O ano de 2007 marcou minha vida de maneiras inesquecíveis. Completei 15 anos e minha bisavó celebrou 100 anos, mas também foi um tempo de mudanças e desafios que colocaram minha fé à prova.
Minha mãe vinha sentindo fortes dores nas costas havia meses, a ponto de não conseguir se vestir sozinha. Durante as férias, percebi que algo estava diferente naquela manhã. Minha irmã parecia agitada, e meu pai, que normalmente estaria no trabalho, estava em casa. Logo, soube que algo não estava bem com minha mãe.
Pouco depois, meus pais saíram rumo ao hospital. Achei que ela voltaria em breve, talvez com um remédio para aliviar a dor. Mas não foi o que aconteceu. Algumas horas depois, meu pai voltou, arrumou uma bolsa e deu a notícia que mudou tudo: minha mãe faria uma cirurgia de emergência. Havia sido diagnosticada com câncer.
Essa palavra fez meu mundo desabar. Minha avó havia falecido mais ou menos dois anos antes por causa de um câncer. Meu avô materno também havia partido devido a essa doença. A ideia de perder minha mãe me aterrorizava. Corri para meu quarto, chorando em desespero, e fiz uma oração silenciosa pedindo a Deus que não deixasse minha mãe morrer, pois eu não saberia como viver sem ela.
Aquele dia foi marcado por medo e angústia, até que recebi a notícia de que minha mãe estava no quarto se recuperando bem após a cirurgia. O câncer havia sido retirado, mas ela ainda precisaria de um longo tratamento.
Minha mãe passou quase um ano com uma bolsa de colostomia, algo que a incomodava profundamente. No final do ano, soubemos que precisaríamos nos mudar para um lugar onde eu não conhecia ninguém, enquanto ela seguiria com a quimioterapia.
Minha mãe, uma mulher de fé inabalável, sempre presente na igreja, passou a se ausentar algumas vezes. O tratamento a deixava fraca, e a dor por vezes a impedia de sair da cama. Mesmo assim, sua fé se manteve firme. Ela venceu o câncer, e hoje segue saudável e cheia de gratidão.
O que parecia um pesadelo se tornou um testemunho de força e fé. A dor me ensinou a orar, o medo me ensinou a confiar, e as incertezas me mostraram que Deus cuida de nós, mesmo quando não entendemos Seus planos.
Evelise Berg Passos Modro