Lição 9
22 a 28 de agosto
Ministério movido pelo amor | 3º Trimestre 2026
Sábado à tarde
Ano Bíblico: RPSP: SL 15
Verso para memorizar: “Porque lhes escrevi no meio de muitos sofrimentos e angústia de coração, com muitas lágrimas, não para que vocês ficassem tristes, mas para que soubessem do amor que tenho por vocês” (2Co 2:4).
Leituras da semana: 2Co 1:3-14; 2:17; 2:5-17; 4:2; 7:5-13; 1Co 16:5-7

O apóstolo Paulo esteve longe de ter uma vida fácil. Além das prisões e situações de risco que enfrentou, ele escreveu: “Cinco vezes recebi dos judeus trinta e nove açoites. Três vezes fui golpeado com varas, uma vez apedrejado, três vezes sofri naufrágio, passei uma noite e um dia exposto à fúria do mar. Estive continuamente viajando de uma parte a outra, enfrentei perigos nos rios, perigos de assaltantes, perigos dos meus compatriotas, perigos dos gentios; perigos na cidade, perigos no deserto, perigos no mar, e perigos dos falsos irmãos. Trabalhei arduamente; muitas vezes fiquei sem dormir, passei fome e sede, e muitas vezes fiquei em jejum; suportei frio e nudez. Além disso, enfrento diariamente uma pressão interior, a saber, a minha preocupação com todas as igrejas” (2Co 11:24-28, NVI).

Nas cartas aos coríntios, percebemos parte dessa preocupação profunda que Paulo nutria por aquela igreja. Ainda assim, no meio de tudo isso, ele não deixou de amá-los – assim como o amor de Cristo por nós nunca falha. Com o próprio Jesus, Paulo aprendeu a amar as igrejas à semelhança de Cristo (2Co 5:14; veja 1Co 11:1).

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Domingo, 23 de agosto
Ano Bíblico: RPSP: SL 16
Ação de graças

1. Leia 2 Coríntios 1:3-7. Por que Paulo manifesta gratidão nesse trecho?

A gratidão de Paulo se concentra no consolo que Deus concede aos que sofrem. Nesse parágrafo, o verbo “consolar” (parakaleo) e o substantivo “consolo” (paraklesis) aparecem juntos dez vezes – cerca de um terço de todas as ocorrências desses termos em 2 Coríntios (29 vezes). Deus é apresentado como o “Pai de misericórdias e Deus de toda consolação”, que “nos consola em toda a nossa tribulação” (2Co 1:3, 4).

Não devemos reter para nós o consolo que recebemos de Deus (2Co 1:4, 5). Somente o coração aflito que foi alcançado pela consolação divina está apto a consolar, de forma eficaz, os que também passam por aflições.

Paulo podia consolar outros porque, em meio aos próprios sofrimentos, recebeu consolo de Deus: “Se somos atribulados, é para o consolo e a salvação de vocês; se somos consolados, é também para o consolo de vocês” (2Co 1:6, ênfase acrescentada). Isso é amor!

2. Pelo que Paulo dá graças em 2 Coríntios 1:8-11?

Paulo fala de uma aflição “acima das nossas forças”, que o levou, junto com seus companheiros, a temer que não sobrevivessem (2Co 1:8). Por um momento, a ressurreição lhes pareceu a única esperança. Mas Deus os livrou, e o cenário mudou (2Co 1:10). Do temor da morte (2Co 1:8), eles passam à esperança implícita de que Deus os livraria novamente (2Co 1:10). As vitórias divinas no passado nos dão confiança de que Ele agirá da mesma forma no futuro. Deus Se vale das aflições para nos ensinar a confiar Nele. As dificuldades da vida podem nos conduzir à maturidade espiritual, à medida que permitimos que nos aproximem do Senhor. A ação de graças de Paulo também evidencia o poder da intercessão e a gratidão que experimentamos pelo livramento divino (2Co 1:11).

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O que tem ajudado você a lidar com o sofrimento que, de uma forma ou de outra, todos enfrentamos?
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Segunda-feira, 24 de agosto
Ano Bíblico: RPSP: SL 17
Simplicidade e sinceridade

Ontem, aprendemos que o amor de Paulo pelos coríntios se manifestava no consolo que lhes oferecia em meio às aflições, assim como ele próprio era consolado por Deus nas suas aflições (2Co 1:1-11). Hoje, veremos que esse amor também se expressava pela integridade com que ele e seus colaboradores tratavam os membros da igreja em Corinto.

3. Leia 2 Coríntios 1:12-14 à luz de 2 Coríntios 2:17; 4:2. Como a sinceridade de Paulo revela seu amor pelos coríntios?

O trecho de 2 Coríntios 1:12 a 14 apresenta a tese que Paulo desenvolveu no restante da carta. Sua integridade e seu apostolado haviam sido questionados por alguns em Corinto. Julgavam-no vacilante e indeciso – algo, segundo pensavam, incompatível com o ministério apostólico. Em resposta, Paulo enfatiza que ele e seus companheiros se conduziram entre os coríntios com a máxima integridade.

Duas palavras descrevem a conduta de Paulo e de seus associados: “simplicidade” e “sinceridade” (2Co 1:12). A primeira traduz o termo grego haplotes, usado aqui para indicar integridade pessoal no falar e no agir – em resumo, pureza de motivos (Ef 6:5; Cl 3:22). Já “sinceridade” traduz eilikrineia, que também aponta para integridade e pureza de intenções.

Os coríntios não deveriam ter duvidado da transparência das intenções de Paulo. Ele deixa claro que sua simplicidade e sinceridade tinham origem em Deus – eram qualidades “provenientes de Deus” (2Co 1:12, NVI). No mesmo verso, Paulo ainda afirma que esses traços ministeriais nos são concedidos pela “graça divina”.

Ao que tudo indica, opositores de Paulo distorceram suas palavras escritas em cartas anteriores (2Co 1:13, 14). O apóstolo garantiu que suas intenções eram transparentes e compreensíveis. Ele tinha plena certeza de que a retidão de suas palavras, intenções e ações seria plenamente esclarecida “no Dia de Jesus, nosso Senhor” (2Co 1:14).

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Que experiências você já teve ao ver suas motivações – por mais bem-intencionadas e sinceras – serem questionadas? O que isso nos ensina sobre o cuidado necessário ao avaliar as intenções de outras pessoas?
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Terça-feira, 25 de agosto
Ano Bíblico: RPSP: SL 18
Mudando os planos por amor

Vimos que alguns em Corinto duvidavam das intenções e do amor de Paulo. Hoje, veremos uma razão específica para isso: a mudança em seus planos de viagem (2Co 1:15–2:4).

4. Leia 1 Coríntios 16:5-7. Qual era o plano original de viagem de Paulo?

Paulo já estivera em Corinto antes. Conforme 1 Coríntios 16:5 e 6, ele planejava passar pela Macedônia a caminho de Corinto e, quem sabe, passar o inverno ali. De Corinto, seguiria para a Judeia levando a oferta recolhida na Macedônia para os pobres de Jerusalém. Contudo, ele mudou os planos por causa de um relatório preocupante que Timóteo havia trazido de Corinto (1Co 4:17; 16:10; 2Co 1:1).

Paulo pretendia ir diretamente de Éfeso a Corinto e, ali, tratar dos problemas relatados por Timóteo. O novo itinerário seria: Éfeso – Corinto – Macedônia – Corinto – Judeia (2Co 1:15, 16). Ele chegou a ir de Éfeso a Corinto, mas depois retornou a Éfeso. Seus planos mudaram. Ele não voltou a Corinto conforme previsto, pelo menos não de imediato, porque sua última visita não fora bem-sucedida. Assim, regressou a Éfeso e optou por escrever-lhes uma carta. Preferiu escrever a arriscar-se a agravar a situação com outra visita (2Co 2:1, 3).

Suas intenções na última visita tinham sido mal interpretadas. Alguns em Corinto afirmavam que Paulo era pouco confiável e que não os amava o suficiente (2Co 1:17). Em resposta, ele direcionou o olhar dos coríntios para o evangelho de Cristo. Ele era fiel ao propósito de visitá-los na melhor oportunidade, assim como Deus tinha sido fiel ao cumprir Suas promessas por meio de Cristo (2Co 1:18-22). “Pois, em Cristo, cada uma das promessas de Deus é ‘sim’. Por essa razão, por meio Dele dizemos ‘Amém’ para a glória de Deus” (2Co 1:20, NVI).

Portanto, a resposta de Paulo não era uma mistura confusa de “sim” e “não”, sujeita às circunstâncias, como diziam; mas foi sempre “sim”, do mesmo modo que a obra de Deus em Cristo é sempre “sim” (2Co 1:19).

Em resumo, o motivo pelo qual Paulo optou por escrever à igreja, e não a visitar, foi seu sincero amor por eles – e não o contrário (2Co 2:4). Outra visita logo após a “visita dolorosa” apenas aumentaria a dor, em vez de produzir a alegria que ele pretendia promover (2Co 1:24; 2:3). Quão facilmente suas boas intenções foram mal interpretadas!

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Quarta-feira, 26 de agosto
Ano Bíblico: RPSP: SL 19
Perdão e reafirmação do amor

Em vez de visitar os coríntios uma segunda vez, Paulo, ao retornar a Éfeso, enviou o que ficou conhecido como a “carta severa” (veja 2Co 2:3, 4; 7:8, 12).

5. Leia 2 Coríntios 7:5-13. Que frutos trouxe o que Paulo escreveu, e como o apóstolo reagiu ao saber disso?

Paulo e Tito se encontraram depois na Macedônia, onde o apóstolo ouviu de Tito a excelente notícia de que suas palavras firmes tinham produzido bons frutos – o que encheu seu coração de alegria. Se antes alguns em Corinto se colocavam contra Paulo, agora a igreja estava ao seu lado. Como é importante apoiar nossos líderes! Como membros da igreja, podemos tornar o trabalho deles muito mais leve.

6. Leia 2 Coríntios 2:5-11. Qual é a ideia central desse trecho?

O texto trata de um caso de disciplina na igreja. Os estudiosos debatem se o ofensor mencionado é o homem de 1 Coríntios 5:1 a 5 ou outra pessoa – alguém que influenciou a comunidade nas acusações de que Paulo teria sido inconstante e pouco atencioso ao definir seus itinerários. O contexto parece favorecer essa segunda hipótese. De todo modo, o ensino principal do trecho é mostrar como a igreja deve lidar com alguém que está em pecado.

Aqui aprendemos que o propósito da disciplina eclesiástica é a restauração por meio do perdão e da reafirmação do amor ao pecador (2Co 2:6-8, 10). O texto também indica que a disciplina pode ser dolorosa, mas é necessária. Algumas igrejas, embora bem-intencionadas e desejosas de destacar a graça, acabam nunca confrontando pecados evidentes – até públicos. Outras, por sua vez, podem ser rígidas, implacáveis e duras. O pecado precisa ser tratado, mas com amor. Por isso Paulo pôde exortar a igreja a reafirmar seu amor pelo ofensor (2Co 2:8), pois ele mesmo amava a igreja (2Co 2:4).

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A igreja de Corinto poderia amar o ofensor (2Co 2:8) porque ela própria havia sido alvo do amor de Deus, expresso no amor de Paulo por ela. O que isso nos ensina sobre o amor?
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Quinta-feira, 27 de agosto
Ano Bíblico: RPSP: SL 20
Triunfo em Cristo

7. Leia 2 Coríntios 2:12, 13. Para onde Paulo foi depois de escrever a “carta severa” aos coríntios? O que ele fez lá?

O coração de Paulo estava apreensivo enquanto aguardava Tito (2Co 7:5, 6). Ainda assim, ele não conseguia deixar de falar de Jesus (2Co 2:12) – tamanha era sua paixão por Cristo. Naquele momento, porém, ele ainda não sabia qual tinha sido a repercussão da carta. Estava ansioso para encontrar Tito e ouvir como os coríntios haviam reagido.

A obra em Trôade tinha sido bem-sucedida, mas “ele não permaneceu ali por muito tempo. ‘A preocupação com todas as igrejas’ (2Co 11:28), e particularmente com a igreja de Corinto, pesava em seu coração. Esperava encontrar Tito em Trôade e ouvir dele como os irmãos de Corinto haviam reagido às palavras de conselho e reprovação que lhes enviara; mas ficou decepcionado. ‘Não tive [...] tranquilidade no meu espírito’, escreveu com relação a essa experiência, ‘porque não encontrei o meu irmão Tito’ (2Co 2:13). Por isso, deixou Trôade e atravessou para a Macedônia, onde encontrou Timóteo, em Filipos” (Ellen G. White, Atos dos Apóstolos [CPB, 2021], p. 206).

8. Leia 2 Coríntios 2:14-17. Qual foi a reação de Paulo ao encontrar Tito na Macedônia e ouvir sobre a resposta positiva dos coríntios?

Tomado de alegria, Paulo afirma que Deus, “em Cristo, sempre nos conduz em triunfo” (2Co 2:14). Que declaração admirável! Um coração cheio da presença de Cristo espalha a “fragrância do Seu conhecimento em todos os lugares” (2Co 2:14).

Paulo exulta em Cristo porque aquela carta dolorosa produziu os frutos que ele desejou colher (2Co 7:5-9). Ao mesmo tempo, em 2 Coríntios 2:17, ele reafirma sua sinceridade como apóstolo de Cristo (veja 2Co 1:12). Segundo esse verso, o que distingue um servo fiel de Cristo de um falso ministro é que, enquanto este último comercializa o evangelho visando interesses próprios, o primeiro prega a Palavra de Deus movido por amor sincero a Cristo.

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O que motiva você em tudo o que faz, especialmente quando o faz em nome de Jesus?
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Sexta-feira, 28 de agosto
Ano Bíblico: RPSP: SL 21
Estudo adicional

Leia, de Ellen G. White, Atos dos Apóstolos [CPB, 2021], “A mensagem atendida” (p. 206-213).

“Os que têm suportado as maiores tristezas são frequentemente os que transmitem aos outros o maior conforto, levando a luz do Sol aonde quer que vão. Essas pessoas foram purificadas e sensibilizadas por suas aflições; não perderam a confiança em Deus quando assaltadas pelas dificuldades, mas se apegaram mais intimamente ao Seu protetor amor. São uma prova viva do terno cuidado de Deus” (Ellen G. White, Mensagens Escolhidas [CPB, 2023], v. 2, p. 228).

“Uma vida cristã consagrada está sempre derramando luz, consolo e paz. Caracteriza-se pelo tato, pela pureza, simplicidade e utilidade. É dirigida por aquele amor abnegado que santifica a influência. Está repleta de Cristo e deixa um rasto de luz por onde quer que passe seu possuidor” (Ellen G. White, Patriarcas e Profetas [CPB, 2022], p. 594).

“O apóstolo Paulo achou necessário reprovar o erro na igreja, mas não perdeu o domínio próprio ao reprovar o erro. Explica ansiosamente a razão para sua atitude. Quão cuidadosamente ele se esforçava para deixar a impressão de que era amigo dos faltosos! Fazia-os entender que lhe era doloroso causar-lhes dor. Deixava-lhes na mente a impressão de que seu interesse estava identificado com o deles” (“Comentários de Ellen G. White”, em Comentário Bíblico Adventista, v. 6, p. 1.219).

Perguntas para consideração

1. Em 2 Coríntios 2:1 a 14, Paulo reafirma a integridade de seu ministério. Por que essa qualidade é tão essencial?

2. Paulo mudou seus planos de viagem. Que lições esse fato traz sobre a necessidade de flexibilidade no ministério cristão? Por que é importante permanecer aberto a ajustes quando as circunstâncias exigem?

3. Paulo enfrentou angústia e ansiedade no exercício do ministério, mostrando que líderes de igreja são tão humanos quanto qualquer um. O que os membros da igreja podem fazer para aliviar a carga deles?

Respostas às perguntas da semana: 1. Porque Ele o consolou em suas aflições, capacitando-o a consolar outros com o mesmo consolo recebido. 2. Porque Deus o livrou de uma situação extrema de morte e usou as orações da igreja para preservar sua vida. 3. Ele agiu com transparência e fidelidade à Palavra, sem engano ou interesses pessoais. 4. Paulo planejava passar pela Macedônia e depois permanecer algum tempo com os coríntios. 5. A carta produziu tristeza segundo Deus, arrependimento e restauração, e Paulo se alegrou profundamente ao saber desses resultados. 6. Paulo ensina que o ofensor arrependido deve ser perdoado e restaurado, para que Satanás não leve vantagem. 7. Paulo foi a Trôade, onde pregou o evangelho, mas seguiu adiante por não encontrar Tito. 8. Paulo reagiu com gratidão e louvor a Deus, celebrando o triunfo de Cristo e o bom testemunho produzido pelo ministério apostólico.

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Resumo da Lição 9
Ministério movido pelo amor | 3º Trimestre 2026

TEXTO-CHAVE: 2Co 2:4

FOCO DO ESTUDO: 2Co 1:3-14; 2:1-17

ESBOÇO

Introdução: Em uma pequena vila, uma mulher chamada Anna administrava uma padaria. Todas as manhãs, ela enchia o ar com o aroma de pães recém-assados e especiarias quentes. O cheiro se espalhava pelas ruas, atraindo as pessoas. Alguns vinham avidamente para comprar; outros apenas apreciavam a fragrância acolhedora enquanto passavam.

No entanto, nem todos apreciavam aquele aroma. Um vizinho, o senhor Grayson, achava o cheiro insuportável e vivia reclamando. “Esse cheiro está em toda parte! Não consigo escapar dele!”, resmungava ele.

Certo dia, durante uma forte tempestade de inverno, a energia acabou na vila. Muitos estavam com frio e com fome, mas a padaria de Anna tinha um forno a lenha. Ela abriu as portas, oferecendo calor e alimento a quem precisasse. As pessoas seguiram a conhecida fragrância, sabendo que ela as conduziria a um lugar de aconchego e nutrimento.

Até o senhor Grayson, que antes reclamava, acabou sendo atraído. Ao receber um pão quente, percebeu que o mesmo aroma que ele tanto desprezara agora era o que o sustentava.

O cristianismo é mais do que crenças fundamentais ou reflexões teológicas. Ele envolve pessoas, comunidades e um Deus que está conosco tanto nos momentos mais sombrios quanto nos mais altos montes de sucesso. Na segunda epístola aos coríntios, podemos aprender muito sobre a vida e o ministério de Paulo por meio de sua interação com a igreja. Percebemos, mais uma vez, que mais do que nossas palavras, são nossas atitudes e relacionamentos que comunicam a fragrância de Cristo e atraem um mundo sedento de esperança.

Temas da lição: A lição desta semana destaca diversos temas importantes, entre eles:

1. O consolo de Deus no sofrimento. Deus nos conforta em momentos de aflição e nos capacita a consolar outros (2Co 1:3-7).

2. Confiar em Deus, não em nós mesmos. O sofrimento nos ensina a depender de Deus (2Co 1:8-11).

3. Integridade e fidelidade no ministério. O ministério cristão deve ser sincero e refletir a fidelidade de Deus (2Co 1:12-14, 17-22).

4. Perdão e restauração. O ministério movido pelo amor busca a reconciliação, não a condenação (2Co 2:5-11).

5. A fragrância de Cristo. Nossa vida deve espalhar a mensagem de Cristo como uma boa fragrância, mesmo que alguns a rejeitem (2Co 2:14-17).

COMENTÁRIO

1. Contexto

A autoria paulina da segunda carta aos coríntios nunca foi seriamente questionada e foi reconhecida como autêntica pelos primeiros pais da igreja, incluindo Policarpo (ca. 155 d.C.), Irineu (ca. 185 d.C.), Clemente de Alexandria (ca. 200 d.C.) e Tertuliano (ca. 210 d.C.). No entanto, como observam alguns estudiosos, 2 Coríntios “é certamente a carta paulina com o conjunto mais complexo de elementos históricos, sociais e comunitários por trás de si” (Philip Towner, “Corinthians, Second Letter To”, em The New Interpreter’s Dictionary of the Bible, ed. K. Doob Sakenfeld [Nashville, TN: Abingdon Press, 2006], v. 1, p. 744).

Uma das razões para essas complicações são as transições pouco suaves entre os temas e as mudanças abruptas de tom. É possível que a carta tenha sido escrita ao longo de um período estendido, enquanto Paulo viajava pela Macedônia (2Co 2:1-12), enfrentando circunstâncias variáveis e, talvez, recebendo novas informações sobre a igreja. Essas condições e notícias adicionais podem ter resultado na inclusão de novos temas que parecem desconectados dos mencionados anteriormente.

2. Um ministério movido pelo amor

Em 2 Coríntios 1 e 2, Paulo destaca várias características essenciais de um ministério movido pelo amor. Suas experiências pessoais, incluindo sofrimento, perdão e sinceridade, demonstram como o verdadeiro ministério cristão deve ser motivado pelo amor de Deus, e não por ganho pessoal ou status. As seguintes subcategorias podem ser encontradas no texto bíblico e discutidas em grupo na Escola Sabatina:

a. Compaixão e consolo (2Co 1:3-7): Paulo descreve Deus como o “Pai das misericórdias” e o “Deus de toda consolação” (2Co 1:3). A compaixão (ou misericórdias) e o consolo são exatamente o que Paulo recebeu de Deus em meio às suas próprias provações. Assim, o apóstolo pôde estender essa mesma misericórdia às pessoas ao seu redor, incluindo as igrejas sob seu cuidado. Um ministério movido pela compaixão oferece consolo aos outros, assim como Deus nos consola em nosso sofrimento (2Co 1:4). O ministério não consiste em poder ou controle, mas em compartilhar a dor das pessoas e apontá-las para Cristo. Paulo lembra aos coríntios que seus próprios sofrimentos o capacitaram a compreender melhor e a servir àqueles que sofrem (2Co 1:6).

b. Dependência de Deus, e não de si mesmo (2Co 1:8-11): Nesta segunda parte do prólogo (ou seção de saudação), Paulo recorda um momento em que esteve sob extrema pressão, além de suas forças, chegando até a se desesperar com a própria vida (2Co 1:8). Em vez de confiar em si mesmo, ele depositou sua confiança em Deus, que tem poder para ressuscitar os mortos (2Co 1:9). A linguagem da ressurreição é usada aqui para mostrar que Deus é capaz de realizar (e de fato realiza) o impossível quando confiamos Nele. Um ministério movido pelo amor depende do poder de Deus, não da capacidade humana. Paulo convida seu público (e também a nós) a não agir como se tivesse todas as respostas, mas a direcionar as pessoas a confiar em Deus, que liberta Seus filhos das provações (2Co 1:10).

c. Integridade e sinceridade (2Co 1:12-14): Paulo insiste que seu ministério foi conduzido com santidade, sinceridade e transparência, não segundo a sabedoria do mundo, mas pela graça de Deus (2Co 1:12). Ele se defende das acusações de ser inconstante ou pouco confiável, assegurando aos coríntios que não houve engano de sua parte ao mudar seus planos de viagem (2Co 1:15-18). Essa integridade e sinceridade têm como base a fidelidade de Deus e se tornam evidentes na pregação cristocêntrica de Paulo, conforme mencionado em 2 Coríntios 1:20: “Porque todas as promessas de Deus têm Nele o ‘sim’. Por isso, também por meio Dele se diz o ‘amém’ para glória de Deus, por meio de nós”. Um ministério movido pelo amor não manipula nem engana, mas age com honestidade e integridade.

d. Fidelidade às promessas de Deus (2Co 1:18-22): Paulo enfatiza que as promessas de Deus são sempre “sim” em Cristo (2Co 1:20). Um ministério movido pelo amor concentra-se na fidelidade de Deus, e não nas inconsistências humanas. A atuação do Espírito Santo descreve três atividades principais. Primeiro, Ele “confirma” o crente (2Co 1:21); o verbo usado aqui está no presente, o que sugere um efeito contínuo. Em seguida, o crente é “ungido” para compartilhar as boas-novas com o mundo, assim como um sacerdote ou levita faria no Antigo Testamento. Por fim, o Espírito “sela” os crentes em seu coração como propriedade de Deus (2Co 1:22), assegurando-lhes Seu compromisso. Paulo descreve esse selo como uma “garantia” (ou penhor, do grego arrab?n) (2Co 1:22), de modo que o crente possa ter plena certeza da fidelidade de Deus e de Suas promessas imutáveis.

e. Perdão e reconciliação (2Co 2:5-11): Paulo convida os coríntios a perdoar e restaurar um membro arrependido da igreja que havia causado tristeza (2Co 2:6, 7). Uma igreja movida pelo amor busca a reconciliação, e não o castigo ou a vingança. Em seguida, Paulo adverte que um espírito não perdoador dá a Satanás uma brecha para agir dentro da igreja (2Co 2:11). Em vez de guardar rancor, um ministério movido pelo amor procura restaurar relacionamentos quebrados com graça e misericórdia.

3. A fragrância de Cristo (2Co 2:14-17)

O odor comunica de forma não verbal. Por exemplo, maus cheiros nos afastam, enquanto bons aromas nos atraem e despertam emoções profundas. A fragrância de um prato favorito pode evocar lembranças há muito esquecidas, trazendo à mente o lar, a família ou celebrações especiais. Os aromas tinham grande importância no contexto cultural do mundo bíblico, pois muitas vezes funcionavam como uma extensão da personalidade daquele que os portava. No Antigo Testamento, sacerdotes e reis (bem como o santuário) foram ungidos, e a composição do óleo da unção produzia uma fragrância marcante (compare com Êx 30:22-33), contendo canela, mirra, cálamo e cássia. Era também comum o rito de unção de pessoas ou lugares específicos para consagrá-los a Deus. Eles agora exalavam essa fragrância.

Paulo usa a metáfora da fragrância em conexão com uma procissão triunfal (associando-a, na mente de seu público, às conhecidas procissões triunfais romanas). Durante esses triunfos, apresentavam-se evidências da vitória. Para Paulo, a igreja de Corinto – com todas as suas fragilidades e desafios internos – era a prova do sucesso de sua proclamação em meio às provações (2Co 2:14). Além disso, para Paulo, os crentes eram “uma oferta de incenso cuja fragrância, que se espalha em todos os lugares, é o conhecimento da salvação em Cristo” (“2 Coríntios”, em Comentário Bíblico Andrews [CPB, 2025], p. 226). O ministério deve atrair as pessoas a Cristo, assim como uma doce fragrância enche um ambiente. No entanto, para alguns, o evangelho é uma ofensa, como o cheiro da morte (2Co 2:16).

APLICAÇÃO PARA A VIDA

Um ministério movido pelo amor pode alcançar aqueles que anseiam por esperança. Esse tipo de ministério requer compaixão, integridade, sinceridade e fidelidade às promessas de Deus. Em última análise, aqueles que encontraram Jesus e foram transformados por Ele tornam-se como uma fragrância que atrai outros em busca de salvação. Os capítulos iniciais da segunda carta de Paulo aos coríntios introduzem esse tipo de ministério, enquanto o apóstolo defende a legitimidade de seu próprio ministério. Com base em 2 Coríntios 1 e 2, discutam as seguintes perguntas em seu grupo da Escola Sabatina:

1. Por que a compaixão e a graça são essenciais para um ministério movido pelo amor? Que exemplos podemos encontrar nas Escrituras que ilustram essas características?

2. Muitos de nós não gostamos de depender dos outros. Por que é importante aprender a depender uns dos outros em nossas igrejas?

3. Paulo destaca repetidamente a transparência e a integridade em seus relacionamentos com igrejas e indivíduos. Por que a integridade é tão importante em nossos relacionamentos?

4. Qual é a importância das promessas de Deus em sua vida? Como você explicaria a um amigo não cristão que as promessas de Deus são dignas de confiança?

5. Mahatma Gandhi teria dito: “Os fracos jamais perdoam. O perdão é um atributo dos fortes”. Por que o perdão é essencial em nossos relacionamentos - dentro e fora da igreja?

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O inalcançável alvará de construção

Bulgária | Marian

Para construir qualquer tipo de edifício na Bulgária, é necessário um alvará.

O alvará é emitido pela prefeitura.

Como a Igreja Adventista do Sétimo Dia planejava abrir uma grande igreja na capital do país, Sófia, era necessário obter um alvará assinado pelo arquiteto-chefe da cidade.

Para obter a assinatura, era necessário marcar uma reunião para se encontrar pessoalmente com o arquiteto-chefe. Mas ele não estava disponível todos os dias. Ele ia ao escritório para assinar os alvarás uma tarde por mês.

Além disso, as reuniões só podiam ser agendadas por telefone. Não era permitido agendar pessoalmente.

Coube a Iva, secretária do escritório da Igreja Adventista do Sétimo Dia na Bulgária, ligar para a secretária do arquiteto-chefe para solicitar uma reunião.

A tarefa não era simples. Quando Iva ligou durante o primeiro mês, a linha telefônica estava constantemente ocupada. No segundo mês, a linha estava livre, mas ninguém atendia. No terceiro e quarto meses, estava ocupada novamente.

Finalmente, o presidente da Igreja Adventista na Bulgária foi pessoalmente ao escritório do arquiteto-chefe para explicar a situação.

“Você não pode marcar uma reunião vindo aqui”, disse a secretária. “Você precisa ligar.”

Então, o presidente ligou para Iva do escritório do arquiteto-chefe e disse: “Estou no escritório. Por favor, ligue para a secretária dele agora”.

Iva ligou e ligou, mas ninguém atendeu. O telefone tocou e tocou. O presidente podia ouvir. A secretária podia ouvir, mas ninguém atendeu.

Frustrada, Iva ligou para o presidente e disse: “Por favor, ligue você mesmo para ela”.

Então, ele ligou. Em pé bem na frente da secretária, ele ligou para o telefone do escritório dela, mas ela não atendeu.

Foi então que os adventistas começaram a suspeitar que outra pessoa poderia querer comprar seu terreno. A propriedade que eles haviam comprado para a Igreja Adventista do Sétimo Dia de Sófia Oeste era um imóvel de primeira linha — bem ao lado da entrada subterrânea de uma estação de metrô. De um lado da futura igreja havia um grande shopping center. Do outro lado, havia uma linha principal de bonde. Alguém provavelmente esperava que os adventistas desistissem e vendessem o terreno por um preço baixo.

Os adventistas começaram a orar fervorosamente pelo prédio da igreja. Eles oraram por 25 anos. Finalmente, um novo arquiteto-chefe assumiu o cargo em Sófia e assinou o tão esperado alvará. A construção da igreja começou em outubro de 2024 com a ajuda da oferta do trimestre, também conhecida como Oferta Trimestral para Projetos Missionários.

“Estamos felizes porque nossas orações de 25 anos se tornaram realidade”, disse Marian, primeiro ancião da igreja.

A Igreja Adventista do Sétimo Dia de Sófia Oeste está em construção, graças ao apoio de generosos doadores de todo o mundo que contribuíram para a oferta do primeiro trimestre de 2020. Neste trimestre, você pode ajudar a compartilhar as boas-novas da breve volta de Jesus na Bulgária. Parte da oferta apoiará um jardim de infância adventista do sétimo dia chamado Esperança Colorida (Tzventna Nadezhda), que está se mudando de instalações alugadas para seu próprio prédio em Sófia. Obrigado por sua generosa oferta.

Dicas para a história

• Mostre a Bulgária em um mapa. Em seguida, aponte para a capital, Sófia, onde estão localizados a propriedade da Igreja Adventista do Sétimo Dia de Sófia Oeste e o jardim da infância Esperança Colorida (Tzventna Nadezhda).

• Assista a um vídeo do YouTube sobre Marian em: bit.ly/Marian-EUD.

• Saiba que a Igreja Adventista comprou o terreno em 2000, mas o progresso permaneceu parado até outubro de 2024. Durante esse tempo, a congregação realizava cultos em vários locais alugados. Por um tempo, eles compartilharam um prédio com outra congregação adventista e se alternavam no uso do santuário. Mais tarde, eles se mudaram para o segundo andar de um centro comunitário. A presença cresceu constantemente — incluindo 40 crianças — e a congregação ficou entusiasmada por finalmente ter um espaço maior para adorar e servir a comunidade por meio de ministérios de alimentação e vestuário durante a semana.


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