A Terra Prometida parecia muito distante para os israelitas acampados na planície, sob a coluna de nuvem. Dias antes, Moisés subira à densa escuridão que cobria o topo do monte. Muitos devem ter pensado: “Com certeza nosso líder já morreu, se não de fome, talvez pelo fogo consumidor do monte.” Ficaram inquietos e impacientes, prontos para seguir rumo à terra que mana leite e mel. Poucos dias depois de fazerem uma aliança solene para obedecer a Deus, queriam agora uma imagem que pudessem ver. Cercaram a tenda de Arão e exigiram que ele fizesse um ídolo. Com medo, Arão cedeu. Êxodo 32 a 34 conta como essa história triste se desenrolou.
Esse episódio é um entre tantos que nos ensinam sobre arrependimento e perdão – o tema desta semana. Ao avançar em cada parte da lição, tenha em mente o que o verso para memorizar nos ensina: sim, pecamos, mas, graças à cruz e ao plano da salvação, o perdão está sempre disponível ao pecador sincero que confessa e se arrepende.
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Tinha sido uma semana muito cheia. Ela sabia que ainda havia muito a fazer antes do sábado, mas o urgente foi engolindo o importante, e, quando percebeu, o Sol já havia se posto. Em família, fizeram a refeição especial de sexta à noite e tiveram o culto juntos.
Contudo, na manhã de sábado, ao acordar cedo, não conseguiu deixar de notar o banheiro sujo e passou um pano. Em seguida, viu que o filho pequeno havia molhado a cama e colocou os lençóis na máquina com outras roupas. Enquanto preparava o desjejum, percebeu que não havia sobremesa para o almoço, então assou rapidamente um bolo de banana. Notou que o marido precisava de uma camisa passada para a igreja, passou também, dobrou algumas roupas e levou o lixo para fora.
Então percebeu: “É sábado, o dia que eu mais amo! E, ainda assim, estou fazendo todo esse serviço e me distraindo do real sentido desse dia santo: aproximar-me de Deus.”
Por um instante, sua mente tentou justificar as ações: eram coisas necessárias. Será que eram mesmo? Notou que estava agindo como Marta, “ocupada em muitos serviços” (Lc 10:40). E as palavras de Jesus ecoaram: “Você anda inquieta e se preocupa com muitas coisas, mas apenas uma é necessária. Maria escolheu a boa parte, e esta não lhe será tirada” (Lc 10:41, 42). A boa parte era sentar-se aos pés de Jesus por amor – não apenas no sábado, mas em todos os dias. Naquela manhã, ela não havia feito essa escolha.
Ela amava a Deus, mas era fácil esquecer que Ele lhe deu o sábado como um presente no tempo, para fortalecer o relacionamento de ambos. Lágrimas silenciosas escorreram enquanto ela permanecia na cozinha.
O propósito desse relato não é definir o que devemos ou não fazer no sábado; é lembrar por que precisamos identificar o que enfraquece ou des-gasta nosso relacionamento com Deus. Quando o coração sente a dor do pecado e da separação, e clamamos a Ele, Jesus está muito perto (Sl 53:2). Em Suas mãos manchadas de sangue, Ele segura vestes brancas. Vê nossas lágrimas de arrependimento e remove nossas roupas imundas. Em seguida, nos envolve com Suas vestes puras de justiça, que cobrem o nosso pecado confessado – completa e perfeitamente. Podemos lavar nossas vestes em Seu sangue (Ap 7:14).
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Ao pensar no distanciamento em relação à esposa, ele sabia que estava errado. Tinha sido ríspido e duro, dizendo palavras das quais se arrependia. Logo em seguida veio o pensamento: “Mas ela não mereceu, ao menos um pouco?”
Essa maneira de pensar é familiar para você? É fácil sair do remorso e começar a justificar pensamentos e atitudes. Nem sempre é simples pedir perdão, mas isso é essencial para restaurar ou fortalecer qualquer relacionamento.
Isso também ocorre entre nós e Deus. Muitas vezes, o Espírito Santo traz à mente os pecados que cometemos. O coração se comove com esses chamados, mas é fácil abafar a voz mansa e suave quando começamos a justificar o nosso modo de agir. Uma das funções do Espírito Santo é convencer o mundo do pecado (Jo 16:8). Que dom extraordinário (Lc 11:13)! Precisamos desse convencimento para reparar o distanciamento que pode se infiltrar em nossa caminhada com Ele.
1. Leia Oseias 6. O que você percebe, de modo específico, sobre como Deus Se descreve ao nos convidar ao arrependimento?
Reflita também sobre o papel do Espírito Santo no processo de nos enxertar novamente na Videira (Jo 15:4). “Muitas vezes nos entristecemos porque nossas más ações nos trazem desagradáveis consequências; mas isso não é arrependimento. A verdadeira tristeza pelo pecado é o resultado da atuação do Espírito Santo. Este revela a ingratidão da alma que menosprezou e ofendeu o Salvador, levando-nos contritos ao pé da cruz. Jesus é ferido novamente por todo pecado; [...] choramos pelas transgressões que Lhe trouxeram angústia. Tal pranto levará à renúncia do pecado” (Ellen G. White, O Desejado de Todas as Nações [CPB, 2021], p. 233).
A verdade é que não crescemos no relacionamento com Deus quando pecados acariciados se interpõem entre nós e Ele. Todos pecamos, mas podemos – e devemos – nos arrepender quando o Espírito Santo nos convence (Ef 4:30).
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O mundo secular nos bombardeia com mensagens de autossuficiência, prazer e autopromoção – o oposto dos princípios do reino de Deus. As primeiras palavras registradas na Bíblia tanto de João Batista quanto de Jesus foram semelhantes. João proclamou: “Arrependam-se, porque está próximo o reino dos Céus” (Mt 3:2). Jesus disse: “O tempo está cumprido, e o reino de Deus está próximo; arrependam-se e creiam no evangelho” (Mc 1:15; veja também Lc 24:46, 47). Esse chamado ao arrependimento pela proximidade do reino dos Céus é relevante para nós hoje?
2. Por que o arrependimento é decisivo? O que são os “tempos de refrigério”? At 3:18, 19
A bondade e a paciência de Deus nos levam ao arrependimento (Rm 2:4), que acontece em dois passos: (1) tristeza sincera por nossos pecados e (2) decisão honesta de abandoná-los. Na Bíblia, arrependimento quase sem-pre vem ligado ao perdão: nós nos arrependemos de verdade; então Deus perdoa. É simples assim (1Jo 1:9; Ap 3:19). “O Senhor não retarda a Sua promessa, ainda que alguns a julguem demorada. Pelo contrário, Ele é paciente com vocês, não querendo que ninguém pereça, mas que todos cheguem ao arrependimento” (2Pe 3:9). Até a segunda vinda de Cristo, Deus nos dá tempo para acertarmos nossa vida com Ele.
Jesus sofreu, morreu e ressuscitou para que, ao nos arrependermos, Sua graça realize um milagre em nós. Ao contrário do mundo, que diz que “estamos bem assim mesmo”, Deus nos chama a voltar-nos para Ele em arrependimento e fé (At 20:21), colocando-nos inteiramente em Suas mãos para que Ele possa limpar e moldar nosso caráter à Sua semelhança, a fim de testemunharmos Dele (Jo 15:2, 8). Então vamos crescer e produzir “fruto digno de arrependimento” (Mt 3:8).
“Nenhum arrependimento é genuíno, a menos que realize uma obra de reforma. A justiça de Cristo não é uma capa para encobrir pecados não confessados e não abandonados; é um princípio de vida que transforma o cará-ter e guia a conduta” (Ellen G. White, O Desejado de Todas as Nações [CPB, 2021], p. 441, 442).
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Quando sentimos o peso do pecado e permitimos que o Espírito Santo nos leve ao pé da cruz, devemos pedir o perdão de Deus, certos de que “o Senhor é compassivo e bondoso; tardio em irar-Se e rico em bondade” (Sl 103:8). Essas verdades foram ditas pelo próprio Deus depois que Sua nação escolhida O entristeceu (Êx 34:6).
3. Leia Êxodo 34:1-10. Que verdade essencial é apresentada nesse texto?
O fato de o Senhor ser “compassivo e bondoso, tardio em irar-Se e grande em misericórdia” comprova a razão pela qual Jesus morreu na cruz: para restaurar nosso relacionamento com Deus.
Quando estamos dispostos a reconhecer e confessar o pecado, dizemos: “Ó Senhor, aqui estou outra vez... ‘Deus, tem misericórdia de mim, que sou pecador!’” (Lc 18:13, NVI). Nesse momento, Jesus, que já vinha atuando em nós e por nós com o Espírito Santo antes mesmo de clamarmos, vê o fardo e remove. Nossas cargas são postas no Calvário. Jesus certamente está muito perto quando vamos a Ele e, mesmo antes, nos busca como o Bom Pastor, que está sempre à porta e bate (Ap 3:20). Não devemos permanecer longe da cruz, olhando para Deus à distância. Em vez disso, precisamos correr até Jesus, trocando nossos pecados e fardos por Sua justiça (Zc 3:4).
Leia com atenção os textos a seguir e escreva, com suas palavras, o que eles dizem sobre a graça de Deus em seu favor:
“Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor” (Rm 6:23).
“Entretanto, onde foi ressaltado o pecado, transbordou a graça, para que, como o pecado reinou na morte, assim a graça reine pela justiça para conceder vida eterna, por meio de Jesus Cristo, o nosso Senhor” (Rm 5:20, 21, NVI).
“Mas Deus prova o Seu próprio amor para conosco pelo fato de Cristo ter morrido por nós quando ainda éramos pecadores” (Rm 5:8).
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Roupas elegantes muitas vezes definem quem é rico pelos padrões do mundo. As pessoas costumam se vestir de determinada maneira para expressar quem são. Mas, no Céu, tudo desaparecerá – exceto nossos relacionamentos (Mt 6:19-21). Nossa identidade precisa estar revestida de Jesus e de Suas perfeitas vestes de justiça.
4. Leia a parábola em Mateus 22:1-14, contada por Jesus para explicar uma verdade sobre as vestes. Que mensagem essa parábola nos transmite?
Jesus chamou de “amigo” o homem que estava sem a veste nupcial.
Embora ele tenha permanecido em silêncio, supõe-se que havia algum relacionamento entre os dois. Aquele homem sabia sobre as vestes, mas esco-lheu não usá-las. O caráter de Jesus é perfeito e sem mancha, e Ele deseja nos vestir com um “linho finíssimo, resplandecente e puro” (Ap 19:8), “sem mancha, nem ruga, nem coisa semelhante” (Ef 5:27).
“A justiça de Cristo e Seu caráter imaculado é, pela fé, comunicada a todos os que O aceitam como Salvador pessoal” (Ellen G. White, Parábolas de Jesus [CPB, 2022], p. 182).
Antes de pecarem, Adão e Eva estavam cobertos por vestes brancas de suave luz; depois, perceberam que estavam nus (Gn 3:7) e fizeram para si vestes com folhas de figueira. Deus, então, substituiu as folhas de figueira por vestes de peles – houve um sacrifício que forneceu aquela roupa. De modo semelhante, recebemos vestes de justiça quando aceitamos o sacrifício de Jesus. “Nus e envergonhados, procuraram suprir a falta das vestimentas celestiais, entrelaçando folhas de figueira para se cobrirem. [...] O homem nada pode criar para suprir as perdidas vestes de inocência. Nenhuma vestimenta de folhas de figueira, nenhum traje mundano pode ser usado por quem se assentar com Cristo e os anjos à ceia das bodas do Cordeiro. Somente as vestes que Cristo proveu podem habilitar-nos a aparecer na presença de Deus. Essas vestes de Sua própria justiça, Cristo dará a todos os que se arrependerem e crerem” (Parábolas de Jesus, p. 182, 183).
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A Bíblia utiliza com frequência imagens agrícolas para descrever nossa condição espiritual. Oseias 10:12 resume bem o estudo desta semana: “Semeiem a justiça e colham a misericórdia. Lavrem o campo não cultivado, porque é tempo de buscar o Senhor, até que Ele venha, e chova a justiça sobre vocês.”
Semeamos, colhemos, lavramos o solo difícil e buscamos a Deus para nos aproximarmos Dele. O terreno do coração precisa estar preparado para receber a chuva (o Espírito Santo). Deus pode despertar em nós o desejo de preparar o solo, mas, em última análise, o relacionamento com Ele é uma cooperação (Fp 2:12, 13). Nossa parte é voltar-nos para Deus, segurar Sua mão e permanecer ligados a Ele; o restante, Ele mesmo realiza em nós.
Um exemplo claro do que significa apegar-se a Deus está neste texto: “Vocês viram com os próprios olhos o que o Senhor fez no incidente em Baal-Peor. Ali, o Senhor, seu Deus, destruiu todos aqueles que adoraram Baal, o deus de Peor. Mas vocês, que foram fiéis ao Senhor, seu Deus, estão hoje todos vivos” (Dt 4:3, 4, NVT).
Perguntas para consideração
1. Jesus ensinou Seus discípulos a orar: “Não nos deixes cair em tentação; mas livra-nos do mal” (Mt 6:13). Costumamos fazer esse pedido em nossas orações diárias? Com que frequência você busca proteção contra a tentação e o pecado?
2. Como você explicaria a alguém que não é cristão ou a um recém-convertido o precioso dom das vestes de justiça de Cristo?
3. De que maneira as vestes de justiça de Cristo estão ligadas à mensagem do santuário, que trata do perdão e da purificação do pecador arrependido? Você compreende a beleza e riqueza dessa verdade?
Respostas às perguntas da semana: 1. Deus nos convida a voltar, promete curar, restaurar e vivificar; declara desejar misericórdia e conhecimento Dele, não um ritual vazio. 2. O arrependimento abre caminho para o perdão e “tempos de refrigério” – renovação vinda da presença do Senhor, quando Ele restaura o coração e reaviva a fé. 3. Deus Se revela como compassivo e bondoso, tardio em irar-Se e grande em misericórdia, que perdoa e, ao mesmo tempo, é justo; Ele renova a aliança com Seu povo. 4. A parábola mostra que o Rei oferece a “veste” adequada (a justiça de Cristo) e que aceitar o convite inclui vestir-se dessa provisão; recusar essa graça resulta em exclusão, apesar do chamado.
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TEXTO-CHAVE: 1Jo 1:9
FOCO DO ESTUDO: Gn 3:7; 21; Êx 34:1-10; 1Jo 1:5-10; Is 61:10; Os 6
ESBOÇO
Introdução: A lição desta semana é uma resposta ao estudo da natureza do pecado feito na semana passada. Na última semana, consideramos a desesperança que a nossa condição pecaminosa gera. Nesta semana, iremos analisar a resposta de Deus ao problema humano do pecado.
Depois da queda da humanidade, Deus não permaneceu distante no Céu, indiferente à nossa miséria. No tempo determinado, Jesus, o Filho de Deus, desceu à semelhança da carne humana para realizar uma operação de resgate. Deus, na pessoa de Seu Filho, morreu por nossos pecados. Na cruz, Cristo pagou o alto preço da justiça pela nossa salvação. Desde então, o Senhor Jesus tem intercedido no Céu por nós para assegurar nosso lugar com Ele em Seu reino. E agora, no tempo do fim, Cristo nos suplica, por meio de Seu Espírito, que mudemos nossos caminhos pecaminosos, que conduzem à morte, e aceitemos, em vez disso, Seu dom da vida eterna. A única solução para o problema do pecado é ouvir o chamado de Deus ao arrependimento (Os 6).
Na semana passada, aprendemos que, como pecadores, estamos em condição de perdição separados de Cristo e, portanto, andamos em trevas (1Jo 1:6). Agora, aprenderemos como sair das trevas para a maravilhosa luz de Deus (1Jo 1:7). Sem a misericórdia de Deus em Cristo Jesus, nosso pecado é imperdoável, e somos escravos do pecado e da morte (Gn 2:17; Rm 5:12). Na lição desta semana, exploraremos como permanecemos vivos em Cristo, maravilhados com o incrível dom da graça de Deus (Êx 34:1-10). Sem ele, estaríamos como Adão e Eva na queda, envergonhados de nossa nudez (Gn 3:7). Veremos também como a graça de Deus nos cobre, assim como cobriu um Adão e uma Eva arrependidos (Gn 3:21; Ap 7:13-17; Mt 22:12).
COMENTÁRIO
O chamado de Deus ao arrependimento (Os 6). A palavra hebraica shub se refere à ação física de “voltar”. Esse verbo também expressa o conceito espiritual de “arrependimento”.
O verbo shub é uma palavra-chave no livro de Oseias. O arrependimento é um tema central em todo o livro. O verbo shub descreve o retorno da esposa do profeta Oseias, que havia se tornado prostituta e se afastado do marido (Os 2:7). A infidelidade de Gômer ao seu voto matrimonial simboliza a infidelidade de Israel para com Deus. Assim, shub também é usado para se referir ao retorno (arrependimento) de Israel a Deus (Os 3:5).
Em Oseias 6, o verbo shub, “voltar”, aparece no início do capítulo (Os 6:1), no qual se refere ao arrependimento de Israel em relação a Deus, e depois novamente no fim do capítulo (Os 6:11). Essa inclusão funciona como um recurso literário que conecta o arrependimento de Israel à promessa de seu retorno do exílio. Mais uma vez, a situação real do profeta com sua esposa adúltera é usada como metáfora visível para representar a situação semelhante de Israel diante de Deus. Nesse trecho, o profeta lembra Israel de sua condição presente de estar “despedaçada” por causa da ação de Deus, que rasga Israel (Os 6:1), assim como um leão faria com sua presa (Os 5:14). Em seguida, o profeta promete que Deus reviveria Israel ao terceiro dia, numa alusão à ressurreição espiritual de Israel.
No Antigo Oriente Próximo, acreditava-se que uma pessoa falecida só poderia ser declarada morta após três dias em decomposição. A referência aos “três dias” implica que o reavivamento era, de fato, uma ressurreição, por assim dizer, dentre os mortos. A mesma analogia é aplicada no Novo Testamento à ressurreição de Jesus Cristo “ao terceiro dia, segundo as Escrituras” (1Co 15:4). (Observe que, na antiga contagem judaica, três dias são contados como se o terceiro dia tivesse sido considerado em sua totalidade.) O paralelo entre as duas ressurreições, a de Israel e a de Cristo, não apenas permite uma leitura tipológica da passagem, relacionando a ressurreição de Israel (retornando do cativeiro) à ressurreição de Cristo. Do ponto de vista do Novo Testamento, o paralelo também contém a lição espiritual de que o arrependimento assegura a promessa de que Deus “reviveria” Seu povo, assim como Deus ressuscitou Seu Filho (1Co 15:20; cf. 1Co 15:23).
Ande na luz de Deus (1Jo 1:5-10). Em Oseias, ouvimos o chamado de Deus ao arrependimento, para voltarmos a andar em direção a Ele. Na carta de João, ouvimos o chamado de Deus para andarmos na Sua luz. A carta de João começa com uma referência ao “princípio”, uma alusão ao evento da criação, “a respeito do Verbo da vida” (1Jo 1:1). A mesma associação de ideias aparece no prólogo do Evangelho de João, no qual o discípulo amado usa a expressão “no princípio”, aludindo, assim, à primeira palavra de Gênesis, bere’shit, “no princípio” (Jo 1:1; cf. Gn 1:1). No Evangelho de João, luz e vida estão conectadas: “A vida estava Nele e a vida era a luz dos homens” (Jo 1:4). Do mesmo modo, em sua carta, João fala do Deus da vida (1Jo 1:1, 2) como sendo o Deus da luz (1Jo 1:5). João usa o evento cósmico da criação como argumento para nos convencer a andar na luz de Deus. Porque Deus, o Criador e Fonte da vida, é “luz”, devemos andar em Sua luz (1Jo 1:7). Outro motivo que torna esse princípio importante se baseia no fato de que, fora da luz de Deus, não apenas estamos em trevas, incapazes de enxergar o caminho certo; estamos também em pecado e, portanto, em absoluta necessidade da purificação e do perdão de Cristo (1Jo 1:9). João insiste, então, no fato de que todos nós pecamos. Ninguém pode afirmar o contrário (1Jo 1:10).
No livro de Eclesiastes, encontramos a mesma advertência. Depois de mostrar o estado de confusão que caracteriza a busca pela sabedoria (Ec 7:10-18), o sábio adverte que é impossível ao ser humano encontrar sabedoria por si mesmo (Ec 7:23). A única certeza que ele havia encontrado nesta vida é “que Deus fez o ser humano reto, mas ele se meteu em muitos problemas” (Ec 7:29). Portanto, Eclesiastes enfatiza que ninguém na Terra merece a salvação, porque todos somos pecadores (Ec 7:20). Salomão, então, conclui que a única saída para esse problema é por meio de Deus (Ec 7:18).
O caráter de Deus (Êx 34:1-10). Deus é quem toma a iniciativa no processo de nos reconciliar Consigo mesmo. Ele é quem estende a oferta de perdão a nós. Israel experimentou essa realidade depois de ter adorado o bezerro de ouro (Êx 32:1-6). Esse “grande pecado” os separou de Deus. Nenhuma ação ou mérito humano poderia preencher o abismo entre o Céu e a Terra. Para simbolizar essa separação, Moisés quebrou as tábuas da lei, que ele havia acabado de receber das mãos de Deus (Êx 32:15, 16). Em seguida, Moisés se colocou diante do Senhor e suplicou que perdoasse o povo por seu “grande pecado” (Êx 32:31-35). A Moisés, que pediu a Deus que lhe revelasse Sua glória (Êx 33:18), o Senhor respondeu revelando a graça do Seu perdão (Êx 33:19). O texto em consideração, Êxodo 34:1 a 10, constitui o cumprimento dessa promessa. O foco e a ênfase da declaração de Deus nesses versos se baseiam em Sua graça, expressa por meio de cinco palavras:
“Bondoso”, da palavra hebraica rekhem, “útero”, evoca a intimidade do vínculo de uma mãe grávida com o bebê em seu ventre.
“Compassivo”, ou “gracioso”, relaciona-se à ideia de algo concedido “gratuitamente” (khinam).
“Tardio em irar-Se” (literalmente, “longo de nariz”) faz referência à imensa extensão da paciência de Deus.
“Misericórdia e fidelidade”, juntos, apontam para a tensão entre o amor e a justiça.
No dia do juízo (Dn 7:9-15, Dn 8:14), a graça de Deus assegura Seu perdão e misericórdia ao Seu povo.
Nova veste (Gn 3:21; Ap 7:13-17). Adão e Eva sentiram a vulnerabilidade de sua nudez porque haviam perdido a veste original de luz que os cobria. Essa veste de luz refletia a aparência divina (cf. Sl 8:5; comparar com Sl 104:1, 2).
A solução de Adão e Eva para o problema de sua nudez foi cobrir-se, um erro que Paulo denunciaria como justiça pelas obras (Gl 2:16). Ao agir assim, o casal humano estava, de fato, tomando o lugar de Deus. Essa usurpação foi reparada mais tarde, quando Deus veio para vesti-los (Gn 3:21). O ato de Deus vestir Adão e Eva é narrado em Gênesis 3:7 em termos que recordam a fabricação humana de vestimentas. O mesmo verbo, na mesma forma, wayya‘asu/waya‘as (“eles fizeram” / “Ele fez”), é usado em ambas as passagens. A repetição desse verbo nos dois versículos indica que somente Deus tem o direito e a capacidade de cobrir os pecadores. Deus transmitiu essa lição por meio da instituição do sacrifício, apontando para o futuro sacrifício de Cristo. Quando Deus usa a pele de um animal, isso sugere que o animal foi morto ou sacrificado (Lv 5:5-10; Lv 7:8). Assim, a veste do sacrifício, carregada com sua promessa messiânica, substituiu as vestimentas feitas pelo ser humano.
A história em Gênesis sobre a mudança de vestes que Deus fez tem significado tipológico. Figuradamente, ela aponta para a futura veste de justiça que Deus concederá aos salvos (Ap 3:5; 3:18; 19:8), os quais participarão da ceia das bodas do Cordeiro (Ap 19:9; cf. Mt 22:12).
APLICAÇÃO PARA A VIDA
Dica para o professor: Qual é a relação entre amor e justiça? Para começar a explorar essa questão profunda com sua classe, peça a um voluntário que leia a breve reflexão sobre esse tema abaixo. Depois, discutam as perguntas a seguir.
Para reflexão:
Amor e justiça. No hebraico, a palavra tsedeq pode significar “amor” ou “justiça”, dependendo do contexto.
1. Por que a justiça sem amor não é justiça, e o amor sem justiça não é amor?
2. Peça aos alunos que encontrem exemplos na Bíblia, na história ou em acontecimentos atuais que ilustrem essa verdade. Convide-os a apresentar suas descobertas à classe.
Presente de Deus
Burundi | Jeanne
Jeanne achou que ia morrer.A futura mãe de26 anos sentia tonturas o tempo todo. Seu apetite desapareceu. Quando saía de casa, sentia como se o vento estivesse passando por seu corpo. Tudo doía.
Um hospital da cidade no Burundi realizou uma série de exames, mas não conseguiu diagnosticar sua condição.
Jeanne foi a outro hospital para mais exames, mas os médicos também não conseguiram ajudá-la.
Ela gastou muito dinheiro procurando uma cura, e qualquer esperança parecia perdida. A morte parecia oferecer o único alívio, mas Jeanne queria dar à luz. Ela queria conhecer seu primeiro filho.
Então, alguém lhe contou sobre uma clínica adventista do sétimo dia, ao noroeste do país. Jeanne foi para a clínica, conhecida como Dispensário de Bug anda.
A equipe da clínica realizou os primeiros exames e diagnosticaram sua condição imediatamente. Jeanne não reconheceu o nome da doença, mas aceitou com gratidão o remédio líquido que recebeu.
Seguindo as instruções da equipe, ela tomava a medicação três vezes por semana. Era muito doce.
Com o passar das semanas, a dor desapareceu, e ela voltou a ser quem era antes. Quando voltou à clínica para uma consulta de acompanhamento, ela recebeu um atestado de saúde perfeito.
Jeanne ficou radiante! Pouco tempo depois, ela deu à luz uma menina e deu-lhe o nome de Chanelle.
O tempo passou, e Jeanne adoeceu novamente. Agora ela se sentiu desapontada com a clínica adventista. Ela pensou que a clínica não tinha sido capaz de curá-la e que sua doença anterior havia retornado. Então, ela foi a outras cinco clínicas, mas nenhuma delas pôde ajudá-la.
Em desespero, ela voltou ao Dispensário de Buganda. O médico a diagnosticou com uma nova doença, tuberculose.
Ela recebeu medicação, e a equipe da clínica a aconselhou sobre como se manter segura e manter os outros seguros.
Jeanne ficou grata pelo diagnóstico e feliz quando, ma is tarde, também recebeu outro atestado de saúde perfeito.
Depois disso, ela não teve dúvidas sobre onde levar Chanelle quando a garotinha adoeceu aos dois anos de idade. Ela a levou à clínica adventista.
Um médico realizou alguns exames e usou um nome que Jeanne não reconheceu para identificar a doença da garotinha. O médico disse a ela para levar a menina de volta a cada 70 dias para uma injeção. Jeanne fez isso, e Chanelle recebeu 78 injeções antes de ser declarada curada.
Durante o tratamento, a equipe da clínica ia visitar Jeanne e sua filha em casa. Eles oravam com elas na clínica e em sua casa.
O coração de Jeanne foi tocado pelo amor deles a Deus e à sua pequena família. Ela decidiu ser batizada e se unir aos adventistas do sétimo dia. Ela foi ganha para Cristo pelo mesmo método que Cristo usou para ganhar pessoas quando caminhou sobre a terra. Ellen White dia: "Unicamente os métodos de Cristo trarão verdadeiro êxito no aproximar-se do povo. O Salvador misturava-Se com os homens como uma pessoa que lhes desejava o bem. Manifestava simpatia por eles, ministrava-lhes às necessidades e granjeava-lhes a confiança. Ordenava então: 'Segue-Me'" (A Ciência do Bom Viver, p. 743).
Por muitos meses, a equipe da clínica praticou o método de Cristo: visitando Jeanne e sua filha, orando com elas, ministrando às suas necessidades e conquistando sua confiança. Então,Jeanne decidiu seguir Jesus.
Hoje, Jeanne tem 40 anos e é uma fiel adventista do sétimo dia. Chanelle, de 70 anos, gosta de ir à Escola Sabatina com sua mãe a cada semana. Para elas, o Dispensário de Bug anda é uma dádiva preciosa de Deus.
"Pela maneira como fui tratada na clínica e pelo amor que demonstraram por mim, posso dizer que eles são funcionários de Deus", disse Jeanne. "Mesmo quando estou em casa, eles me visitam e oram por mim."
Neste trimestre, você pode ajudar o Dispensário de Buganda a se expandir em seu ministério de servir como as mãos curadoras do Grande Médico, Jesus Cristo. A clínica, localizada no berço do adventismo no Burundi, usará os recursos para reformar seu prédio atual, construído quando foi inaugurado em 7983. Os fundos também ajudarão a clínica a se expandir com novas enfermarias masculina e feminina, quartos individuais, um novo consultório, uma área de recepção, um laboratório e banheiros. Obrigado por doar generosamente para este projeto importante.
Por Andrew McChesney
Dicas para a história
- Mostre o continente africano e o Burundi no mapa. Em seguida, mostre a cidade de Buganda, ao noroeste, a localização do Dispensário de Buganda, que receberá parte da oferta deste trimestre.
- PronuncieJeanne como: Zhan.
- Assista a um pequeno vídeo de Jeanne no YouTube em: bit.ly/Jeanne-ECD.
- Baixe as fotos desta história no Facebook: bit.ly/fb-mq.

