Podemos compreender melhor essa difícil ordem de Jesus por meio de uma história recente sobre atividades missionárias em áreas remotas. John Selwyn, bispo em uma missão na Indonésia, no Pacífico Sul, havia sido um renomado boxeador em seus tempos de estudante no Colégio Eaton e na Universidade de Cambridge.
Certo dia, ele precisou repreender um homem de temperamento explosivo em uma ilha. Irritado com as palavras de Selwyn, o homem cerrou os punhos e golpeou fortemente o bispo no rosto. Selwyn, ainda bastante forte, poderia tê-lo derrubado com um único soco, mas não o fez. Em vez disso, ficou olhando para o agressor, com serenidade. Envergonhado, o homem fugiu para o mato.
O incidente passou quase despercebido. Poucos anos depois, quando Selwyn já havia retornado à Inglaterra, o homem que o havia agredido procurou o bispo que o substituíra para confessar sua fé e ser batizado. Quando lhe perguntaram que nome ele gostaria de receber como cristão, respondeu: “Quero me chamar John Selwyn, porque ele me ensinou como é Jesus.”
O caso de Davi, ao poupar a vida a Saul, é ainda mais conhecido. Seu exemplo nos ensina o princípio de retribuir o mal com o bem. Você certamente se lembra do que aconteceu na caverna. De acordo com a mentalidade da época, Deus havia colocado Saul nas mãos de Davi, que poderia tê-lo matado conforme as leis de guerra. No entanto, Davi não fez isso. Mesmo ao cortar apenas a ponta do manto do rei, sentiu-se culpado e reconheceu que seu gesto não fora correto (1Sm 24:4-16).
Em outra ocasião, Davi e um de seus comandantes entraram no centro do acampamento onde Saul dormia. Mais uma vez, tiveram a chance de matá-lo, mas Davi impediu que isso acontecesse (1Sm 26:8-25).
Que bela atitude teve Davi! Quão diferentes seriam nossas relações se permitíssemos que Deus fosse nossa defesa diante dos inimigos. Se alguém lhe fez mal, siga o conselho de Jesus: perdoe, não cultive o ódio e abandone a vingança. Assim, você estará oferecendo a outra face e se tornará um herói ou uma heroína aos olhos de Deus.