Lição 4
17 a 23 de outubro
Profetas do Novo Testamento | 4º Trimestre 2026
Sábado à tarde
Ano Bíblico: RPSP: SL 71
Verso para memorizar: “Ora, os dons são diversos, mas o Espírito é o mesmo. E também há diversidade nos serviços, mas o Senhor é o mesmo. E há diversidade nas realizações, mas o mesmo Deus é quem opera tudo em todos” (1Co 12:4-6).
Leituras da semana: Mt 16:13-16; Ef 2:20; Ap 22:6; Lc 2:36-38; At 21:9; Ef 6:10-18

Pai e filho viajavam por uma estrada. Em certo momento, o pai apontou para um carro e exclamou: “Filho, aquele é igual ao meu primeiro carro!” Quando chegaram em casa, o pai pegou o manual do primeiro carro e o do carro atual, mostrando ao filho as características de cada veículo e destacando especialmente as diferenças entre os tipos. Porém, ao comparar os motores, eram idênticos. Muita coisa havia mudado, mas o motor continuava o mesmo.

Deus falou por meio de profetas tanto no Antigo quanto no Novo Testamento, e há continuidade e harmonia em suas mensagens porque o Espírito Santo – a Fonte, o “motor” da inspiração divina – permanece o mesmo. É o Espírito Santo que sempre capacita os verdadeiros profetas por meio do dom de profecia. Ele também mantém Cristo no centro das mensagens proféticas, como vemos em Hebreus 1:1 a 3.

Nesta semana, vamos estudar o dom de profecia no Novo Testamento, analisando o trabalho dos profetas, quem eles eram, como sua atuação se relacionava com a dos apóstolos e o perigo representado pelos falsos profetas.

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Domingo, 18 de outubro
Ano Bíblico: RPSP: SL 72
Jesus como Profeta

Moisés previu: “O Senhor, seu Deus, fará com que do meio de vocês, do meio dos seus irmãos, Se levante um profeta semelhante a mim; a Ele vocês devem ouvir” (Dt 18:15). A Bíblia deixa claro que essa profecia apontava para Jesus: “Porque Moisés disse: ‘O Senhor Deus fará com que, do meio dos irmãos de vocês, Se levante um profeta semelhante a mim; a Esse vocês ouvirão em tudo o que Ele lhes disser’” (At 3:22; veja também Jo 6:14).

1. Leia Mateus 16:13-16; Marcos 8:27-29; Lucas 9:18-20. Qual é o papel profético de Jesus? Como essa questão foi respondida no tempo de Cristo?

Jesus Cristo, o Messias, é Aquele para quem todos os profetas do Antigo Testamento apontavam. No Novo Testamento, Ele é reconhecido como o cumprimento das profecias messiânicas. Em Lucas 24:13 a 35, o próprio Jesus Se apresenta como Aquele de quem essas profecias falavam.

A descrição do “Verbo” em João 1:1 a 5 não se encaixa em nenhum ser humano comum, nem em um simples profeta. O Verbo é identificado como o Criador, pois “todas as coisas foram feitas por Ele, e, sem Ele, nada do que foi feito se fez” (Jo 1:3). Em outras palavras, foi Ele quem criou tudo o que veio à existência – todo o Universo, que hoje se estima ter cerca de 93 bilhões de anos-luz de extensão.

Em cada “E Deus disse” de Gênesis 1, ouvimos a voz de Jesus. Aquele que declarou: “Haja luz!” (Gn 1:3) é também a “luz dos homens” (Jo 1:4) e, por meio do plano da salvação, passou a dissipar as trevas espirituais deste mundo (Jo 1:4, 5).

As palavras proféticas de Deus são seguras e verdadeiras. Quando atendidas, são como “luz que brilha em lugar escuro, até que o dia clareie e a estrela da alva nasça no coração de vocês” (2Pe 1:19). A profecia continuará iluminando este mundo de pecado até que Jesus, a “Estrela da Manhã” (Ap 22:16) e fonte dessa luz profética, estabeleça Seu reino eterno.

Até lá, por Sua vida, morte e ressurreição, Cristo oferece a todos nós a vida eterna. A única questão é se vamos ou não aceitar esse presente.

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Reflita no fato de que Jesus, o Criador (Jo 1:1-3), é o mesmo que morreu na cruz pelos seus pecados. O que essa verdade extraordinária revela sobre o amor de Deus por nós?
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Segunda-feira, 19 de outubro
Ano Bíblico: RPSP: SL 73
Apóstolos e profetas

O Novo Testamento menciona a atuação de profetas e apóstolos. Os apóstolos eram “mensageiros” ou “enviados” de Deus, conforme indica o termo grego apostolos. Nos evangelhos, a palavra “apóstolo” se refere aos 12 discípulos. O restante do Novo Testamento também acrescenta outras pessoas que não fizeram parte do grupo original de discípulos de Cristo.

Paulo se identifica como apóstolo em 12 passagens de su profetas as cartas. Em Romanos 1:1 e 2, ele relaciona seu chamado apostólico e o conteúdo de sua pregação com a mensagem dos profetas do Antigo Testamento. Paulo se via como “apóstolo dos gentios” (Rm 11:13), alguém chamado “pela vontade de Deus ” (1Co 1:1).

Diferentemente dos sacerdotes, que seguiam uma linhagem familiar, de pai para filho, profetas e apóstolos eram escolhidos diretamente por Deus, de acordo com Sua vontade. Quando o apostolado de Paulo foi colocado em dúvida, ele defendeu com firmeza o chamado que havia recebido (1Co 9:1, 2). Para Paulo, seu ministério apostólico estava alicerçado na obra de Cristo, o fundamento da igreja (Ef 2:20). Como receptores da revelação divina, os apóstolos receberam o mesmo nível de inspiração dos profetas (Ef 3:1-5).

Em 2 Pedro 3:1 e 2, o apóstolo menciona os profetas como mensageiros precursores, cujas palavras são importantes, e coloca os apóstolos no mesmo patamar de autoridade. Esses versos fazem referência aos tempos do Antigo e do Novo Testamento. Embora os profetas pareçam ser os mensageiros de Deus na época do Antigo Testamento e os apóstolos mensageiros de Deus no Novo Testamento, havia também pessoas que profetizavam ou exerciam o dom profético sem serem apóstolos. O dom de profecia não se limitou aos apóstolos no período do Novo Testamento, e nem todos os profetas eram apóstolos (At 15:32).

2. Qual era o papel de apóstolos e profetas em relação a Cristo e à igreja? Ef 2:20; 3:5

Ao lermos o que os apóstolos escreveram no Novo Testamento, percebemos que Jesus estava no centro de praticamente tudo o que anunciavam. De uma forma ou de outra, Sua vida, morte, ressurreição, Seu ministério sumo-sacerdotal e retorno constituíam o foco de suas mensagens.

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O único registro oficial de que dispomos sobre o que apóstolos e profetas disseram a respeito de Jesus, Sua vida e Suas obras é a Bíblia. Por que devemos reconhecê-la como a autoridade final em tudo o que cremos a respeito de Jesus e de Sua morte por nós?
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Terça-feira, 20 de outubro
Ano Bíblico: RPSP: SL 74
Funções dos profetas do Novo Testamento

3. O que 1 Coríntios 14:3; Efésios 4:11-13; e Apocalipse 22:6 revelam sobre o papel dos profetas do Novo Testamento?

Os textos acima, embora muito esclarecedores, não apresentam um quadro completo do que os profetas do Novo Testamento faziam. Ainda assim, grande parte da atuação desses profetas reflete o que os profetas do Antigo Testamento também realizavam, o que mostra a continuidade do dom profético.

Em 1 Coríntios 12:10, a profecia é mencionada entre outros dons espirituais. Na metáfora do corpo de Cristo (1Co 12:27, 28), os profetas aparecem depois dos apóstolos, que também recebiam revelações de Deus.  E,  conforme 1 Coríntios 14:3, “o que profetiza fala para as pessoas, edificando, exortando e consolando”.

Efésios 4:11 a 13 apresenta um conjunto semelhante de dons espirituais, como em 1 Coríntios 12. Ali, os profetas são mencionados ao lado de apóstolos, evangelistas, pastores e mestres (Ef 4:11). Essas pessoas têm a  missão de “preparar os santos para a obra do ministério, para que o corpo de Cristo seja edificado, até que todos alcancemos a unidade da fé e do conhecimento do Filho de Deus e cheguemos à maturidade, atingindo a medida da plenitude de Cristo” (Ef 4:12, 13, NVI). Claramente, Jesus é o centro da mensagem que proclamam.

O livro de Atos menciona dois profetas, Judas e Silas, que “encorajaram e fortaleceram os irmãos com muitas palavras” (At 15:32, NVI) – e nenhum deles escreveu livros da Bíblia. Embora, em certas ocasiões, os profetas precisem transmitir advertências – às vezes, até bem severas –, eles também, conforme a situação, oferecem palavras de ânimo, sobretudo em tempos difíceis. Palavras de esperança e promessas são, sem dúvida, muito apreciadas por aqueles que delas necessitam.

A função de encorajar também aparece ligada à profecia (1Co 14:31, NVI). Em tempos de tribulação e perseguição, o dom de profecia tem sido uma fonte de ânimo e esperança.

Em Apocalipse 22:6, Jesus é apresentado como “o Senhor, o Deus dos espíritos dos profetas”, cujas “palavras são fiéis e verdadeiras”. Tudo o que vem de Deus, quando Seus servos falam em Seu nome, também é fiel e verdadeiro. Em um mundo no qual podemos confiar em tão poucas coisas, podemos confiar no que dizem os profetas do Senhor – especialmente em Sua Palavra, que é nossa autoridade final e suprema.

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Quarta-feira, 21 de outubro
Ano Bíblico: RPSP: SL 75
Profetisas e jovens pastores

4. Leia Lucas 2:36-38 e Atos 21:9. O que esses textos nos ensinam sobre profetisas?

No período do Antigo Testamento, Deus chamou tanto homens quanto , também mulheres para serem Seus mensageiros. No Novo Testamento encontramos evidência clara de mulheres com o dom profético. Ana é a primeira pessoa chamada de profetisa no Novo Testamento. Ela exercia um ministério em tempo integral: “Adorava noite e dia, com jejuns e orações” e “dava graças a Deus e falava a respeito do menino [Jesus] a todos” (Lc 2:37, 38).

Atos 21:9 afirma que Filipe tinha “quatro filhas solteiras, que profetizavam”. Antigos historiadores cristãos, como Eusébio, mencionam textos posteriores que sugerem o lugar em que elas teriam vivido e sido sepultadas. De todo modo, o que fica claro é que essas mulheres – provavelmente jovens – possuíam o dom de profecia. Não sabemos exatamente o conteúdo de suas mensagens nem a extensão de seu ministério. Mas sabemos algo importante sobre essas jovens profetisas: nenhuma de suas mensagens passou a fazer parte do cânon bíblico. Assim como muitos outros, elas foram profetisas não canônicas – verdadeiras mensageiras de Deus cujas palavras e escritos não foram incluídos na Bíblia.

Além de profetisas, também havia jovens pastores que trabalhavam em estreita cooperação com os apóstolos – esses apóstolos atuavam mentores, preparando novos líderes para o ministério. Paulo, por exemplo, a também dirigiu-se a Timóteo como “verdadeiro filho na fé” (1Tm 1:2; veja também 1Tm 4:12). Ele ensinou a Timóteo o essencial da obra pastoral e declarou a respeito da missão do jovem obreiro: “Esta é a admoestação que faço a você, meu filho Timóteo, segundo as profecias que anteriormente foram feitas a seu respeito: que, firmado nelas, você combata o bom combate” (1Tm 1:18).

Em Tito 1:4, Paulo apresentou Tito como “verdadeiro filho, segundo a fé comum”. Em seguida, entregou a ele a tarefa de estabelecer líderes entre os crentes em Creta – uma congregação especialmente desafiadora. O apóstolo ofereceu ao jovem Tito orientações espirituais sobre como lidar com essa responsabilidade e concluiu: “Ensine estas coisas. Também exorte e repreenda com toda a autoridade. Que ninguém despreze você” (Tt 2:15).

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Jovens e idosos, homens e mulheres – todos podemos ter um papel na obra de Deus. Qual é o seu papel hoje e de que maneira você pode fazer ainda mais pelo Senhor?

Quinta-feira, 22 de outubro
Ano Bíblico: RPSP: SL 76
Falsos profetas no Novo Testamento

5. Leia Mateus 24:23, 24. Que  advertência Jesus nos apresenta? Por  que devemos levá-la tão a sério?

O próprio Cristo foi muito claro: “Porque surgirão falsos cristos e falsos profetas, operando grandes sinais e prodígios, para enganar, se possível, os próprios eleitos” (Mt 24:24).

Os enganos contra os quais Jesus nos advertiu serão extremamente convincentes, porque incluirão “grandes sinais e prodígios”. Eventos sobrenaturais, por si sós, não são prova de que Deus esteja agindo, por mais impressionantes que possam parecer. Temos inimigos sobrenaturais. Como Paulo nos advertiu: “Pois a nossa luta não é contra seres humanos, mas contra os poderes e as autoridades, contra os dominadores deste mundo de trevas e contra as forças espirituais do mal nas regiões celestiais” (Ef 6:12, NVI). E esses poderes atuam também por meio de falsos profetas.

Na verdade, falsos profetas não são novidade. O Novo Testamento menciona falsos profetas já nos tempos do Antigo Testamento (Lc 6:26). No próprio Novo Testamento, eles são comparados a “lobos devoradores” que vêm “vestidos de peles de ovelhas” (Mt 7:15, NVI). Jesus declarou: “Pelos seus frutos vocês os conhecerão” (Mt 7:16).

A principal obra desses falsos profetas é enganar (Mt 7:17-20). O próprio Cristo afirmou: “Muitos falsos profetas se levantarão e enganarão a muitos” (Mt 24:11). E acrescenta que eles operarão milagres “para enganar, se possível, os próprios eleitos” (Mt 24:24; veja Mc 13:22; 1Jo 4:1).

6. De acordo com Efésios 6:10-18, como podemos nos proteger de qualquer tipo de engano?

Somos chamados a viver pela fé, revestidos da “couraça da justiça” e cingidos com o cinto da “verdade” (Ef 6:14). Por meio da oração, submetemo-nos ao Espírito Santo e permanecemos firmes na Palavra de Deus. Esses são os meios pelos quais podemos ser protegidos de tudo o que, de outro modo, nos levaria ao erro espiritual e teológico.

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O que você pode fazer, de maneira prática, para se fortalecer contra os enganos que têm se espalhado em nosso mundo?
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Sexta-feira, 23 de outubro
Ano Bíblico: RPSP: SL 77
Mantendo Jesus e Sua Palavra no centro

Deus chamou profetas e lhes confiou tarefas importantes. A função principal deles era levar as pessoas ao conhecimento de Deus e a um relacionamento pessoal com Ele. Esse também foi o princípio orientador do ministério de Ellen White. Seu trabalho profético tinha dois focos principais: conduzir as pessoas a Jesus e apontá-las para Sua Palavra – a Bíblia.

Ellen White cultivou uma profunda paixão por Jesus e o desejo de compartilhar o amor de Deus – a série “O Conflito dos Séculos” começa e termina com a frase “Deus é amor”. “Nosso crescimento na graça, nossa alegria, nossa utilidade, tudo depende de nossa união com Cristo” (Caminho a Cristo [CPB, 2024], p. 44).

Na década de 1890, enquanto trabalhava no livro O Desejado de Todas as Nações, Ellen registrou em seu diário: “Ao escrever sobre a vida de Cristo, fico profundamente sensibilizada. Esqueço de respirar como devia. Não consigo suportar a intensidade de sentimento que se apodera de mim quando penso no que Cristo sofreu em nosso mundo” (Mensagens Escolhidas [CPB, 2023], v. 3, p. 99). Ellen amava falar sobre Jesus.

Ela entendia seus escritos como uma “luz menor”, para guiar as pessoas à “luz maior” – a Bíblia. Ellen incentivava as pessoas a ir às Escrituras, na qual Deus revela Seu amor e Sua salvação. No início de seu ministério, ela declarou: “Recomendo-lhe, caro leitor, a Palavra de Deus como regra de fé e prática.” 

Anos depois, ela escreveu: “O Senhor deseja que estudem a Bíblia. Ele não deu alguma luz adicional para tomar o lugar de Sua Palavra. [...] Se for ingerida e assimilada, [Sua Palavra] é como o sangue que dá vida à alma. Então serão vistas boas obras como luz brilhando nas trevas” (Mensagens Escolhidas, v. 3, p. 24, 25).

Ellen White também cria que todos os que afirmam falar em nome de Cristo devem “ensinar o que Cristo havia ensinado. Isso incluía o que Ele falara [...] por meio de todos os profetas e mestres do Antigo Testamento. O ensino humano fica de fora” (O Desejado de Todas as Nações [ CPB, 2021], p. 664).

Ellen White manteve Jesus e a Bíblia no centro de sua experiência.

Respostas às perguntas da semana: 1. Jesus é reconhecido não apenas como profeta, mas como o Cristo, o Filho do Deus vivo, Aquele a quem todos os profetas apontavam. 2. Eles formam o fundamento da igreja, como receptores inspirados do mistério de Cristo, enquanto Cristo é o próprio alicerce principal, a pedra angular. 3. Eles edificam, exortam e consolam a igreja, contribuem para sua unidade e maturidade espiritual e transmitem fielmente revelações dadas por Deus. 4. Deus também concede o dom profético a mulheres. 5. Jesus adverte contra falsos cristos e falsos profetas que realizarão grandes sinais para enganar, se fosse possível, até os escolhidos. 6. Revestindo-nos de toda a armadura de Deus.

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Resumo da Lição 4
Profetas do Novo Testamento | 4º Trimestre 2026

TEXTO-CHAVE: 1Co 12:4-6
FOCO DO ESTUDO: Mt 16:13-16; Ef 2:20; Ap 22:6; Lc 2:36-38; At 21:9; Ef 6:10-18

ESBOÇO

Introdução: O  tema da lição desta semana segue naturalmente o da semana passada, mas aborda a natureza dos profetas do Novo Testamento, que atuaram como mensageiros capacitados pelo Espírito e ofereceram orientação, encorajamento e exortação à igreja apostólica. O  papel desses profetas era proclamar a mensagem de Deus, às vezes, revelando eventos futuros, mas, sobretudo, fortalecendo os crentes e chamando-os à fidelidade. Diferentemente  dos profetas do Antigo Testamento, cuja autoridade era fundamental para o relacionamento de aliança de Israel com Deus, os profetas do Novo Testamento atuavam no contexto da comunidade da igreja, complementando o ensino apostólico e apontando para Cristo como a revelação suprema da vontade de Deus. Assim  como os profetas do Novo Testamento exaltaram Cristo como o Messias, Ellen White também o fez.

COMENTÁRIO

1. Jesus: o maior dos profetas

Jesus Cristo é o Profeta supremo, superior a todos os que O antecederam. Diferentemente dos profetas do Antigo Testamento, que proclamavam a Palavra de Deus, Jesus é a Palavra (ou Verbo) que Se fez carne (Jo 1:14). Ele não apenas anunciou a verdade divina, mas a personificou. Jesus  reconheceu Seu papel profético ao afirmar: “Nenhum profeta é desprezado, a não ser na sua terra e na sua casa” (Mt 13:57), destacando Sua rejeição, apesar de Sua autoridade.

João Batista também exerceu um papel profético singular. Reconhecido como profeta (Mt 11:9), ele agiu e falou como os profetas do Antigo Testamento, chamando o povo ao arrependimento e preparando o caminho para o Messias (Is  40:3; Mt  3:3). Contudo, João foi distinto. Ele foi a ponte entre a antiga e a nova aliança, o último profeta da antiga era e o precursor da nova. Ele se encontrava “no ponto decisivo das eras” e “à beira da era do cumprimento” (Christopher Rowland, “Prophets, Prophecy”, em Dictionary of Jesus and the Gospels, ed. Joel B. Green et al. [IVP Academic, 2013], p. 707).

Somente João Batista identificou Cristo como o “Cordeiro de Deus” (Jo 1:29). Jesus o elogiou como o maior “entre os nascidos de mulher”, mas observou que o “menor no Reino dos Céus” seria “maior do que ele” (Mt 11:11), sinalizando o poder transformador da nova aliança (Jo 3:30).

2. Continuidade do dom profético

O Novo Testamento confirma a continuidade do dom profético, equiparando a autoridade dos apóstolos e profetas do Novo Testamento à de seus correspondentes do Antigo Testamento. Em  Efésios 3:5, Paulo escreveu que o mistério de Cristo “agora foi revelado aos Seus santos apóstolos e profetas, pelo Espírito”. De modo semelhante, Efésios 2:20 descreve a igreja como “edificada sobre o fundamento dos apóstolos e profetas, sendo o próprio Cristo Jesus a pedra angular”. Conforme explica Daniel B. Wallace, essas referências apontam para o grupo de profetas do Novo Testamento que, juntamente com os apóstolos, formaram o fundamento da igreja (Greek Grammar Beyond the Basics: An Exegetical Syntax of the New Testament [Zondervan, 1996], p. 286).

Os estudiosos debatem se o dom profético continuou além da era apostólica. Os cessacionistas creem que ele terminou com a conclusão do cânon bíblico; enquanto os continuístas, incluindo muitos carismáticos e pentecostais, afirmam que o dom profético continua ativo atualmente. Os  adventistas do sétimo dia adotam uma posição intermediária, afirmando que o dom profético persiste, mas é subordinado às Escrituras, que servem como autoridade suprema. Por isso, são cautelosos quanto à continuidade de todos os dons da maneira como os grupos carismáticos os definem.

3. O dom de profecia no Novo Testamento

A vinda de Cristo transformou a natureza da profecia. Enquanto os profetas do Antigo Testamento aguardavam o Messias, os profetas do Novo Testamento centralizavam sua mensagem na vida, na morte, na ressurreição e no retorno de Jesus. Apocalipse 19:10 declara que “o testemunho de Jesus é o espírito da profecia”, fazendo de Cristo o foco de toda atividade profética.

Ekkehardt Mueller enfatiza que o profeta do Novo Testamento se concentra “ainda mais em Jesus, Sua vida, Suas palavras e Seus atos do que o profeta do Antigo Testamento se concentrava no Messias” (“Quando Deus fala”, em Alberto R. Timm e Dwain Esmond [orgs.], O Dom de Profecia na Bíblia e na História [CPB, 2017], p. 64). A tarefa deles era tornar a mensagem de Cristo relevante, conclamando a igreja a permanecer fiel e cheia de esperança, na expectativa de Sua volta.

4. O dom profético em homens e mulheres

O Novo Testamento destaca que o dom profético foi concedido a homens e mulheres. Em Atos 2:17 e 18, Pedro, citando Joel 2:28 e 29, declarou: “Os filhos e as filhas de vocês profetizarão [...]. Até  sobre os Meus servos e sobre as Minhas servas derramarei o Meu Espírito [...].” Esse  derramamento, que incluía homens e mulheres, cumpriu-se de maneira visível na igreja apostólica.

Mulheres, como Ana (Lc  2:36-38) e as quatro filhas de Filipe (At 21:9), foram reconhecidas como profetisas e desempenharam papéis vitais na proclamação da mensagem de Deus. A inclusão delas ressalta a distribuição imparcial dos dons pelo Espírito Santo, capacitando homens e mulheres a servir na função profética como mensageiros da verdade de Deus.

5. Advertência contra os falsos profetas

Ao mesmo tempo que reafirma a verdadeira profecia, o Novo Testamento apresenta advertências firmes contra os falsos profetas. Em  Mateus 7:15, Jesus alertou: “Cuidado com os falsos profetas, que se apresentam a vocês disfarçados de ovelhas, mas por dentro são lobos vorazes.” Os  falsos profetas representavam uma ameaça real à igreja apostólica, desviando os crentes por meio de ensinos enganosos.

Em 1 João 4:1, o apóstolo orienta que os cristãos “provem os espíritos para ver se procedem de Deus; porque muitos falsos profetas têm saído mundo afora”. A verdadeira profecia está em harmonia com a Palavra de Deus, aponta para Cristo e edifica a igreja, enquanto os falsos profetas promovem doutrinas divisivas e interesses próprios. Os  crentes são chamados ao discernimento, assegurando que toda mensagem profética esteja de acordo com as Escrituras e seja centrada em Cristo.

6. O dom profético de Ellen White

Dentro da estrutura da lição de sexta-feira, é apropriado apresentar à classe um breve resumo da trajetória cristocêntrica e centrada na cruz presente nos escritos de Ellen White, desde os primeiros anos até os últimos. Esse panorama ajudará a reforçar como ela atuou como uma profetisa pós-bíblica no sentido neotestamentário, exaltando a Cristo. Já em 1851, ela enfatizou a importância de “considerar a dignidade de Jesus, Seu amor, Seus méritos e Sua grande misericórdia” (Ellen G. White, Primeiros Escritos [CPB, 2022], p. 87). Alguns anos depois, em 1857, ela fez um apelo aos jovens: “Se Cristo for em nós a ‘esperança da glória’ (Cl 1:27), Nele descobriremos tão incomparáveis atrativos, que o coração ficará enamorado, apegando-se a Ele” (Ellen G. White, Testemunhos Para a Igreja [CPB, 2021], v. 1, p. 149).

Em 1869, seu foco inicial em Cristo culminou em “Os Sofrimentos de Cristo”, um livreto publicado separadamente e depois incluído em Testemunhos Para a Igreja, volume 2, páginas 170-181. Com  a linguagem mais comovente e poderosa de que dispunha, Ellen White apresentou a vida, os sofrimentos e a morte de Cristo como expiação por nossos pecados. Seu profundo anseio era que “nosso espírito deve avivar-se, elevar-se e ser arrebatado com o tema do amor do Pai e do Filho do Homem” (Ellen G. White, Testemunhos Para a Igreja [CPB, 2021], v. 2, p. 181).

Após a assembleia da Associação Geral realizada em Mineápolis, em 1888, Ellen White foi questionada sobre o que pensava a respeito das mensagens sobre a salvação que haviam sido apresentadas. Ela  respondeu: “Ora, tenho apresentado isso a vocês pelos últimos 45 anos – os incomparáveis encantos de Cristo” (Ellen G. White, Sermons and Talks, v. 1 [Ellen G. White Estate, 1992], p. 116). Esses “incomparáveis encantos” encontravam-se na obra redentora de Cristo, em Sua natureza divina e em Sua Pessoa. Inúmeras declarações acerca dos méritos de Cristo e da salvação Nele podem ser observadas ao longo dos escritos de Ellen White durante esses 40 anos e também posteriormente, até o fim de sua vida (ver, por exemplo, Obreiros Evangélicos [CPB, 2024], p. 120-123).

Para estudo adicional: Ver  Peter M. van Bemmelen, “‘The Matchless Charms of Christ’: Theological  Significance of This Phrase in Ellen White’s Writings”, em Christ, Salvation, and the Eschaton: Essays in Honor of Hans K. LaRondelle, ed. Daniel Heinz et al. (Old Testament Department, Seventh-day Adventist Theological Seminary, 2009), p. 231-240.

APLICAÇÃO PARA A VIDA

As seguintes perguntas de aplicação para a vida, extraídas do comentário desta lição, são oferecidas para enriquecer a discussão em classe. Escolha, entre elas e entre as perguntas da lição, aquelas que melhor envolverão a classe em uma reflexão significativa.

1. Jesus  era mais do que um profeta; Ele era a Palavra (ou Verbo) que Se fez carne (Jo 1:14). De que maneira essa verdade bíblica molda nossa compreensão de Sua autoridade hoje?

2. João Batista reconheceu Jesus como o “Cordeiro de Deus” (Jo 1:29). Como reconhecer Cristo por quem Ele é impacta a forma como vivemos e compartilhamos nossa fé?

3. Efésios  2:20 descreve a igreja como edificada “sobre o fundamento dos apóstolos e profetas”, tendo Cristo como a “pedra angular”. Como  essa ideia deve influenciar nossa visão do Novo Testamento e de sua autoridade?

4. Diferentes  grupos cristãos debatem se o dom profético continua atualmente. Como você descreveria a posição adventista?

5. Paulo  afirma que a profecia tem o propósito de edificar, animar e consolar (1Co 14:3). Como podemos aplicar esse princípio em nossas comunidades de fé e em nossas interações diárias?

6. Mulheres, como Ana (Lc 2:36-38) e as filhas de Filipe (At 21:9), foram reconhecidas como profetisas. Como podemos apoiar e incentivar tanto homens quanto mulheres a utilizarem seus dons espirituais hoje?

7. Jesus  advertiu que surgiriam falsos profetas, “vestidos de peles  de ovelhas” (Mt  7:15, NVI). Quais  são alguns exemplos atuais de ensinos que parecem bíblicos, mas conduzem as pessoas ao engano?

8. Ellen  White  enfatizou os “incomparáveis encantos de Cristo”. O  que ela quis dizer com essa expressão? Ou  seja, quais são os “incomparáveis encantos de Cristo”? De  que maneira se concentrar neles tem aprofundado a sua fé?

9. Ellen  White  incentivou um entendimento mais amplo e profundo da expiação efetuada por Cristo. Como podemos crescer em nossa compreensão e apreciação daqui-lo que Cristo fez por nós?

10. O papel profético de Ellen White sempre esteve centrado em exaltar Jesus. Como  essa ênfase em Cristo se compara com a forma como vemos e utilizamos seus escritos hoje?

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Transforme a minha vida

Finlândia | Mikael

"Se o Senhor existe, transforme a minha vida."

Foi uma simples oração de um adolescente desanimado que se sentia preso a hábitos dos quais não conseguia se livrar. 

Mikael cresceu em um lar cristão na Finlândia, sendo adventista do sétimo dia de quarta geração pelo lado paterno. Sua mãe descobriu a fé adventista por meio de reuniões evange­lísticas logo após se casar com o pai de Mikael. Quando mais tarde soube que estava grávida, ela fez uma promessa silenciosa a Deus: "Vou dedicar esta criança ao Teu serviço".

Quando criança, Mikael sentia essa dedicação sem compreendê-la plenamente. Ele se lembra de fingir ser pastor aos três anos, realizando cultos de "igreja em casa" na sala de estar. Foi batizado aos ll anos e sentia-se sensível à orientação de Deus. Mas logo depois, sua família se mudou para a zona rural da Finlândia, onde a igreja adventista era pequena e Mikael se sentia isolado - tanto como crente quanto como parte de uma minoria étnica.

Desejando desesperadamente pertencer a algum lugar, ele começou a fumar, beber e ir a festas no início da adolescência. Os fins de semana eram cheios de álcool, e aos sábados ele às vezes aparecia sentado no fundo da igreja, de ressaca. Ele nunca deixou de acreditar em Deus, mas se sentia dividido entre a fé e a atração do mundo.

Os acampamentos de verão adventistas se tornaram sua tábua de salvação. A cada ano, Mikael se sentia atraído de volta a Deus, mas, assim que voltava para a escola, a força de vontade por si só não era suficiente para mudar seus hábitos. Aos 75 anos, sua luta atingiu o ponto mais sombrio. "Fiz escolhas das quais me arrependi profundamente", lembrou ele. "Parecia uma batalha espiritual."

Em um acampamento, Mikael ouviu um palestrante convidado compartilhar seu testemunho de transformação. Sentado na última fileira, Mikael pensou: "Quando eu tiver 25 anos, vou colocar minha vida em ordem". Mesmo assim, por baixo da confusão, ele sentia um chamado silencioso - um propósito que não conseguia explicar totalmente, mas do qual também não conseguia escapar.

O ponto de virada não veio por meio da autodisciplina, mas da rendição.

Tarde da noite, após mais um fim de semana de festas, Mikael olhou para seu reflexo em uma estação de trem e se perguntou: "Quem estou me tornando?" De volta ao seu dormitório, ele orou com sinceridade: "Deus, eu amo esse estilo de vida. Eu nem quero mudar. Mas se Tu quiseres, tens minha permissão".

Pouco tempo depois, ele orou novamente: "Se o Senhor existe, transforme a minha vida".

Deus respondeu não com uma emoção dramática, mas com uma transformação silenciosa. Mikael percebeu que estava ansiando por algo diferente. Ele abandonou seus maus hábitos e começou a passar tempo com amigos que levavam a fé a sério. Certa noite, depois de orar com eles, não sentiu nenhuma onda de emoção - mas tudo mudou. "Não senti nada", disse ele. "Mas nunca mais fui o mesmo."

Logo depois, Deus começou a desafiá-lo de maneiras inesperadas. Numa tarde de sábado, enquanto vagava entediado por um shopping center, Mikael sentiu-se compelido a falar sobre Deus com estranhos. Embora se sentisse inadequado, ele obedeceu. À medida que falava, a fé que antes parecia distante de repente se tornou real. "Era como se Deus estivesse me ensinando enquanto eu falava", disse ele.

Essa experiência marcou o início de uma jornada no ministério.

Após o ensino médio, Mikael ingressou em um programa de treinamento missionário na Austrália. Lá, um sonho começou a se formar: plantar uma igreja em sua terra natal, a Finlândia. Em 2019, ele entrou em contato com líderes da igreja e se juntou aos primeiros esforços de planejamento para um novo ministério em Helsinque.

Então chegou 2020.

A pandemia interrompeu seus planos, separou-o de sua namorada que estava no exterior, esgotou suas finanças e o mergulhou em profundo desânimo. Privado de sono e isolado, ele questionou por que Deus lhe daria tanta esperança apenas para tirá-la. No entanto, mesmo naquela época, Deus estava agindo silenciosamente.

Naquele verão, uma pequena equipe se formou. Em seguida, uma casa ficou disponível com menos de um mês de antecedência. Em agosto de 2020, as portas da Oikos House se abriram.

O que começou como um frágil passo de fé cresceu e se tornou uma vibrante igreja adventista do sétimo dia. A cada sábado, jovens adultos se reúnem na casa para estudo bíblico, culto, refeições compartilhadas e comunhão. Pessoas de diversas origens, de mais de 30 nacionalidades, criam um espaço acolhedor e caloroso onde a fé se torna real. 

Nos últimos seis anos, centenas de pessoas passaram pela Oikos House. Muitas optaram pelo batismo. Outras aprofundaram sua fé e assumiram papéis de liderança. Jovens que antes buscavam um lugar ao qual pertencer encontraram uma família espiritual.

Mikael agora vê claramente a mão de Deus.

Hoje, a Oikos House está ficando pequena para o espaço que ocupa. O sonho agora é maior: plantar outra igreja e formar uma nova geração de jovens líderes que servirão em toda a Finlândia e além.

Neste trimestre, parte da Oferta do Décimo Terceiro Sábado ajudará a apoiar o futuro plantio de novas igrejas a partir da Oikos House - lugares onde a fé é vivida à mesa, as orações são sinceras e vidas são transformadas. 

Dicas para a história

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  • Compartilhe curiosidades sobre a Finlândia (veja abaixo).

Curiosidades

  • O urso-pardo é o animal nacional da Finlândia. A ave nacional é o cisne, a flor nacional é o lírio-do-vale, e a árvore nacional é a bétula-prateada.
  • Existem mais de 768.000 lagos e 779.000 ilhas na Finlândia.
  • A Lapônia é a maior e mais setentrional região da Finlândia e fica parcialmente no Círculo Polar Ártico. O nome finlandês para a Lapônia é "Lappi",e, em sueco, é "Lappland".
  • A Finlândia foi classificada como o país mais feliz do mundo nos últimos sete anos.
  • Existem cerca de 3 milhões de saunas na Finlândia: isso significa uma sauna para cada dois finlandeses.
  • As cores da bandeira finlandesa representam o azul dos lagos e o branco da neve.

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