Michael Torke, que se tornaria um renomado compositor, ganhou um piano aos cinco anos e começou a ter aulas. Ele amava a música e demonstrava um talento extraordinário.
Certa vez, o garoto disse à professora:
– Adoro a peça “azul”.
– Azul? – questionou a professora, confusa.
– Sim. A peça em Ré maior. O Ré maior é azul – respondeu Michael.
– Não para mim – respondeu a professora.
Ambos ficaram confusos, especialmente o menino, pois imaginava que todas as pessoas viam cores associadas aos tons musicais. Michael tinha uma condição chamada “sinestesia”, na qual a estimulação de um sentido, como a audição, ativa simultaneamente outro, como a visão. Desde a infância, ele via os tons musicais em cores fixas que não mudavam. Sol menor era amarelo brilhante; Ré menor, grafite; Fá menor, cor de terra…
A experiência musical de quem tem sinestesia deve ser fascinante. Em seu livro Musicofilia, Oliver Sacks conta como Jacques Lusseyran descreveu a sinestesia que adquiriu após perder a visão: “Quando eu fazia um som na corda lá, mi, sol ou dó, já não o ouvia. Eu olhava para ele. Tons, acordes, melodias, ritmos, tudo era imediatamente transformado em imagens, curvas, linhas, formas, paisagens e, acima de tudo, cores […]. Nos concertos, a orquestra me parecia um pintor. Eu era inundado por todas as cores do arco-íris. Se o violino tocava um solo, eu me enchia de ouro e fogo, de um vermelho tão intenso que nunca havia visto antes. Quando era a vez do oboé, um verde claro se apoderava de mim, tão fresco que eu parecia sentir o sopro da noite […]. Eu via a música e podia falar sua linguagem.”
Nunca imaginei que som e cor pudessem se misturar de forma tão maravilhosa. Também nunca imaginei que Deus pudesse Se tornar humano para me salvar, mas Ele o fez porque me ama! Hoje, oro para que Ele lhe conceda um vislumbre de Sua glória e faça as belas melodias do Céu transbordarem em seu coração.