Lição 5
25 a 31 de julho
Tudo para a glória de Deus | 3º Trimestre 2026
Sábado à tarde
Ano Bíblico: RPSP: JÓ 29
Verso para memorizar: “Portanto, se vocês comem, ou bebem ou fazem qualquer outra coisa, façam tudo para a glória de Deus” (1Co 10:31).
Leituras da semana: 1Co 8:1-13; 9:1-6; 10:5-22; At 15:20; Dt 6:4, 5; Mc 12:28-31

A seção de 1 Coríntios 8 a 10 conclui a discussão sobre sexualidade (capítulos 5 e 6) e, ao mesmo tempo, introduz as respostas de Paulo a perguntas específicas enviadas pelos coríntios em uma carta (1Co 7:1). Essas respostas passam a dominar o restante de 1 Coríntios.

A transição do capítulo 7 indica que imoralidade sexual (capítulos 5–7) e idolatria (capítulos 8–10) são temas relacionados. De fato, eles aparecem juntos com frequência no Novo Testamento (At 15:20, 29; 21:25; 1Co 6:9; Ef 5:5; Cl 3:5; Ap 21:8; 22:15). 

Em linhas gerais, enquanto 1 Coríntios 5 a 7 trata do problema da imoralidade sexual, 1 Coríntios 8 a 10 concentra-se na questão da idolatria. Paulo argumenta que o cristão deve fugir de ambos (1Co 6:18; 10:14).

Na semana passada, vimos que ser “santuário do Espírito Santo” (1Co 6:19, 20) nos capacita a fugir da imoralidade sexual. Nesta semana, veremos que fugimos da idolatria quando fazemos “tudo para a glória de Deus” (1Co 10:31).

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Domingo, 26 de julho
Ano Bíblico: RPSP: JÓ 30
Conhecimento versus amor

1. Leia 1 Coríntios 8:1-13. Por que Paulo contrasta conhecimento com amor, e em que contexto? Qual verdade ele desejava enfatizar?

Paulo tomou o tema dos alimentos sacrificados aos ídolos para tratar de uma questão mais profunda: a falta de amor ao próximo (1Co 8:1-13). O assunto das comidas sacrificadas aos ídolos dividira a igreja de Corinto em dois grupos. Alguns entendiam que seu conhecimento sobre a não existência de outros deuses lhes dava o direito de comer qualquer alimento (1Co 8:4). A esses, o apóstolo se referiu como “fortes” (1Co 4:10). Os que se opunham a tal prática são chamados de “fracos” (1Co 8:9-12) – assim designados porque ainda não haviam superado certas crenças supersticiosas da antiga experiência pagã. Ao verem os “fortes” comendo alimentos oferecidos a ídolos, poderiam concluir que cristianismo e idolatria são compatíveis. Por isso, Paulo não queria que os “fortes” se tornassem tropeço para os fracos.

A Bíblia vê muito negativamente o ato de comer alimentos sacrificados a ídolos (At 15:20, 29; 21:25; veja Ap 2:14, 20). Ainda assim, Paulo não empregou declarações tão incisivas quanto as desses textos, porque sua preocupação principal era a falta de unidade que o mau uso do conhecimento podia provocar. Ele não criticou o conhecimento em si, mas o tipo de conhecimento que produz arrogância e divisão na igreja. Conhecimento sem amor não é conhecimento genuíno (1Co 8:2); o conhecimento verdadeiro surge somente quando alguém ama a Deus – e é por Ele conhecido (1Co 8:3).

Citando Deuteronômio 6:4, Paulo ensinou que os crentes devem saber que há um só Deus (1Co 8:4-6). É interessante observar que ele seguiu a mesma linha de Deuteronômio 6:4 e 5, onde a afirmação de que existe apenas um Deus vem acompanhada do mandamento: “Ame o Senhor, seu Deus.” Tanto para Paulo quanto para Moisés, conhecimento sem amor não tem valor. 

Confiantes em seu conhecimento, os “fortes” julgavam inofensivo comer alimentos sacrificados a ídolos. Como veremos adiante, Paulo lhes concedeu esse direito sob certas condições. Porém, se isso se tornasse tropeço para os “fracos” (1Co 8:9), deveria ser evitado. O chamado cristão é praticar a abnegação por amor a Cristo e ao próximo.

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Paulo argumenta que, sem amor, o conhecimento pode se tornar um mal (1Co 8:1-13). Em que situações conhecimento sem amor, de fato, faz mal?
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Segunda-feira, 27 de julho
Ano Bíblico: RPSP: JÓ 31
Amor abnegado

2. Leia 1 Coríntios 9:1-6. Como esse trecho oferece um exemplo prático do que significa negar a si mesmo por amor?

À primeira vista, a defesa do apostolado de Paulo em 1 Coríntios 9 pode parecer desconectada da discussão anterior sobre conhecimento versus amor. Mas é importante lembrar que a Bíblia não foi escrita originalmente dividida em capítulos. O ensino de 1 Coríntios 9 continua o tema anterior: aqui Paulo apresenta um exemplo concreto de amor abnegado por Cristo e pelos irmãos. Por amor, ele abriu mão de certos direitos.

“Comer e beber” (1Co 9:4) – Alimento e bebida representam assistência financeira em geral. Como apóstolo, Paulo tinha direito a receber apoio material daqueles a quem ministrava. Outros líderes religiosos de sua época costumavam fazer isso. Ele, porém, não o fez; preferiu sustentar-se fabricando tendas (At 18:3).

“Levar conosco uma esposa crente” (1Co 9:5) – Um apóstolo casado podia viajar em missão acompanhado da esposa, com despesas custeadas pela igreja. Exemplos de casais missionários incluem Priscila e Áquila (Rm 16:3) e Andrônico e Júnias (Rm 16:7). Porém, Paulo era solteiro (1Co 7:8). Ele poderia ter se casado e, então, usufruído do direito de viajar com a esposa, com sustento para ambos.

“Temos de trabalhar para viver” (1Co 9:6) – Paulo e Barnabé tinham o direito de receber salário por seu trabalho missionário (1Co 9:4-6). Paulo trabalhava como fabricante de tendas (At 18:3). Não sabemos a ocupação de Barnabé, mas ele era generoso (At 4:36, 37) e disposto a se sustentar.

Em 1 Coríntios 9:7 a 11, Paulo desenvolve a ideia do verso 6 para mostrar que era justo que ele e Barnabé fossem sustentados pela igreja (1Co 9:11, 12). O próprio Senhor ordenou: “Aos que pregam o evangelho que vivam do evangelho” (1Co 9:14; veja 1Tm 5:18). Paulo, no entanto, disse: “Não fizemos uso desse direito” (1Co 9:12). Assim, ele se apresentou como exemplo de abnegação (1Co 9:1-18), argumentando que isso favorecia a pregação do evangelho em Corinto (1Co 9:19-23).

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Há coisas às quais você tem direito, mas das quais talvez seja melhor abrir mão para ser uma testemunha mais eficaz do Senhor?
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Terça-feira, 28 de julho
Ano Bíblico: RPSP: JÓ 32
Aprendendo com o passado

Após oferecer um exemplo de abnegação tomado da própria experiência, Paulo passa especificamente à questão da idolatria. Em certo sentido, 1 Coríntios 10 desenvolve a ideia de 1 Coríntios 9:27, em que o apóstolo afirma esmurrar o próprio corpo para que não viesse a ser desqualificado. Ele desejava que os coríntios seguissem seu exemplo – tendo Cristo como modelo supremo (1Co 11:1).

3. Leia 1 Coríntios 10:7-11. Que pecados Israel cometeu no deserto? E por que os privilégios concedidos ao povo tornavam esses pecados ainda mais graves?

Em 1 Coríntios 10:1 a 5, Paulo faz alusão à história do povo de Deus no deserto. A referência à nuvem e ao mar traz à memória a direção, presença e proteção divinas; por sua vez, o alimento e a bebida representam a provisão de Deus. O apóstolo descreve a experiência de Israel na nuvem e no mar como um batismo, comparável ao batismo cristão. Do mesmo modo, ao mencionar alimento e bebida, ele faz alusão à Ceia do Senhor.

Em outras palavras, 1 Coríntios 10 ensina que, em certo sentido, os cristãos estão vivendo as mesmas experiências que Israel passou. Paulo recordou a história israelita porque não queria que ela se repetisse: apesar de tantos privilégios, muitos desejaram “coisas más” (1Co 10:6), como idolatria (1Co 10:7) e imoralidade sexual (1Co 10:8). Não é de admirar que “Deus não Se agradou da maioria deles” (1Co 10:5). 

É fácil apontar o dedo para o antigo Israel e dizer que cometeram pecados graves. No entanto, Paulo argumenta que os cristãos também são suscetíveis aos mesmos erros – mesmo tendo o grande privilégio de conhecer a história de Cristo. Isso fica claro na advertência: “Por isso, aquele que pensa estar em pé veja que não caia” (1Co 10:12). A expressão “aquele que pensa” sugere que alguns, na igreja, não percebiam o perigo real de cair nesses pecados. Corremos hoje o mesmo risco?

“Por isso, aquele que pensa estar em pé veja que não caia.” Quem de nós nunca experimentou a realidade dessa advertência?

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A Bíblia diz que Deus não permitirá que sejamos tentados além do que podemos suportar, mas “juntamente com a tentação proverá livramento” (1Co 10:13). Por que, então, ainda nos vemos cair com tanta facilidade?
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Quarta-feira, 29 de julho
Ano Bíblico: RPSP: JÓ 33
Advertência contra a idolatria

4. Leia 1 Coríntios 10:5-22. Por que devemos fugir da idolatria?

Em 1 Coríntios 10:14 a 22, Paulo retoma o tema dos alimentos sacrificados aos ídolos. Hoje essa prática pode soar estranha em muitas culturas, mas era comum nos tempos bíblicos. Quando animais eram oferecidos aos deuses nos templos pagãos, parte da carne ficava com os sacerdotes, que a vendiam; assim, uma porção dela chegava aos mercados públicos. Como essa carne não era separada das demais, um cristão podia comprá-la sem saber que havia sido oferecida a ídolos. O conselho do apóstolo é claro: esse tipo de carne podia ser adquirido livremente pelos cristãos.

Entretanto, embora a carne anteriormente sacrificada pudesse ser consumida em casa (1Co 8:1-13), a prática de entrar nesses templos pagãos e participar de seus festivais era claramente proibida. O critério é nítido: em casa, comer essa carne era permitido porque o ídolo “nada é” (1Co 8:4); já tomar parte nas cerimônias pagãs equivalia a prestar culto a demônios (1Co 10:20, 21). Participar de rituais pagãos significava ter comunhão com demônios (1Co 10:20), assim como participar da Ceia do Senhor é ter comunhão com Cristo (1Co 10:16).

Por isso, Paulo afirma: “Vocês não podem beber o cálice do Senhor e o cálice dos demônios; não podem ser participantes da mesa do Senhor e da mesa dos demônios” (1Co 10:21). Como disse Jesus: “Ninguém pode servir a dois senhores” (Mt 6:24). 

Paulo ensina que Deus requer lealdade plena. A idolatria, indica o apóstolo, provoca “ciúmes no Senhor” (1Co 10:22). Para que isso não aconteça, Paulo oferece uma regra infalível contra a idolatria (1Co 8:4-6), fazendo referência a Deuteronômio 6:4, 5: “Escute, Israel, o Senhor, nosso Deus, é o único Senhor. Portanto, ame o Senhor, seu Deus, de todo o seu coração, de toda a sua alma e com toda a sua força” (ênfase acrescentada). A essa ideia de amar a Deus acima de todas as coisas (Dt 6:5), Jesus acrescentou: “Ame o seu próximo como você ama a si mesmo” (Mc 12:31; veja Lv 19:18).

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Um ídolo não precisa ser uma estátua de pedra; podemos fabricá-lo a partir de praticamente qualquer coisa. De que “ídolos”, se houver, você precisa fugir em sua vida?
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Quinta-feira, 30 de julho
Ano Bíblico: RPSP: JÓ 34
Vencendo a idolatria

Em 1 Coríntios 8:1 a 3, Paulo defende que o amor nos preserva da idolatria. Ele retoma e desenvolve esse argumento em 1 Coríntios 10:23 a 11:1. Em 1 Coríntios 8:3, fala do nosso amor a Deus; e, mais tarde, exorta: “Ninguém busque o seu próprio interesse, e sim o de seu próximo” (1Co 10:24) – isto é, amor ao próximo.

5. Leia Marcos 10:17-22; 12:28-31. O que esses dois textos têm em comum e como se aplicam à situação de 1 Coríntios 10?

Em 1 Coríntios 10, Paulo faz exatamente o que Jesus fez em Marcos 12:28 a 31: une os dois grandes mandamentos da lei – amar a Deu todas as coisas e amar o próximo. Na história do jovem rico (Mc 10:17-22), Jesus reúne essas duas dimensões do amor, fazendo alusão a Deuteronômio 6:4 (veja Mc 10:18) e à segunda tábua do Decálogo (veja Mc 10:19). O problema daquele jovem era amar mais os bens do que a Deus e ao próximo (Mc 10:21, 22): ele valorizava o tesouro da Terra acima dos tesouros do Céu e o dinheiro acima dos pobres. Era um idólatra.

Seguindo o ensino de Jesus, Paulo indica que o princípio de amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo deve ser aplicado às situações hipotéticas que ele menciona em 1 Coríntios 10:27 e 28. Assim, mesmo o que é lícito pode não ser proveitoso ou edificante, se ofende a consciência de alguém (1Co 10:23). Esse princípio é magistralmente resumido nas palavras: “Façam tudo para a glória de Deus” (1Co 10:31). Ao dizer que “tudo” deve ser feito para a glória de Deus, Paulo mostra que a idolatria assume as mais variadas formas: qualquer coisa que usurpe a glória que pertence somente a Deus é uma forma de idolatria (Is 42:8).

As palavras de 1 Coríntios 10:31 a 11:1 funcionam como conclusão dos capítulos 8 a 10. Paulo deixa claro que não buscava o próprio interesse, "mas o de muitos, para que sejam salvos” (1Co 10:33). Era assim que ele imitava a Cristo (1Co 11:1).

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Como você pode aprender a amar melhor o seu próximo como a si mesmo?
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Sexta-feira, 31 de julho
Ano Bíblico: RPSP: JÓ 35
Estudo adicional

Leia, de Ellen G. White, Patriarcas e Profetas [CPB, 2022], “O bezerro de ouro” (p. 266-279).

“Quanto bem poderíamos fazer se tirássemos bom proveito de nossa convivência uns com os outros! Todo aquele que recebeu benefícios celestiais tem a obrigação de lançar alguma luz no caminho dos demais. [...] Então, todos os que verdadeiramente amam a Deus renunciarão à idolatria do eu” (Ellen G. White, The Advent Review and Sabbath Herald, 18 de novembro de 1884).

“Paulo insistia com seus irmãos para que perguntassem a si mesmos que influência suas palavras e atos estavam exercendo sobre outros e para que não fizessem coisa alguma, ainda que inocente em si mesma, que pudesse parecer aprovação à idolatria ou que viesse a escandalizar os fracos na fé. ‘Se vocês comem, ou bebem ou fazem qualquer outra coisa, façam tudo para a glória de Deus.’ [...]

“As palavras de advertência do apóstolo à igreja de Corinto são aplicáveis a todos os tempos e especialmente adequadas para nossos dias. Ele entendia por idolatria não apenas a adoração de ídolos, mas também o egocentrismo, o amor às comodidades e a condescendência com o apetite e as paixões carnais” (Ellen G. White, Atos dos Apóstolos [CPB, 2021], p. 201, 202).

“Se perceberem que, ao fazer certas coisas que lhes parecem perfeitamente corretas, vão atrapalhar o avanço da obra de Deus, evitem praticar tais coisas. Nada façam que possa vir a fechar as mentes à recepção da verdade. [...] Todas as coisas podem ser lícitas, mas nem todas convêm” (Ellen G. White, Testemunhos Para a Igreja [CPB, 2021], v. 9, p. 167).

Perguntas para consideração

1. Segundo Paulo, o comportamento de um cristão maduro pode, às vezes, inibir o crescimento de um cristão imaturo. Por que o princípio de amar a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a si mesmo é o único caminho para lidar com esse desafio?

2. Os cristãos podem acabar adorando ídolos, se não forem vigilantes? Que tipo de ídolos? Quais coisas boas podem se transformar em ídolos? Além disso, como perceber se algo de que gostamos muito acabou se tornando um ídolo?

Respostas às perguntas da semana: 1. Paulo mostra que o amor deve orientar o uso do conhecimento para não ferir a fé dos mais fracos. 2. Paulo renuncia direitos legítimos para não criar obstáculos ao evangelho. 3. Israel caiu em idolatria, imoralidade, rebelião e murmuração, o que era mais grave porque tinham recebido claras bênçãos e cuidado divino. 4. Devemos fugir da idolatria porque ela rompe nossa comunhão com Deus e nos expõe a grave perigo espiritual. 5. Ambos destacam que amar a Deus acima de tudo é central, o que reforça que nada deve ocupar o lugar de Deus.

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Resumo da Lição 5
Tudo para a glória de Deus | 3º Trimestre 2026

TEXTO-CHAVE: 1Co 10:31 

FOCO DO ESTUDO: 1Co 10

ESBOÇO

Introdução: Imagine um grupo de trilheiros iniciando uma caminhada desafiadora em uma montanha. A trilha é conhecida por suas vistas deslumbrantes, mas também por seus penhascos perigosos. Logo no início do percurso, eles veem uma placa de aviso: “CUIDADO: Penhascos perigosos à frente, muitos já caíram! Permaneçam no percurso desmarcado”.

Alguns trilheiros levam o aviso a sério, permanecem na trilha demarcada e evitam os penhascos. Outros ignoram a sinalização, pois querem a emoção de ficar à beira do precipício e tirar a selfie perfeita. Um terceiro grupo insiste que tem o direito de explorar onde quiser, sem precisar prestar atenção às trilhas sinalizadas. “A caminhada é nossa. Ninguém pode nos dizer o que fazer!” Mas as escolhas deles não afetam apenas a si mesmos – se um deles cair ou se perder, terá conduzido aqueles que o seguiam ao perigo.

A vida cristã, é claro, é muito mais do que uma caminhada. No entanto, as três atitudes tomadas pelos trilheiros podem refletir a nossa própria caminhada de fé. Em 1 Coríntios 10, Paulo discute essas diferentes posturas.

Temas da lição: Como a maioria dos autores bíblicos, Paulo via a idolatria como um pecado muito sério, que se opunha à verdadeira adoração a Deus. A questão da adoração é central para os dilemas da vida cotidiana, pois qualquer aliança com a adoração de ídolos representa uma rejeição ao senhorio de Deus e abre espaço para a perversão moral e espiritual. Dentro desse contexto, Paulo amplia vários temas:

1. Aprendendo com o passado de Israel. Paulo lembra aos coríntios dos fracassos de Israel no deserto – idolatria, imoralidade sexual, pôr Deus à prova e murmuração. A queda deles serve de advertência para que os crentes não repitam os mesmos erros.

2. O perigo da idolatria. Paulo exorta os crentes a fugir da idolatria e a não participar das práticas pagãs, lembrando-os de que adorar ídolos é incompatível com adorar a Deus.

3. Liberdade cristã e responsabilidade (1Co  10:23-30). Paulo aborda como os crentes devem usar sua liberdade com sabedoria, especialmente no tocante a comer alimentos sacrificados a ídolos. O simples fato de algo ser permitido não significa que seja benéfico para todos.

4. Viver para a glória de Deus (1Co 10:31-33). Paulo resume sua mensagem incentivando os crentes a tomarem cada decisão tendo em vista a glória de Deus. Além disso, ele os convence a agir de modo que reflita Cristo e conduza outros a Ele.

COMENTÁRIO

1. Contexto

O conceito de adoração não era estranho aos coríntios. Diferentemente de muitas sociedades ocidentais modernas, a adoração naquela época não era uma questão privada e pessoal. Política, comércio e vida social estavam todos entrelaçados com a adoração. As práticas de culto na Corinto do primeiro século incluíam sacrifícios, banquetes, festivais, procissões e até rituais sexuais em alguns cultos. Corinto era uma importante cidade greco-romana, conhecida por seu pluralismo religioso e sua devoção a diversos deuses. A cidade possuía numerosos templos e cultos, refletindo seu status de próspero centro comercial, influenciado tanto pelas tradições religiosas gregas quanto pelas romanas.

A adoração na Corinto do primeiro século d.C. assumia muitas formas, refletindo a composição cosmopolita da cidade. Havia muitos deuses (ver item 2 a seguir). Embora uma cidade geralmente tivesse uma divindade preferida, os indivíduos podiam escolher quais deuses desejavam adorar, dependendo dos benefícios que buscavam receber. A maioria das pessoas adorava vários deuses. Em todo o Império Romano, esperava-se que os bons cidadãos adorassem também o imperador. Embora houvesse certo grau de liberdade na escolha de um deus, a recusa em adorar o imperador podia trazer consequências sociais e políticas, já que essa adoração era vista como uma demonstração de lealdade a Roma.

A maioria dos templos realizava sacrifícios de sangue de touros, bodes ou aves, que eram oferecidos aos deuses e, às vezes, seguidos por banquetes comunitários. Durante esses banquetes nos templos, os adoradores comiam da comida que havia sido oferecida à divindade. Havia também grandes celebrações públicas que envolviam ritos religiosos, como os Jogos Ístmicos (dedicados ao deus Poseidon). Essas celebrações incluíam procissões, banquetes e apresentações. Alguns desses atos de adoração tinham elementos sexuais, especialmente no culto aos deuses da fertilidade. Alguns estudiosos acreditam que o culto no templo de Afrodite envolvia prostituição ritual (comparar com Walter A. Elwell e Barry J. Beitzel, “Corinth”, em Baker Encyclopedia of the Bible [Grand Rapids, MI: Baker, 1988], p. 514).

Embora a adoração fosse em geral muito pública, havia algumas religiões, como o culto a Deméter e Perséfone, que possuíam ritos de iniciação e atos de adoração secretos. Essa exclusividade, que prometia uma iluminação espiritual não acessível às pessoas comuns, sem dúvida era atrativa para certa classe. Enquanto os grandes templos realizavam rituais públicos de adoração, muitas pessoas também praticavam cultos privados, como pode ser visto nos altares domésticos com pequenas estátuas e ofertas de incenso que os arqueólogos têm descoberto em residências particulares.

2. Definindo a idolatria

Em um mundo em que os ídolos estavam por toda parte e eram tratados com respeito e devoção como substitutos dos deuses que representavam, a afirmação de Paulo em 1 Coríntios 8:4 de que “o ídolo, por si mesmo, nada é no mundo” e de que “não há senão um só Deus” certamente soava radical. Paulo não aceitava a ideia de que estatuetas ou objetos (por exemplo, ídolos tenham poder mágico em si mesmos. Ele reconhece, porém, que alguns crentes, especialmente os que haviam se convertido recentemente do paganismo, ainda poderiam entender a conversão deles apenas como uma troca de deuses (ou de lealdade a esses deuses). Essa atitude podia ser percebida, em especial, na questão de comer alimentos oferecidos aos ídolos.

Em 1 Coríntios 10, Paulo explica essa nova cosmovisão (“não há senão um só Deus”) ao mesmo tempo em que dá uma forte advertência contra a idolatria. Ele usa a história de Israel como exemplo para enfatizar que a idolatria não se resume a adorar estátuas. A idolatria também envolve deslealdade para com Deus, bem como o perigo espiritual de não demonstrar amor e responsabilidade para com os irmãos na fé.

Paulo começa lembrando seus leitores de como os israelitas, que haviam experimentado a libertação miraculosa de Deus ao tirá-los do Egito, ainda assim caíram na idolatria e sofreram o juízo divino. Em 1 Coríntios 10:1 a 4, Paulo recorda as bênçãos de Israel: eles tiveram a guia divina na forma da nuvem; experimentaram a libertação miraculosa quando o mar se abriu; e diariamente foram sustentados física e espiritualmente por meio do maná e da água da rocha (que Paulo identifica com Cristo).

Apesar dessas bênçãos, muitos israelitas fracassaram. Eles desagradaram a Deus ao se envolverem com a idolatria, o que abriu caminho para a imoralidade sexual (1Co 10:5-10). Prosseguiram, de forma desastrosa, em pôr Deus à prova. Sua murmuração levou à rebelião aberta e terminou em sua destruição.

Paulo aplica esses acontecimentos aos crentes de Corinto (1Co 10:11-13). A história de Israel serve como advertência quanto ao perigo da idolatria. Paulo apela à vigilância, mas não ao medo ou à ansiedade, pois Deus pode conceder vitória sobre tudo o que nos aflige.

Paulo então dá uma ordem direta: “Fujam da idolatria” (1Co 10:14). Ele explica que, embora os ídolos em si não tenham poder, existem anjos maus e o próprio diabo, aos quais a pessoa está indiretamente prometendo lealdade ao participar do culto idólatra (1Co 10:20). Essa realidade torna espiritualmente perigosa a participação em banquetes idólatras. Paulo adverte que os crentes não podem beber do “cálice do Senhor” e do “cálice dos demônios” (1Co 10:21), enfatizando a incompatibilidade entre idolatria e cristianismo.

Em 1 Coríntios 10:15 a 18, Paulo ressalta que, assim como participar da mesa do Senhor simboliza a unidade com Cristo, comer alimentos sacrificados a ídolos cria uma conexão espiritual profana. Embora os ídolos em si não sejam nada, participar de atos de adoração, como sacrificar aos ídolos, implica comunhão com os demônios. Idolatria não é apenas adorar falsos deuses, mas estar espiritualmente envolvido com as forças das trevas.

Os crentes são chamados à devoção exclusiva a Deus (1Co 10:21, 22) e não podem beber do cálice do Senhor e do cálice dos demônios. Ecoando Deuteronômio 32:21, Paulo adverte sobre a intolerância de Deus em relação à lealdade dividida. Para Paulo, a idolatria é mais do que simples adoração falsa – ela é espiritualmente perigosa e incompatível com a fé em Cristo.

3. Desenvolvendo “anticorpos” contra a idolatria

Embora Paulo apele a uma separação completa da idolatria, ele explica, em 1 Coríntios 10:23 a 33, que essa separação não deveria resultar em críticas e policiamento dentro da igreja para mantê-la pura. Os cristãos individualmente possuem tanto liberdade quanto responsabilidade, e Paulo aborda isso em questões práticas relacionadas a alimentos que podiam ter sido dedicados a ídolos e, posteriormente, chegavam ao mercado.

Em 1 Coríntios 10:23 e 24, é apresentado o princípio do amor acima da liberdade. O altruísmo – e não o apego aos próprios direitos ou até mesmo às próprias concepções de estilo de vida cristão – deve ser a norma. Mesmo que algo não seja errado ou proibido na Bíblia, pode não ser benéfico para os outros. Os crentes devem priorizar o bem-estar espiritual do próximo acima da liberdade pessoal.

Nos versos seguintes (1Co 10:25-30), Paulo permite comer a carne vendida no mercado sem questionar sua origem. Mas ele aconselha a não comê-la se alguém declarar explicitamente que foi sacrificada a ídolos, já que a prática de evitar esses alimentos funcionava como medida de proteção para impedir que os crentes mais fracos tropeçassem. Em última instância, os crentes devem buscar glorificar a Deus em todos os aspectos da vida e procurar encorajar, em vez de desanimar os outros. Sua missão de vida deve ser a de promover a salvação do próximo, em vez de insistir em suas próprias perspectivas e direitos (1Co 10:31-33).

APLICAÇÃO PARA A VIDA

A Corinto do primeiro século d.C. era uma cidade profundamente religiosa, com uma mistura de cultos gregos, romanos e orientais. A adoração assumia muitas expressões diferentes. Os primeiros cristãos em Corinto precisaram lidar com essas influências permanecendo fiéis a Cristo, o que levou Paulo a tratar da idolatria, da pureza moral e da liberdade cristã em suas cartas. Com base nesses temas, discutam em classe as seguintes questões:

1. Paulo lembrou aos coríntios dos erros passados de Israel. Por que você acha que ele fez isso? Quais lições também podemos aprender com as experiências de Israel?

2. Em 1 Coríntios 10:12 lemos: “Por isso, aquele que pensa estar em pé veja que não caia”. Como podemos nos proteger contra o excesso de confiança em nossa caminhada espiritual?

3. Deus pode providenciar uma saída quando somos tentados (1Co 10:13). Você já experimentou essa provisão em sua vida? De que forma esse verso traz encorajamento para você?

4. Embora Paulo alerte contra a idolatria, ele também esboça princípios para identificar e combater a idolatria. Quais seriam algumas formas modernas de idolatria com as quais os cristãos lutam hoje? Como os conselhos de Paulo sobre a idolatria podem ser aplicados a elas?

5. Paulo diz: “Todas as coisas são lícitas, mas nem todas convêm” (1Co 10:23). Como podemos discernir entre o que é benéfico e o que é prejudicial em nossa vida?

6. Em 1 Coríntios 10:31, Paulo nos orienta a fazer tudo para a glória de Deus. Como isso se manifesta, na prática, no dia a dia?

7. Paulo enfatiza que não devemos levar outros a tropeçar (1Co 10:32, 33). Como podemos equilibrar nossa liberdade pessoal com nossa responsabilidade para com os outros?


Chá e celulares

Áustria | Yvonne

Nota do editor: A história missionária desta semana aconteceu dentro de um prédio construído com a ajuda de uma oferta trimestral anterior, também conhecida como Oferta Trimestral para Projetos Missionários. A história aconteceu no dormitório feminino de Bogenhofen, uma escola adventista do sétimo dia na Áustria.

Yvonne, preceptora do dormitório feminino em Bogenhofen, apreciava uma regra que limitava o uso do celular a 45 minutos por dia para adolescentes. Ela tinha visto como os celulares podiam ser viciantes e percebeu que a regra incentivava as alunas a passarem mais tempo juntas — conversando, rindo e fazendo atividades divertidas, como remar nos barcos do riacho do campus.

Mas ela também sabia que, sempre que havia regras, havia alunas que tentavam quebrá-las. Ela suspeitava que algumas meninas no dormitório tinham um segundo celular, escondido depois de entregarem o primeiro. Mas, enquanto não visse nada, não poderia fazer nada.

Um dia, várias meninas ficaram doentes em seus quartos. Naquela noite, Yvonne levou chá quente de ervas para elas. Quando levou o chá para o quarto de uma das meninas, ela sentiu que algo não estava certo.

Para entrar no quarto, Yvonne precisava passar por duas portas: uma externa e uma interna. Ela bateu na porta externa e a abriu. Atrás da porta interna, ela ouviu o som de algo se movendo e parou, imaginando o que estava acontecendo. Quando abriu a porta interna, não encontrou nada de anormal. A garota de 16 anos estava deitada na cama. Ela agradeceu a Yvonne pelo chá e perguntou: “Quando você vai dormir? Você vai me visitar de novo?”

Yvonne pensou consigo mesma: “Que perguntas interessantes”.

Ela terminou de visitar as outras meninas e, cerca de 10 minutos depois, voltou ao quarto da menina de 16 anos sem avisar. Ela bateu na porta externa e, quando abriu a segunda porta, viu a menina rapidamente esconder algo debaixo do cobertor. 

Agora, Yvonne estava convencida de que algo estava errado. O que ela deveria fazer?

Naquela noite, em sua casa, ela orou: “Senhor, ajude-me a ajudar esta garota”.

Às 4 da manhã, ela acordou com uma forte impressão de que deveria voltar ao quarto da garota. Ela pensou: “Por quê? Ela está dormindo. Vou acordá-la”. Então, outro pensamento surgiu: “Talvez ela esteja doente”.

Yvonne foi até o quarto da garota e abriu a porta externa. Uma luz brilhava sob a segunda porta. Ao abri-la, viu a garota na cama, olhando para o celular.

Fechando a porta silenciosamente, Yvonne foi até seu escritório e se ajoelhou para orar. “Senhor, o que devo fazer?”

Desta vez, ela sentiu-se impressionada a falar com a menina. Yvonne voltou para o quarto e passou as duas horas seguintes conversando com a aluna. No final da conversa, a menina disse: “Sabe, eu não queria lhe dar meu segundo celular e tenho usado ele todo esse tempo. Mas agora é fácil abrir mão dele, porque sei que você realmente se importa”.

Yvonne ficou radiante. A garota percebeu que ela não estava tentando ser dura, mas tentando ajudá-la a superar o vício em aparelhos eletrônicos. Nas primeiras horas daquela manhã, a garota tornou Deus o Senhor de Sua vida digital.

Obrigado por sua oferta do trimestre, também conhecida como Oferta Trimestral para Projetos Missionários, que leva as pessoas ao Deus que nos dá força para superar o vício. Bogenhofen, localizada perto de Braunau, na Áustria, recebeu parte da oferta de 1986 para abrir o dormitório feminino onde esta história aconteceu. A oferta deste trimestre ajudará a levar mais pessoas a Deus em toda a Divisão Intereuropeia, que inclui a Áustria.

 

Dicas para a história

• Mostre a Áustria em um mapa. Em seguida, mostre Braunau, perto da fronteira norte com a Alemanha, onde Bogenhofen está localizada.

• Saiba que Yvonne Seidel tem sido uma parte importante da história de Bogenhofen. Nascida na Romênia, ela serviu não apenas como preceptora das meninas, mas também ajudou a abrir a escola primária no campus quando tinha 22 anos. A escola cresceu de seis alunos iniciais para mais de 100. Yvonne também serviu como capelã em Bogenhofen, que inclui um seminário. Em 2017, ela ajudou a lançar uma escola de educação para treinar professores para lecionar em escolas adventistas.


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