Como seu Deus, Criador e Redentor, o Senhor desejava estar com Seu povo e habitar no meio dele. Deus nos criou para vivermos em profunda comunhão com Ele. No entanto, se relacionamentos significativos com outras pessoas só se constroem com tempo e dedicação, o mesmo é verdade em nosso relacionamento vertical com Deus. Essa pode ser uma experiência edificante e de muito crescimento, mas somente se passarmos tempo com Ele. Em termos práticos, significa estudar Sua Palavra (na qual Deus fala conosco), orar (quando abrimos o coração para Deus) e testemunhar aos outros sobre a morte, ressurreição e volta de Cristo (envolvendo-nos na missão de Deus). À medida que o Senhor nos abençoa, seremos um canal de bênçãos para os outros.
O foco deve estar em Deus, não em nós mesmos (Hb 12:1, 2). Ao nos conectarmos com Ele, Deus nos capacita a seguir Seus ensinos, o que significa obedecer à Sua Palavra. Não é de admirar que a geração de seguidores de Cristo do tempo do fim seja descrita como aqueles “que guardam os mandamentos de Deus e a fé em Jesus” (Ap 14:12).
Na verdade, é simples: amamos a Deus e, por causa desse amor, O obedecemos.
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1. Leia Êxodo 24:1-8. Quais funções a leitura da Palavra de Deus e a aspersão do sangue desempenharam na confirmação da aliança entre Deus e Seu povo?
O Deus vivo da Bíblia é o Deus dos relacionamentos. Para nosso Senhor, o mais importante não é um objeto ou cronograma, mas a pessoa. Assim, Ele dedica bastante atenção às pessoas, e o propósito principal de Suas ações é construir um relacionamento pessoal com os seres humanos. Afinal, um Deus que “é amor” (1Jo 4:8) teria que ser um Deus que Se importasse com relacionamentos, pois como pode haver amor sem relacionamentos?
Jesus disse: “E Eu, quando for levantado da Terra, atrairei todos a Mim” (Jo 12:32). Deus está interessado não apenas em nosso comportamento ético, na doutrina correta ou em um conjunto de ações adequadas, mas, acima de tudo, em um relacionamento pessoal e profundo conosco. As duas instituições estabelecidas na criação (Gn 1 e 2) tratam de relacionamento: a primeira envolve o relacionamento vertical com Deus (o sábado), e a segunda, o relacionamento horizontal entre seres humanos (o casamento).
A confirmação da aliança no Sinai teve o objetivo de reforçar o relacionamento especial que Deus desejava ter com Seu povo. Naquela cerimônia, o povo disse duas vezes: “Tudo o que o Senhor falou faremos” (Êx 24:3, 7). As pessoas realmente queriam fazer isso, mas não conheciam sua própria fragilidade e falta de poder. O sangue da aliança foi aspergido sobre o povo, indicando que somente pelos méritos de Cristo Israel seria capaz de seguir as instruções de Deus.
Não queremos aceitar que nossa natureza humana seja frágil, vulnerável e completamente pecaminosa. Temos uma tendência inerente ao mal. Para sermos capazes de fazer o bem, precisamos receber uma ajuda de fora de nós mesmos. Essa ajuda vem somente do alto, do poder de Deus, de Sua Palavra e do Espírito Santo. E mesmo com tudo isso à nossa disposição, facilmente caímos, não é verdade?
É por isso que um relacionamento pessoal e próximo com Deus era tão essencial para o povo daquela época, no Sinai, quanto é para nós hoje.
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2. Leia Êxodo 24:9-18. Que experiência extraordinária foi vivida pelos líderes de Israel?
Após o firme restabelecimento da aliança com Deus, Moisés subiu novamente o Sinai. No início da subida, Moisés não estava sozinho. Ele teve a excelente companhia de 73 líderes israelitas. Para os líderes, aquela foi a experiência suprema: eles viram Deus (o que chamamos de teofania), e duas vezes o texto destaca essa realidade surpreendente. Foi também um momento para que os líderes, comendo juntos, selassem a aliança com Deus. Foi um banquete, e o Senhor foi o anfitrião. Os líderes foram muito honrados por Deus.
No Oriente Médio, nos tempos bíblicos (e, até certo ponto, hoje), fazer uma refeição juntos era uma experiência muito importante, de grande honra e privilégio. Era um momento de oferecer perdão e formar vínculos de amizade. Significava que as pessoas estavam disponíveis para as outras e permaneceriam juntas em tempos de crise e dificuldades. Ao comer juntos, elas prometiam umas às outras, mesmo sem palavras, que se algo acontecesse a uma parte, a outra tinha o dever de vir e ajudar. Ser convidado para uma refeição era um tratamento especial que não era estendido a todos.
Ao mesmo tempo, recusar um convite era um dos piores tipos de insultos. Esse fato nos ajuda a entender as histórias do Novo Testamento em que Jesus Cristo foi duramente criticado por comer com pecadores (Lc 5:30). E, quando os crentes celebram a ceia do Senhor, eles também estabelecem esse vínculo próximo com outros crentes que são pecadores como eles. Durante essa refeição, celebramos o perdão e a salvação que temos em Jesus (ver Mt 26:26-30; Mc 14:22-25; 1Co 11:23-29).
Infelizmente, alguns daqueles que subiram com Moisés mais tarde caíram em pecado e perderam a vida (Lv 10:1, 2, 9). Embora tivessem vivido uma experiência tão profunda com Deus, não foram transformados ou convertidos por ela. Essa é a lição poderosa de que ter a verdade e privilégios sagrados não significa que estamos automaticamente convertidos. Depois de terem vivenciado tudo isso, aqueles homens deveriam ser os últimos a cometer o que, tragicamente, fariam mais tarde.
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3. Leia Ezequiel 36:26-28. Como a obediência acontece em nossa vida?
Em três ocasiões, os israelitas declararam fervorosamente que obedeceriam a Deus (Êx 19:8; 24:3, 7). A obediência é importante, mesmo que a Bíblia ensine que nós, seres humanos, somos frágeis, deteriorados e pecadores. Essa triste verdade foi revelada não apenas na história do antigo Israel, mas pela história de todo o Seu povo.
Como, então, podemos seguir a Deus fielmente?
A boa notícia é que o que Deus ordena, Ele nos capacita a fazer. Essa ajuda não está dentro de nós, mas vem de fora, permitindo-nos fazer o que Deus requer. É obra Dele. No cerne de seu resumo teológico, Ezequiel deixa essa verdade bastante clara: somente Deus pode realizar um transplante de coração, e Ele o faz removendo nosso coração de pedra e substituindo-o por um coração sensível, de carne (Ez 36:26, 27). Josué lembrou ao seu público:
“Vocês não têm condições de servir ao Senhor” (Js 24:19, NVI).
Podemos decidir seguir a Deus. Esse é nosso papel. Temos que fazer a escolha de nos render a Ele – momento a momento, dia a dia. E isso porque não temos o poder de colocar em prática nem mesmo nossa escolha consciente de servi-Lo. Mas quando entregamos nossa fraqueza a Deus, Ele nos tornará fortes. Paulo disse: “Quando sou fraco, então é que sou forte” (2Co 12:10).
Leia Ezequiel 36:24-30, observando todas as vezes em que ocorre a palavra “Eu”: Deus traz de volta, purifica, tira, dá, põe e faz com que você possa observar fielmente Sua lei. O que Ele está fazendo, você fará. Ele Se identifica com você, e se você se conectar intimamente a Ele, as ações Dele serão suas ações. A união entre Deus e você será dinâmica, poderosa e vibrante.
Novamente, a ênfase do texto está na ação de Deus: “Porei dentro de vocês o Meu Espírito e farei com que andem nos Meus estatutos, guardem e observem os Meus juízos” (Ez 36:27, grifo nosso). Deus ordena que as pessoas obedeçam e lhes dá poder para fazer isso. O que Deus requer do povo, Ele o ajuda a fazer. A obediência é dom de Deus (não apenas nossa realização), assim como a salvação também é um dom divino (Fp 2:13).
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Deus ensinava por vários meios, e um deles era o santuário. As cerimônias apontavam para Jesus e ilustravam o plano da salvação, que seria executado por Jesus séculos depois.
4. Quais importantes verdades práticas e teológicas são encontradas em Êxodo 25:1-9?
Embora Deus estivesse conduzindo os israelitas e já estivesse perto deles, instruiu Moisés a construir um santuário (Êx 25:8). Ele queria mostrar de modo visível e concreto que estava com eles. Apesar dos seus muitos erros, Ele não os havia abandonado. Assim, “quando foram aceitos pelo Senhor novamente” (Ellen G. White, Patriarcas e Profetas [CPB, 2022], p. 192), eles receberam a ordem divina, e começou a construção do santuário.
A Bíblia diz que Deus não habita em templos e edifícios feitos por mãos humanas (At 7:47-50). Ele é maior que o mais alto Céu, e até mesmo o Céu não pode contê-Lo. Paulo disse em Atenas: “O Deus que fez o mundo e tudo o que nele existe, sendo Ele Senhor do Céu e da Terra, não habita em santuários feitos por mãos humanas” (At 17:24). Além disso, o rei Salomão declarou: “Mas será que, de fato, Deus poderia habitar na Terra? Eis que os céus e até o Céu dos céus não Te podem conter, muito menos este templo que eu edifiquei” (1Rs 8:27). O santuário deveria ser o lugar no qual Deus manifestaria Sua presença ao povo.
Os israelitas deveriam trazer uma oferta voluntária para a construção do santuário. Eles deveriam levar dádivas valiosas, incluindo ouro, prata, bronze, madeira de acácia, vários tipos de tecidos finos, azeite de oliva e especiarias.
Em Êxodo 25:10 a 27:21, encontramos inúmeros detalhes sobre o tabernáculo e suas cerimônias. Deus apresentou a Moisés um projeto contendo instruções específicas sobre como construir e mobiliar o tabernáculo, incluindo a arca da aliança, a mesa dos pães da proposição, o candelabro, os altares, os véus, as cores e as medidas.
Moisés teve que construir o tabernáculo de acordo com o modelo que Deus lhe mostrou (Êx 25:9, 40; 26:30), refletindo o santuário celestial (Hb 8:1, 2; 9:11). O santuário terrestre teve uma função essencial até a morte de Jesus e Seu ministério no santuário celestial, o que tornou o santuário terrestre desnecessário e sem validade – uma verdade revelada quando o véu do templo foi rasgado na morte de Cristo (Mt 27:51; Mc 15:38).
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O Senhor instruiu Moisés sobre cada detalhe na preparação para as cerimônias do tabernáculo. Os sacerdotes deveriam usar vestes apropriadas, mas o sumo sacerdote usava uma estola especial, que continha os nomes dos filhos de Israel. Ele também usava um peitoral, que continha o Urim e o Tumim, e deveria estar em seu coração (Êx 28). Todos os sacerdotes deveriam ser consagrados (Êx 29). Outros itens a serem cuidadosamente preparados eram o altar de incenso, a bacia, o óleo de unção e o incenso (Êx 30).
5. Leia Êxodo 31. Que assistência especial foi dada por Deus para que todos os detalhes do tabernáculo fossem preparados e construídos de forma bela e adequada?
Pela primeira vez nas Escrituras lemos que Deus encheria alguém com Seu Espírito. O que isso significa? Bezalel foi capacitado para realizar uma obra artística no tabernáculo. Ele foi “enchido”, ou seja, capacitado com novas habilidades, entendimento e conhecimento sobre o trabalho necessário. Além disso, Deus deu a Aoliabe e muitos outros artesãos o mesmo Espírito para auxiliar nessa tarefa.
No meio de toda essa criatividade, o sábado é apresentado como sinal de que Deus santifica os fiéis. Isso significa que a observância do quarto mandamento está associada à santificação. Deus disse: “Também lhes dei os Meus sábados, para servirem de sinal entre Mim e eles, para que soubessem que Eu sou o Senhor que os santifica” (Ez 20:12).
O sábado é um lembrete de que o Senhor não é apenas nosso Criador (Gn 2:2, 3), Redentor e Deus (Dt 5:15; Mc 2:27, 28), mas também é santo. Ele transforma as pessoas por Sua presença. Por meio de Seu Espírito e de Sua Palavra, crescemos para refletir um caráter de amor, bondade, altruísmo e perdão.
A maior dádiva que Deus deu a Moisés foi o Decálogo (Êx 31:18). Ele próprio escreveu e deu as duas tábuas de pedra com os dez preceitos (Êx 31:18; Dt 9:9-11). Essas tábuas deveriam ser colocadas no lugar santíssimo, dentro da arca da aliança, que estava sob o propiciatório (Êx 25:21).
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Leia, de Ellen G. White, Patriarcas e Profetas [CPB, 2022], p. 292-299 (“O tabernáculo e suas cerimônias”).
O tabernáculo era um lugar especial em que a expiação era realizada pelos pecados confessados do povo. Era ali que o plano da salvação era revelado, de maneira razoavelmente detalhada, aos israelitas no deserto. Ele ensinava as verdades da justificação, da santificação e do juízo. Cada sacrifício ilustrava a morte de Jesus, o perdão dos pecados e a eliminação futura dos pecados. E, junto com os sacrifícios, estava a lei de Deus, que é o padrão da justiça.
“A lei de Deus, que estava dentro da arca, era a grande regra de justiça e juízo. Essa lei condenava o transgressor à morte; mas por cima da lei estava o propiciatório, sobre o qual se revelava a presença de Deus, e do qual, em virtude da obra expiatória, se concedia o perdão ao pecador arrependido. Assim, na obra de Cristo pela nossa redenção, simbolizada pelo ritual do santuário, ‘encontraram-se a graça e a verdade, a justiça e a paz se beijaram’” (Sl 85:10; Ellen G. White, Patriarcas e Profetas, p. 295).
Perguntas para consideração
1. Quantas vezes você já disse: “Tudo o que o Senhor falou nós faremos”? Você foi bem-sucedido em seus esforços?
2. Moisés passou 40 dias com o Senhor no monte Sinai. Depois, Deus enfatizou que os israelitas deveriam observar o sábado, que seria um sinal entre ambos de que o Senhor os santificaria. Qual é o papel da santidade e da santificação na observância do sábado?
3. O Senhor queria que Seu povo fizesse um santuário para que Ele habitasse no meio dele. É impressionante notar que esse lugar era o centro da salvação para Israel. No santuário, local em que Deus habitava no meio do povo, o plano da salvação foi ilustrado por meio de tipos e sombras. Isso revela que somos dependentes de Deus para a salvação?
4. Por meio do sangue dos animais, todos os pecados eram levados para o santuário, a casa de Deus. O que isso significa? Como essa verdade maravilhosa ilustra, mesmo que de maneira imperfeita, o que Jesus fez na cruz por nós e o que Ele está fazendo por nós agora no santuário celestial?
Respostas às perguntas da semana: 1. Ouvir a Palavra de Deus e receber o sangue da aliança são parte do relacionamento entre o Senhor e Seu povo. 2. Moisés e os líderes de Israel viram a Deus e participaram de uma refeição com Ele. 3. A obediência só é possível quando Deus nos dá um novo coração e nos capacita a fazer Sua vontade. 4. Por meio do santuário, Deus estaria pessoalmente presente com Seu povo, o que é o grande objetivo de Sua aliança. 5. O Senhor chamou as pessoas que fariam esse trabalho e as encheu de Seu Espírito.
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TEXTO-CHAVE: Êx 24:3
FOCO DO ESTUDO: Êx 24; 25; 26; 27; 28; 29; 30; 31
ESBOÇO
Introdução: O Senhor libertou Seu povo do poder do Egito, concedeu-lhe liberdade, conduziu-o pelo deserto até Si no Sinai e estabeleceu uma aliança de amor com ele (Êx 19:3-6; Dt 7:9, 12; Ne 9:32). Sua graça e cuidado com o povo foram extraordinários. Em uma poderosa demonstração de Sua glória no Sinai, Deus pronunciou as Dez Promessas (a dádiva do Decálogo, dado em Êx 20) e as detalhou no Código da Aliança (Êx 20:22-26; 21; 22; 23:1-19). Então o Senhor ratificou essa aliança com Israel em uma cerimônia importante que está enraizada no sacrifício animal, que apontava para o sacrifício de Cristo, e foi selada com sangue.
COMENTÁRIO
A ratificação da aliança
A ratificação da aliança envolveu vários elementos importantes:
1. Apresentação oral das palavras e das leis do Senhor (Êx 24:3);
2. Escrita do Livro da Aliança (Êx 24:4a);
3. Construção de um altar (Êx 24:4b);
4. Erguimento de doze pilares de pedra, representando as doze tribos de Israel (Êx 24:4c);
5. Oferecimento de holocaustos e sacrifícios pacíficos (Êx 24:5);
6. Aspersão de metade do sangue sacrifical no altar (Êx 24:6);
7. Leitura do Livro da Aliança (Êx 24:7a);
8. Respostas afirmativas do povo (Êx 24:3, 7b);
9. Aspersão da outra metade do sangue sacrifical sobre o povo (Êx 24:8a);
10. Pronunciamento de Moisés: “Eis aqui o sangue da aliança [frase que ocorre apenas aqui na Bíblia Hebraica; compare com Zc 9:11; Mt 26:28; Mc 14:24] que o Senhor fez com vocês de acordo com todas estas palavras” (Êx 24:8b);
11. Refeição da aliança, com 74 líderes, no monte Sinai (Êx 24:9-11).
No contexto da aliança, o povo de Deus respondeu três vezes da mesma forma às palavras graciosas de Deus: “Tudo o que o Senhor falou nós faremos” (Êx 19:8; veja também Êx 24:3, 7). O que havia de errado com essa promessa? Em resumo, sua autoconfiança, a compreensão superficial do poder do pecado e da própria natureza pecaminosa, além da falta de reconhecimento da necessidade da ajuda de Deus. Na realidade, apenas algumas semanas depois, muitos deles estavam dançando ao redor do bezerro de ouro. A resposta adequada seria: “Com a ajuda do Senhor e pelo poder de Sua graça, tudo o que o Senhor falou nós faremos”.
Josué, um fiel servo de Moisés e mais tarde um excelente líder do povo de Deus, ouviu pessoalmente essas promessas bem intencionadas e sabia que elas eram muito frágeis, fracas e podiam ser facilmente quebradas. Várias vezes ele testemunhou a apostasia dos israelitas. Quando eles repetiram novamente mais tarde: “Nós também serviremos ao Senhor” (Js 24:18), Josué decisivamente disse a eles: “Vocês não poderão servir ao Senhor” (Js 24:19). A razão para essa declaração foi que a decisão dos israelitas não era firme, pois eles ainda estimavam alguns ídolos pagãos (veja Js 24:14, 23) e não reconheciam sua dependência da ajuda de Deus, mas confiavam em sua própria força de vontade. No entanto, Josué declarou pessoalmente: “Eu e minha casa serviremos ao Senhor” (Js 24:15).
Deus convidou Moisés, juntamente com Arão, seus filhos Nadabe e Abiú, e 70 anciãos para encontrá-Lo no monte Sinai (Êx 24:9, 10). Ao aproximar-Se, Deus desejava revelar mais plenamente quem Ele é. Foi mencionado que, naquela ocasião, eles estavam comendo e bebendo, embora não se explique quem preparou o banquete, provavelmente o próprio Senhor. Comer juntos era outra forma de selar uma aliança, então essa foi uma refeição de aliança. Nos tempos bíblicos, o próprio ato de comer juntos estabelecia uma profunda amizade e um vínculo de família e fraternidade. Se algo não estava certo entre aqueles que compartilhavam uma refeição juntos, era perdoado, e a promessa era dada por aqueles que festejavam de que ficariam um ao lado do outro para sempre (veja, por exemplo, a refeição de Jacó e Labão, em Gn 31:54).
Nós experimentamos uma comunhão de aliança semelhante quando celebramos a vida e a morte de Jesus durante a Ceia do Senhor, a Comunhão. Deus está convidando os crentes a ter um relacionamento próximo com Ele e uns com os outros, comendo e bebendo juntos. Aqueles que participam dessa cerimônia comemorativa tornam-se uma família com Cristo, pois ela torna real e palpável o que Ele fez por nós. A comunhão é o momento em que Sua igreja é reafirmada como uma comunidade de fé renovada, proclamando que Ele é seu Senhor, Rei e
Amigo. Os membros da igreja se unem a Ele e entre si, sendo santificados por Sua presença entre eles. Esse vínculo é selado por Sua presença e Palavra.
O tabernáculo de Deus
Quase um terço do Livro de Êxodo trata do tabernáculo, indicando assim sua importância. Os capítulos 25 a 31 de Êxodo apresentam o projeto detalhado, instruções sobre seu modelo e os materiais usados, enquanto os capítulos de Êxodo 35 a 40 narram como construí-lo e a consagração real do santuário para suas funções sagradas. Qual é o significado dessa narrativa?
O mais importante no santuário não é a mobília, embora ela tenha relevância ao preparar o cenário para o que ocorreria no tabernáculo. O elemento crucial é o drama, o verdadeiro acontecimento que se desenrola ali.
É como ir ao teatro para ver uma peça com cenas diferentes. O que está no palco diz ao público se a história vai acontecer durante o dia ou à meia-noite, se está ocorrendo em uma cidade, palácio, cemitério ou banquete de casamento, quem são os atores principais e muitos detalhes no decorrer do drama. O cenário é importante para entender o enredo e a peça. Da mesma forma, nosso foco relacionado ao tabernáculo deve estar sempre nos eventos representados, não apenas no fundo, na mobília e no tipo de sacrifício, para que possamos reconhecer o que está sendo retratado. Precisamos entender o significado de tudo isso. O tabernáculo é uma lição monumental do divino plano da redenção.
Os serviços no santuário apresentam o drama de Deus. De forma dramática, eles documentam quem Deus é; o que Ele representa; os valores que Ele defende; como Ele salva o pecador arrependido; como Ele lida com o pecado e pessoas teimosamente más; como Ele julga e traz uma solução final para o problema do pecado, para que um dia o mal seja erradicado. Esse drama demonstra, em última análise, que a paz, a reconciliação e a harmonia serão restabelecidas.
Deus desejava habitar entre Seu povo. O tabernáculo era Sua morada terrena, não porque Ele já não estivesse com Israel ou pudesse ser limitado a esse espaço, mas porque queria manifestar Sua presença real e tangível, mostrando que o povo não estava sozinho ou desamparado, mas que Ele cuidava de Israel.
O apóstolo Paulo afirma claramente que o Senhor não habita em templos feitos por mãos humanas (At 17:24, 25), e Salomão declara solenemente, após construir um templo maravilhoso para Ele em Jerusalém, que nem mesmo os céus poderiam conter o Senhor: “Mas Deus realmente habitará na Terra com os homens? Os céus, mesmo os Céus mais altos, não podem contê-lo. Quanto menos este templo que construí!” (2Cr 6:18). Então Salomão continua: “Que os Teus olhos estejam abertos dia e noite sobre este templo, sobre este lugar [...]. Ouve do
lugar da Tua habitação, dos Céus; ouve e perdoa” (2Cr 6:20, 21). Em Seu amor e misericórdia, Deus condescende em descer ao nosso nível, entrando em nosso tempo e espaço para estar conosco.
A presença visível de Deus está por trás de Seu desejo de que Israel construa um tabernáculo para Ele no centro do acampamento. O Senhor declarou: “E farão para Mim um santuário, para que Eu possa habitar no meio deles” (Êx 25:8). Não negligencie a conjunção “e” nessa frase (boas traduções têm “e”, não um causativo “que”, embora também seja uma tradução adequada), pois esse “e” é exegeticamente e teologicamente crucial. Deus não precisava do santuário para estar, ou habitar, com Seu povo. Sua presença estava com ele o tempo todo, pois o tema principal do Livro de Êxodo é a presença de Deus com Seu povo. Posteriormente, Deus utilizou a preposição em hebraico “lamed” (“para que” ou “aquele”), em Êxodo 29:46b, para deixar claro que o propósito do santuário era que Ele habitasse intimamente com Seu povo e demonstrasse Sua presença visível (Êx 29:42-46).
Quando o glorioso templo salomônico de Israel foi destruído por Nabucodonosor, e o povo foi enviado ao exílio devido à sua infidelidade (Dn 9:4-20), Deus, por meio do profeta Ezequiel, assegurou ao Seu povo que Ele seria um “santuário, por um pouco de tempo, nas terras para onde foram” (Ez 11:16).
Deus disse a Moisés que ele devia construir o santuário de acordo com o modelo do santuário celestial mostrado no monte Sinai (Êx 25:9, 40; veja mais sobre isso na seção Comentário da lição 13). O espaço mais importante no santuário era o lugar santíssimo, com sua peça central sendo a arca da aliança, também chamada de arca do testemunho (Êx 25:16), porque as palavras do testemunho de Deus, ou o Decálogo, deveriam ser colocadas dentro da arca (Êx 40:20). No topo da arca, uma tampa de expiação feita de ouro puro era colocada, um propiciatório (em hebraico: kaporet, da raiz kapar, “expiar”; no grego, hilasterion). Era o lugar em que a reconciliação final acontecia e os pecados confessados do povo de Deus eram apagados. Aqui, Deus oferecia a solução definitiva para o problema do pecado e do mal (ver Lv 16:15, 16, 30). Jesus Cristo é o hilasterion, o Propiciatório, o Sacrifício Expiatório que expia os nossos pecados e nos purifica deles (Rm 3:25; 1Jo 2:2).
APLICAÇÃO PARA A VIDA
1. Depois que Salomão construiu o templo, Deus lhe disse: “Se o Meu povo, que se chama pelo Meu nome, se humilhar, orar, Me buscar e se converter dos seus maus caminhos, Eu ouvirei dos céus, perdoarei os seus pecados e sararei a sua terra” (2Cr 7:14). Como podemos, sendo uma comunidade de fé, implementar e praticar cuidadosamente esse conselho divino? Quais fatores bloqueiam nossas orações, impedindo que Deus ouça nossos clamores por ajuda e os responda?
2. Como renovamos nossa aliança de amor com o Senhor durante a Comunhão na Santa Ceia? É necessária uma cerimônia especial para isso? Explique.
3. Jesus Cristo “Se fez carne e habitou entre nós” (Jo 1:14). Em grego, é dito que Ele “habitou conosco”. De que maneira a encarnação de Jesus e Sua vida na Terra garantem que Ele está com você e compreende todos os seus problemas, dificuldades e desafios?
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Chuvas notáveis
Namíbia | Tjiyapana
Nas profundezas do deserto da Namíbia há um povo que tem o mesmo estilo de vida há centenas de anos. O povo himba é seminômade, deslocando-se com rebanhos de gado e cabras de poço em poço para garantir que tenham água suficiente durante os longos e quentes meses da estação seca. Durante a curta estação chuvosa, as famílias retornam aos seus assentamentos de três ou quatro cabanas, chamadas de aldeias, para cultivar milho para sustentá-las pelo resto do ano.
Tjiyapana é o chefe da aldeia de Okoupawe. A aldeia é composta por 15 famílias que vivem em 15 propriedades quando não estão viajando com seus animais no norte da Namíbia. Ele está aprendendo sobre Deus por meio de uma iniciativa evangelística que tem suas raízes em um projeto do décimo terceiro sábado de 1993. Esta é a história dele.
Tjiyapana não tem certeza sobre sua idade. Seu melhor palpite é 82. Ele tem quatro esposas e mais filhos e netos do que pode contar.
Tjiyapana ouviu falar de Deus pela primeira vez por meio de seus pais. Seus pais, por sua vez, ouviram falar de Deus através do primeiro missionário adventista na região, um homem branco de Portugal, que chegou três décadas antes como parte de uma iniciativa de evangelismo cofinanciada por uma oferta trimestral de 1993.
"Meus pais me disseram que devemos dar glória e honra a Deus", disse Tjiyapana. "Decidi ouvir meus pais."
Assim, quando se tornou chefe da aldeia, ele entrou em contato com a Igreja Adventista para pedir alguém que ensinasse a ele e ao seu povo sobre Deus. Um obreiro bíblico ia aos sábados e lia a Bíblia debaixo de uma árvore. Tjiyapana ouvia. Como muitos himbas, ele nunca foi à escola e não sabe ler.
Em seguida, o obreiro bíblico organizou duas semanas de reuniões evangelísticas. Ele trouxe um projetor e um gerador e projetou imagens em uma tela dentro de uma tenda montada a uma curta distância da árvore.
Tjiyapana foi às reuniões. Ele estava interessado em aprender mais sobre Deus, mas também estava distraído com a preocupação. A área foi atingida por um verão excepcionalmente seco. A chuva não caía por muitos meses.
O obreiro bíblico viu a ansiedade de Tjiyapana e orou pedindo chuva. Ele suplicou ao Senhor que abrisse Seu bom tesouro, os céus, para dar chuva à terra em sua estação e abençoar todo o trabalho das mãos do povo himba. Ele orou por uma semana.
No início da segunda semana de reuniões, a chuva começou a cair. Faltavam dois meses para a estação chuvosa. Chuvas leves regavam o solo ressecado durante o dia e paravam bem a tempo para as reuniões evangelísticas à noite. A chuva continuou por quatro meses. Foi um momento de grande alegria para o povo himba.
"Sabíamos que Deus estava conosco", disse Tjiyapana. "Ele provê."
O chefe da aldeia também viu a presença de Deus de outras maneiras. Após as reuniões, ele notou uma mudança na aldeia. As pessoas pararam de roubar, pararam de brigar e pararam de beber. Ele ficou satisfeito.
Mais do que tudo, Tjiyapana quer que um prédio da Igreja Adventista do Sétimo Dia seja construído em suas terras. O prédio da igreja mais próximo está localizado na cidade, e leva sete horas para caminhar até lá. Tjiyapana, como muitos himbas, não possui carro. Ele já ofereceu um terreno para a Igreja Adventista construir uma igreja.
"O que eu quero é um prédio da igreja", disse ele. "Eu quero um lugar para adorar. Essa é a única coisa que eu peço."
Enquanto isso, 30 a 60 crianças e adultos himbas se reúnem sob a árvore aos sábados para cantar canções de louvor a Deus e ouvir o obreiro bíblico ensinar a Bíblia. Durante a semana, o obreiro bíblico também vai de cabana em cabana para ensinar a Bíblia.
Tjiyapana disse que ele e seu povo querem conhecer melhor a Deus.
"Fomos criados à imagem de Deus, então Ele é quem queremos", disse ele. "Nós O desejamos."
Ore para que o povo himba conheça a Deus na Namíbia. Parte de uma oferta trimestral de 1993 iniciou um programa de divulgação para o povo himba que levou aos cultos de adoração na aldeia de Tjiyapana. Assim como a bênção dessa oferta ainda está sendo sentida na aldeia, sua contribuição para os projetos deste trimestre também pode, com a bênção de Deus, ter um impacto duradouro na Namíbia e além. Obrigado por sua oferta do dia 27 de setembro.
Por Andrew McChesney
Dicas para a história
• Mostrar a Namíbia no mapa. Indique a cidade de Opuwo, ao norte, que é o local do prédio da Igreja Adventista mais próximo da vila de Tjiyapana.
• Pronuncie Tjiyapana como: TI-ya-pa-na
• Assista a um curto vídeo no YouTube sobre Tjiyapana em: bit.ly/Tjiyapana-SID.
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Comentário da Lição da Escola Sabatina – 3º Trimestre de 2025
Tema geral: “O livro de Êxodo”
Lição 10 – 30 de agosto a 5 de setembro
A aliança e o modelo
Autor: Felipe A. Masotti
Editor: Lucas Diemer de Lemos
Revisora: Rosemara Santos
O povo da aliança
Nesta semana, estudaremos as especificações gerais para a construção do tabernáculo de Deus na Terra, conforme descritas em Êxodo 24–31, com especial ênfase no capítulo 24. O comentário a seguir destaca aspectos importantes dessas seções textuais.
Êxodo 24 descreve a cerimônia de confirmação da aliança. Os primeiros versos (v. 1-8) apresentam uma cerimônia solene e singular. Deus ordena que o sangue seja aspergido sobre os israelitas, algo raro nas Escrituras, visto que, geralmente, o sangue era aplicado sobre objetos, não sobre pessoas. Contudo, eventos correlatos ajudam a compreender melhor esse ato. Por exemplo: Êxodo 29:20 descreve a consagração do sacerdócio levítico, em que sangue foi aplicado à orelha, ao polegar da mão direita e ao dedo polegar do pé direito dos sacerdotes. Naquele mesmo contexto, os instrumentos do templo também foram aspergidos, indicando o início da mediação simbólica por meio dos sacerdotes.
Por analogia, essa dedicação em Êxodo 29 ilumina o significado do sangue aspergido sobre o povo em Êxodo 24: trata-se da confirmação da aliança. De forma sugestiva, Hebreus 9:19 acrescenta um detalhe não mencionado em Êxodo 24: o “livro da aliança” também foi aspergido com sangue sacrificial, sinalizando a ativação formal dos elementos legais e pactuais de Deus com Seu povo. Era o início de uma relação profunda entre Deus e a nação de Israel. Outros detalhes enriquecem a narrativa. O verso 1 começa com uma inversão na ordem típica da frase, “a Moisés Ele disse”, destacando a importância da instrução divina dirigida a Moisés. Setenta anciãos são mencionados como representantes do povo, convidados por Deus para participar de uma refeição pactual. Esse número reaparece em Números 11:16, 24, 25 e Ezequiel 8:11, simbolizando a totalidade do povo. Os anciãos deveriam subir com Moisés até certo ponto e "se prostrarem a distância", uma ação que remete a Gênesis 33, quando Jacó se reconciliou com Esaú.
Êxodo 24:2 afirma que somente Moisés deveria subir ao topo do monte, revelando uma estrutura hierárquica que ecoa a organização do futuro santuário, onde diferentes esferas de santidade são estabelecidas. Nos versos 3-5, a referência a “todas as palavras do Senhor e todos os juízos” (v. 3) provavelmente alude aos Dez Mandamentos e ao código da aliança (Êx 20:22–23:33). A responsabilidade do povo seria obedecer a essas instruções para manter viva a aliança. Curiosamente, jovens são convocados para oferecer sacrifícios (v. 5), provavelmente os primogênitos, que no plano original de Deus serviriam como sacerdotes. Sua proeminência destaca o valor da participação ativa dos jovens na missão divina na terra, revelando uma estrutura intergeracional de cooperação e responsabilidade.
Nos versos 6-8, lemos sobre a aspersão do sangue sobre doze altares, representando as doze tribos de Israel. A aliança foi confirmada com base no “livro da aliança” (Êx 24:7), expressão usada apenas nesse texto e em 2 Reis 22:8. Esse "livro" parece se referir às primeiras estipulações dadas por Deus ao povo. Em Êxodo 24:8, a frase “este é o sangue da aliança” aparece pela primeira vez na Bíblia, ecoando ao longo das Escrituras e apontando para a nova aliança inaugurada por Cristo (Zc 9:11; Mt 26:28; Mc 14:24; Lc 22:20; 1Co 11:25; Hb 9:19, 20; 13:20; 1Pe 1:2).
Êxodo 24:9-18 contém uma das mais impressionantes teofanias do Antigo Testamento. A passagem relata que os israelitas viram Deus, uma visão sagrada e extraordinária. Nadabe e Abiú, filhos de Arão que mais tarde seriam punidos por profanação (Lv 10), estão entre os que presenciaram essa visão. Os verbos hebraicos ra’ah (“ver”) e hazah (“vislumbrar”) são usados para descrever a experiência. A descrição inclui “uma pavimentação de pedra de safira” sob os pés de Deus (v. 10). O termo hebraico levenah geralmente significa tijolos, sugerindo uma base sólida para o trono divino. A "safira" mencionada é provavelmente o lápis-lazúli, uma pedra de um azul profundo, muito valiosa na Antiguidade. A cena representa a solenidade de um Deus que escolhe firmar aliança com Seu povo.
O restante do capítulo descreve a refeição pactual (v. 11), uma prática comum em cerimônias de aliança. Após a refeição, Deus chama Moisés e Josué para se aproximarem mais (v. 12), enquanto Arão e Hur são deixados como juízes provisórios. Isso sugere que os anciãos voltaram ao acampamento enquanto Moisés e Josué subiram ao monte. Os versos 17 e 18, narrados do ponto de vista do acampamento, descrevem a glória de Deus como “fogo devorador”, símbolo da presença total de Deus com Moisés por quarenta dias.
O Santuário
A construção do santuário passa a dominar a narrativa a partir deste ponto em Êxodo. Os capítulos finais do livro se dividem em duas grandes seções: (1) as instruções para a construção do santuário (Êx 25:1–31:17), e (2) a construção propriamente dita (Êx 35:1–40:38), sendo interrompidas pelo episódio do bezerro de ouro (Êx 32–34).
A sequência é teologicamente rica: Deus, que acaba de Se manifestar em Seu trono celestial, agora ordena a construção de uma habitação na terra. A presença de uma estrutura celestial no monte possivelmente explica a referência a um “modelo” que Moisés viu (Êx 25:9, 40), sugerindo que o tabernáculo terreno é uma cópia de uma realidade celestial.
O relato das instruções para a construção está dividido em sete seções, todas introduzidas pela frase: “Disse mais o Senhor a Moisés” (Êx 25:1; 30:11, 17, 22, 34; 31:1, 12). A sétima seção, que trata do sábado, ecoa a narrativa da criação. Assim, o tabernáculo é apresentado como uma nova criação, uma obra divina no mundo. O sábado, nesse contexto, não é apenas um mandamento, mas um sinal da nova realidade divina entre os seres humanos. Portanto, o posicionamento desse mandamento fora do decálogo deve ser tomado como uma indicação de sua origem divina e não de um eventual rebaixamento de seu status pactual.
Por fim, Êxodo 31:17 sintetiza o princípio orientador da casa de Deus na terra, por meio do sábado: “Entre Mim e os filhos de Israel é sinal para sempre; porque, em seis dias, o Senhor fez os Céus e a Terra e, no sétimo dia, descansou e tomou alento.” O verbo hebraico vayinnafash, aqui traduzido como “tomou alento”, deriva de nephesh (“alma”, “vida”) e comunica, por meio de um antropomorfismo, a ideia de renovação vital. Isso representa a presença constante de Deus junto ao Seu povo, uma presença que sustenta, cura e vivifica.
Referências:
DAVIDSON, R. M. A Song for the Sanctuary: Experiencing God’s Presence in Shadow and Reality. Biblical Research Institute, 2022.
DOUKHAN, J. B., e DAVIDSON, R. M. Genesis and Exodus. SDAIBC 1. Pacific Press, 2025.
HASEL, M. G. Êxodo. Em Comentário Bíblico Andrews. CPB, 2024.
SARNA, N. M., Exodus. JPSTC. JPS, 1991.
Conheça o autor dos comentários deste trimestre: Felipe A. Masotti é pastor da Igreja Adventista do Sétimo Dia. Formou-se em Teologia pelo UNASP-EC em 2008, atuando posteriormente como capelão do Colégio Curitibano Adventista Bom Retiro e pastor de jovens na Igreja Central de Curitiba. É mestre em interpretação bíblica pelo UNASP-EC e doutor (Ph.D.) em Teologia do Antigo Testamento pela Andrews University. Desde 2020, é professor de Antigo Testamento no Seminário Adventista Latino-Americano de Teologia (SALT), no campus da Faculdade Adventista do Paraná (FAP). Felipe é autor, coeditor e coautor de várias obras, incluindo Daniel: Interpretação, História e Teologia (CPB), But the Wise Shall Understand (Mohr Siebeck) e Exploring the Composition of the Pentateuch (Eisenbrauns). É casado com Camila Masotti, também professora na FAP, e pai do Miguel e da Helena.