Quinta-feira
10 de setembro
Perdoar e esquecer
Ao primogênito José chamou de Manassés, pois disse: “Deus me fez esquecer todo o meu trabalho e toda a casa de meu pai.” Gênesis 41:51

Esquecer não é o mesmo que perdoar. Se você refletir, perceberá que ninguém pode perdoar algo que já esqueceu. Na verdade, quanto mais profunda a ferida e mais persistente a dor das lembranças, maior a necessidade de “liberar o perdão”. É isso que nos permite curar a memória.

Em algumas situações, é sábio esquecer as feridas que os outros nos fizeram. Se forem questões triviais e superficiais, devemos deixá-las de lado e permitir que se curem sozinhas. Não podemos andar pela vida como acumuladores, guardando no porão da mente uma caixa cheia de lembranças dolorosas e sem importância. No entanto, existem feridas mais profundas e graves que exigem tratamento adequado. Caso contrário, elas infeccionarão e envenenarão nossa vida.

Uma vez que perdoamos, podemos esquecer. O que isso realmente significa? A história de José serve como um excelente exemplo.

Seus irmãos o venderam como escravo de forma injusta e traiçoeira. Gênesis 41:51 nos diz que Deus fez José esquecer os problemas e a casa de seu pai, onde ele tanto sofrera. Mas será que ele esqueceu o ódio e as palavras cruéis de seus irmãos? Esqueceu o dia em que lhe tiraram a capa colorida, insultaram-no de várias formas e o lançaram cruelmente em uma cova? E quando se sentaram para comer e o abandonaram à própria sorte, para que morresse de fome? E quando negociaram o preço para vendê-lo como escravo, deixando-o em agonia enquanto ele clamava pela liberdade? Na verdade, José não esqueceu esses momentos. Quando reencontrou seus irmãos, muitos anos depois, lembrou-se de cada um pelo nome, da ordem em que nasceram e de quem foi mais cruel com ele. Então, como ele esqueceu? Esqueceu no sentido de que renunciou à vingança. Depois de provar os irmãos, decidiu oferecer o perdão em lugar da ira que estava associada àquela ferida. José se curou e, portanto, pôde esquecer.

Vivemos em um mundo cruel, onde é inevitável ser ferido. Mas o perdão abre caminho para a cura e a paz. Com a ajuda de Deus, é possível. As cicatrizes permanecerão, mas a dor será superada.