Por uma ironia da vida, as pessoas que amamos são as que mais podem nos ferir. Alguns anos atrás, algo simples aconteceu, mas nunca me esqueci daquilo. Havíamos acabado de chegar a um país estrangeiro, onde viveríamos alguns anos. Não só o idioma era diferente, mas também as lojas e o funcionamento das coisas.
Um amigo muito próximo nos levou a uma quitanda, e decidimos comprar alguns itens essenciais. Quando chegou a hora de pagar, escolhemos uma fila que parecia mais curta, sem perceber que o caixa era automático. Absortos em nossa conversa, fomos pegos de surpresa quando a máquina nos cumprimentou com uma voz feminina. Já era tarde para voltar atrás, e as filas dos outros caixas estavam enormes. A máquina era inflexível e meticulosa.
Escolhemos algumas maçãs, mas a máquina insistia em saber qual dos mais de dez tipos queríamos levar. Enquanto isso, conversávamos: “Como se chama essa fruta em inglês?”, “Por que não a deixamos de lado?”, “Por favor, sogra, não tire a sacola da balança…” Minha esposa, minha sogra e eu rodeávamos aquela máquina como se pudéssemos domá-la com nossos olhares. Ela, impassível, apontava nossos erros com uma voz monótona, e os olhares das pessoas ao redor só aumentavam nosso nervosismo. Desesperado, olhei em volta à procura de uma solução, mas vi meu amigo rindo de nós, sem a menor intenção de ajudar. Naquele momento, uma raiva intensa tomou conta de mim!
Muitos anos se passaram desde aquele dia, mas o assunto ainda tem importância e não pude esquecê-lo. Eu esperava que meu amigo nos ajudasse, não que ignorasse nosso desespero. Senti-me traído.
Quanto mais próxima é uma relação, mais necessário se torna pedir perdão e perdoar, pois é mais fácil ferir. Da mesma forma, se você tem uma amizade íntima com Cristo, sentirá necessidade de pedir perdão com mais frequência. Felizmente, ninguém está mais disposto a perdoar do que Ele. O mesmo vale para verdadeiros amigos. E você, sabe perdoar? Jesus é seu amigo?