Desde muito cedo, carrego no coração o desejo de ser professora. Aos 18 anos, Deus abriu a primeira porta, e, desde então, venho trilhando essa missão com amor e propósito. Já fui auxiliar de sala, professora, coordenadora pedagógica e, há 14 anos, atuo como diretora na Rede Adventista de Educação.
Ao longo dessa jornada, colecionei inúmeras experiências marcantes. Mas, hoje, quero compartilhar uma lição simples e profunda que aprendi com meus filhos, ainda pequenos, em um dos momentos difíceis que enfrentei.
Morávamos em Goiânia. Lembro-me de um fim de tarde cansativo: meus alunos estavam mais agitados que o normal, e eu voltei para casa a pé, pois era o que cabia no orçamento. Exausta, comecei a conversar com Deus pelo caminho. Na verdade, comecei a reclamar. Questionei por que, mesmo me esforçando tanto, as coisas ainda pareciam tão difíceis. Faltavam recursos e, naquele momento, parecia faltar até mesmo fé.
Para completar o cenário, a chuva veio forte. Eu e os meninos logo estávamos completamente encharcados. Senti um aperto no peito e chorei. Lamentei nossa condição e a sensação de impotência. Foi então que algo inesperado aconteceu.
Ao tentarmos atravessar a rua, um ônibus passou em uma enorme poça de lama e nos cobriu com água suja. Ali, no meio do caos, vi a resposta de Deus. Meus filhos riram. Riram alto. Riram com gosto. Eles não estavam preocupados com a lama, com a roupa molhada, com o desconforto. Eles estavam simplesmente vivendo o momento, com a leveza e a alegria que só as crianças sabem ter.
Na hora, parei. Olhei para eles – molhados, sujos, risonhos – e percebi que Deus estava me ensinando uma grande lição. Uma que não veio de livros, mas da simplicidade do riso infantil em meio à tempestade: é preciso ter o coração de uma criança para reconhecer a graça de Deus, mesmo nos dias difíceis. Ri com eles, e aquela tarde ficou gravada em minha mente como um lembrete de que, para herdar o Reino dos Céus, precisamos mais do que força e esforço, precisamos confiar, descansar e ter a fé de uma criança.
Marina Roque Schwants