Lição 1
26 de setembro a 02 de outubro
O Criador fala | 4º Trimestre 2026
Sábado à tarde
Ano Bíblico: RPSP: SL 50
Verso para memorizar: “Antigamente, Deus falou, muitas vezes e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, mas, nestes últimos dias, nos falou pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas e pelo qual também fez o Universo” (Hb 1:1, 2).
Leituras da semana: Gn 1:27, 28; 3:1-8; Lc 15:11-32; Gn 3:14-24; Êx 19:16-22; Jo 10:27-30

A tecnologia permite a muitos de nós manter contato com amigos e familiares distantes. Isso é muito bom. Mas, ainda assim, nada se compara a encontrar alguém pessoalmente. Algo especial acontece quando nos reunimos, trocamos abraços e conversamos face a face.

Nesta semana, vamos relembrar que os seres humanos foram criados para um relacionamento face a face com o Criador. O pecado, porém, destruiu essa conexão íntima. A fim de restaurar a comunicação com Suas criaturas amadas, Deus providenciou meios para falar conosco. A forma mais conhecida dessa comunicação divina com a humanidade ocorre por meio de porta-vozes cuidadosamente escolhidos, os profetas, que transmitem as mensagens de Deus. Alguns deles tiveram seus escritos preservados na Bíblia; outros, porém, não.

O propósito final de Deus é restaurar em nós Sua imagem, que o pecado desfigurou. Uma restauração que será completa quando Deus criar “novos céus e nova Terra, nos quais habita a justiça” (2Pe 3:13). Até lá, o Senhor continua a falar conosco e a usar Seus profetas para isso.

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Domingo, 27 de setembro
Ano Bíblico: RPSP: SL 51
Comunicação no Éden

Gênesis 1 e 2 apresentam o relato da criação. Deus criou um mundo belo e colocou nele Adão e Eva, o ponto alto de Sua obra criadora. Os seres humanos se diferenciavam de todas as outras criaturas da Terra porque foram feitos “à imagem de Deus” (Gn 1:27) – algo dito apenas a respeito deles, e não, por exemplo, das aves ou de outros animais. Como portadores dessa imagem, deveriam viver de maneira plena em todas as dimensões da existência, experimentar o amor em suas diversas formas e andar em comunhão com o próprio Deus.

Além disso, lemos em Gênesis 2:18 a 23 que Deus criou Eva como companheira de Adão porque “não é bom que o homem esteja só” (Gn 2:18). Desde o princípio, a humanidade foi criada com uma natureza social. Hoje, os sociólogos reconhecem que a interação humana traz inúmeros benefícios para a saúde física e emocional, enquanto a solidão pode ser mortal.

Não é de admirar, portanto, que, após a criação de Eva, o homem tenha exclamado: “Esta, afinal, é osso dos meus ossos e carne da minha carne; será chamada varoa, porque do varão foi tirada” (Gn 2:23). A estrutura familiar formada por um homem e uma mulher, unidos em matrimônio, é a primeira instituição social que Deus providenciou para os seres humanos, a fim de que experimentassem plena comunhão. Por isso, não surpreende que um dos principais objetivos de Satanás seja destruir os fundamentos da família original.

1. Leia Gênesis 1:27, 28; 2:15-17; e 3:9. Que tipo de comunicação existia entre Deus e os seres humanos no jardim do Éden?

Adão e Eva desfrutavam de comunhão face a face com o Senhor. Como seres inteligentes, tinham condições de se encontrar com Ele e ouvir Suas instruções. Na qualidade de mordomos do maravilhoso jardim de Deus, cresciam em conhecimento e habilidade enquanto cuidavam de toda a vida vegetal e animal. A cada dia, tinham também um momento especial com o Criador, “quando soprava o vento suave da tarde” (Gn 3:8). O sábado, em particular, parte essencial do ato criador de Deus, foi separado como um tempo especial dedicado à comunhão entre o Senhor e Seus filhos (Gn 2:2, 3; Êx 20:8-11). Nesse dia, nossos primeiros pais experimentavam de modo singular o amor e o cuidado de Deus por eles.

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É difícil para nós, hoje, imaginar como era a vida antes do pecado. Ainda assim, mesmo agora, de que maneira o mundo natural aponta para a criação original de Deus?
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Segunda-feira, 28 de setembro
Ano Bíblico: RPSP: SL 52
Escondendo-se de Deus

Deus é amor (1Jo 4:8) e não criou seres humanos como “robôs”, pois o amor envolve escolha. Adão e Eva precisavam ser criados livres; caso contrário, eles não poderiam amar de verdade.

Assim, Adão e Eva tinham liberdade para obedecer ou desobedecer ao Criador. A realidade dessa liberdade de escolha aparece na ordem para que não comessem da árvore do conhecimento do bem e do mal (veja Gn 2:15-17). Por que Deus os advertiria contra comer daquela árvore se eles não tivessem liberdade para desobedecer?

“Nossos primeiros pais, embora criados inocentes e santos, não foram colocados fora da possibilidade de praticar o mal. Deus os fez como seres morais livres, capazes de reconhecer a sabedoria e benignidade  de Seu caráter e a justiça de Suas ordens, e com ampla liberdade de prestar obediência ou recusá-la. Deviam desfrutar comunhão com Deus e com os santos anjos [...]. Sem liberdade de opção, sua obediência não teria sido voluntária, mas forçada” (Ellen G. White, Patriarcas e Profetas [CPB, 2022], p. 24, 25).

2. Por que Adão e Eva tentaram se esconder do Criador depois de desobedecer-Lhe? Gn 3:1-8 (compare com Jr 23:24; Hb 4:13)

Gênesis 3 descreve a queda de Adão e Eva. Depois do diálogo entre a serpente (Satanás) e Eva, nossos primeiros pais foram tentados a comer da árvore proibida. O tentador usou o poder das palavras, das emoções e de seduções aprazíveis para convencer Eva – e, por meio dela, Adão – a ir contra a ordem de Deus. Ela percebeu que a árvore era “boa para se comer”, “agradável aos olhos” e “desejável para dar entendimento” (Gn 3:6). A promessa de Satanás de que seriam “como Deus, conhecedores do bem e do mal” soou irresistível (Gn 3:5, NVI).

O discurso enganoso de Satanás ocultou do primeiro casal as consequências da sua desobediência. Quando desobedeceram, seus olhos imediatamente “se abriram”, e perceberam que “estavam nus” (Gn 3:7). O “manto” de Deus, de luz e glória (Sl 104:1, 2), que refletia a “imagem” divina, havia desaparecido. Não é de admirar que Adão e Eva tenham se escondido do Criador – como se fosse realmente possível esconder-se de Deus. O pecado nos enche de culpa e, tomados por esse sentimento, desejamos fugir da presença do Senhor.

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Qual tem sido sua experiência com a vergonha e a tentativa de se esconder de Deus após pecar?
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Terça-feira, 29 de setembro
Ano Bíblico: RPSP: SL 53
Deus busca a humanidade

Gênesis 3:9 e 10 mostra que Deus tomou a iniciativa de buscar Seus filhos decaídos. A pergunta “Onde você está?” (Gn 3:9) foi retórica, pois Deus sabia o que Adão e Eva tinham feito e onde estavam. Ainda assim, o pecado interrompeu a comunicação habitual que existia entre Ele e o primeiro casal. A preocupação imediata de Deus foi restaurar o diálogo com Seus filhos, encontrar-Se com eles e lhes dar esperança em meio ao desespero. De fato, o verbo hebraico qara, “chamar”, em Gênesis 3:9, é usado com frequência para descrever o chamado de Deus a fim de estabelecer comunicação com Seu povo.

3. Leia Lucas 15:11-32. De que maneira essa parábola reflete o que aconteceu em Gênesis 3:9, 10?

A atitude de Deus ao buscar Adão e Eva revela o amor incondicional por Seus filhos. O Senhor nunca desiste de nós (veja Lc 15:1-32). Ele vai muito longe para restabelecer comunhão conosco, mesmo quando tentamos nos esconder. Antes da crucifixão, quando Pedro negou Jesus três vezes, Cristo “voltou-Se e fixou os olhos” nele (Lc 22:61). Mesmo sem dizer uma palavra, Ele Se comunicou com Pedro e procurou alcançar Seu amigo que havia falhado.

Perceba como o pecado abalou repentinamente o relacionamento entre Adão e Eva (Gn 3:11-13). Em vez de confessar seu pecado individual, começaram a culpar outros. Adão culpou Eva e, indiretamente, o próprio Deus, pois foi Ele quem lhe dera a esposa: “A mulher que me deste para estar comigo, ela me deu da árvore, e eu comi” (Gn 3:12). Eva, por sua vez, culpou a serpente: “A serpente me enganou, e eu comi” (Gn 3:13). Nenhum dos dois, pelo menos naquele primeiro momento, assumiu a própria culpa. Quão pouco mudou em 6 mil anos!

A verdade é que o pecado afetou todos os seres humanos. O apóstolo Paulo descreve muito bem nossa condição em Romanos 7:15 a 24, ao falar da angústia de desejar fazer o que é certo e, ainda assim, perceber que faz o contrário: “Porque nem mesmo compreendo o meu próprio modo de agir, pois não faço o que prefiro, e sim o que detesto” (Rm 7:15). Quem não se identifica com isso? O que Paulo escreveu é profundo. Somos criaturas marcadas pela queda, que continuam fazendo aquilo que sabem que não deveriam fazer.

Nossa única esperança, afirma Paulo, é a libertação “por Jesus Cristo, nosso Senhor” (Rm 7:25). É por isso que Deus continua a nos buscar: para nos conduzir a Jesus, o único que pode nos moldar à Sua imagem e nos  salvar das consequências destruidoras do pecado.

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Quarta-feira, 30 de setembro
Ano Bíblico: RPSP: SL 54
Expulsos do jardim

Uma das consequências mais devastadoras do pecado foi a separação entre Deus e a humanidade. Adão e Eva foram expulsos do Éden e já não podiam falar com o Senhor face a face. O profeta Isaías descreveu essa condição radical: “Mas as iniquidades de vocês fazem separação entre vocês e o seu Deus; e os pecados que vocês cometem O levam a esconder o Seu rosto de vocês” (Is 59:2).

De fato, Adão e Eva continuavam sendo filhos de Deus; porém, as consequências do pecado não puderam ser evitadas, e eles tiveram que deixar o Éden – nada seria como antes.

4. Leia Êxodo 19:16-22. Como o pecado alterou nossa comunicação com Deus?

O pecado transformou a vida humana de inúmeras maneiras (veja Gn 3:14-24), em aspectos que nem conseguimos imaginar, pois tudo o que conhecemos é um mundo de pecado. Por causa da queda, a terra foi amaldiçoada e produziria “espinhos e ervas daninhas”. Os seres humanos agora vivenciariam a dor, trabalhariam arduamente para obter o sustento, até que, por fim, morressem e voltassem ao pó – a morte é a mais contundente lembrança do pecado.

Ainda assim, Adão e Eva receberam a promessa de uma solução para enfrentar os danos do pecado. Embora nossos primeiros pais já não pudessem ver Deus nem falar com Ele diretamente, deixaram o Éden com esperança, para o presente e para o futuro. Deus tomou a iniciativa e lhes revelou Seu plano de resgate.

Gênesis 3:15, chamado de “primeira promessa do evangelho”, estava carregado de esperança para eles (e ainda está para nós), apesar do que havia acontecido. A promessa de um Redentor vindouro traria inimizade contra o pecado e ofereceria à humanidade uma esperança de salvação. Na verdade, o fato de Deus ter provido vestes para Adão e Eva antes de saírem do jardim foi um ato simbólico, que apontava para a redenção futura. Por meio da morte e ressurreição de Jesus, a comunhão com Deus seria restaurada (Jo 14:1-3).

Ali mesmo no Éden, logo após a entrada do pecado, a humanidade recebeu a esperança e a promessa de que o problema do pecado seria definitivamente resolvido. Desde o momento em que houve pecado, houve também a promessa de um Salvador.

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O que você sentiu ao errar? Culpa? Vergonha? Desprezo próprio? Quais foram as consequências? De que maneira sua fé em Deus e na promessa do evangelho o impediram de desistir?
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Quinta-feira, 01 de outubro
Ano Bíblico: RPSP: SL 55
Porta-vozes de Deus

5. O que os textos a seguir revelam sobre a maneira como Deus tem falado à humanidade depois da entrada do pecado? Hb 1:1, 2; Rm 1:19, 20; Nm 12:6; 2Tm 3:16, 17; Jo 14:7-9; 10:27-30

Apesar do pecado, Deus encontrou muitas formas de Se comunicar com os seres humanos decaídos. Uma delas é a criação. A natureza revela de modo poderoso as obras maravilhosas de Deus. Cientistas se impressionam com as maravilhas do Universo e com a complexidade até mesmo das formas de vida mais “simples”. Ao mesmo tempo, a própria natureza expõe as consequências da queda, sendo a morte de todos os seres vivos o lembrete mais contundente.

Outra forma pela qual Deus tem falado à humanidade é por meio dos profetas – pessoas que Ele escolheu como porta-vozes. O Senhor falou, por exemplo, com Noé, Abraão, Moisés e Daniel, revelando Sua vontade para o Seu povo. Em essência, as mensagens proféticas de Deus reafirmam, vez após vez, que Ele não Se esqueceu de Seus filhos e continua ao lado deles. E, embora muitos profetas tenham deixado textos que chegaram até nós como parte das Escrituras, nem todos escreveram livros da Bíblia.

Mesmo assim, muitas palavras dos profetas foram preservadas nas Escrituras (2Tm 3:16, 17). A Bíblia é uma revelação do próprio Deus. Por meio de Suas palavras, aprendemos quem Ele é, sentimos Seu amor incansável e descobrimos Sua orientação sobre como devemos viver.

Além disso, é por meio da Bíblia que compreendemos quem somos, de onde viemos e para onde estamos indo. Nela encontramos o propósito de Deus para nossa vida.

No entanto, a forma mais eficaz pela qual Deus nos falou foi por meio de Jesus Cristo, que, naturalmente, nos é revelado nas Escrituras. Assim como Deus buscou Adão e Eva no jardim do Éden, Cristo “veio buscar e salvar o perdido” (Lc 19:10). Ele declarou: “Quem vê a Mim vê o Pai” (Jo 14:9). Por Sua vida, morte e ressurreição, Cristo cumpriu a promessa feita a Adão e Eva no Éden. Ele veio e morreu em nosso lugar para que, por meio Dele, tenhamos a vida eterna.

Depois da ascensão de Jesus ao Céu, o Espírito Santo continua a nos guiar “em toda a verdade” e a nos falar sobre as “coisas que estão para acontecer” (Jo 16:13).

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Quanto consolo você encontra ao saber que Jesus – Seu amor, Seu caráter e Seu sacrifício – revela quem o Pai realmente é?
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Sexta-feira, 02 de outubro
Ano Bíblico: RPSP: SL 56
Ellen White

A comunicação de Deus não se limitou aos tempos bíblicos. Ele continua falando aos seres humanos, e Suas palavras ainda se manifestam em nosso tempo, até a volta de Cristo.

Ellen Gould Harmon e sua irmã gêmea, Elizabeth, nasceram em 26 de novembro de 1827, em Gorham, Maine, nos Estados Unidos. Eram as caçulas entre oito filhos de Eunice e Robert Harmon. Alguns anos depois, a família se mudou para Portland, Maine. Aos 9 anos, Ellen sofreu um trauma que a afetou física, emocional e socialmente. Em um parque perto de casa, uma colega de escola, em um acesso de raiva, atirou uma pedra que atingiu seu rosto e a deixou semiconsciente por várias semanas. Esse acidente interrompeu abruptamente sua educação formal e trouxe desafios de saúde que a acompanhariam por toda a vida, além de afetar sua autoestima e o convívio social.

Nesse contexto de dor e incerteza, a jovem Ellen passou a pensar em seu destino eterno. Ela tinha medo de Deus e se sentia indigna do Céu. Esses temores se intensificaram quando a família Harmon aceitou a mensagem milerita da breve volta de Jesus. Mesmo depois de seu batismo por imersão na Igreja Metodista, em 1842, Ellen ainda não se sentia digna do amor de Deus e acreditava que estava “perdida para sempre” (Testemunhos Para a Igreja [CPB, 2021], v. 1, p. 25; veja também p. 17-34).

Ellen teve dois sonhos que começaram a mudar sua visão sobre Deus. Mas foi apenas quando conheceu Levi Stockman, um pastor metodista, que ela compreendeu e experimentou de fato o amor e a graça divinos. Mais tarde, ela escreveu: “A fé tomou posse de meu coração. Experimentei um inexprimível amor por Deus, e tinha o testemunho de Seu Espírito de que meus pecados estavam perdoados. Minhas opiniões a respeito do Pai estavam mudadas. Considerava-O agora um Pai bondoso e afetuoso, em vez de um tirano severo que forçava as pessoas a uma obediência cega. Meu coração se deixava conduzir a Ele em amor profundo e fervoroso” (Vida e Ensinos [CPB, 2024], p. 23). Ao compreender a doutrina bíblica do estado dos mortos, Ellen entendeu gradualmente que não existe um inferno eterno. Sua nova compreensão do caráter de Deus e de Seu amor foi transformadora. Ellen White passou a amar profundamente a Jesus e O serviu por toda a vida.

Respostas às perguntas da semana: 1. Havia comunicação direta, clara e íntima, com diálogo pessoal entre Deus e o ser humano. 2. Eles se esconderam por causa da culpa e do medo, mesmo sendo impossível ocultar-se de Deus. 3. Assim como Deus buscou o ser humano caído, o pai da parábola toma a iniciativa de restaurar o relacionamento com o filho perdido. 4. O pecado trouxe separação, medo e necessidade de mediação na relação entre Deus e a humanidade. 5. Eles revelam que Deus continua falando por meio da criação, dos profetas, das Escrituras e, de modo supremo, por meio de Jesus Cristo.

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Resumo da Lição 1
O Criador fala | 4º Trimestre 2026

TEXTO-CHAVE: Hb 1:1, 2
FOCO DO ESTUDO: Gn 1:27, 28; 3:1-8, 14-24; Lc 15:11-32; Êx 19:16-22; Hb 1:1, 2; Jo 10:27-30

ESBOÇO

Introdução: De acordo com Gênesis 2:4 a 25, Adão e Eva desfrutavam de um relacionamento íntimo com Deus, andando e conversando com Ele face a face. No entanto, a trágica queda rompeu essa comunhão, e os primeiros pais da humanidade perderam sua linha direta de comunicação com o Criador. Ainda assim, Deus não abandonou Sua busca pela humanidade. Em vez disso, estabeleceu novas formas de Se comunicar, revelando Sua presença por meio dos profetas, da Palavra escrita e, finalmente, por meio de Seu Filho, Jesus Cristo. Esta primeira lição mostra que, embora o modo de comunicação de Deus tenha mudado após a queda, Seu desejo de relacionar-Se com a humanidade jamais cessou. Hoje, Ele continua Se comunicando por meio das Escrituras, nas quais os profetas e apóstolos dão um testemunho unificado acerca de Cristo. Como uma manifestação contemporânea dessa comunicação divina, Ellen White também aponta para Cristo ao reafirmar o testemunho bíblico.

COMENTÁRIO

1. Perfeita harmonia e comunhão íntima com Deus

Adão e Eva foram criados em um mundo perfeito, muito além do que nossa imaginação pode conceber. O jardim do Éden era a morada sagrada da presença de Deus na Terra. Como o Deus triúno é inerentemente relacional, Ele criou os seres humanos à Sua imagem para refletir essa natureza relacional. Seu maior dom à humanidade não caída foi a capacidade de se relacionar com Ele em comunhão pessoal. Assim, Adão e Eva desfrutavam de um contato direto, face a face, com Deus nesse ambiente perfeito.

2. O pecado afetou a perfeita condição

Quando Adão e Eva, até então sem pecado, comeram do fruto proibido, passaram a ter uma nova percepção de si mesmos: “Então os olhos de ambos se abriram; e, percebendo que estavam nus, costuraram folhas de figueira e fizeram cintas para si” (Gn 3:7). A comunhão íntima, perfeita e face a face com Deus foi rompida. Quando Adão e Eva, agora tomados pelo medo, ouviram a “voz do Senhor Deus, que andava no jardim quando soprava o vento suave da tarde” (Gn 3:8) – uma experiência que antes recebiam com alegria –, eles passaram a reagir de modo diferente e “se esconderam da presença do Senhor Deus, entre as árvores do jardim” (v. 8).

Segundo Richard Davidson: “Quando Deus vem ao jardim depois que Adão e Eva pecaram, Ele inicia um encontro que constitui nada menos do que um ‘processo legal’, um ‘juízo punitivo por parte de Deus’. Ele começa o processo jurídico com um interrogatório dos ‘réus’, e as respostas defensivas e acusatórias de Adão e Eva (Gn 3:9-14) indicam a ruptura nos relacionamentos inter-humanos (marido e mulher) e divino-humanos que ocorreu como resultado do pecado. Após  o interrogatório legal e o estabelecimento da culpa, Deus pronuncia a sentença na forma de maldições (sobre a serpente e sobre a terra; Gn 3:14, 17) e de ju-ízos (sobre o homem e a mulher; Gn 3:16-19)” (Flame of Yahweh: Sexuality in the Old Testament [Hendrickson, 2007], p. 58, 59).

Lamentavelmente, Adão e Eva foram expulsos do jardim, e Deus “colocou querubins” e uma “espada flamejante” para “guardar o caminho da árvore da vida” (Gn 3:24). “Os querubins que guardavam o Éden representavam mais do que guardas armados. Eles sinalizavam o início do recolhimento da presença de Deus para o Céu e de uma presença na Terra agora mediada por símbolos e mensageiros/anjos” (Dru Johnson, The Universal Story: Genesis 1–11 [Lexham Press, 2018], p. 52).

3. Deus toma a iniciativa

Adão e Eva ficaram devastados. Em um instante, o mundo deles havia mudado para pior. Enquanto o casal culpado ouvia Deus pronunciar maldições e juízos, também ouvia uma promessa de esperança. No próprio coração desses juízos, manifestou-se o evangelho da graça. Um Descendente prometido viria, derrotaria a serpente e salvaria a humanidade. O verso 15 constitui o centro literário de Gênesis 3 e é considerado o primeiro anúncio do evangelho.

Imediatamente após a queda de Adão e Eva, Deus anunciou que todas as revelações futuras se concentrariam na Pessoa e na missão do Redentor vindouro. O restante das Escrituras decorre dessa promessa. “Essa proclamação impressionante da decisão divina de enviar o Descendente e derrotar a serpente (Satanás), a fim de obter a redenção da humanidade, é o fundamento e a chave para o reconhecimento da voz profética no Antigo Testamento” (Ji?í Moskala, “A Voz Profética no Antigo Testamento: Uma Visão Geral”, em Alberto R. Timm e Dwain N. Esmond (orgs.), Quando Deus Fala: O Dom de Profecia na Bíblia e na História [CPB, 2017], p. 17).

É interessante notar que a palavra traduzida como “chamou” em Gênesis 3:9 é a mesma empregada quando Deus chama os profetas para o ministério (Is 51:2). Embora em Gênesis a palavra seja utilizada no contexto de juízo, a conotação de vínculo e relacionamento também está presente.

4. Deus reabre a comunicação com a humanidade pecadora

Como não era mais possível ver Deus com os olhos mortais nem ouvir Sua voz de forma audível, os seres humanos passaram a receber a comunicação divina por intermediários humanos. Lemos em Hebreus 1:1 que Deus “falou [...] aos pais, pelos profetas”. Durante séculos, Deus comunicou-Se com Seu povo por meio de porta-vozes como Noé, Enoque, Abraão, Isaque, Jacó, Moisés, Samuel, Davi e os profetas canônicos. Ele concedeu revelações a essas pessoas “muitas vezes e de muitas maneiras”, incluindo teofanias, sonhos e visões, discursos divinos e anjos. Também falou por meio do Urim e do Tumim, de milagres e de sinais. Essas foram as formas pelas quais Deus falou durante o período do Antigo Testamento.

“Mas, nestes últimos dias, nos falou pelo Filho” (Hb 1:2). As palavras do Antigo Testamento continuam sendo autoritativas como Palavra de Deus, mas devem ser lidas à luz do cumprimento realizado em Jesus Cristo. Ele é a revelação suprema e definitiva de Deus. “A antiga [revelação] veio em forma fragmentada e esporádica – um pouco aqui, um pouco ali –, e, como resultado, era incompleta, parcial e imperfeita. Mas a nova revelação vem em um discurso culminante de Deus, o Pai, de uma só vez, em uma pessoa: Seu Filho. Com Jesus, toda a revelação de Deus do Antigo Testamento é reunida e excedida” (William G. Johnsson, “Hebreus”, em Comentário Bíblico Andrews, v. 4: Romanos-Apocalipse, Ángel Manuel Rodríguez, org. [CPB, 2025], p. 472).

5. A experiência de conversão de Ellen White

O dom profético, para além dos tempos bíblicos, não acrescenta nenhuma verdade ao Novo Testamento; antes, confirma o seu testemunho acerca de Cristo. A história de conversão da jovem Ellen White lançou o fundamento de seu amor e sua paixão duradouros por Jesus Cristo. Ela via o Pai celestial como um Deus de amor, que deseja salvar as pessoas por meio da obra redentora de Seu Filho. Essa compreensão tornou-se a tônica de seu ministério profético e o seu tema predileto: o amor paternal de Deus.

Em uma de suas declarações mais comoventes, Ellen White escreveu: “Todo o amor paternal que veio de geração em geração por meio do coração humano e toda fonte de ternura que se abriu na alma do homem não passam de tênue riacho em comparação com o ilimitado oceano, quando postos ao lado do infinito, inesgotável amor de Deus.

A língua não consegue exprimir, nem a caneta é capaz de descrever isso. Pode-se meditar nele todos os dias de nossa vida; pode-se examinar diligentemente as Escrituras a fim de compreendê-lo; pode-se reunir toda faculdade e poder a nós concedidos por Deus, no esforço de compreender o amor e a compaixão do Pai celeste; e todavia existe ainda um infinito para além. Pode-se estudar por séculos esse amor; no entanto, jamais se poderá compreender plenamente a extensão, a largura, a profundidade e a altura do amor de Deus em dar Seu Filho para morrer pelo mundo. A própria eternidade nunca o poderá bem revelar. No entanto, ao estudarmos a Bíblia e meditarmos sobre a vida de Cristo e o plano da redenção, esses grandes temas se desdobrarão cada vez mais ao nosso entendimento” (Testemunhos Para a Igreja [CPB, 2021], v. 5, p. 628).

APLICAÇÃO PARA A VIDA

As seguintes perguntas de aplicação para a vida, extraídas do comentário desta lição, são oferecidas para enriquecer a discussão em sua classe. Escolha, entre elas e entre as perguntas da lição, aquelas que melhor envolverão sua classe em uma reflexão significativa.

1. Antes do pecado, Adão e Eva falavam com Deus “sem nenhum véu de separação” (Ellen G. White, Patriarcas e Profetas [CPB, 2022], p. 26). Como você imagina que era experimentar comunhão face a face com o Todo-Poderoso no jardim do Éden, “sem nenhum véu de separação”?

2. A palavra hebraica para “conhecer” envolve conhecimento relacional e experiencial, além de conhecimento e compreensão intelectuais.

À luz dessa definição, como podemos entender melhor o fato de que Adão e Eva “conheceram que estavam nus” (Gn 3:7, ARC)?

3. De que forma o pecado alterou a comunicação entre Deus e os seres humanos?

4. O que significa viver na presença de Deus hoje, mesmo não O vendo mais face a face?

5. Como podemos cultivar diariamente um relacionamento pessoal mais profundo com Deus, semelhante àquele que Adão e Eva experimentavam no Éden?

6. O que significa dizer que toda a Escritura flui da primeira promessa do evangelho em Gênesis 3:15? De que maneiras vemos esse tema se repetir ao longo da Bíblia?

7. Lemos em Hebreus 1:1 e 2 que, no passado, Deus falou por meio dos profetas, mas, nos últimos dias, falou por meio de Seu Filho. De que forma a vida e os ensinos de Jesus nos oferecem o retrato mais claro de quem Deus é?

8. De que maneiras Deus ainda Se comunica conosco hoje? Como podemos nos tornar mais atentos à Sua voz?

9. O tema favorito de Ellen White era o amor paternal de Deus. De que forma refletir sobre o amor de Deus transforma nossa perspectiva sobre a vida e sobre a fé?

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