É curioso que, já em seu tempo, Paulo precisou lidar com aqueles que negavam a ressurreição dos mortos. Afinal, as pessoas viam o que a morte faz ao corpo: ele se decompõe, apodrece, resseca e se torna pó – quase nada. Também sabiam que muitos estavam mortos havia muito tempo. Na verdade, a maioria das pessoas permanece morta por muito mais tempo do que viveu.
Do ponto de vista humano, a ressurreição dos mortos não parecia mais plausível para eles do que parece para muitos hoje. E foi exatamente esse o problema que Paulo enfrentou.
No entanto, esse é um tema crucial: se Jesus não ressuscitou, Ele não é quem disse ser, a cruz não teve efeito e nossos pecados não foram pagos. Restaria apenas o desespero. Mas o nosso Senhor ressuscitou, subiu ao Céu e voltará para nos levar para casa!
Nesta semana, vamos nos concentrar em 1 Coríntios 15 e no seu ensino sobre a ressurreição de Cristo. Influenciados pela mentalidade pagã ao redor, alguns em Corinto afirmavam que não há ressurreição. Em resposta, Paulo apresenta a ressurreição de Cristo como nossa única esperança de salvação.
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Paulo iniciou 1 Coríntios 15 destacando o evangelho. Ele fala do evangelho: (1) que pregou aos coríntios; (2) que eles receberam; (3) no qual permaneciam firmes; e (4) pelo qual eram salvos (1Co 15:1, 2). Essa abertura prepara o leitor para o que vem a seguir no capítulo e mostra como a ressurreição de Cristo é fundamental para a nossa salvação (veja Rm 10:9, 10). Sua ressurreição é parte tão essencial da mensagem do evangelho que negá-la contradiz a fé Nele.
1. Leia 1 Coríntios 15:1-4; Lucas 24:44-47; Romanos 1:1-4. O que esses textos têm em comum?
Em 1 Coríntios 15:1 a 4, temos um resumo da mensagem de Paulo. Quer a expressão “segundo as Escrituras” se refira a passagens específicas do Antigo Testamento ou ao conjunto da Bíblia Hebraica, isso não altera o fato: a morte e a ressurreição de Jesus cumprem as promessas de Deus encontradas no Antigo Testamento.
2. Leia 1 Coríntios 15:2, 11. Por que esses versos colocam lado a lado crer e pregar? Que relação existe entre os dois conceitos?
Quem proclama que Cristo ressuscitou precisa, primeiro, crer que Sua ressurreição é um fato histórico. Nesse sentido, 1 Coríntios 15:5 a 8 tem papel decisivo no Novo Testamento: essa passagem apresenta forte evidência bíblica de que Cristo foi visto por inúmeras pessoas após a ressurreição - muitas delas ainda vivas quando Paulo escreveu a carta (1Co 15:6).
Em outras palavras, Paulo diz: “Perguntem a essas pessoas o que elas viram.” Tamanha era sua confiança na realidade da ressurreição de Cristo.
Essas pessoas foram testemunhas oculares. Eram aquilo que Jesus tinha dito que seriam: “testemunhas destas coisas” (Lc 24:48).
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Em 1 Coríntios 15:9 a 19, Paulo mostra quão graves e terríveis são as consequências de negar a ressurreição. Sem ela, os crentes não têm esperança – nem para o presente, muito menos para o futuro.
3. Leia 1 Coríntios 15:9-19. Quais seriam as consequências se Cristo não tivesse ressuscitado?
De modo geral, os pagãos antigos não criam na ressurreição, especialmente no mundo grego, marcado pelo dualismo entre corpo e alma (segundo o qual, na morte, a “alma” se desprende do corpo e vai para onde se supõe que as “almas” dos mortos vão). Paulo começa 1 Coríntios 15:12 com uma pergunta retórica que revela sua perplexidade: “O quê? Como é que alguns de vocês dizem que não existe ressurreição dos mortos?” (1Co 15:12, tradução do autor). Para ele, era inconcebível não crer na ressurreição – até porque havia muitas testemunhas oculares (1Co 15:5-8). Pior ainda: sem a ressurreição, a esperança deles estaria construída sobre uma mentira, e eles a 19 com permaneciam em seus pecados.
Paulo afirma que, se não há ressurreição dos mortos, então: (1) Cristo não ressuscitou (1Co 15:13, 16); (2) nossa pregação é vã (1Co 15:14); (3) nossa fé também é vã (1Co 15:14); (4) somos falsas testemunhas (1Co 15:15); (5) nossa fé é inútil (1Co 15:17); (6) ainda permanecemos em nossos pecados (1Co 15:17); e, naturalmente, (7) os que morreram estão perdidos (1Co 15:18).
Sem a ressurreição, tanto a pregação quanto a fé são “vãs” (1Co 15:14). O termo grego traduzido por “vã”, “vazio” é kenos. Essa tradução é adequada, mas pouco específica. Os estudiosos discutem se kenos significa “vazio” por carecer de verdade (“não é verdadeiro”), de resultado (“sem efeito”) ou de propósito (“sem propósito”, “em vão”).
Seja como for, em um cenário sem ressurreição, a fé é descrita como mataios, “fútil” ou “vã” (1Co 15:17). Embora mataios seja próxima de kenos, a ideia é que, se Jesus não está vivo, a fé é infrutífera – um engano –, porque nossos pecados não foram perdoados (1Co 15:17). Seríamos falsas testemunhas, enganando e sendo enganados (1Co 15:15).
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Se Jesus não estivesse vivo, toda expectativa em relação ao futuro seria uma ilusão (1Co 15:12-19). “Mas, de fato, Cristo ressuscitou dentre os mortos” . Sua ressurreição é um evento histórico. Por isso, podemos estar (1Co 15:20) certos de que todos os que morreram em Cristo ressuscitarão por ocasião de Sua vinda (1Co 15:20-23).
4. Leia 1 Coríntios 15:20-23. O que significa dizer que Jesus é as “primícias”?
O fim desta era maligna será marcado pela ressurreição corporal dos que morreram em Cristo (1Co 15:24; Ap 20:5, 6). Como o último Adão, regará o reino ao Pai, devolvendo-Lhe o domínio deste mundo (1Co 15:25-28). Devemos entender a sujeição de Cristo a Deus (1Co 15:28) à luz do paralelo entre Adão e Cristo. Como o Adão definitivo no plano da redenção (1Co 15:45), Jesus Se submete inteiramente à vontade do Pai – algo que o primeiro Adão não fez.
Em 1 Coríntios 15:29 a 34, Paulo retoma seu pensamento sobre a insensatez de negar a ressurreição. Ele usa a ilustração do batismo, que simboliza a união do crente com Cristo em Sua morte e ressurreição (Rm 6:3, 4; Cl 2:12); negar a ressurreição não faz sentido. O que é difícil de compreender, contudo, é o que Paulo quis dizer com batismo “por causa” dos mortos (1Co 15: 29).
“Há várias tentativas de explicação, mas é melhor interpretar a expressão como uma referência à decisão de algumas pessoas de se batizarem para que pudessem se reunir novamente, na ressurreição, com os entes queridos que já haviam falecido. Também poderia ser que a decisão de ser batizado fosse uma resposta à vida exemplar daqueles que morreram em Cristo. Nesse caso, a expressão se referiria a pessoas que não eram batizadas no lugar dos mortos, mas por causa da influência de pessoas que já haviam morrido” (Comentário Bíblico Andrews, v. 4: “Romanos a Apocalipse” [CPB, 2025], p. 206).
Além disso, arriscar a própria vida seria inútil se não houvesse ressurreição (1Co 15:30-32). Nesse cenário, seria melhor entregar-se aos prazeres deste mundo (1Co 15:32).
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Em 1 Coríntios 15:35 a 39, Paulo passa a tratar, ainda que brevemente, do corpo na ressurreição. Ele abre essa seção com duas perguntas: “Como é que os mortos ressuscitam? E com que corpo virão?” (1Co 15:35). As respostas aparecem em 1 Coríntios 15:36 a 49.
5. Leia 1 Coríntios 15:36-41. Como esse trecho responde às perguntas de 1 Coríntios 15:35?
Paulo usa três comparações para ajudar seus leitores a entenderem o que acontecerá na ressurreição. A primeira (1Co 15:36-38) observa que o corpo é como uma semente que precisa “morrer” (ou deixar de ser semente) para, de modo miraculoso, tornar-se planta. A lição é clara: a ressurreição é um milagre de Deus. A segunda comparação, a analogia dos corpos (1Co 15:39, 40), destaca que, neste mundo, Deus deu tipos distintos de corpos a animais e seres humanos, apropriados ao ambiente atual. Do mesmo modo, nosso corpo será adequado às novas circunstâncias do mundo celestial. Essa ideia prossegue com a analogia do corpo glorioso (1Co 15:40, 41), que enfatiza que a glória do corpo ressuscitado supera imensamente a do corpo anterior, marcado por nossa condição terrena e decaída.
Essa verdade também aparece em quatro contrastes entre o corpo atual e o corpo ressuscitado. O primeiro é terreno, corruptível, fraco e natural; o segundo é celestial, incorruptível, poderoso e espiritual (1Co 15:40-44). Isso não significa ausência de continuidade entre ambos. O uso do termo grego soma (“corpo”) tanto para o corpo sepultado quanto para o corpo ressuscitado indica continuidade. Por outro lado, os quatro contrastes acima apontam descontinuidade: nosso novo corpo – graças ao Senhor – não será o mesmo corpo sujeito à decadência que temos agora.
Paulo não relaciona o termo “espiritual” a uma existência imaterial. Em outra passagem, ele explica que Jesus “transformará o nosso corpo humilhado, tornando-o semelhante ao Seu corpo glorioso” (Fp 3:21, NVI). Teremos corpo real, porém que não se desgasta nem se corrompe. Como tudo o que conhecemos envolve decadência, doença e morte, é difícil imaginar a vida sem essas coisas, mas é exatamente isso que nos é prometido em Cristo.
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6. Leia 1 Coríntios 15:54-57. O que esse trecho nos diz a respeito da nossa vitória definitiva sobre a morte?
Paulo inicia o último parágrafo de 1 Coríntios 15 com uma afirmação intrigante: “A carne e o sangue não podem herdar o reino de Deus” (1Co 15:50). Muitos leitores usam essa declaração para dizer que Paulo defendia uma existência imaterial no Céu. Contudo, o contexto aponta em outra direção. O paralelismo de 1 Coríntios 15:50 sugere que “carne e sangue” corresponde a “corrupção”, bem como “reino de Deus” corresponde a “incorrupção”. Assim como em 1 Coríntios 15:42 a 49, Paulo contrasta o corpo atual (ou mesmo o corpo morto) com o corpo ressuscitado. O corpo sepultado é marcado por corrupção e mortalidade; o ressuscitado, por incorrupção e imortalidade (1Co 15:50, 53, 54). Em resumo, nosso corpo precisa passar por uma transformação radical para herdar o Céu.
Em termos práticos, Paulo usa “corrupção” e “mortalidade” para se referir à nossa natureza pecaminosa. Em escritos judaicos, “carne e sangue” é uma expressão para a humanidade decaída. Por isso, nosso corpo deve ser transformado e purificado de toda imperfeição na volta de Cristo.
Somente quando essa natureza pecaminosa for removida (1Co 15:54) e passarmos pela experiência da glorificação (1Co 15:51-53; 1Ts 4:13-17) se cumprirá a proclamação: “Tragada foi a morte pela vitória” (1Co 15:54). Nesse momento, cantaremos este hino ousado e desafiador: “Onde está, ó morte, a sua vitória? Onde está, ó morte, o seu aguilhão?” (1Co 15:55). Tudo isso ocorrerá na segunda vinda de Cristo (1Co 15:51, 52).
Pense nisto: uma pessoa fecha os olhos na morte e, na sequência, a próxima experiência será a segunda vinda de Cristo, quando Ele a ressuscitará. Não importa quando o crente morreu – mesmo que há milhares de anos –, “num momento, num abrir e fechar de olhos”, voltará à vida “ao ressoar da última trombeta”. Pois a “trombeta soará, os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados” (1Co 15:52).
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Leia, de Ellen G. White, O Grande Conflito [CPB, 2021], “O grande resgate” (p. 527-540).
“A divindade de Cristo é a certeza de vida eterna para aquele que crê. ‘Aquele que crê em Mim’, disse Jesus, ‘ainda que morra, viverá; e quem vive e crê em Mim não morrerá eternamente. Você crê nisso?’ (Jo 11:25, 26, NVI). Cristo estava olhando para o tempo de Sua segunda vinda. Nesse momento, os justos mortos ressuscitarão incorruptíveis, e os vivos serão trasladados para o Céu sem ver a morte. O milagre que Cristo estava prestes a realizar, ao ressuscitar Lázaro dos mortos, representaria a ressurreição de todos os justos mortos” (Ellen G. White, O Desejado de Todas as Nações [CPB, 2021], p. 424).
“A Terra ficou extremamente agitada quando a voz do Filho de Deus chamou os santos que dormiam o sono da morte. Eles respondiam à chamada e saíam revestidos de gloriosa imortalidade, clamando: ‘Tragada foi a morte pela vitória. Onde está, ó morte, a tua vitória? Onde está, ó morte, o teu aguilhão?’ (1Co 15:54, 55). Então os santos vivos e os ressuscitados erguiam a voz em uma aclamação de vitória, longa e arrebatadora. Aqueles corpos que haviam descido à sepultura levando os sinais da enfermidade e da morte surgiam com saúde e vigor imortais. Os santos vivos foram transformados em um momento, num abrir e fechar de olhos, e arrebatados com os ressuscitados; e juntos encontraram seu Senhor nos ares. Que encontro glorioso! Amigos que a morte havia separado foram reunidos, para nunca mais se separarem” (Ellen G. White, História da Redenção [CPB, 2021], p. 288, 289).
Perguntas para consideração
1. A ressurreição de Cristo é parte integrante da mensagem do evangelho (1Co 15:1-4). Sem a ressurreição, a proclamação da morte de Cristo perderia o sentido (1Co 15:14). A própria morte de Cristo seria irrelevante. Por quê? O que sua resposta revela sobre o poder da ressurreição?
2. Reflita na afirmação de Paulo: “Se os mortos não ressuscitam, ‘comamos e bebamos, porque amanhã morreremos’” (1Co 15:32). O que isso significa?
3. Em classe, converse sobre o estado dos mortos. Por que 1 Coríntios 15 não faz sentido se, ao morrer, os salvos fossem levados imediatamente para o Céu?
Respostas às perguntas da semana: 1. Todos apresentam o evangelho centrado no cumprimento das Escrituras, na morte e ressurreição de Cristo. 2. Crer e pregar estão ligados porque a fé nasce da mensagem anunciada e se mantém firme na verdade proclamada. 3. A fé seria inútil, os pecados não estariam perdoados, os mortos em Cristo estariam perdidos, e os cristãos seriam os mais dignos de pena. 4. Significa que a ressurreição de Cristo é a garantia e o início da ressurreição de todos os que lhe pertencem. 5. A ressurreição envolve transformação do corpo, assim como uma semente morre para dar origem a algo diferente e glorioso. 6. Ele afirma que, por meio de Cristo, a morte foi vencida, e os crentes recebem vitória eterna sobre o pecado e o túmulo.
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TEXTO-CHAVE: 1Co 15:14-17
FOCO DO ESTUDO: 1Co 15
ESBOÇO
Introdução: Uma garotinha estava observando a avó plantar bulbos de tulipa no jardim. Confusa, ela perguntou: “Vovó, por que você está enterrando cebolas tão boas?” A avó riu e disse: “Elas não são cebolas, são tulipas! Você as enterra agora, e na primavera elas voltam lindas.” A menina estreitou os olhos, olhando para os bulbos que a avó estava enterrando. “Essas coisas feias morrem e depois voltam todas chiques?” “Exatamente”, disse a avó. A garotinha pensou por um momento e então perguntou: “É isso que acontecerá com a gente quando Jesus nos acordar dos mortos? A gente volta... mais chique?”
Na verdade, essa não é exatamente uma má colocação, e Paulo provavelmente sorriria diante da expressão criativa da garotinha. Em 1 Coríntios 15, Paulo afirma algo radical: a ressurreição é real, e nossos corpos frágeis e “comuns” serão ressuscitados gloriosos – transformados, aperfeiçoados e melhores do que poderíamos imaginar. Essa é a esperança cristã: a morte não é o fim. Para o crente, a morte é apenas um período de espera, ou um sono de hibernação, antes da grande transformação.
Temas da lição: Teologicamente, 1 Coríntios 15 é um dos capítulos mais ricos do Novo Testamento. Ele se concentra principalmente na ressurreição de Cristo e na ressurreição dos crentes por ocasião da segunda vinda de Jesus. Esta lição abordará quatro temas principais presentes nesse capítulo:
1. A ressurreição de Cristo. Paulo começa afirmando a realidade histórica da ressurreição de Cristo, citando as testemunhas oculares (1Co 15:1-11). Essa afirmação é a base da mensagem do evangelho e é essencial para a fé cristã.
2. A ressurreição dos mortos. Paulo argumenta que, se Cristo ressuscitou dentre os mortos, então os crentes também serão ressuscitados (1Co 15:12-34). Ele refuta as alegações de que não há ressurreição, explicando suas implicações equivocadas: sem a ressurreição corporal da morte e do túmulo, a fé é inútil, e os crentes ainda estariam em seus pecados.
3. A natureza do corpo da ressurreição. Paulo então explica com que tipo de corpo os mortos serão ressuscitados (1Co 15:35-49). Ele usa metáforas (como a da semente que morre para se tornar uma planta) para ilustrar a transformação de um corpo perecível em um corpo imperecível e glorificado.
4. A vitória sobre a morte. O clímax deste capítulo é a declaração triunfante de que a morte foi vencida por meio de Cristo (1Co 15:50-57). “Tragada foi a morte pela vitória” (1Co 15:54) é uma frase central, a ressurreição transforma o destino humano. Paulo conclui com uma palavra de encorajamento (1Co 15:58): como a ressurreição é real, os crentes devem permanecer firmes e saber que o seu trabalho no Senhor não é vão.
COMENTÁRIO
1. Contexto
A mensagem de 1 Coríntios 15 contrasta fortemente com as crenças pagãs predominantes na Corinto do primeiro século d.C., uma cidade culturalmente grega, mas filosoficamente diversa. O ensinamento de Paulo sobre a ressurreição chocava-se com a cosmovisão que a cercava.
O pensamento grego (especialmente o platônico) via o corpo como algo inferior ou até mesmo como uma prisão para a alma. Nessa visão, a salvação significava libertar-se do corpo material e entrar em uma existência não corpórea puramente espiritual. Paulo, no entanto, insiste em uma ressurreição corporal – não apenas uma continuidade espiritual, mas uma transformação do físico em algo imperecível. Essa ideia teria sido radical, e até repulsiva, para muitos no cenário intelectual de Corinto.
Muitos gregos acreditavam na imortalidade da alma, mas não na ressurreição. Para eles, a ideia de ressuscitar o corpo soava como um retrocesso, não como libertação. Paulo, porém, afirma o contrário. Ele enfatiza uma visão bíblica holística do ser humano como um todo – e não como um ser que possui uma alma capaz de existir separadamente do corpo. Para Paulo, a ressurreição é a vitória final, na qual até a própria morte é derrotada – não pela libertação do corpo, mas pela transformação do ser humano em sua totalidade.
No paganismo greco-romano em geral, as visões sobre a vida após a morte variavam. Alguns pensadores eram céticos ou agnósticos; outros acreditavam em existências vagas ou sombrias após a morte (como no Hades). Em contrapartida, o ensinamento de Paulo é cheio de esperança e confiança: a ressurreição é certa, gloriosa e física. Ela se fundamenta na própria ressurreição de Cristo, que foi testemunhada e proclamada. As concepções pagãs, por outro lado, muitas vezes levavam a um sentimento de fatalismo – a morte era vista como definitiva ou a vida após a morte era incerta e incapaz de afetar a vida cotidiana.
Paulo encerra o capítulo incentivando à firmeza e ao propósito, lembrando seu público de que “no Senhor, o trabalho de vocês não é vão” (1Co 15:58). A ressurreição dá sentido, esperança e motivação para viver com fidelidade. O ensinamento de Paulo em 1 Coríntios 15 era contracultural – uma ousada confrontação com as suposições intelectuais de Corinto. Em vez de almas desencarnadas flutuando de modo indefinido pelo espaço, Paulo pinta o quadro de uma nova criação, na qual a morte é derrotada e o ser humano é redimido.
2. A ressurreição de Cristo
O trecho de 1 Coríntios 15:1 a 11 é uma passagem fundamental na qual Paulo prepara o cenário para todo o capítulo. Essa seção é ao mesmo tempo pessoal e teológica, pois Paulo reafirma a mensagem do evangelho e enfatiza a ressurreição de Jesus como o seu cerne. Ele começa lembrando aos coríntios o evangelho que eles já conhecem. Não está apresentando algo novo, mas reconectando os crentes àquilo de que corriam o risco de se desviar. Paulo enfatiza que a fé deve ser firme – não apenas um momento passageiro de aceitação, mas uma confiança contínua.
Em 1 Coríntios 15:3 e 4, encontramos um dos primeiros resumos das crenças cristãs no Novo Testamento, baseado nos seguintes quatro elementos históricos centrais:
1. Cristo morreu. Sua morte não foi apenas um martírio, mas ocorreu por causa dos nossos pecados.
2. Ele foi sepultado. Seu sepultamento confirma que Ele realmente morreu.
3. Ele ressuscitou. Sua ressurreição é o milagre central.
4. Todos esses eventos aconteceram de acordo com as Escrituras. Assim, a morte, o sepultamento e a ressurreição de Cristo faziam parte do plano de Deus desde o princípio.
A morte e a ressurreição de Cristo não foram uma questão de opinião ou filosofia – esses eventos pertencem à história real, firmemente ancorados nas Escrituras e nas profecias. A ressurreição foi pública, física e verificável. Em 1 Coríntios 15:9 a 11, Paulo usa a própria história de sua vida como exemplo do poder da ressurreição em ação, demonstrando que a ressurreição não é apenas uma doutrina a ser crida, mas um poder transformador que refaz vidas.
3. A ressurreição dos mortos
Em 1 Coríntios 15:35 a 49, Paulo aborda uma questão importante que os coríntios, influenciados pela filosofia grega, provavelmente tinham a respeito da ressurreição. “Embora a ressurreição corpórea tenha sido o tema central até aqui, o termo ‘corpo’ aparece pela primeira vez neste capítulo e se torna o foco dominante de 15:35 a 49” (Mark Taylor, The New American Commentary: 1 Corinthians, v. 28, ed. E. Ray Clendenen et al. [Nashville, TN: B&H Publishing, 2014], p. 401).
Paulo começa usando uma metáfora agrícola para confrontar uma cosmovisão que menosprezava o corpo físico. A metáfora é a da semente que precisa “morrer” para gerar nova vida. A ressurreição não significa que Deus irá reciclar o corpo atual – significa que Ele o transformará em algo glorioso. Apontando para a diversidade criativa de Deus, Paulo assegura aos leitores que Ele pode nos conceder novos corpos, adequados à nova realidade. Paulo contrasta diretamente nossos corpos atuais com os corpos da ressurreição. Hoje, nós carregamos a imagem do homem terreno (Adão); mas traremos a imagem do Homem celestial (Cristo). Assim como herdamos o corpo frágil de Adão, herdaremos o corpo ressuscitado e glorificado de Cristo. Em última análise, pareceremos menos com Adão e mais com Jesus – em glória, força e uma vida plena do Espírito.
4. A vitória sobre a morte
Depois de explicar a natureza do corpo ressuscitado, na parte final do capítulo (1Co 15:50-58), Paulo proclama a vitória definitiva sobre a morte e a esperança que dela decorre. A expressão “carne e sangue”, no verso 50, refere-se à nossa atual e decadente condição humana – não porque o corpo seja ruim, mas porque precisa ser transformado.
Essa transformação acontecerá na volta de Cristo, quando os crentes – tanto os mortos quanto os vivos – serão instantaneamente transformados. Paulo então usa uma metáfora do vestuário, declarando que precisamos estar “vestidos” para a eternidade. A ressurreição significa ser revestido de imortalidade, não apenas sobreviver à morte, mas ser plenamente restaurado em glória. Combinando citações parciais de Isaías 25:8 e Oseias 13:14, Paulo mostra que a morte foi tragada, não apenas ferida, mas completamente destruída, pela ressurreição de Cristo. O “aguilhão” da morte é como o de uma abelha: ele dói, mas Cristo removeu seu veneno.
O texto de 1 Coríntios 15:56 pode parecer desafiador à primeira leitura, pois relaciona o poder do pecado à lei. Como observa o estudioso do Novo Testamento Mark Taylor: “Paulo não se aprofunda na relação entre a tríade morte, pecado e lei. Sem dúvida, os coríntios ‘entenderiam essa abreviação teológica’ com base em instruções anteriores. Os detalhes são desenvolvidos e preservados para nós em outros textos, especialmente em Romanos 5 a 7. Embora o tom de escárnio de Paulo diante da morte e sua afirmação de vitória estejam no tempo presente, a vitória final aguarda o retorno de Cristo, quando os que Lhe pertencem serão ressuscitados (15:23). Em outras palavras, Paulo contempla a derrota da morte à luz do dia da ressurreição” (The New American Commentary: 1 Corinthians, v. 28, p. 415). Paulo explica que a lei revelou o pecado e, ao fazê-lo, mostrou que a humanidade estava condenada, dando assim ao pecado o seu poder. Sem Cristo, o pecado leva à morte e ao juízo. Com Cristo, o pecado é perdoado e a morte se torna inofensiva. A ressurreição não é apenas uma doutrina teológica – é um motivo de adoração, de esperança e de uma vida sem medo.
APLICAÇÃO PARA A VIDA
O capítulo de 1 Coríntios 15 é crucial no pensamento de Paulo sobre a ressurreição dos crentes por ocasião da segunda vinda de Cristo. As perguntas a seguir têm o propósito de estimular tanto a reflexão teológica quanto a aplicação pessoal:
1. Por que Paulo dá ênfase às testemunhas oculares da ressurreição de Jesus?
2. Como você explicaria a importância da ressurreição a alguém que estivesse questionando a fé cristã?
3. De que maneira a história pessoal de Paulo (1Co 15:9, 10) dá peso à sua mensagem?
4. Quais são as implicações, segundo Paulo, se não houver ressurreição (1Co 15:14-19)?
5. Existem formas pelas quais a cultura moderna reflete dúvidas semelhantes àquelas que os coríntios tinham sobre a ressurreição?
6. Como a ressurreição molda sua compreensão da vida, morte e do que vem depois?
7. De que maneira as metáforas usadas por Paulo (como a semente que se torna uma planta) ajudam você a compreender a ideia de transformação?
8. Como esta passagem o encoraja diante da dor ou da perda?
9. De que forma a crença na ressurreição pode dar propósito e promover um espírito de perseverança e coragem na vida cotidiana?
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O sonho de Enoc - Parte 2
Espanha | Enoc
Retomando a história da semana passada: Enoc sentia que estava vivendo a vida dos sonhos na Espanha. Ele era dono de uma próspera clínica de fisioterapia com um sócio em Barcelona. Sua esposa, Ingrid, trabalhava como fisioterapeuta em uma casa de repouso adventista do sétimo dia. E eles tinham dois filhos que gostavam de frequentar a escola adventista local. Portanto, ele não conseguia entender por que sentia o desejo de ir para o Colégio Adventista de Sagunto e estudar para se tornar pastor. Um dia, enquanto ele e seu sócio finalizavam os documentos para uma grande expansão dos negócios, o sócio perguntou por que ele não era pastor.
Naquela noite, Enoc contou a Ingrid sobre a conversa. No dia seguinte, estava agendado para assinar os documentos.
Ingrid, que havia incentivado Enoc a se tornar pastor por meses, orou desesperadamente: “Deus, não podemos fazer planos com base no Seu silêncio. Podemos seguir em qualquer direção, mas, por favor, faça com que seja a Sua vontade”.
Na manhã seguinte, Enoc acordou para suas devoções pessoais. Depois de ler a Bíblia e orar, ele abriu a Lição da Escola Sabatina dos adultos e folheou até um estudo sobre a fé de Abraão. Ele leu como Deus havia pedido a Abraão que deixasse seu país e fosse para um lugar que Ele lhe mostraria. Enoc orou: “É tão fácil quando Tu falas assim. Acho que todos nós queremos ouvir uma ordem direta de Ti”.
Às 7 horas, o telefone de Enoc tocou. Era o presidente do Colégio Adventista de Sagunto.
“Desculpe-me pelo telefonema tão cedo”, disse o presidente, “mas vi que você já estava online no WhatsApp, então sabia que estava acordado. Preciso lhe perguntar algo”.
“O que está acontecendo?”, disse Enoc.
“Sinta-se à vontade para recusar”, disse o presidente. “Mas preciso perguntar algo que Deus colocou em meu coração. Queremos que você e sua esposa venham para Sagunto. Você seria o preceptor dos meninos, e sua esposa, a preceptora assistente das meninas. Oferecemos um salário e moradia.”
Enoc não podia acreditar no que ouvia. O presidente estava falando com ele exatamente como Deus havia falado com Abraão — diretamente.
Quando o presidente terminou de descrever os cargos, disse: “Ok, agora você pode me dizer não. Sei que você tem seu próprio negócio, mas eu precisava perguntar”.
Enoc lutou para encontrar sua voz. Finalmente, ele conseguiu dizer que havia sonhado em se tornar pastor por anos, mas isso sempre lhe parecera impossível. Agora, o convite do presidente fazia parecer que Deus estava abrindo a porta.
O presidente ficou surpreso.
Após a ligação, Ingrid perguntou o que havia acontecido.
“O presidente do Colégio Adventista de Sagunto acabou de nos ligar”, disse Enoc. “Ele quer que nos mudemos para Sagunto para trabalhar como preceptores.”
Ingrid começou a chorar. Sua oração na noite anterior havia sido para que Deus revelasse Sua vontade. Mas, desde a morte recente de seu pai, seu desejo pessoal era mudar-se para perto de sua mãe.
“Não”, disse Ingrid. “Quero ir para a casa da minha mãe.”
Ela disse a Enoc que precisava de um sinal claro de Deus para se mudar para Sagunto.
“Você não acha que o que acabou de acontecer é suficiente?”, disse Enoc.
“Não, preciso do meu próprio sinal”, respondeu ela.
Enoc e Ingrid oraram. Eles lembraram a Deus que Gideão havia recebido não um, mas dois sinais com o velo em Juízes 6 e pediram a Deus que fizesse o mesmo por eles.
Na manhã seguinte, enquanto dirigia para o trabalho, Ingrid orou. Ela se lembrou de um jogo de tabuleiro bíblico que ela e Enoc haviam criado durante o confinamento da COVID. Eles o haviam enviado ao departamento de jovens da Igreja Adventista na Espanha, mas não haviam recebido resposta por meses. Ela orou: “Se o diretor de jovens entrar em contato comigo sobre o jogo, vou considerar isso um sinal de que devemos ir para Sagunto”.
Então ela reconsiderou. “Isso é pedir demais”, disse ela a Deus. “Não falamos há tanto tempo. Não preciso que ele ligue. Só preciso que o Senhor deixe claro que essa é a Tua vontade.”
Trinta minutos depois, o diretor de jovens enviou uma mensagem para o celular dela. Ele escreveu: “Não tenho nada concreto a dizer sobre o jogo. Só queria que você soubesse que ainda estamos analisando a situação. É só isso”.
Ingrid ligou para Enoc. “Vamos para Sagunto”, disse ela.
“O que aconteceu?”, ele perguntou.
“Contarei para você hoje à noite, em casa.”
Hoje, Enoc e Ingrid moram e trabalham no Colégio Adventista de Sagunto. Seus dois filhos estudam em uma escola adventista no mesmo campus. Enoc, que vendeu sua parte na clínica de fisioterapia, está estudando teologia e falando com alegria sobre Jesus em tempo integral.
“Decidimos estar sempre prontos para ouvir a voz de Deus, Sua vontade e tudo o que Ele nos pedir para fazer”, disse Enoc. “Nossas vidas não nos pertencem. Deus nos trouxe até aqui e, a partir de agora, iremos aonde Ele nos enviar.”
Parte de uma oferta anterior do trimestre, também conhecida como Oferta Trimestral para Projetos Missionários, foi destinada ao Colégio Adventista de Sagunto para expandir seu departamento de teologia, onde Enoc estuda. Outra oferta anterior ajudou a construir o dormitório feminino, onde Ingrid trabalha. Assim como essas ofertas fizeram uma diferença transformadora na vida de Enoc, Ingrid e outros, sua oferta neste trimestre pode ajudar a moldar muitas vidas para a eternidade. Obrigado por sua generosa oferta aos projetos missionários da Divisão Intereuropeia, que inclui a Espanha.
Dicas para a história
• Mostre a Espanha em um mapa. Em seguida, indique Sagunto, uma cidade perto de Valência, na costa leste. Sagunto recebeu parte da oferta no primeiro trimestre de 2020 para expandir seu departamento de teologia. Outra oferta anterior ajudou a construir um dormitório feminino.
• Pronuncie Enoc da mesma forma que o nome bíblico “Enoque”.
• Assista a um vídeo do YouTube de Enoc falando em inglês em: bit.ly/Enoc-E-EUD.
• Assista a um vídeo do YouTube de Enoc falando em espanhol em: bit.ly/Enoc-S-EUD.

