Sábado
25 de julho
PÃO, ÁGUA E CORVOS
Os corvos lhe traziam pão e carne pela manhã, bem como pão e carne ao anoitecer; e ele bebia a água do ribeiro. 1 Reis 17:6

Nos últimos dois meses, tenho acordado com o som estridente de gralhas em minha varanda. Essas aves se tornaram parte do meu dia desde que cheguei a esta pequena ilha. No início, eu as detestava. Eram barulhentas, sujas e atrevidas, pousavam nas varandas, roubavam restos de comida e chegavam perto demais. Porém, para ser sincera, já estava familiarizada com o desconforto. Eu nunca havia planejado estar neste país, muito menos por dois meses. Mas as circunstâncias mudaram, e eu continuo aqui.

A certa altura, meus recursos começaram a se esgotar. Porém, todos os estabelecimentos, inclusive farmácias, lojas e supermercados, estavam fechados. Eu estava preocupada, pensando quanto tempo minha reserva de água potável duraria, quando comeria frutas e legumes novamente e o que faria quando meus medicamentos acabassem. Assim, as gralhas eram o menor dos meus problemas.

Certa manhã, eu estava sentada do lado de fora, quando uma gralha atrevida pousou na varanda trazendo um grande pedaço de pão no bico. Isso me fez lembrar de 1 Reis 17. Nesse capítulo, Elias foge, e Deus o envia para o ribeiro de Querite, onde ele é sustentado pela água do rio e pela comida trazida por corvos. Eu sempre pensei no sentimento de Elias vivendo essa situação. Gralhas e corvos são aves semelhantes, ambas carniceiras. Não conseguia imaginar nenhuma delas trazendo algo que eu estivesse disposta a comer. No entanto, Deus usou essas aves para alimentar Elias em um momento de desespero. Foi então que eu percebi que estava vivendo uma versão de 1 Reis 17. Como Elias, eu estava isolada e completamente dependente de Deus para cuidar de mim. Eu não sabia o que cada dia me reservava, mas tinha que esperar que Deus me desse o necessário. E sabe de uma coisa? Deus sempre supriu minhas necessidades. Eu nunca fiquei sem água potável. Algumas semanas depois, agricultores locais começaram a entregar frutas e legumes, e um supermercado local organizou um serviço de entrega.

Embora muitas vezes não desejemos essas situações, precisamos delas para desenvolver uma fé viva em Deus. É o tipo de fé que nos sustenta em meio às reviravoltas da vida.

R. Bowen