Quando cheguei à casa de Rudy para minha primeira visita como cuidadora, ele estava sentado, curvado em sua cadeira de rodas. Sua esposa, Margaret, recebeu-me, apresentou o Rudy e saiu da sala. Ajoelhei-me diante dele e afirmei que faria o possível para ajudá-lo a se sentir confortável. Rudy assentia de vez em quando, mas falava pouco. Disse-lhe que seria um prazer ajudar sua esposa a cuidar dele.
Os dias se passaram. Margaret e eu nos divertíamos cuidando de Rudy, fazendo as tarefas da casa e conversando. Ela me disse que Rudy tinha 98 anos e que havia concluído o ensino médio aos 92! Ele era um homem de muitos talentos e o orgulho de seus seis filhos.
Quando Rudy faleceu, fui ao seu funeral, que aconteceu em uma igreja. Após a cerimônia, seu filho Marv veio até mim com um sorriso no rosto. A primeira coisa que ele disse foi: – O que você falou para o papai?
Eu fiquei surpresa e perguntei: – O que você quer dizer?
– Quando você o viu pela primeira vez – ele respondeu. Eu ainda não entendia.
Marv prosseguiu: – Você disse algo para o papai que o tornou um paciente muito melhor.
Eu balancei a cabeça e disse que realmente não sabia do que ele estava falando. Logo depois, Tim e Celine se aproximaram com a mesma pergunta. Os filhos comentaram entre eles sobre a mudança que tinham percebido em Rudy. Marv então brincou: – Só não conte à mamãe! Deixe que ela pense que você foi incrível ao lidar com o papai, enquanto o resto de nós teve dificuldades!
Pacientes em cuidado domiciliar muitas vezes sentem que estão sendo um peso para seus familiares. Esse pode ter sido o caso de Rudy. No entanto, eu acredito que o verdadeiro segredo foram minhas muitas orações por ele. Deus certamente amoleceu seu coração – e muito –, pois eu, com certeza, não tenho esse talento!
Marybeth Gessele