da lei para nos guiar na direção certa. E, do mesmo modo, necessitamos da graça de Cristo para nos ajudar a caminhar com esperança e amor nessa direção.

APLICAÇÃO PARA A VIDA

Dica para o professor: Peça a um voluntário que leia as reflexões sobre o pecado apresentadas abaixo. Reserve um tempo para a discussão das perguntas relacionadas que se seguem ou para o compartilhamento de testemunhos, conforme indicado.

Para reflexão: O pecado pode deixar de ser pecado?

Um homem cristão cometeu adultério. Quando seus amigos o confrontaram sobre sua infidelidade, ele insistiu que aquilo não era pecado porque amava a mulher. Como Deus é amor, o homem argumentou que o que havia feito tinha a aprovação de Deus. Mais à frente, esse homem se envolveu com outra mulher e, depois, com várias outras. Quando seus amigos o confrontaram novamente sobre esses novos acontecimentos e perguntaram se Deus ainda aprovava suas atitudes, o homem respondeu que já não acreditava mais em Deus.

Perguntas para discussão:

1. Pense em casos de sua vida, da vida de amigos ou noticiados pela mídia, em que o pecado foi justificado e até retratado como uma boa ação. Qual é o efeito de tais atitudes sobre o tecido moral da sociedade? Por que esse tipo de pensamento é tão perigoso?

2. Pense em casos da Bíblia, da história e de acontecimentos atuais em que a negação ou a descriminalização do pecado de uma pessoa levou a um aumento de seu sofrimento.

3. Que argumentos você usaria para ajudar alguém a encarar a realidade do seu próprio pecado?

Para reflexão:

Pecado e felicidade. Com base em seu trabalho sobre a conexão entre ética e felicidade, o psiquiatra Henri Baruk concluiu: “Encontramos felicidade em fazer o bem aos outros. Não somos felizes quando buscamos nossa própria felicidade. O homem que busca a felicidade nunca a encontrará” (Henri Baruk, em Shabbat Shalom, dezembro de 1996).

1. Peça aos membros da classe que deem testemunhos sobre a felicidade que alcançaram ao fazer o bem a outras pessoas.

2. Decida ajudar alguém em necessidade física, financeira ou espiritual nesta semana.

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Salão das bênçãos

Quênia | Elijah 

Um novo salão multiuso promete ser uma grande bênção para um internato adventista do sétimo dia para crianças surdas no Quênia. Mas o salão, que foi construído com a ajuda de suas ofertas, também provou ser uma grande bênção durante sua construção.

O mestre de obras da construção disse que nunca havia visto um projeto como esse. Nenhum acidente ou ferimento foi relatado durante os três meses de constru­ção do prédio. Ninguém roubou materiais de construção. Ninguém chegou bêbado ao trabalho.

O mestre de obras disse que era como se a mão protetora de Deus cobrisse o canteiro de obras do começo ao fim.

O novo salão multi uso fica na Escola Adventista de Mwata para Crianças Surdas, localizada na cidade de Kisii, a cerca de 300km a oeste da capital do Quênia, Nairóbi. A escola recebeu parte da Oferta do Décimo Terceiro Sábado, também conhecida como Oferta Trimestral para Projetos Missionários, no primeiro trimestre de 2023. Os fundos foram destinados à construção do salão multi uso com uma cozinha e um refeitório modernos. Anteriormente, a comida era feita sobre fogo aberto em uma cozinha improvisada construída com chapas de ferro, e as crianças comiam em campo aberto. Os fundos também ajudaram a abrir um novo dormitório para garotos e garotas. A escola tem 73 alunos, incluindo 43 meninas e 29 meninos. As crianças têm entre 4 e 18 anos.

As obras de construção da cozinha e do refeitório começaram no final de 2024, sob a supervisão de um mestre de obras chamado Elijah. Ele tem 36 anos e é adventista do sétimo dia.

Todas as manhãs, Elijah orava com os 30 a 40 trabalhadores que apareciam para trabalhar no local naquele dia. A maioria dos trabalhadores vinham da comunidade local, e não eram adventistas.

"Querido Deus", orava ele. "Ajude-nos agora que vamos trabalhar esta manhã. Dê-nos energia e boa saúde. Proteja-nos enquanto trabalhamos."

Ele disse que Deus respondia a essas orações.

"Às vezes, um trabalhador cai de um andar superior, ou alguém é atingido por escombros", disse ele. "Nada disse aconteceu aqui."

Elijah também disse que os canteiros de obras frequentemente sofrem com roubos. Pessoas roubam cimento ou chapas de ferro durante à noite ou mesmo em plena luz do dia enquanto a construção está em andamento.

"Mas aqui, não tivemos nenhum desses casos", disse ele.

"Outro problema comum envolve os pagamentos", disse ele. Às vezes, as construtoras não recebem o pagamento em dia e, por isso, não conseguem comprar os materiais e pagar seus trabalhadores.

Mas na escola, os pagamentos eram sempre pontuais.

Os operários da construção civil pareciam desfrutar de seu trabalho. Elijah disse que o pagamento era bom em comparação com projetos semelhantes na região, e os traba­lhadores gostavam de ter o sábado livre. Outros canteiros de obras requerem que os operários trabalhem sete dias por semana.

Tantos trabalhadores apareciam na escola todos os dias que Elijah tinha que escolher quem contratar.

No primeiro dia de trabalho no projeto, vários operários apareceram bêbados. Mas ele lhes disse: "Vocês não podem trabalhar aqui se estiverem bêbados". As mesmas pessoas voltaram no dia seguinte, mas estavam sóbrias.

Elijah ouviu os trabalhadores encorajando uns aos outros a permanecerem sóbrios. Se um deles expressasse o desejo de beber depois do trabalho, os outros diziam: "Não faça isso. Você não pode trabalhar aqui se estiver bêbado".

Com o passar das semanas, Elijah percebeu que os operários da construção estavam ficando sóbrios dia após dia porque queriam trabalhar. Um após o outro lhe disse: "Estou tentando o meu melhor para não beber, mas é difícil".

Elijah disse que esperava que muitos dos trabalhadores tomassem a decisão de nunca mais beber.

"Oramos para que a influência de nosso trabalho os faça mudar de ideia sobre o consumo de álcool", disse ele.

Elijah disse que estava satisfeito com o projeto e com a grande bênção que ele teve e terá sobre muitas pessoas.

"Teve um grande impacto na escola e na comunidade",disse ele.

A generosidade de membros da igreja como você em 2023 abriu caminho para os eventos retratados na história missionária desta semana. Este é o seu dinheiro em ação, espalhando o amor de Jesus não apenas para as crianças da Escola Adventista de Mwata para Crianças Surdas, mas também para os operários da construção que ajudaram a construir a cozinha e o refeitório. Um dos projetos missionários deste trimestre é outra escola no Quênia. A oferta deste trimestre ajudará a financiar um projeto de construção na Escola Comunitária de Enfermagem Merisho Advent, perto de Nairóbi, para que as crianças possam ter novas salas de aula. Obrigado por doar para este projeto.

Por Andrew McChesney

 

Dicas para a história

  • Mostre o continente africano e o Quênia no mapa. Em seguida, mostre a cidade de Kisii, local da Escola Adventista de Mwata para Surdos, que recebeu parte da oferta do primeiro trimestre de 2023. 
  • Assista a um pequeno vídeo no VouTube de Elijah no canteiro de obras enquanto o salão multiuso ainda estava sendo construído: bit.ly/Elijah-ECD. 
  • Baixe as fotos desta história no Facebook: bit.ly/fb-mq.

Olá, lamentamos não ter esse conteúdo disponível no momento. Em breve um novo recurso de estudos para você.