Como vimos no texto de ontem, apesar de sua ira, Napoleão não prendeu Talleyrand, o ministro conspirador. Simplesmente o exonerou de seu cargo e o desterrou, acreditando que a humilhação seria o pior dos castigos. Não percebeu que a notícia se espalharia como rastilho de pólvora. Todos comentavam como o imperador havia perdido por completo o controle.
Pela primeira vez, as pessoas haviam visto o imperador perder a calma. Após o incidente, Talleyrand afirmou: “Este é o princípio do fim.” Embora ainda faltassem seis anos até sua queda em Waterloo, Napoleão Bonaparte já havia iniciado seu declínio, que o levaria à derrota final. Talleyrand foi o primeiro a ver os sinais dessa decadência. Em algum momento de 1808, o ministro decidiu que, para que a paz retornasse à Europa, Napoleão deveria sair de cena. O acesso de fúria, que logo se tornou famoso, teve um efeito profundamente negativo sobre a imagem pública de Napoleão.
Esse é o problema das reações furiosas. Quem perde o controle e é dominado pela ira frequentemente exagera na reação. Napoleão tinha razão em manifestar seu desagrado pela conspiração de seus dois ministros mais importantes e pela dissimulação com que agiam, mas ao dar vazão à fúria demonstrou ter perdido o controle da situação.
O cristão não pode se deixar dominar pela ira, pois isso é pecado. O apóstolo Paulo afirmou: “Fiquem irados e não pequem. […] Que não haja no meio de vocês qualquer amargura, indignação, ira, gritaria e blasfêmia, bem como qualquer maldade” (Ef 4:26, 31). O conselho é prudente. O irritado e o furioso gritam e maldizem. Um cristão não pode assumir essa conduta. A maturidade, a paciência, a calma e o domínio próprio são as características mais visíveis do cristão.
Nem diante da maior provocação o cristão pode manifestar um acesso de ira. Isso representa expor-se a todos os erros que uma pessoa pode cometer nesse estado. Napoleão começou a cair no dia em que perdeu o controle e gritou como uma criança frustrada. Em questões espirituais, a queda pode ser ainda mais grave. Pense bem antes de consentir que a ira o domine.