Lição 7
08 a 14 de agosto
O retrato do amor | 3º Trimestre 2026
Sábado à tarde
Ano Bíblico: RPSP: SL 1
Verso para memorizar: “Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três; porém o maior deles é o amor” (1Co 13:13).
Leituras da semana: 1Co 13:1-13; Mt 24:12; Gl 5:22, 23; 1Tm 1:14; 1jo 4:8

O amor pode vencer tudo. Por isso, Paulo escreveu tanto sobre ele. O verbo grego agapao – o mais usado no Novo Testamento para expressar a ideia de amor – e palavras da mesma família aparecem mais de 135 vezes nas cartas do apóstolo. Isso equivale a quase metade de todas as ocorrências no Novo Testamento, o que já indica o tema central da carta de Paulo à igreja de Corinto.

Há inúmeras passagens notáveis sobre o amor no Novo Testamento, como Romanos 8:35 a 39; 1 Coríntios 2:9; 8:3; Gálatas 2:20; Colossenses 1:13; e 1 Tessalonicenses 3:12, entre outras. Nada, porém, se compara a 1 Coríntios 13.

Na semana passada, vimos que, sem amor, tudo – até os dons espirituais – perde o valor. Nesta semana, examinaremos mais de perto 1 Coríntios 13 e seu admirável retrato do amor.

Como veremos, amor não é tanto um sentimento, mas uma atitude – uma disposição que precisa se expressar na vida, em ações e em palavras; do contrário, não significa nada.

O que o amor realmente é – e faz – foi revelado plenamente na vida de Jesus Cristo.

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Domingo, 09 de agosto
Ano Bíblico: RPSP: SL 2
O caráter essencial do amor

Na semana passada, mencionamos brevemente o tema do amor em 1 Coríntios 13. Agora, precisamos nos aprofundar nas palavras de Paulo.

1. Leia 1 Coríntios 13. Resuma o que esse capítulo nos ensina sobre o amor.

Paulo não queria dizer que línguas (1Co 13:1), profecia, entendimento, ciência, fé (1Co 13:2) e generosidade (1Co 13:3) são inúteis; eles se tornam inúteis apenas quando não são motivados pelo amor.

O tipo de amor de que Paulo está falando não é aquele expresso em frases como “amo morangos”, “amo meus amigos” ou “amo minha família”. Também não é o “amor” retratado nos filmes. E não se trata de amor romântico – embora esse capítulo seja usado com frequência em sermões de casamento.

Esse amor não pode ser reduzido a afeto, caridade, virtude ou bondade. Ainda que esses elementos o representem em algum grau, o amor de 1 Coríntios 13 é uma graça especial concedida pelo Espírito Santo. De fato, nesse capítulo, o amor é a motivação que o Espírito nos dá para agir com afeto, caridade, virtude e bondade. É a entrega total de ações, sentimentos e pensamentos a Cristo e ao próximo.

2. Leia Mateus 24:12. Que alerta Jesus nos dá nesse verso?

É por isso que o amor (agape) é tão essencial e necessário. No poder de Cristo, não podemos permitir que o amor esfrie em nosso lar, nossa igreja ou vizinhança. Pensemos na morte de Cristo na cruz. Que demonstração de amor poderia ser mais forte do que essa? É claro que jamais viveremos plenamente o amor como Jesus viveu; contudo, pela graça de Deus, devemos nos esforçar para manifestá-lo em nossa vida, na medida do possível.

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Em que momentos esse tipo de amor pode fazer diferença na vida de alguém?
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Segunda-feira, 10 de agosto
Ano Bíblico: RPSP: SL 3
O que o amor faz

O centro de 1 Coríntios 13 está nos versos 4 a 7. Neles, Paulo apresenta as qualidades do amor – mostrando o que o amor é e o que não é; o que faz e o que deixa de fazer. O apóstolo personifica o amor para que enxerguemos como se comporta alguém cheio desse amor, impulsionado pelo Espírito Santo. Em sua descrição, Paulo usa uma série de verbos. Para ele, o amor está mais relacionado a ações do que a sentimentos ou emoções.

1) É paciente (makrothymeo) Significa perseverar pacientemente em circunstâncias difíceis. Paciência também envolve a capacidade de ser tole-rante uns com os outros (Ef 4:2).

2) É bondoso (chresteuomai) Esse verbo ocorre apenas aqui no Novo Testamento, mas palavras da mesma raiz são comuns em outros textos. Na Septuaginta (tradução grega do Antigo Testamento), aparecem com frequência nos Salmos, associando a bondade de Deus à Sua misericórdia (Sl 145:9). Amar com bondade é imitar a compaixão e a misericórdia de Deus para conosco.

3) Alegra-se com a verdade (synchairo) Expressa a capacidade de experimentar alegria juntamente com outra pessoa (Lc 1:58; 15:6, 9; 1Co 12:26; Fp 2:17, 18).

4) Tudo sofre (stego) Os estudiosos discutem se stego significa “cobrir” – isto é, manter algo em confidência (com o sentido de proteger) – ou “suportar”, no sentido de ter resiliência. Em 1 Coríntios 9:12, esse termo claramente expressa perseverança, o que leva a maioria dos intérpretes e tradutores a preferir a segunda opção.

5) Tudo crê (pisteuo) Pisteuo vem da mesma raiz que o termo grego para “fé” (pistis). No contexto da passagem, “tudo crê” significa conceder ao outro o benefício da dúvida.

6) Tudo espera (elpizo) No Novo Testamento, elpizo sempre se refere a “crer ou aguardar”, com expectativa, que alguma coisa boa ocorrerá.

7) Tudo suporta (hypomeno) Provavelmente não há diferença entre os verbos stego e hypomeno em 1 Coríntios 13:7. Eles são sinônimos, indicando perseverança em meio às provações. Paulo emprega hypomeno no fim do verso para evitar repetir stego. Ao repetir o mesmo conceito, ainda que com outra palavra, ele direciona a atenção para o crer e o esperar como foco principal. Em outras palavras, o amor persevera porque crê e espera.

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Compare 1 Coríntios 13:4-7 com Gálatas 5:22, 23. Que ideias em comum você percebe entre as duas passagens? Como manifestar esse amor em sua vida?
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Terça-feira, 11 de agosto
Ano Bíblico: RPSP: SL 4
O que o amor não faz

3. Leia novamente 1 Coríntios 13:4-7. Por que Paulo menciona características negativas do amor, e não apenas positivas?

Ontem, destacamos sete atitudes que o amor pratica; hoje, veremos oito coisas que ele não faz. O amor...

1) Não arde em ciúmes (zeloo) O termo zeloo pode ser utilizado positivamente, como em: “desejem intensamente os dons mais úteis” (1Co 12:31, NVT); “desejem [...] os dons espirituais” (1Co 14:1, NVT); e “anseiem profetizar” (1Co 14:39, NVT). No entanto, em 1 Coríntios 13:4, como em Atos 7:9, o sentido é negativo. É correto desejar os dons espirituais, mas não invejar quem os recebeu, pois isso causa divisão (1Co 3:3).

2) Não se envaidece (perpereuomai) O verbo transmite a ideia de arrogância e busca por elogios. O amor não é centrado em si mesmo – algo que fica ainda mais claro a seguir.

3) Não é orgulhoso (physioo) Em 1 Coríntios 8:1, Paulo afirma: “O conhecimento leva ao orgulho, mas o amor edifica.” O termo descreve alguém “inflado” de autoimportância.

4) Não se conduz de forma inconveniente (aschemoneo) O verbo abrange muitos sentidos. Em geral, significa agir contra padrões morais e sociais – de modo desonroso, indecoroso ou impróprio. É provável que Paulo se refira ao comportamento arrogante e grosseiro do grupo considerado “forte” em relação aos “fracos” em Corinto (1Co 4:10; 8:1-13).

5) Não busca os seus interesses (zeteo) Isso remete a 1 Coríntios 10:24: “Ninguém deve buscar o seu próprio direito, mas sim o dos outros” (tradução do autor). O amor abre mão de direitos em favor do próximo (veja a lição 5). Em um ambiente em que cada um busca o bem do outro, todos são beneficiados.

6) Não se irrita (paroxyno) O verbo sugere um estado interior de agitação, indicando alguém facilmente provocado à ira. O amor não é explosivo nem melindroso.

7) Não se ressente do mal (logizomai) Aqui o sentido é “lançar na conta” (linguagem de contabilidade). O amor não registra ofensas; em outras palavras, o amor perdoa.

8) Não se alegra com a injustiça (chairo) O amor não só esquece os erros alheios como também não tem prazer neles. Quando amamos de verdade, não nos alegramos com os erros dos outros; antes, buscamos ajudar.

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Quarta-feira, 12 de agosto
Ano Bíblico: RPSP: SL 5
Retrato de Jesus

Ao ler 1 Coríntios 13:4 a 7, é natural sentir certa frustração ao perceber que, em maior ou menor grau, deixamos de manifestar todas aquelas qualidades do amor. É provável que Paulo tivesse a Pessoa de Jesus em mente ao escre-ver esse capítulo. De fato, somente Ele revelou perfeitamente cada uma dessas características. Em última análise, portanto, o retrato do amor traçado por Paulo é um retrato de Cristo.

4. Leia João 13:1, 34; 15:9, 12; 1 Timóteo 1:14; 2 Timóteo 1:7, 13; 1 João 3:16; 4:7-12, 19-21. O que esses textos nos ensinam sobre o amor?

“Deus é amor” (1Jo 4:8). Ele nos amou a ponto de dar Seu Filho unigênito (Jo 3:16). Jesus é a expressão plena desse amor (Hb 1:3). Se quisermos saber como o amor se manifesta, precisamos contemplar Jesus atentamente. Ao observarmos com cuidado a maneira como o Novo Testamento apresenta Cristo, perceberemos que todas as qualidades positivas do amor em 1 Coríntios 13 se veem Nele.

Jesus é paciente – “Mas, por isso mesmo, Deus foi misericordioso comigo, para que em mim, o pior dos pecadores, Cristo Jesus demonstrasse toda a Sua paciência [makrothymia]” (1Tm 1:16, NVI).

Jesus é bondoso – A Bíblia declara que “o Senhor é bondoso” (1Pe 2:3). Nesse texto, “Senhor” refere-se a Jesus. O termo “bondoso” traduz o grego chrestos, que vem da mesma raiz do verbo chresteuomai (“mostrar bondade”) em 1 Coríntios 13:4.

Jesus Se alegra com a verdade – Ele experimentou alegria ao cumprir a vontade do Pai e ao sentir o amor do Pai por Ele (Jo 15:9-11; 17:12-14).

Jesus tudo sofre e tudo suporta – Ele “suportou a cruz” e “suportou tamanha oposição dos pecadores contra Si mesmo” (Hb 12:2, 3). Ninguém suportou tanto quanto Jesus (Fp 2:8). Ele o fez “em troca da alegria que Lhe estava proposta”!

Jesus tudo crê – Quando Ananias questionou a sinceridade da conversão de Paulo (At 9:13, 14), Jesus respondeu: “Este é para Mim um instrumento escolhido” (At 9:15). Cristo vê as pessoas não apenas como são, mas como se tornarão pelo Seu poder.

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De que outras maneiras Jesus nos mostra o que é o amor verdadeiro?
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Quinta-feira, 13 de agosto
Ano Bíblico: RPSP: SL 6
Fé, esperança e amor

Até aqui, aprendemos que o amor é paciente, bondoso, alegre, resiliente, confiante, esperançoso e perseverante – porque Jesus é tudo isso. Ao enxergarmos essas qualidades em Cristo, o passo seguinte é imitá-Lo. Era esse o desejo de Paulo para os coríntios. Contudo, se retirarmos o “não” das oito características negativas do amor, “teremos uma boa descrição da conduta dos coríntios no convívio da igreja: invejosos, vangloriosos, orgulhosos, grosseiros, egoístas, irritadiços e atentos aos erros alheios. Paulo ajusta aqui os verbos à situação de Corinto” (Verlyn D. Verbrugge, “1 Corinthians”, em The Expositor’s Bible Commentary: Romans–Galatians [Grand Rapids, MI: Zondervan, 2008], p. 372).

Os coríntios tinham muito a aprender – e nós também. Depois de descrever o que amor é e o que ele não é, Paulo conclui essa seção destacando o caráter permanente do amor, a fim de estimular a prática do amor genuíno. Um dia, as profecias não mais serão necessárias. Além disso, falaremos uma só língua. E o conhecimento humano, limitado e falho, dará lugar a um conhecimento novo de Deus (1Co 13:12). Os dons do Espírito cessarão apenas quando o propósito para o qual existem for plenamente cumprido (1Co 13:10). “O amor”, porém, “jamais acaba” (1Co 13:8).

Do mesmo modo, quando Cristo voltar, a fé dará lugar à vista (2Co 5:7), e aquilo que esperamos há tanto tempo se tornará realidade (Rm 8:24). Acima de tudo, o amor permanecerá como emblema do caráter do nosso Deus triúno. Ainda assim, em certo sentido, a fé e a esperança também permanecerão para sempre: a fé como experiência da salvação (Rm 4:3) e a esperança como anseio e expectativa por novas alegrias e por novo conhecimento na nova Terra. Ambas marcarão, para sempre, a experiência dos remidos. Porém o amor – o amor de Deus – durará para sempre.

Muito em breve, veremos nosso Senhor face a face (1Co 13:12). Até esse dia, nossa vida deve ser definida por estas três virtudes: fé, esperança e amor. Esse trio representa a plenitude da vida cristã no Espírito e, por isso, foi mencionado com frequência entre os cristãos (Rm 5:1-5; Gl 5:5, 6; Ef 1:15, 18; 4:1-5). O amor, porém, é o maior deles; afinal, é a única virtude usada para descrever a própria natureza de Deus (1Jo 4:8).

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Reflita sobre a afirmação “Deus é amor”. Como compreender o que ela significa? E, ainda que só possamos entender isso em parte, por que essa verdade é uma notícia tão boa para nós?
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Sexta-feira, 14 de agosto
Ano Bíblico: RPSP: SL 7
Estudo adicional

Leia, de Ellen G. White, “The Need of Love”, The Advent Review and Sabbath Herald, 28 de agosto de 1888, p. 545, 546.

“Não importa o que professe, aquele cujo coração não está cheio de amor a Deus e aos semelhantes não é verdadeiro discípulo de Cristo. Embora possua grande fé e tenha poder até para realizar milagres, sem amor sua fé não terá nenhum valor. Poderá ostentar grande generosidade, mas, se o motivo não for o amor genuíno, mesmo que entregue todos os seus bens para sustento dos pobres, esse ato não o recomendará ao favor de Deus. Em seu zelo poderá até morrer como mártir, mas, se não for impulsionado pelo amor, será considerado por Deus como um entusiasta iludido ou um hipócrita ambicioso” (Ellen G. White, Atos dos Apóstolos [CPB, 2021], p. 203).

“Temos muito a ensinar. O que é mais necessário [...] é amor pelas pessoas que perecem, o amor que vem em ricas torrentes do trono de Deus. O verdadeiro cristianismo difunde o amor por todo o ser. Ele atinge todas as partes vitais: o cérebro, o coração, as mãos auxiliadoras, os pés, habilitando as pessoas a permanecer firmes onde Deus requer que permaneçam, para que não façam caminhos tortuosos para os pés, a fim de que não se extravie o que é manco. O ardente e consumidor amor de Cristo pelas pessoas que perecem é a vida de todo o sistema do cristianismo” (Ellen G. White, Exaltai-O [CPB, 1988], 30 de abril).

“Somente o amor que se origina no coração de Cristo pode curar. Unicamente Aquele em quem esse amor flui, assim como a seiva na árvore e o sangue no corpo, poderá restaurar o coração ferido” (Ellen G. White, Educação [CPB, 2021], p. 79).

Perguntas para consideração

1. O que Paulo quis dizer com a ordem: “Sigam o amor” (1Co 14:1)? Que relação isso tem com o que ele diz em 1 Coríntios 13:4 a 7?

2. Qual característica do amor você mais precisa colocar em prática no dia a dia? Quais são mais necessárias em sua igreja local? E por que Paulo compara o amor a dons como profecia, línguas e conhecimento (1Co 13:8)?

3. Paulo revela que o amor é a solução definitiva para a falta de unidade na igreja de Corinto. Por quê? Como isso se aplica às nossas igrejas hoje?

Respostas às perguntas da semana: 1. Ensina que o amor é essencial, superior a dons e conhecimentos, e se expressa em atitudes perseverantes e altruístas. 2. Jesus alerta que, com o aumento da maldade, o amor de muitos se esfriará. 3. Paulo menciona características negativas para mostrar que o amor verdadeiro se reconhece também pelo que ele não faz. 4. Ensinam que o amor tem sua origem em Deus, foi plenamente revelado em Cristo e deve ser vivido pelos cristãos como um compromisso sacrificial e obediente.

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Resumo da Lição 7
O retrato do amor | 3º Trimestre 2026

TEXTO-CHAVE: 1Co 13:13

FOCO DO ESTUDO: 1Co 13:1-13

ESBOÇO

Introdução: Anna vive com sua avó idosa. Seus amigos a convidam para sair com frequência, mas ela escolhe ficar em casa, cozinhando, limpando e lendo para a avó, que, às vezes, se esquece de seu nome por causa da demência.

Numa noite, a avó de Anna ficou frustrada e foi ríspida com ela, esquecendo toda a bondade que Anna havia demonstrado. Em vez de se irritar ou se afastar, Anna pegou delicadamente a mão dela e disse: “Tudo bem, vovó. Eu te amo.” Ela continuou cuidando da avó, mesmo sem receber gratidão em troca.

Anna não serve por reconhecimento nem por recompensa. Ela não busca elogios. Ela simplesmente ama – com paciência, bondade, sem inveja, orgulho ou ressentimento. Seu amor persevera, mesmo quando é difícil.

Paulo descreve esse tipo de amor em 1 Coríntios 13, um amor que não se resume a palavras ou emoções, mas é uma escolha diária de ser altruísta, perdoador e constante. É o tipo de amor que reflete o amor de Deus por nós, aquele que jamais falha.

Temas da lição: O trecho de 1 Coríntios 13, frequentemente chamado de “capítulo do amor”, é uma das passagens mais profundas da Bíblia. Paulo coloca o amor no centro da vida cristã, mostrando que ele é superior aos dons espirituais, ao conhecimento e até mesmo à fé. Nesta semana, estudaremos os três principais temas do capítulo do amor:

1. A supremacia do amor (1Co 13:1-3)

2. As características do amor (1Co 13:4-8)

3. A resistência do amor (1Co 13:8-13)

COMENTÁRIO

1. Contexto

O amor nos escritos gregos e na filosofia do primeiro século d.C.: No mundo do primeiro século d.C., o amor era um conceito amplamente discutido na filosofia e na literatura greco-romanas, além de ser uma parte importante do pensamento judaico. No entanto, a forma como o amor era compreendido variava significativamente. Poetas romanos, como Ovídio, em Ars Amatoria (“A Arte de Amar”), enfatizaram o amor como uma busca que exige habilidade, muitas vezes entrelaçada com manipulação e sedução. O amor era frequentemente associado à beleza, ao desejo e à conquista, e não ao altruísmo.

Os antigos gregos e romanos possuíam várias palavras para o amor, cada uma refletindo diferentes aspectos dos relacionamentos humanos: Eros era usado principalmente para denotar o amor apaixonado, romântico ou sexual. O eros era frequentemente visto como um desejo intenso ou até como uma força perigosa, capaz de levar à irracionalidade. Platão, em sua obra O Banquete, porém, discutiu o eros como algo que poderia conduzir uma pessoa da atração física à busca por uma beleza superior e divina. Filia era usada para descrever a amizade ou o amor fraternal e geralmente caracterizava os relacionamentos entre iguais. Aristóteles, na Ética a Nicômaco, descreveu a filia como essencial para uma vida virtuosa e plena, especialmente nas amizades baseadas na bondade mútua. O termo storge designava o amor familiar, como o vínculo natural entre pais e filhos. Essa forma de amor era vista como instintiva e protetora.

Por fim, agape geralmente carregava a conotação de amor altruísta e incondicional. Embora esse termo já existisse antes do cristianismo, ele não era comumente enfatizado nos textos filosóficos gregos. Os escritos de Paulo – em especial seu uso da palavra em 1 Coríntios 13 – destacaram esse tipo de amor.

No pensamento judaico, o amor estava intimamente ligado às relações de aliança, tanto entre Deus e Israel quanto entre indivíduos. As Escrituras Hebraicas enfatizavam: (1) O amor leal de Deus, que descreve Seu amor pactual, um amor fiel, misericordioso e duradouro (por exemplo, o refrão encontrado em Salmo 136:2: “porque a Sua misericórdia dura para sempre”); (2) O amor ao próximo, expresso no mandamento de Levítico 19:18 (“ame o seu próximo como você ama a si mesmo”), um princípio que Jesus mais tarde reafirmou (Mc 12:31); e (3) O amor no contexto familiar e conjugal, como retratado em Provérbios e em Cantares.

No primeiro século, mestres judeus, como os fariseus, enfatizaram a obediência à Lei como expressão de amor a Deus (Dt 6:5). A descrição do amor feita por Paulo em 1 Coríntios 13 foi revolucionária para sua época. Diferente do amor competitivo e movido por status do mundo greco-romano ou do legalismo de alguns mestres judeus, Paulo apresentou o agape como a mais elevada virtude, superior ao conhecimento, ao poder e até mesmo aos dons espirituais. Ao contrário do eros, que buscava satisfação pessoal, o amor descrito por Paulo em 1 Coríntios 13 era sacrificial. O oposto do egoísmo, esse amor ia além da mera emoção: era duradouro e se manifestava em ações. Representava um modo de vida, exigindo paciência, bondade e humildade.

A visão de Paulo sobre o amor estava mais alinhada ao hesed pactual de Deus do que aos ideais filosóficos gregos; no entanto, ela também transcendia as visões judaicas tradicionais, ao afirmar que o amor – e não a Torá – era o fundamento da ética cristã.

2. A supremacia do amor (1Co 13:1-3)

A passagem de 1 Coríntios 13 faz parte do ensinamento de Paulo sobre os dons espirituais (1 Coríntios 12–14), no qual ele enfatiza que o amor é superior a qualquer dom ou habilidade. O amor é maior do que o conhecimento, o poder ou até mesmo a fé. Paulo descreve o amor não como uma emoção, mas como uma atitude – paciente, bondosa, altruísta e perseverante. Esse tipo de amor (agape) é central à vida cristã. Não é apenas um ideal, mas um chamado à ação – desafiando os crentes a refletir o amor de Deus em cada relacionamento e em toda situação.

Em 1904, Ellen G. White escreveu a seguinte declaração: “O Senhor deseja que eu chame a atenção de Seu povo para o décimo terceiro capítulo da primeira carta aos Coríntios. Leiam este capítulo todos os dias e dele obtenham conforto e força. Aprendam, por meio dele, o valor que Deus atribui ao amor santificado, de origem celestial, e permitam que a lição que ele ensina alcance o íntimo de seu coração. Aprendam que o amor semelhante ao de Cristo tem origem celestial e que, sem ele, todas as outras qualificações são inúteis” (The Advent Review and Sabbath Herald, 21 de julho de 1904).

Paulo começa enfatizando que, sem amor, mesmo os dons espirituais mais impressionantes e os atos religiosos mais notáveis não têm significado algum. Ele apresenta três exemplos: (1) Segundo Paulo, falar “as línguas dos homens e dos anjos”, sem amor, é como “bronze que soa ou como o címbalo que retine” (1Co 13:1). (2) Uma pessoa com poder profético, conhecimento e até fé é “nada” (1Co 13:2) sem amor. (3) Atos de extrema generosidade e sacrifício “de nada me adiantará” (1Co 13:3), se não forem motivados pelo amor. Como Deus é amor (1Jo 4:8), “Ele só pode ser plenamente conhecido através do amor. [...] Sem amor, não podemos conhecer a Deus; e, sem Deus, não somos nada” (“1 Coríntios”, em Comentário Bíblico Andrews [CPB, 2025], p. 194). Essa passagem destaca o fato de que os dons espirituais e a devoção religiosa precisam estar enraizados no amor para terem verdadeiro significado.

3. As características do amor (1Co 13:4-8)

Nos versos seguintes, Paulo explica a natureza do amor. O amor não é simplesmente uma emoção, mas um modo ativo de viver. Curiosamente, Paulo não usa adjetivos para definir a natureza do amor, e sim verbos. Ao todo, ele emprega 16 verbos, nove com valor negativo e sete com valor positivo ou construtivo. A tabela a seguir apresenta uma visão geral (baseada em uma tabela do Comentário Bíblico Andrews, p. 195):

Licão

Essa lista contrasta com o comportamento dos coríntios. Eles estavam lutando contra o orgulho, a divisão e a competição em torno dos dons espirituais. Paulo os chama a um padrão mais elevado de amor. Essa noção também é reafirmada nos escritos de Ellen G. White: “O atributo que Cristo mais aprecia no ser humano é a caridade (amor) proveniente de um coração puro. Este é o fruto produzido na árvore cristã” (Manuscrito 16, 1892).

4. A permanência do amor (1Co 13:8-13)

Paulo conclui mostrando que o amor é eterno, enquanto os dons espirituais são temporários. “O amor jamais acaba”, escreve Paulo em 1 Coríntios 13:8, mas os dons (profecias, línguas, conhecimento) desaparecerão. Esses dons são necessários apenas em nosso estado terreno e imperfeito, mas deixarão de ser quando alcançarmos o pleno conhecimento na presença de Deus. Em 1 Coríntios 13:12, Paulo lembra aos seus ouvintes que a visão humana, em seu melhor estado, enxerga apenas “como num espelho, de forma obscura”. Ele contrasta essa percepção limitada com a certeza de que veremos “face a face” no reino. Paulo compara nossa compreensão atual a um reflexo embaçado em um espelho; na eternidade, conheceremos plenamente a Deus, e Ele nos conhecerá plenamente. Das três virtudes – fé, esperança e amor –, apenas o amor permanecerá, pois o amor é “o maior” entre elas. Embora a fé e a esperança sejam vitais em nossa vida presente, o amor é a única virtude que continuará para sempre na eternidade.

APLICAÇÃO PARA A VIDA

O discurso de Paulo sobre o amor em 1 Coríntios 13 enfatiza que o amor é o alicerce da fé e dos relacionamentos cristãos. O amor (ou agape) não diz respeito a emoções, atração ou benefício pessoal; trata-se de um princípio abnegado, perseverante e transformador que reflete o amor de Deus por nós. Paulo desafia os crentes a incorporarem esse amor em sua vida diária, fazendo dele a mais elevada virtude, tanto na fé quanto nas ações.

1. Paulo afirma que, mesmo grandes dons espirituais e atos de sacrifício, são inúteis sem amor. Por que você acha que o amor é mais importante do que o conhecimento, a fé ou a generosidade?

2. Você consegue pensar em exemplos de pessoas que fazem “boas ações”, mas sem amor? Como isso afeta o impacto dessas ações?

3. De que forma 1 Coríntios 13 desafia a maneira como definimos sucesso?

4. Qual das descrições do amor (por exemplo, paciência, bondade, não buscar os próprios interesses) mais chama a sua atenção? Por quê?

5. Qual das características acima mencionadas é a mais difícil para você praticar em sua vida diária? Como você pode crescer nessa área?

6. Como você pode praticar o amor agape em situações nas quais não sente vontade de amar (por exemplo, relacionamentos difíceis, desentendimentos, frustrações do dia a dia)?

7. Pense em uma pessoa da sua vida que realmente exemplifica o tipo de amor que Paulo descreve em 1 Coríntios 13. O que você pode aprender com essa pessoa?

8. De que forma compreender o amor de Deus nos ajuda a amar melhor os outros?


O sonho de Enoc - Parte 1

Espanha | Enoc

Enoc sentia que estava vivendo uma vida dos sonhos na Espanha. Ele era coproprietário de uma clínica de fisioterapia com um parceiro de negócios em Barcelona e desfrutava de sua carreira havia mais de 20 anos. Sua esposa, Ingrid, trabalhava como fisioterapeuta em uma casa de repouso adventista do sétimo dia. Eles tinham dois filhos e uma vida confortável.

Então, Enoc não conseguia entender por que continuava sentindo o forte impulso de se tornar pastor adventista. Ele não queria que Deus pensasse que ele estava sendo ingrato pela carreira de sucesso com que havia sido abençoado. Ele não queria dizer: “Obrigado por tudo o que você me deu, mas agora quero me tornar pastor”. Então, ele não orou a Deus sobre esse desejo e nem mesmo contou a Ingrid.

Então veio a pandemia da COVID-19, e ele e seu sócio tiveram que fechar a clínica por cerca de três semanas. Quando reabriram, o desejo de Enoc de se tornar pastor havia se tornado mais forte. Ele sentia que não estava fazendo o suficiente por Deus. Ele falava sobre Jesus com alguns clientes e orava com eles, mas nem todos estavam abertos para ouvir sobre Deus. Enoc ansiava por falar sobre Jesus o tempo todo. Ser fisioterapeuta não parecia suficiente.

Os melhores momentos do dia de Enoc eram com Deus. Ele adorava as devoções matinais e o estudo pessoal da Bíblia. Ele percebeu que tudo o que lia pela manhã muitas vezes era exatamente o que um de seus clientes precisava ouvir naquele dia. Alguns até começaram a pedir que ele orasse por eles.

Ainda assim, Enoc não orou para se tornar pastor. Ele pensava: “Preciso fazer a vontade de Deus, e foi a vontade Dele que me levou à fisioterapia em primeiro lugar”.

Mas todas as noites, ao chegar em casa, Enoc se pegava contando a Ingrid apenas sobre as conversas espirituais e as orações que compartilhava com seus clientes.

Finalmente, Ingrid disse: “Preciso lhe dizer uma coisa. Deus colocou em meu coração que você precisa ir para Sagunto estudar teologia e se tornar pastor”.

O Colégio Adventista de Sagunto é onde os pastores são formados na Espanha.

Quando Enoc ouviu sua esposa expressar os pensamentos que ele guardava para si, a ideia pareceu ainda mais impossível. Ele tinha um negócio. Ele e sua esposa amavam Barcelona. Seus filhos frequentavam uma escola adventista lá. Ele disse a ela: “Se for a vontade de Deus — e não apenas meu desejo — Ele nos mostrará”.

Mas Ingrid não desistiu. Toda semana, ela o lembrava: “Deus continua colocando em meu coração que precisamos ir para Sagunto”.

A cada vez, Enoc respondia: “É impossível. Precisamos de uma casa, empregos e uma nova escola para os meninos. Não devemos perder tempo pensando nisso”.

Um dia, Enoc compartilhou seus sentimentos com seu cunhado, que era pastor. Ele não tinha planejado dizer nada, mas as palavras simplesmente saíram. Seu cunhado prometeu orar, acrescentando: “Se for a vontade de Deus, Ele vai lhe mostrar”.

Então, o pai de Ingrid faleceu, e a família começou a considerar a possibilidade de se mudar para ficar mais perto da mãe dela. Enoc e Ingrid oraram: “Devemos ficar em Barcelona, nos mudar para ajudar a mãe ou ir para Sagunto?”

Ingrid enviou seu currículo para vários lugares na cidade de seu pai, mas ninguém respondeu. Enquanto isso, a clínica de fisioterapia de Enoc em Barcelona estava prosperando. Ele e seu sócio até negociaram a compra de um imóvel vizinho para expandir.

Enquanto finalizavam a papelada, o sócio perguntou de repente: “Por que você não é pastor?”

Enoc ficou chocado. “Do que você está falando?”, disse ele.

“Vejo como você fala sobre Jesus com seus clientes”, disse seu sócio. “É claro que você adora isso. Então, por que você não é pastor?”

Logo depois, Enoc e sua família estavam no Colégio Adventista de Sagunto, onde ele estudava teologia para se tornar pastor. Não era o plano deles. Era o plano de Deus.

Descubra exatamente o que aconteceu na história missionária da próxima semana.

Uma oferta anterior do trimestre, também conhecida como Oferta Trimestral para Projetos Missionários, ajudou a expandir o departamento de teologia do Colégio Adventista de Sagunto, onde Enoc estuda atualmente. Outra oferta ajudou a construir o dormitório feminino, onde Ingrid trabalha agora. Assim como essas ofertas fizeram uma grande diferença na vida de Enoc, Ingrid e outras pessoas, sua oferta neste trimestre pode ajudar a moldar mais vidas para a eternidade. Obrigado por seu generoso apoio aos projetos missionários da Divisão Intereuropeia, que inclui a Espanha.

 

Dicas para a história

• Mostre a Espanha em um mapa. Em seguida, aponte Sagunto, uma cidade perto de Valência, na costa leste. Sagunto recebeu fundos da oferta no primeiro trimestre de 2020 para expandir o departamento de teologia. Outra oferta anterior ajudou a construir um dormitório feminino.

• Pronuncie Enoc da mesma forma que o nome bíblico “Enoque”.

• Assista a um vídeo do YouTube de Enoc falando em inglês em: bit.ly/Enoc-E-EUD.

• Assista a um vídeo do YouTube de Enoc falando em espanhol em: bit.ly/Enoc-S-EUD.


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