Segunda-feira
05 de outubro
Autoestima perigosa
Digo a cada um de vocês que não pense de si mesmo além do que convém. Pelo contrário, pense com moderação, segundo a medida da fé que Deus repartiu a cada um. Romanos 12:3

O advogado Charles Guiteau, um homem de baixa estatura e ambições desproporcionais, irritou profundamente o Secretário de Estado dos Estados Unidos, James Blaine. Após insistentes pedidos para ser nomeado cônsul em Paris, recebeu uma resposta ríspida: “Nunca mais me incomode com esse assunto.”

Guiteau, no entanto, estava convencido de que era a escolha ideal para o cargo. Diante da recusa, escreveu uma carta ao presidente James Garfield, dizendo: “Você e o Partido Republicano se arrependerão […]. O Sr. Blaine é perverso, um gênio do mal, e você não terá paz até que ele desapareça de sua vida.”

Ignorado pelo presidente, Guiteau decidiu que a única solução era assassinar Garfield. Em sua mente delirante, acreditava que, ao cometer o atentado, seria aclamado como herói nacional, tornando-se uma figura forte do Partido Republicano e, futuramente, presidente dos Estados Unidos. Em 16 de junho de 1881, um mês antes do atentado, Guiteau tentou justificar seu plano “divinamente inspirado” em um discurso preparado para o povo norte-americano.

Esse discurso era perturbador. Não se sabe se foi fruto de um louco perspicaz ou de um megalomaníaco descontrolado. Em 2 de julho de 1881, Guiteau concretizou o atentado, disparando duas vezes contra o presidente James Garfield, que faleceu dois meses depois.

Mesmo preso, Guiteau mantinha a ilusão de que seria absolvido. Chegou a planejar uma turnê de palestras pela Europa e sonhava disputar a presidência em 1884. Apesar de ser considerado insano, foi condenado à morte.

Diante da forca, declarou que um dia ergueriam um monumento em sua homenagem, com a inscrição: “Aqui jaz o corpo de Charles Guiteau, patriota e cristão. Que sua alma esteja na glória.”

A história de Guiteau mostra como uma autoestima distorcida pode levar à ruína. Por isso, Paulo nos adverte: “Não pense de si mesmo além do que convém” (Rm 12:3).