Lição 2
04 a 10 de julho
A mensagem da cruz | 3º Trimestre 2026
Sábado à tarde
Ano Bíblico: RPSP: jÓ 8
Verso para memorizar: “Pois a mensagem da cruz é loucura para os que perecem, mas para nós que somos salvos é o poder de Deus” (1Co 1:18, NVI).
Leituras da semana: 1Co 1:17-31; 2:1-5; Cl 1:20; 1Pe 2:24; At 13:16-47

Cícero, escritor e orador romano, havia dito aos romanos que mantivessem longe do pensamento a ideia da cruz como meio de punição. Embora tenha morrido quase meio século antes do nascimento de Jesus, sua afirmação ilustra o desprezo com que os romanos viam a cruz: algo tão repugnante que não deveriam sequer pensar nela.

Em contraste, Paulo escreveu: “A mensagem da cruz [...] é o poder de Deus” (1Co 1:18, NVI). Para ele, a cruz é o instrumento de reconciliação entre Deus e a humanidade (Ef 2:16; Cl 1:20), o símbolo supremo da humildade de Jesus (Fp 2:8) e o lugar em que nossa imensa dívida foi paga (Cl 2:14).

A cruz é a resposta de Paulo para os problemas de Corinto. Logo no início de 1 Coríntios, percebe-se sua preocupação com uma questão importante: as divisões na igreja. Ele estava tão apreensivo com isso que, após a saudação (1Co 1:1-3) e a ação de graças (1Co 1:4-9), esse foi o primeiro tema que abordou (1Co 1:10-17). Nesta semana, voltaremos à poderosa mensagem da cruz como resposta a esse problema e a outras questões em Corinto.

Garanta o conteúdo completo da Lição da Escola Sabatina para o ano inteiro. Faça aqui a sua assinatura!

Download iOS Download Android


Domingo, 05 de julho
Ano Bíblico: RPSP: JÓ 9
O evangelho da cruz

Paulo afirma que a mensagem da cruz é o poder de Deus para nós. Não surpreende que “Jesus Cristo, e este, crucificado” estivesse no centro de sua pregação (1Co 2:2).

1. Leia 1 Coríntios 1:17-31. Qual verdade essencial Paulo apresentou aqui?

Em 1 Coríntios 1:18 a 31, Paulo contrasta a loucura humana com a sabedoria de Deus. A cruz tem o poder de revelar o pior do ser humano e o melhor de Deus. Essa seção é introduzida pela afirmação do verso 17: para que o poder da cruz de Cristo não seja anulado (1Co 1:17), a mensagem da cruz deve ocupar o centro da nossa pregação (veja 1Co 2:2).

Paulo declarou que não foi enviado para batizar, e sim para anunciar o evangelho da cruz. Para esclarecer essa afirmação, considere dois pontos: (1) O verbo grego traduzido por “enviar” é apostello, que deriva da mesma raiz da palavra “apóstolo”; assim, a principal tarefa apostólica de Paulo era a proclamação do evangelho. (2) Suas palavras sobre o batismo não significavam que o batismo não fosse importante, ou que fosse menos importante do que a pregação. Ele, ao contrário, estava repreendendo aqueles que davam demasiada importância a quem realizava o batismo, em vez de exaltar Aquele em cujo nome foram batizados: Jesus Cristo.

Ao falar em “palavras de sabedoria humana” (1Co 1:17, NVI), Paulo não está desaprovando discursos eloquentes. A ideia é que a sabedoria humana não deve obscurecer a mensagem da cruz. A expressão remete à retórica greco-romana. Em Atenas, Paulo recorreu à lógica, à ciência e à filosofia, mas colheu pouco fruto. Por isso, “decidiu seguir outro plano de trabalho em Corinto, em seus esforços para atrair a atenção dos despreocupados e indiferentes. Decidiu evitar discussões e argumentos elaborados e se propôs a nada saber entre os coríntios ‘senão a Jesus Cristo e este crucificado’” (Ellen G. White, Atos dos Apóstolos [CPB, 2021], p. 155).

Garanta o conteúdo completo da Lição da Escola Sabatina para o ano inteiro. Faça aqui a sua assinatura!

De que maneiras discursos elaborados podem obscurecer a mensagem da cruz? Por que a proclamação de “Jesus Cristo, e este, crucificado” produziu mais frutos em Corinto do que lógica, ciência e filosofia em Atenas? Ainda assim, há momentos em que lógica, filosofia e ciência podem ser úteis à proclamação do evangelho?
Download iOS Download Android


Segunda-feira, 06 de julho
Ano Bíblico: RPSP: jÓ 10
Loucura para os que se perdem

Ao contrastar a loucura humana com a sabedoria divina, Paulo declarou que a “mensagem da cruz é loucura para os que perecem” (1Co 1:18, NVI). Essa é a primeira de seis menções a “loucura” ou “louca(s)” em 1 Coríntios 1:18-31.

2. Leia 1 Coríntios 1:20, 21, 23, 25, 27. Como essas referências à “loucura” ajudam a entender o que Paulo quis dizer ao afirmar que a mensagem da cruz é “loucura para os que se perdem”?

O termo grego aqui traduzido como “loucura” é moria. Ele aparece apenas cinco vezes no Novo Testamento, todas em 1 Coríntios (1Co 1:18, 21, 23; 2:14; 3:19). Palavras da mesma família ocorrem várias vezes no Novo Testamento, e metade delas está nas cartas de Paulo - especialmente em 1 Coríntios.

A “loucura” de que Paulo falou (1Co 1:18, 23) não se refere apenas à falta de intelecto. Diz respeito sobretudo a comportamento e pensamento moralmente distorcidos, à ausência de discernimento e até à rebelião contra Deus. Isso explica por que ele falou tanto a respeito do tema ao longo da carta.

Pense na situação de Paulo em Corinto. Ele chegou a uma cidade orgulhosa de sua “sabedoria” e sofisticação cultural. Nesse contexto, anunciou um Judeu galileu – Jesus de Nazaré – crucificado pelos romanos e ressuscitado dentre os mortos, para pagar não apenas os pecados deles, mas os do mundo inteiro. Isso não era um conceito filosófico novo e profundo que pudesse ser analisado por ferramentas filosóficas; parecia insensatez, algo sem sentido – nada que um coríntio inteligente e educado pudesse levar a sério.

E, se a mensagem da cruz soava como loucura para os pagãos, para muitos judeus a mensagem da cruz parecia ainda pior. Que judeu imaginaria um Messias sendo executado por Roma? O Messias deveria derrotar os romanos, não ser crucificado por eles.

Desde o início, portanto, Paulo enfrentou forte resistência em Corinto. Ainda assim, apesar de tudo, muitos – judeus e gentios – creram no evangelho.

Qual é a mensagem para nós nesse contexto?

Independentemente da oposição, Deus tem pessoas dispostas a ouvir a verdade. Precisamos estar prontos para ser instrumentos em Suas mãos e alcançar essas pessoas onde estiverem – mesmo em lugares hoje até mais desafiadores do que a antiga Corinto.

Garanta o conteúdo completo da Lição da Escola Sabatina para o ano inteiro. Faça aqui a sua assinatura!



Terça-feira, 07 de julho
Ano Bíblico: RPSP: jÓ 11
Poder para os que são salvos

A mensagem de 1 Coríntios 1:18 é clara: o significado da cruz depende de como ela é vista. Para quem vive em rebelião contra Deus, é loucura; para quem anseia por Sua salvação, é poder.

3. Leia Colossenses 1:20 e 1 Pedro 2:24. O que Jesus realizou por nós na cruz?

Como já vimos, ao pregar o evangelho, é preciso evitar “palavras de sabedoria humana, para que o poder da cruz não seja diminuído” (1Co 1:17, NVI). À luz de 1 Coríntios 1:17, torna-se mais fácil entender por que o oposto de “loucura” não é a sabedoria humana, mas o poder de Deus (1Co 1:18). A cruz – tão contrária à sabedoria humana – expõe o quanto a “sabedoria” humana é, na verdade, insensatez.

O texto grego de 1 Coríntios 1:18 indica que “os que se perdem” colhem o resultado de seus próprios atos. O verso pode ser traduzido assim: “Pois a mensagem da cruz é loucura para os que destroem a si mesmos.” O verbo grego apollymi (“perder-se”, “perecer”) também pode significar “destruir” (Jo 10:10) e, em 1 Coríntios 1:19, é traduzido dessa maneira.

O que está em jogo aqui? Paulo fundamentou sua afirmação do verso 18 citando, no verso seguinte, as palavras de Deus em Isaías 29:14. Em 1 Coríntios 1:19, Deus aparece como o agente da destruição, o que, à primeira vista, pareceria contradizer o orgulho autodestrutivo mencionado antes. Não há contradição: Deus põe fim àquilo que já está em processo de autodestruição.

Em contraste com “os que se perdem”, a expressão “nós, que somos sal- vos” (1Co 1:18) indica que a salvação vem unicamente de Deus. Paulo diz que estamos sendo salvos – ou seja, não nos salvamos a nós mesmos; nem poderíamos. Nossa salvação tem fonte externa. Enquanto a destruição é provocada por si mesma, a salvação só pode ser concedida – é dom da graça para pecadores. Como 1 Coríntios 1:21 deixa claro, é Deus quem salva os que creem. Loucura, nesse sentido, é rejeitar o que Deus ofereceu à humanidade por meio da cruz de Cristo (1Co 1:30) e, assim, atrair sobre si a destruição.

Garanta o conteúdo completo da Lição da Escola Sabatina para o ano inteiro. Faça aqui a sua assinatura!

“Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor” (Rm 6:23). De que maneiras esse verso reafirma o ensino de 1 Coríntios 1:18 e 19?
Download iOS Download Android


Quarta-feira, 08 de julho
Ano Bíblico: RPSP: jÓ 12
Um Messias crucificado

Paulo escreveu que “os judeus pedem sinais e os gregos buscam sabedoria” (1Co 1:22). A cruz – a ideia de que Deus, o Messias, foi crucificado – não era o sinal que os judeus esperavam. Tampouco correspondia ao tipo de sabedoria que os gregos desejavam. A cruz ia contra a expectativa de todos. ciou Sua crucifixão (Mc 8:31, 32; 9:30-32; 10:32-34) para perceber o quanto essa noção lhes soava estranha e repulsiva, especialmente aos judeus. Como já dissemos, os judeus aguardavam um Messias que derrotasse os romanos – o que não aconteceu, ao menos não no sentido militar e terreno de “conquistar”.

Por muitos séculos, a cruz tem sido vista pelos cristãos como um símbolo de fé. Para os cristãos que vivem no século 21, é difícil imaginar quão “absurda” parecia, na mente das pessoas do primeiro século, a ideia de um Deus crucificado.

No entanto, é justamente por ser uma mensagem tão chocante que ela merece nossa mais profunda reflexão. O retrato de um Messias crucificado deixa claro, para todo o Universo, até onde Deus esteve disposto a ir para cumprir o plano da redenção. A própria ideia da cruz – e do Senhor morrendo nela – já nos causa espanto aqui na Terra. Imagine o que significou para os seres sem pecado que conheciam e adoravam o Senhor Jesus no Céu!

4. Leia Atos 13:16-47 (especialmente os versos 26, 38 e 47). O que essa passagem nos ensina sobre o significado da cruz?

Paulo afirmou que Cristo o enviara para pregar o evangelho. E, por isso, anunciava a mensagem de um Messias crucificado (1Co 1:23). Ele retoma essa ênfase em 1 Coríntios 2:1 a 5. O apóstolo foi fiel à comissão de Cristo. Ao pro-clamar o evangelho, não recorreu à “ostentação de linguagem ou de sabedoria” (1Co 2:1). Em vez disso, concentrou-se em “Jesus Cristo, e este, crucificado” (1Co 2:2). Sua palavra e sua pregação “não consistiram em linguagem persuasiva de sabedoria, mas em demonstração do Espírito e de poder” (1Co 2:4). Afinal, a “sabedoria humana” é bem diferente do “poder de Deus” (1Co 2:5).

Garanta o conteúdo completo da Lição da Escola Sabatina para o ano inteiro. Faça aqui a sua assinatura!

Um Messias crucificado era impensável. O que isso nos diz sobre Deus agir além de nossas expectativas? Por que lembrar disso quando as coisas não saem como queremos?
Download iOS Download Android


Quinta-feira, 09 de julho
Ano Bíblico: RPSP: jÓ 13
Cristo, poder e sabedoria de Deus

Paulo aponta que a sabedoria de Deus e a sabedoria humana são essencial-mente diferentes e, portanto, incompatíveis (1Co 1:19, 20, 30, 31). Note que ele não rejeitava a sabedoria em si, mas o tipo de “sabedoria” humana que pretende competir com Deus. A sabedoria humana é incapaz de libertar do pecado. Só Cristo, a sabedoria de Deus, pode fazê-lo.

Lição 13

Tanto 1 Coríntios 1:18 quanto 1 Coríntios 1:24 afirmam que Cristo é o poder de Deus, no sentido de que Ele tem poder para salvar do pecado. De fato, “Deus achou por bem salvar os que creem por meio da loucura da pregação” (1Co 1:21). As expressões “nós, que somos salvos” (1Co 1:18), “os que creem” (1Co 1:21) e “os que foram chamados” (1Co 1:24) se referem ao mesmo grupo: pessoas que experimentam a salvação pela fé. “O evangelho [...] é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê” (Rm 1:16).

Cristo não é apenas o poder; é também a sabedoria de Deus. Isso significa que, por meio Dele, Deus enfrentou e resolveu o problema do pecado – algo que a sabedoria humana não podia fazer. A sabedoria do mundo é incapaz de fazer as pessoas conhecerem a Deus (1Co 1:21). Porém, por meio de Cristo, nós nos tornamos sábios “para a salvação” (2Tm 3:15).

5. Leia 1 Coríntios 1:24-29. Observe palavras como “loucura”, “fraqueza”, “poder” e “sabedoria”. Qual ensino Paulo transmite nesse texto?

Ao ler 1 Coríntios 1:24 a 29, repare nos termos “loucura” (e “coisas loucas”) e “fraqueza” (e “coisas fracas”). A ideia é: a sabedoria humana pode considerar a mensagem da cruz como loucura e fraqueza. Contudo, “a loucura de Deus é mais sábia do que a sabedoria humana, e a fraqueza de Deus é mais forte do que a força humana” (1Co 1:25). Isso não significa que Deus seja fraco ou tolo; é uma forma de expressar que Seu poder e Sua sabedoria superam infinitamente tudo o que é humano.

Garanta o conteúdo completo da Lição da Escola Sabatina para o ano inteiro. Faça aqui a sua assinatura!

“Não foram chamados muitos sábios segundo a carne, nem muitos poderosos, nem muitos de nobre nascimento” (1Co 1:26). Qual mensagem esse verso traz para nós hoje?
Download iOS Download Android


Sexta-feira, 10 de julho
Ano Bíblico: RPSP: jÓ 14
Estudo adicional

Leia, de Ellen G. White, O Desejado de Todas as Nações [CPB, 2021], “A glória do Calvário” (p. 596-609).

“Na mente de multidões que vivem atualmente, a cruz do Calvário está cer-cada de sagradas recordações. Coisas santas são associadas com as cenas da cru-cifixão. Mas, nos dias de Paulo, a cruz era olhada com sentimentos de repulsa e horror. Exaltar como Salvador da humanidade Aquele que havia encontrado a morte sobre a cruz poderia, naturalmente, despertar zombaria e oposição.

“Paulo sabia muito bem como sua mensagem seria considerada tanto pelos judeus quanto pelos gregos de Corinto. [...] Entre seus ouvintes judeus, havia muitos que ficariam irados com a mensagem que ele estava para pro-clamar. Na avaliação dos gregos, suas palavras seriam absurda loucura. Ele seria considerado um débil mental ao tentar mostrar como a cruz poderia ter alguma relação com o reerguimento da raça ou a salvação da humanidade.

“No entanto, para Paulo, a cruz era o único objeto de supremo interesse. Desde que fora detido em sua jornada de perseguição contra os seguidores do crucificado Nazareno, jamais deixara de se gloriar na cruz. Nessa ocasião, fora-lhe dada uma revelação do infinito amor de Deus demonstrado na morte de Cristo; e uma transformação maravilhosa havia acontecido em sua vida, pondo em harmonia com o Céu todos os seus planos e propósitos. [...] Ele sabia por experiência pessoal que, quando um pecador uma vez contempla o amor do Pai, como se vê no sacrifício de Seu Filho, e se rende à divina influência, acontece uma mudança de coração e, desde então, Cristo é tudo em todos” (Ellen G. White, Atos dos Apóstolos [CPB, 2021], p. 156).

Perguntas para consideração

1. Em que aspectos a sabedoria de Deus é tão diferente da sabedoria humana (1Co 1:25)?

2. Cristo crucificado era escândalo para os judeus e loucura para os gregos. Quais temas bíblicos que pregamos hoje podem causar efeito semelhante no público moderno, e por quê?

3. Paulo disse que a “pessoa natural não aceita as coisas do Espírito de Deus” (1Co 2:14). Então, como podemos falar de Jesus a essas pessoas? Ou nossas ações, por si mesmas, bastariam para alcançá-las?

Respostas às perguntas da semana: 1. Deus salva por meio da mensagem da cruz, que contradiz a sabedoria humana e exalta apenas a Cristo. 2. A cruz parece insensatez aos que rejeitam Deus, mas é justamente nela que Ele revela Sua verdadeira sabedoria e Seu poder. 3. jesus trouxe reconciliação com Deus e levou sobre Si nossos pecados, concedendo-nos perdão e vida. 4. Por meio da cruz, Deus oferece perdão, salvação e luz para todos os povos. 5. Deus age de modo oposto às expectativas humanas, usando o que parece fraco ou louco para revelar Seu verdadeiro poder e Sua sabedoria.

Garanta o conteúdo completo da Lição da Escola Sabatina para o ano inteiro. Faça aqui a sua assinatura!



Resumo da Lição 2
A mensagem da cruz | 3º Trimestre 2026

TEXTO-CHAVE: 1Co 1:18 

FOCO DO ESTUDO: 1Co 1:17-31

ESBOÇO

Introdução: Quando alguém se depara com uma imensa parede de chamas em meio a um incêndio florestal, provavelmente sua primeira reação não seja acrescentar mais fogo a uma situação já extremamente perigosa. Por mais insensato que isso possa parecer, os bombeiros muitas vezes fazem exatamente isso. Um incêndio precisa de oxigênio e de combustível, como vegetação seca ou estruturas inflamáveis, para continuar queimando. Se for possível cortar o suprimento de oxigênio ou de combustível, o fogo pode ser controlado. Os bombeiros frequentemente usam essa técnica, conhecida como “contrafogo”, para deter ou redirecionar um incêndio.

Combater fogo com fogo parece contrariar a razão, ou até mesmo soar como insensatez, quando se está diante de uma parede de fogo em rápida propagação, que avança velozmente em direção a uma cidade ou povoado. No entanto, quando aplicada de forma adequada e cuidadosa, essa estratégia pode fazer a diferença entre a sobrevivência e a destruição pelo fogo.

Da mesma forma, a exaltação de Paulo ao sacrifício de Cristo na cruz ia contra o pensamento de sua época. Na introdução de sua primeira carta à igreja de Corinto, Paulo ressalta o caráter contracultural da mensagem cristã da cruz, algo que muitos de nós, vivendo em contextos ocidentais ou cristãos, temos dificuldade de compreender. A maioria de nós cresceu em um mundo em que as cruzes em igrejas ou em outros espaços públicos funcionavam como um símbolo do cristianismo e da mensagem da salvação.

Mas, para a maioria das pessoas que viviam no mundo greco-romano do primeiro século d.C., a cruz significava morte cruel, castigo severo e absoluta vergonha. Contudo, ao contrário do pensamento popular daquela época, Paulo ensinava que o evangelho de Jesus Cristo era o poder de Deus para aqueles que o aceitavam (1Co 1:18).

Temas da lição: A lição desta semana destaca vários temas importantes, incluindo:

1. A mensagem da cruz. A cruz é a resposta surpreendente e abrangente de Deus para o problema do pecado. Ela é o fundamento da mensagem do evangelho pregada por Paulo e pelos outros apóstolos a um mundo que possuía uma cosmovisão radicalmente diferente.

2. A verdadeira sabedoria. A sabedoria era um elemento importante da filosofia grega e um tema central em distintas escolas filosóficas. O uso que Paulo faz do termo contrasta fortemente com o uso na filosofia grega e conecta-se mais facilmente à compreensão de sabedoria presente no Antigo Testamento.

3. A cruz: loucura ou caminho de volta. A cruz se torna um tropeço ou loucura para aqueles que ouvem falar dela sem acolher Aquele que nela foi pendurado. Jesus morreu na cruz para oferecer ao mundo perdão, graça transformadora e um caminho de volta ao Deus que investe tudo para salvar Sua criação caída.

COMENTÁRIO

1. Contexto

O conceito helenístico de sabedoria (sofia) no período do Novo Testamento enfatizava a inteligência e o conhecimento teórico acima das habilidades práticas. Um filósofo era um “amante da sabedoria”, alguém que compreendia e difundia conhecimento sobre o mundo natural e a experiência humana. A verdade podia ser organizada em um sistema geral que ajudasse a explicar o mundo. Havia, na época, várias escolas filosóficas gregas com ênfases distintas, mas todas se concentravam na observação, razão, lógica e nos argumentos intelectuais, ainda que não fossem desprovidas de preocupações éticas.

Seis grandes escolas filosóficas greco-romanas devem ser distinguidas, incluindo: a escola de Pitágoras; a escola de Platão e seus sucessores; a escola peripatética de Aristóteles; a escola de Epicuro, que enfatizava a imperturbabilidade como ideal; os cínicos (que destacavam a simplicidade e a liberdade em relação às convenções sociais); e a escola dos estoicos que, na época dos eventos do Novo Testamento, era conhecida como estoicismo romano (ou Stoa Tardia) e se tornou a escola de filosofia mais influente daquele período (ver John T. Fitzgerald, “Greco-Roman Philosophical Schools”, em The World of the New Testament, ed. Joel B. Green e Lee Martin McDonald [Grand Rapids: Baker Academic, 2013], p. 135-148).

No Antigo Testamento, a sabedoria não se limita ao conhecimento, ou à integração desse conhecimento em um sistema coerente, mas descreve a capacidade de uma pessoa de fazer o uso correto do conhecimento em conexão relacional com Deus. Esse conhecimento, portanto, é concedido por Deus e resulta em decisões éticas (isto é, “boas”, ecoando a linguagem da criação). Êxodo 31:1 a 5 utiliza três termos-chave da linguagem da sabedoria (hokmah, “sabedoria”; binah, “inteligência”; e da‘at, “conhecimento”) para descrever a habilidade divinamente concedida ao artista Bezalel para construir o tabernáculo e seus utensílios. O uso desses termos nesse contexto específico nos ajuda a compreender que a sabedoria no Antigo Testamento é prática e vai além de um mero esforço intelectual.

Os autores do Antigo Testamento levantam grandes questões sobre a justiça de Deus e sobre como os seres humanos podem alcançar a verdadeira sabedoria, ainda que reconheçam que nem todas as nossas perguntas, nem mesmo nossa busca por sabedoria, levarão sempre a respostas claras (por exemplo, Pv 20:24; Jó 28:20, 21). A literatura de sabedoria no Antigo Testamento inclui os livros de Jó, Provérbios, Eclesiastes e alguns salmos de sabedoria selecionados (por exemplo, Sl 37, Sl 49, Sl 73).

A descoberta de um acervo significativo de literatura de sabedoria, com ênfase no conhecimento, entre os escritos da comunidade de Khirbet Qumran no primeiro século a.C. (também conhecidos como Manuscritos do Mar Morto), ressalta o fato de que as discussões sobre sabedoria eram um elemento importante nos debates intelectuais e filosóficos das comunidades judaicas antes da chegada do Messias à Palestina (ver J. I. Kampen, “Wisdom Literature at Qumran”, em Dictionary of New Testament Background: A Compendium of Contemporary Biblical Scholarship, ed. C. A. Evans e Stanley E. Porter [Downers Grove, IL: InterVarsity Press, 2000], p. 1263-1268).

2. Loucura e sabedoria

Após suas saudações iniciais, a ação de graças e a exortação à unidade, Paulo começa sua mensagem à jovem igreja em Corinto concentrando-se na loucura e na sabedoria. A passagem de 1 Coríntios 1:18 a 31 é um ponto alto retórico do Novo Testamento. A declaração central de Paulo aos coríntios sugere que o evangelho é loucura para alguns, enquanto para outros representa o poder salvador de Deus (1Co 1:18). Esse paradoxo é significativo, pois sugere, e Paulo destaca em capítulos posteriores, que a fraqueza humana é, na verdade, uma oportunidade para que Deus manifeste Sua força.

O restante da passagem apresenta uma série de contrastes entre sábio e tolo, Deus e o mundo, forte e fraco. A cruz, um instrumento de cruel tortura e morte no Império Romano, tornou-se o meio pelo qual Deus realizou a salvação. Esse argumento, que fundamenta toda a pregação de Paulo e da igreja cristã apostólica, certamente soava contracultural e paradoxal para muitos gentios recém-convertidos. A “palavra da cruz” (1Co 1:18) é um símbolo para se referir à mensagem da morte e ressurreição de Jesus Cristo, oferecendo salvação àqueles que ouviram e creram nessa palavra. Temos aí um vislumbre do sentimento de loucura que qualquer audiência greco-romana teria ao ouvir essa mensagem: Como Deus poderia salvar pessoas (e o mundo) por meio da morte de um condenado crucificado? Os judeus, por outro lado, percebiam essa mensagem como um “escândalo” (gr. skandalon), conforme registrado em 1 Coríntios 1:23. Esse “escândalo”, de um lado, ou “loucura”, de outro, refere-se metaforicamente a um obstáculo à fé.

3. As boas-novas da cruz

Logo no início, Paulo argumenta que a mensagem da cruz é o poder de Deus para aqueles que estão sendo salvos. A cruz oferece aos crentes a chave para compreender a sabedoria de Deus em oferecer salvação àqueles que não merecem justiça nem jamais poderiam alcançá-la. A cruz é também mais do que um sinal ou símbolo, embora os judeus não a reconheçam como tal, mesmo ansiando por ver sinais miraculosos (Mt 12:38, 39; Mc 8:11, 12; ver também 1Co 1:22). O desejo de ver sinais e maravilhas reflete uma cegueira espiritual básica e, talvez, até mesmo uma dureza de coração por parte daqueles que “exigem” (e não simplesmente “pedem”) tais sinais. O evangelho do Cristo crucificado e ressurreto não desperta fé em judeus ou gregos, mas, antes, torna-se para eles um “escândalo” ou uma “loucura”, respectivamente. Paulo resume essa realidade em 1 Coríntios 1:25: “Porque a loucura de Deus é mais sábia do que a sabedoria humana, e a fraqueza de Deus é mais forte do que a força humana”.

Essa declaração conduz Paulo à sua próxima afirmação importante: a eleição de Deus daqueles que compunham a igreja em Corinto não se baseava em sua sabedoria, poder ou influência, mas unicamente na soberania divina (1Co 1:26-29). A escolha de Deus nunca se fundamenta em conquistas humanas, poder ou influência, mas acontece em resposta ao ato de estendermos a mão para Jesus pela fé. Às vezes, conseguimos segurar toda a mão, enquanto em outros momentos mal conseguimos nos prender à ponta do Seu dedo mínimo, ainda assim, podemos ter plena certeza de que estamos no centro da graça de Deus. Esse conhecimento, segundo Paulo, também nos livra de nos gloriarmos em nossos próprios “feitos de fé”. E “aquele que se gloria, glorie-se no Senhor” (1Co 1:31, citando Jr 9:23, 24). De forma intrigante (e talvez já antecipada na personificação da sabedoria em Provérbios 8, no Antigo Testamento), Jesus Cristo é a personificada sabedoria de Deus, Sua justiça, santificação e redenção (1Co 1:30).

APLICAÇÃO PARA A VIDA

Sabedoria e loucura aparecem intimamente ligadas no primeiro capítulo da carta de Paulo à igreja em Corinto. Ele ajuda seus leitores a compreender que “a sabedoria humana não tem a capacidade de nos levar a um verdadeiro conhecimento salvador de Deus, que só está disponível na loucura do evangelho (v. 21)” (“1 Coríntios”, em Comentário Bíblico Andrews [CPB, 2025], p. 157). Discuta em seu grupo as seguintes questões, considerando 1 Coríntios 1:17 a 31:

1. O que poderia ser um tropeço para a nossa fé, mesmo tendo a vantagem de poder olhar para trás e considerar quase dois mil anos de história da igreja e da interpretação bíblica?

2. Qual seria o melhor argumento a apresentar àqueles que consideram a mensagem do evangelho uma loucura ou apenas um “sedativo para ignorantes”?

3. Que aspecto, ou aspectos, das boas-novas da cruz poderiam atrair as pessoas de sua comunidade, fora da igreja? O que tornaria mais difícil para elas aceitar o evangelho?

Garanta o conteúdo completo da Lição da Escola Sabatina para o ano inteiro. Faça aqui a sua assinatura!


A diretora para dois pais

Romênia | Camelia

Nota do editor: A história missionária desta semana é da escola primária adventista do sétimo dia em Macea, Romênia, que receberá parte da oferta deste trimestre, também conhecida como Oferta Trimestral para Projetos Missionários.

A mãe já tinha tomado sua decisão quando chegou à sala da diretora da escola adventista do sétimo dia em Macea, Romênia.

“Vim tirar meu filho da sua escola”, disse ela. “Estou me divorciando do meu marido e já me mudei para outra cidade. O trajeto diário da nossa nova casa até esta escola é muito longo.”

A diretora Camelia ficou triste ao saber que a mãe queria transferir Antonio, de oito anos, para uma escola pública. Ela sentiu-se impressionada a fazer uma pergunta: “Você pode trazer seu marido e voltar para conversar comigo?”.

A mãe concordou e voltou pouco tempo depois com o pai.

“O divórcio seria uma grande perda”, disse a diretora Camelia. “Antonio perderia seus pais e sua escola.”

A mãe estava muito chateada com o casamento e insistia no divórcio. O pai, no entanto, expressou vontade de permanecer junto.

A diretora Camelia sabia que nenhum dos dois frequentava a igreja regularmente. Então, falou com eles com base na Bíblia. Ela disse que Deus criou o casamento no Jardim do Éden e que Ele desaprovava o divórcio. Ela citou Jesus dizendo: “Portanto, que ninguém separe o que Deus ajuntou” (Mateus 19:6, NAA).

“O divórcio não faz parte do plano de Deus”, disse a diretora Camelia. “É o plano de Satanás, porque ele quer destruir as famílias. Ele sabe que um pai divorciado (ou uma mãe divorciada) terá muita dificuldade para enfrentar os desafios da sociedade sozinho(a).”

A mãe e o pai ouviram atentamente.

“Tenho uma ideia”, continuou a diretora Camelia. “Em vez de discutirem, tentem dizer algo que apreciam no outro. Pense no que você gosta na sua esposa. Quais são as qualidades dela? Quais são as qualidades do seu marido? O que você gosta nele?” 

A mãe concordou em esperar para tomar uma decisão final sobre a transferência de Antonio da escola. Mas, alguns dias depois, após outra discussão com o pai, ela entrou furiosa no escritório da diretora Camelia. Ela estava determinada a se divorciar e transferir Antonio.

“Meu marido está desempregado”, desabafou. “Ele não tem dinheiro suficiente. Não consegue sustentar a família. Não se interessa por nós.”

A diretora Camelia compreendeu a preocupação da mãe, mas pediu que ela tivesse paciência. Era difícil encontrar emprego naquela região da Romênia.

A mãe percebeu que a diretora Camelia tinha razão. Ela começou a aceitar a ideia de não se divorciar.

Então, após outra discussão, o pai ligou para a diretora.

“Minha esposa continua dizendo que eu não tenho dinheiro suficiente para sustentar a família e que não estou interessado em prover o sustento deles”, disse ele.

A diretora Camelia o incentivou a continuar procurando emprego.

“Você precisa arrumar um emprego para mostrar à sua esposa que está comprometido com a família”, disse ela.

“E daí?”, disse ele. “Devo trabalhar só porque ela me mandou?”

“Sim”, disse ela. “Sua esposa sabe das necessidades do seu filho. Arranje um emprego. Você tem um filho para criar. Você é responsável por ele.”

E assim continuou. Sempre que discutiam, a mãe ia ao gabinete da diretora, e o pai ligava por telefone. As discussões eram sempre sobre dinheiro e o desemprego do pai. A diretora Camelia continuava incentivando a mãe a ser paciente e o pai a encontrar trabalho. Entre as discussões, o casal seguia o conselho da diretora e encontrava algo gentil para dizer um ao outro em casa.

Então, o pai encontrou um emprego na França. Ele se mudou e começou a enviar dinheiro para a Romênia. A mãe estava satisfeita, mas sentia falta do marido. O homem de quem ela antes queria se divorciar agora era seu bom amigo.

Depois de dois anos, quando Antonio tinha 10 anos, a mãe o tirou da escola e se mudou para a França para reunir a família.

Enquanto estavam na França, a família manteve contato com a diretora Camelia. Antonio sentia saudades dela e insistia em ligar regularmente. A diretora Camelia soube que a família havia encontrado uma igreja na França e começado a frequentá-la. Eles estavam se aproximando — não apenas um do outro, mas também de Deus.

A família voltou para a Romênia a tempo de Antonio entrar na sexta série de uma escola pública. Ele gostaria de voltar para a escola adventista, mas ela só oferecia ensino até a quarta série.

A diretora Camelia continua sendo uma boa amiga da família. Sempre que ela vê o pai na cidade, ele sorri e diz: “Obrigado, senhorita Camelia. Graças a você, não perdi minha família”.

Parte da oferta deste trimestre ajudará a escola primária adventista do sétimo dia em Macea, Romênia, a se expandir para que possa aceitar mais crianças. Obrigado por planejar uma oferta generosa.

 

Dicas para a história

• Mostre a Romênia em um mapa. Em seguida, aponte para Macea, onde a escola está localizada.

• Saiba que a escola de Macea foi fundada em 2011 e tinha 72 alunos e crianças em idade pré-escolar em 2025.

Ela tem sete professores em tempo integral.


Olá, lamentamos não ter esse conteúdo disponível no momento. Em breve um novo recurso de estudos para você.