Era natural que o jovem John Loughborough temesse a presença de outros pregadores em suas reuniões. Seu receio se confirmou quando o ministro que cancelara suas pregações compareceu a um evento informal com seus ouvintes.
– Bem – disse o pregador visitante –, a reunião da noite teve uma boa frequência.
– Sim, e as pessoas pareciam muito interessadas – respondeu o jovem.
– Elas provavelmente estavam curiosas para ouvir um rapaz pregar. Mas será que ouvi direito quando você disse que a alma não é imortal?
– Sim, eu disse – confirmou John.
– Bem, então, como você explica o texto que fala da punição da alma que nunca morre?
– Não conheço nenhum texto que diga isso – respondeu o jovem pregador, surpreso. – Metade das minhas citações são da Bíblia, e a outra metade, do hinário metodista.
– Eu lhe garanto que esse texto está na Bíblia – disse o experiente pregador de modo enfático. – Está no capítulo 25 de Apocalipse.
– Então existem três capítulos extras na Bíblia, porque Apocalipse só tem 22 capítulos – respondeu John.
– Dê-me a sua Bíblia, e eu lhe mostrarei.
Para o espanto de todos, o pregador visitante tentou encontrar o texto, mas acabou se expondo ao ridículo. Constrangido, devolveu a Bíblia ao jovem e saiu, alegando outro compromisso.
Naquela época, os líderes cristãos tinham pouco preparo acadêmico. A maioria dos pregadores era autodidata, o que explica esse fato. Naquele contexto, o conhecimento da Bíblia foi uma grande vantagem para o jovem John, e em nosso tempo continua sendo determinante.
O verso de hoje nos aconselha a manejar bem a palavra da verdade. “Manejar” é, na realidade, “interpretar corretamente”. Esse conselho não se aplica apenas aos pregadores, mas a todos os cristãos, pois cada um recebeu o chamado para ministrar. Todos somos responsáveis por estudar a Bíblia, compreendê-la e explicá-la. E você, conhece bem as Escrituras?