Conheço um jovem que possui ouvido absoluto, uma habilidade que sempre me pareceu extraordinária, mas que, para ele, é completamente natural. Uma pessoa com essa aptidão pode identificar imediatamente a tonalidade de qualquer som, sem precisar pensar, refletir ou compará-lo a um padrão externo. Para ela, reconhecer a tonalidade de um som é tão simples e natural quanto é para nós identificar a cor de um objeto.
Quando tinha cerca de 8 anos, esse jovem começou a compor peças para piano e violino inteiramente de memória, sem precisar testar suas melodias e harmonias no instrumento. Mais tarde, compreendi que ele tinha ouvido absoluto.
Certa vez, ele disse ao professor de piano que o sino da escola soava em Ré bemol. O professor imediatamente verificou e constatou que era verdade. Nunca o vi cometer um erro. Da mesma forma, Sir Frederick Ouseley, professor de música em Oxford e também portador de ouvido absoluto, comentou, quando tinha apenas 5 anos: “A voz do papai soa em Sol.” Ele também dizia que os trovões soavam em Sol, o vento soprava em Ré, e o relógio de sua casa, com seu carrilhão de duas notas, tocava em Si menor.
O ouvido absoluto me faz pensar em Jesus. Poderíamos dizer que Ele tem um ouvido absoluto para a justiça. Ele sabe, com total precisão, o que é certo e o que é errado, sem precisar pensar, refletir ou comparar Seus julgamentos a um padrão externo. Ele é o próprio padrão da justiça e nunca Se equivoca. Seu discernimento perfeito é resultado de Sua santidade absoluta.
Jesus é santo, irrepreensível, puro e completamente livre do pecado. Nós, por outro lado, não somos assim. O pecado nos engana e distorce nossa percepção do certo e do errado. Sabemos que algumas coisas são erradas, mas, em muitos casos, temos dificuldade para discernir entre o bem e o mal.
Por isso, precisamos pedir a Jesus que “afine” nossa vida de acordo com o tom da melodia celestial. Ele deseja Se comunicar diariamente conosco, moldando nossos pensamentos e decisões por meio da oração e das Escrituras. Que tal começar hoje seus exercícios de “afinação”?