Em 14 de outubro de 1987, Jessica McClure, de 18 meses de idade, brincava no quintal de sua tia quando caiu em um poço abandonado de 6,5 metros. Sua situação difícil atraiu a mídia de todo o mundo para Midland, Texas. Uma audiência global assistia à “bebê Jéssica” dormir, chorar, cantar e chamar por sua mãe. Todos assistiam à medida que equipes de emergência canalizavam ar fresco para baixo no poço.
Finalmente, 58 horas após a queda de Jéssica, a audiência mundial assistiu quando ela foi liberta do tubo do poço de 20 centímetros que a prendeu por mais de dois dias. A fotografia vencedora do prêmio Pulitzer, feita pelo fotógrafo Scott Shaw, capturou o momento: um cabo de resgate separava de Jessica os rostos preocupados dos socorristas, que olhavam para o pacote enfaixado no centro do drama, a bebê Jéssica.
Não há nada tão arrebatador quanto uma boa história de resgate, e Paulo, em Efésios 2:1-10, nos oferece uma visão bem aproximada da maior e mais abrangente missão de resgate de todos os tempos: os esforços de Deus para redimir a humanidade. O drama da história se intensifica pelo conhecimento de que não somos meros espectadores do resgate de outra pessoa, mas testemunhas do nosso próprio resgate.
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1. Qual é a ideia principal sobre o que Jesus fez por nós? Ef 2:1-10
Paulo já havia descrito a salvação dos cristãos (Ef 1:3-23) e contado, resumidamente, a história dos efésios (Ef 1:13). Ele contou a história da conversão deles com mais detalhes (Ef 2:1-10), com um enfoque mais pessoal. Contrastou a vida pecaminosa anterior dos efésios (Ef 2:1-3) com as bênçãos da salvação, retratadas como uma participação na ressurreição, ascensão e exaltação de Cristo (Ef 2:4-7), e celebrou o fundamento da salvação na graça e na obra divina de criação (Ef 2:8-10).
Essas três seções da passagem são resumidas ordenadamente nas expressões de Efésios 2:5: (1) “estando nós mortos em nossas transgressões”; (2) [Deus] “nos deu vida juntamente com Cristo”; (3) “pela graça vocês são salvos”.
Em Efésios 2:1, 2 Paulo enfatizou a triste realidade da existência anterior à conversão de seu público, observando que eles estiveram espiritualmente mortos, praticando pecados como padrão de vida e sendo dominados por Satanás. Visto que Paulo escrevia para vivos, referiu-se a eles como outrora “mortos”, em um sentido figurado (Ef 5:14). No entanto, a dificuldade deles era real e terrível, uma vez que estiveram antes separados de Deus, a Fonte da Vida (Cl 2:13; Rm 5:17; 6:23).
Ao refletir sobre o passado de seus ouvintes, Paulo identificou duas forças externas que os dominaram. A primeira era “o curso deste mundo” (Ef 2:2) – os costumes e o comportamento da sociedade de Éfeso, que desfiguravam a vida humana em rebelião contra Deus.
Satanás é descrito de duas maneiras como a segunda força externa que havia dominado a existência anterior dos crentes. Ele é “o príncipe da potestade do ar” (Ef 2:2), uma vez que “o ar” (ou “lugares celestiais”) é identificado como o local dos poderes sobrenaturais, incluindo os malignos (Ef 1:3; 3:10; 6:12). Além disso, ele é ativo na Terra, pois é “o espírito que agora atua nos filhos da desobediência” (Ef 2:2).
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“Entre eles também nós todos andamos no passado, segundo as inclinações da nossa carne, [...] e éramos por natureza filhos da ira, como também os demais” (Ef 2:3).
Sem a intervenção divina, a existência é dominada não apenas pelas forças externas (Ef 2:2), mas também pelas internas: “as inclinações da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos” (Ef 2:3; compare com Tg 1:14, 15; 1Pe 1:14).
2. O que Paulo quis dizer ao afirmar que seus ouvintes tinham sido “por natureza filhos da ira, como também os demais”? Ef 2:3; 5:6
A realidade da vida perdida é muito angustiante, mas suas consequências para os últimos dias são ainda mais assustadoras. Pecadores, “por natureza filhos da ira, como também os demais” (Ef 2:3) estão sob a ameaça do juízo no fim dos tempos.
A expressão “por natureza filhos da ira” aponta também para outra realidade assustadora. Embora ainda tenhamos a imagem de Deus, há algo profundamente errado em nós. Ser cristão não é apenas uma questão de dominar um ou dois maus hábitos, ou superar “transgressões e pecados” ameaçadores (Ef 2:1). Não lutamos apenas contra pecados, mas contra o pecado. Somos inclinados à rebelião contra Deus e à autodestruição. Os seres humanos, por natureza, exibem um padrão de comportamento autodestrutivo e pecaminoso, seguindo os ditames de Satanás e seus próprios desejos pecaminosos inatos (Ef 2:2, 3). Os crentes já foram “por natureza filhos da ira”.
Paulo empregou o tempo passado: “éramos por natureza filhos da ira” (Ef 2:3). Isso não significa que os crentes já não possuam mais inclinação inerente ao mal. Parte considerável da carta (Ef 4:17–5:21) alertou que atos pecaminosos, enraizados em uma natureza pecaminosa, continuavam sendo uma ameaça para os cristãos. No entanto, isso significa que o “velho homem” não deve mais dominar o crente, que, através do poder de Cristo, pode “deixar de lado a velha natureza” e “se revestir da nova natureza, criada segundo Deus, em justiça e retidão procedentes da verdade” (Ef 4:22-24).
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Usando duas palavras poderosas (“Mas Deus”), Paulo partiu da triste descrição do passado de seu público (Ef 2:1-3) para a nova realidade, cheia de esperança, que marcava a vida deles como crentes (Ef 2:4-10).
3. Em que sentido os crentes participam da ressurreição, ascensão e exaltação de Cristo? Quando isso ocorre? Ef 2:6, 7
Efésios é uma carta encharcada de Cristo e que destaca a unidade dos crentes com o Senhor. Paulo estende esse tema ao empregar três verbos compostos para revelar a verdade impressionante de que, por meio das iniciativas de Deus, os crentes participam de importantes eventos da história da salvação que se concentram no Messias, Jesus (Ef 2:5, 6). São eles:
(1) Deu-nos vida juntamente com Cristo; (2) Juntamente com Ele nos ressuscitou (Paulo provavelmente empregou essa expressão para indicar a participação dos crentes na ascensão de Cristo ao Céu); (3) e com Ele nos fez assentar “nas regiões celestiais”, o que significa que os crentes participam da exaltação de Cristo no trono do cosmos. Eles são coexaltados com Jesus.
Para entender o poder do argumento de Paulo, devemos voltar a Efésios 1:19-23 e relembrar que, em Sua morte, ressurreição, ascensão e exaltação, Cristo obteve vitória sobre todos os poderes malignos e espirituais que outrora dominavam os crentes. Na ressurreição, ascensão e exaltação de Jesus, esses poderes, embora ainda ativos e ameaçadores, foram completamente vencidos. O cosmos mudou, bem como a realidade. Os crentes não são meros espectadores desses eventos, mas estão envolvidos neles de forma pessoal e profunda. Temos vida juntamente com Cristo, fomos ressuscitados e exaltados com Ele. Isso abre uma nova gama de possibilidades para nós. Temos o direito de passar de uma existência dominada por demônios para uma vida de abundância espiritual e poder Nele (2Tm 1:7).
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4. Compare o plano da salvação (Ef 1:3, 4) com os seus resultados eternos (Ef 2:7). Quais são os elementos e objetivos essenciais desse plano?
Cerimônias de formatura são maravilhosas, seja de jardim da infância ou de um Ph.D. Uma formatura marca uma conquista importante, a mudança para uma fase diferente da vida ou da carreira. É importante para nós, como crentes, entender uma verdade profunda do evangelho: nunca nos formaremos na escola da graça. Nunca haverá uma celebração de um doutorado em graça nem ficaremos isentos da necessidade dela.
Paulo reforçou essa verdade com uma cronologia abrangente. Deus agiu no passado em Cristo para nos redimir, identificando-nos com Seu Filho, de tal forma que, no presente, somos coparticipantes da Sua ressurreição, ascensão e exaltação (Ef 2:4-7). O plano divino, porém, não termina com um passado cheio de graça e um presente banhado na misericórdia. Estabelecido em concílios divinos em tempos imemoriais (Ef 1:4), estende- se para sempre no futuro. Inclui “tempos vindouros”. A base de Seu plano para o futuro eterno é o mesmo princípio de Suas ações no passado e no presente: o princípio da graça. “Nos tempos vindouros”, Deus anseia demonstrar “a suprema riqueza da Sua graça, em bondade para conosco, em Cristo Jesus” (Ef 2:7).
Paulo considerava a graça de Deus uma fortuna ou tesouro de valor insondável (compare com Ef 1:7; 3:8) do qual os crentes podem tirar para atender a qualquer necessidade. Essa grande generosidade divina para conosco se torna uma exibição eloquente, eterna e cósmica de Sua graça.
“Habitando conosco, Jesus revelaria Deus tanto aos seres humanos quanto aos anjos [...]. Entretanto, essa revelação seria feita não somente aos Seus filhos nascidos na Terra. Nosso pequeno mundo é o livro de estudo do Universo. O maravilhoso plano de graça do Senhor, o mistério do amor que redime, é o tema que os ‘anjos anelam perscrutar’ (1Pe 1:12) e será seu estudo por toda a eternidade. Os seres remidos e os não caídos terão na cruz de Cristo seu estudo e seu cântico. Será visto que a glória que resplandece no rosto de Jesus Cristo é a glória do amor abnegado” (Ellen G. White, O Desejado de Todas as Nações [CPB, 2021], p. 9).
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5. Leia Efésios 2:1-10, dando ênfase aos versos 8 a 10. Que pontos Paulo destacou ao concluir a passagem?
Em Efésios 2:1-3, Paulo documentou que a salvação dos crentes não ocorreu por causa do bom comportamento ou das qualidades agradáveis deles. Antes, eles estavam espiritualmente mortos. Não havia faísca de vida ou valor neles, eram totalmente dominados pelo pecado (Ef 2:1), não tinham iniciativa própria e eram liderados por Satanás e por suas próprias paixões e ilusões (Ef 2:2, 3).
Alheios a tudo, estavam em uma condição muito pior do que simplesmente não ter vida espiritual ou virtude. Com toda a humanidade, eram inimigos do Deus verdadeiro e caminhavam em direção ao juízo divino. Eram “filhos da ira, como também os demais” (Ef 2:3).
A salvação deles não estava fundamentada em suas próprias qualidades, mas no amor inexplicável de Deus, que não pode ser explicado com base em nenhum valor do objeto desse amor. Na misericórdia e no amor, Deus age em favor deles em Cristo (Ef 2:4), ressuscitando-os da morte espiritual. Por causa da intervenção divina, experimentam um itinerário incrível que segue a trajetória do próprio Jesus. Da extrema profundidade da morte espiritual absoluta e da escravidão opressora, eles são ressuscitados e transportados para as “regiões celestiais” e se assentam com Cristo no trono cósmico (Ef 2:5, 6). Porém, essa intervenção divina não é um fenômeno momentâneo. Tem poder de permanência real e durabilidade eterna, porque Deus pretende exibir Sua graça para com eles em Cristo Jesus por toda a eternidade (Ef 2:7).
Em sua conclusão de Efésios 2:1-10, versos 8-10, Paulo voltou a tocar nesse assunto, desejando garantir que seu argumento se destacasse: a salvação dos crentes é obra divina, não humana. Não se origina em nós, é dom de Deus. Nenhum ser humano pode se vangloriar de tê-la despertado (Ef 2:8, 9). Permanecendo na graça de Deus, somos revelações de Sua graça, e apenas de Sua graça. Somos Suas obras-primas, criadas por Deus “em Cristo Jesus” (Ef 2:10).
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Subjacente à Epístola aos Efésios está uma história que é muitas vezes repetida em partes ou mencionada. Os principais eventos da narrativa são estes:
- A escolha divina das pessoas “antes da fundação do mundo” (Ef 1:4, 5, 11).
- A existência passada, perdida deles (Ef 2:1-3, 11, 12; 4:17-19, 22; 5:8).
- A intervenção divina em Cristo para salvá-los (Ef 1:7, 8; 2:4-6, 13-19; 4:1, 20, 21; 5:2, 8, 23, 25, 26).
- A aceitação do evangelho por parte dos crentes (Ef 1:12, 13, e implícita em outros lugares). Outrora “não tendo esperança” (Ef 2:12), eles agora possuem “uma só esperança” para a qual foram chamados (Ef 4:4; compare com Ef 1:18).
- A vida dos destinatários como discípulos. Apesar de viverem em uma época repleta de perigos e de oposição dos poderes malignos, podiam recorrer aos recursos oferecidos por seu exaltado Senhor (Ef 1:15-23; 2:6; 3:14-21; 4:7-16; 6:10-20).
- No futuro clímax da história, o papel do Espírito como garantia (Ef 1:13, 14), ou “selo” (Ef 4:30), se cumpre. Nesse momento de coroação, os fiéis serão recompensados ao tomar posse da “herança” já concedida a eles em Cristo; e, por sua fé em Cristo, terão um lugar no porvir (Ef 1:21; 2:7, 19-22; 4:13, 15; 5:27; 6:8, 9).
Perguntas para consideração
- A história subjacente de Efésios (ver acima) não é apenas a história dos crentes no primeiro século; é a nossa história. Quais etapas dessa história lhe trazem esperança?
- Por que Paulo recordava com tanta frequência o passado pecaminoso de seu público, convidando-o a refletir sobre sua vida antes da conversão?
- Compare o resumo que Paulo fez do evangelho em Efésios 2:8-10 com seu resumo em Romanos 1:16, 17. Que temas são semelhantes? Em que eles são diferentes?
- Embora as boas obras dos crentes não tenham parte em sua redenção, no sentido de que jamais darão a alguém mérito de salvação perante Deus, que papel importante desempenham nos planos divinos para os crentes? (Ef 2:10).
Respostas e atividades da semana: 1. Pela graça mediante a fé, Cristo nos deu vida e salvação da morte espiritual. 2. Quis dizer que, separados de Deus, eles seguiam os ditames de Satanás e seus próprios desejos pecaminosos. 3. No sentido de que são um com o Senhor e participam do poder da ressurreição na conversão e na vida cristã. Além disso, terão a experiência da própria ressurreição no futuro. 4. Perdão e santidade por meio da graça e do amor. As riquezas da graça serão manifestadas no presente e no porvir. 5. A salvação dos crentes é obra divina, não humana. Não se origina em nós, é dom de Deus.
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TEXTO-CHAVE: Efésios 2:4, 5
FOCO DO ESTUDO: Ef 2:1-10; Ef 5:14; Rm 5:17; Ef 5:6; 1Tm 1:7
VISÃO GERAL
Introdução: Enquanto Paulo, em Efésios 1, destaca o plano abrangente da salvação em Cristo no âmbito universal, no capítulo 2 o apóstolo explica mais detalhadamente a maneira como Deus opera em nossa salvação no âmbito individual. Depois que os seres humanos deixaram o jardim do Éden, entraram em uma condição que Paulo chama de “mortos em suas transgressões e pecados” (Ef 2:1). Nessa condição, os seres humanos estão mortos em seus pecados no sentido de serem controlados tanto por forças internas (tendências pecaminosas) quanto por forças externas (o diabo e o mundo). As pessoas nessa condição não podem esperar uma vida com Deus; pelo contrário, elas são filhas da ira (Ef 2:3). A única esperança para nós é sermos ressuscitados, ascendermos e sermos exaltados com Cristo (Ef 2:6, 7).
No entanto, não podemos ressuscitar, ascender e exaltar a nós mesmos. Por essa razão, Paulo enfatiza que somos salvos “pela graça” (Ef 2:5, 8). Isso é totalmente obra e iniciativa divinas, por causa do amor, misericórdia e poder de Deus (Ef 2:4). Para Paulo, essa obra é o fundamento do evangelho. Contudo, ele imediatamente se apressa em acrescentar que somos salvos “mediante a fé” (Ef 2:8). Embora nossa salvação seja, em sua totalidade, obra de Deus, Ele não nos salva contra a nossa vontade. Aqueles que são salvos não ascenderão ao Céu nem serão exaltados aos lugares celestiais por um ato divino de predestinação. Em vez disso, a salvação de Deus se torna atuante em nós quando exercemos fé, isto é, quando aceitamos e recebemos a salvação de Deus, permitindo que o poder de Deus nos ressuscite, exalte nossa vida e nos capacite a viver em Cristo Jesus.
Temas da lição: A lição desta semana enfatiza três temas principais de Efésios 2:1-10 que descrevem o processo dinâmico da salvação pessoal:
- O que significa estar morto em pecado? Qual é a natureza da vida pecaminosa?
- O que significa ser ressuscitado com Cristo para uma nova vida Nele?
- O que significa ser salvo pela graça por meio da fé?
COMENTÁRIO
Ellen G. White e os conceitos de morto no pecado e da salvação pela graça
Ellen G. White explica a condição humana decaída. Depois que Adão pecou “já não encontrava alegria na santidade, e procurava esconder-se da presença de Deus. Esta ainda é a condição do coração não renovado. Ele não está em harmonia com Deus, nem demonstra satisfação em relacionar-se com Ele. O pecador não consegue ficar feliz na presença de Deus e evita a companhia dos seres santos. Se lhe fosse permitido entrar no Céu, nem lá haveria felicidade para o pecador. O espírito de amor altruísta que domina ali – onde cada coração reflete o infinito Amor – não despertaria o menor interesse em seu coração. Seus pensamentos, interesses e motivos seriam distintos daqueles que caracterizam os habitantes sem pecado que ali estão. Ele seria uma nota dissonante na música celestial. Para ele, o Céu seria um lugar de tortura; e desejaria esconder-se Daquele que ali é luz e fonte de toda alegria. Não é um decreto arbitrário de Deus que exclui os ímpios do Céu; eles ficam do lado de fora por se sentirem inadequados na companhia dos santos. Para eles, a glória de Deus seria um fogo consumidor. Prefeririam que logo viesse a destruição para que não tivessem de enfrentar o encontro com Aquele que morreu para redimi-los” (Caminho a Cristo, p. 17, 18).
Ela então enfatiza: “É impossível escapar do abismo de pecado em que estamos afundados. Nosso coração é mau e não podemos mudá-lo. [...] A educação, a cultura, o exercício da vontade, o esforço humano, todas essas coisas têm sua importância, mas nesse caso não têm poder para mudar a situação. Podem até produzir um comportamento aparentemente correto, mas não transformar o coração nem purificar as fontes da vida. É preciso que haja um poder que opere no interior, uma vida nova vinda de cima, para que o homem passe do estado pecaminoso para a santidade. Esse poder é Cristo. Somente Sua graça poderá vitalizar as inertes faculdades espirituais e atrair a pessoa para Deus, para a santidade” (p. 18).
Ellen G. White ainda explica que “não basta perceber o compassivo amor de Deus, enxergar a benevolência e a bondade paternal do Seu caráter. Não basta discernir a sabedoria e a justiça da Sua lei para ver que ela está alicerçada sobre o eterno princípio do amor. O apóstolo Paulo viu tudo isso quando exclamou: ‘Consinto com a lei, que é boa.’ ‘A lei é santa; e o mandamento, santo, e justo, e bom’. Mas, em desespero, acrescentou com o coração amargurado: ‘Sou carnal, vendido à escravidão do pecado’ (Rm 7:16, 12, 14). Ele anelava a pureza, a justiça, coisas que, por si mesmo, não tinha forças para alcançar, e clamou: ‘Desventurado homem que sou! Quem me livrará do corpo desta morte?’ (Rm 7:24). Esse é o clamor que vem de corações atribulados em todas as terras e em todas as épocas. Para todos, existe apenas uma resposta: ‘Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!’” (Jo 1:29; p. 19).
Mortos em pecados e ressuscitados em Cristo
A expressão de Paulo, “mortos em suas transgressões e pecados” (Ef 2:1), destaca três aspectos principais da condição humana decaída.
Primeiro, “mortos em suas transgressões e pecados” aponta para uma morte literal. O pecado é oposto a Deus e à vida. Estar em pecado é negar Deus e a vida. “O salário do pecado é a morte” (Rm 6:23). Estar no pecado leva à morte (1Jo 5:16), completa aniquilação do ser humano. Estar em pecado é estar condenado à morte, é o mesmo que estar “morto”. Essa morte não se refere apenas ao corpo; o ser humano que escolhe permanecer no pecado estará morto, em todos os aspectos, sem elementos sobreviventes.
Segundo, estar “mortos em suas transgressões e pecados” é uma condição espiritual e moral. É estar morto para Deus. Isso não significa que os seres humanos não possam perceber o amor, a justiça ou o chamado de Deus, ou que não possam reconhecer seu estado decadente. Afirmar o contrário levaria ao conceito de predestinação. Contudo, as pessoas podem perceber, e percebem, a revelação e o chamado de Deus; por essa razão, elas são “indesculpáveis” (Rm 1:19-21; veja Rm 2:1, 9-16). O problema surge quando elas percebem o chamado da graça de Deus, mas decidem que tudo está bem com elas e que serão melhores se seguirem seus próprios caminhos, alegando que podem mudar a si mesmas e consertar o mundo sozinhas (Is 5:21; Rm 1:21-23; veja também Gn 11:1-5). No entanto, esse pensamento distorcido as afunda ainda mais na lama do pecado (Rm 1:24-32).
Paulo ilustra essa condição perdida com a metáfora de andar “segundo o curso deste mundo” (Ef 2:2), saciando os anseios, concupiscências, desejos e pensamentos da carne (Ef 2:3). Ao fazer isso, os que não são renovados chegam ao ponto em que “ao mal chamam bem e ao bem chamam mal” e “fazem das trevas luz e da luz fazem trevas” (Is 5:20). Esse estado constitui não apenas confusão moral, mas também rebelião contra Deus.
Terceiro e, como consequência, a declaração “mortos em suas transgressões e pecados” aponta para o fato de sermos totalmente incapazes de superar a atração gravitacional do buraco negro do pecado. Essa incapacidade é dessa forma porque o pecado se tornou uma força dominante de controle em nossos seres, tornando-se “outra lei” guerreando em nós e contra nós (Rm 7:23). Nossa natureza foi afetada, ficando irremediavelmente doente, a ponto de se tornar um “corpo de morte” (Rm 7:24, KJA).
É por essa mesma razão que Paulo observa que somente uma “ressurreição” pode nos salvar da condição de “mortos em nossas transgressões” (Ef 2:5, 6). Porém, Paulo não fala sobre uma ressurreição semelhante à ressurreição da fênix do antigo mito, uma ave que tinha um poder regenerativo intrínseco. Nossa morte no pecado e por causa do pecado é definitiva e irreversível. Não temos em nós nenhum poder para reviver. Somente Deus, que nos criou, pode nos recriar ou ressuscitar.
Para Paulo, a ressurreição não é uma “simples” regeneração de nossos tecidos biológicos para que possamos viver por várias décadas mais na mesma condição pecaminosa. Em vez disso, a noção de ressurreição de Paulo é uma fuga total do poder prejudicial do mundo e do domínio do pecado. A crença de Paulo na ressurreição constitui outro tipo ou qualidade de vida – a vida eterna (Rm 6:23). Esse poder único de renovação foi manifestado na ressurreição de Cristo dentre os mortos (Ef 1:20) e então nos foi dado no sentido de que Deus nos convidou a compartilhar e participar, por meio do Espírito, da ressurreição de Cristo (Ef 2:5, 6).
Em Romanos, Paulo explica que, pelo fato de o pecado ser uma força tão disseminada em nós, é inevitável que morramos. Mas, por causa da graça de Deus, não precisamos morrer em pecado, mas para o pecado. Cristo morreu em nosso lugar pelo nosso pecado. Agora, em Cristo morremos, mas morremos com Cristo para o pecado (Rm 6:2-4). O apóstolo, então, conclui que, porque “fomos unidos com Ele na semelhança da Sua morte, certamente o seremos também na semelhança da Sua ressurreição, sabendo isto: que a nossa velha natureza foi crucificada com Ele, para que o corpo do pecado seja destruído, e não mais sejamos escravos do pecado. Pois quem morreu está justificado do pecado” (Rm 6:5-7).
Pela graça mediante a fé
Paulo diz que somos salvos “pela graça [...] mediante a fé” (Ef 2:8). Ele não afirma que somos salvos somente pela graça ou somente pela fé. Ambas atuam juntas. No entanto, elas têm uma sequência essencial de operação. Não é a fé que gera a graça. A fé não é uma energia interior que nos dá vida, que nos eleva a Deus, que muda o caráter de Deus para conosco ou que gera salvação. A fé nasce e passa a operar em nós quando Deus nos oferece Sua graça (Rm 10:17). A graça gera fé. A fé é o nosso recebimento da graça..
Essa compreensão tem pelo menos três implicações principais. Primeira, a fé não é e não pode ser meritória. De fato, até a fé é uma dádiva de Deus, porque Deus ofereceu a todos nós a possibilidade de recebermos a Sua graça. Tanto a graça quanto a fé são dádivas de Deus (Ef 2:8). Por essa razão, Paulo enfatiza que nossas obras não têm nenhum papel na produção da nossa salvação (Ef 2:9). Pelo contrário, nós, como pessoas salvas, somos “feitura Dele, criados em Cristo Jesus para boas obras” (Ef 2:10). Essas boas obras, portanto, não são nossas. Elas não são geradas pela genialidade ou pelo poder da nossa fé, mas “Deus de antemão [as] preparou para que andássemos nelas” (Ef 2:10).
A segunda implicação é que Paulo une a justificação com a santificação de modo inseparável. Enquanto justificação significa que estamos vestidos com a justiça de Cristo, santificação significa que estamos vestidos com o manto de boas obras de Cristo.
Terceira: graça e fé são o fundamento da unidade da igreja, que é um dos temas centrais da teologia de Paulo sobre a igreja. A igreja está unida na mesma experiência de receber a revelação divina da graça e na mesma experiência de aceitá-la e abraçá-la na fé, “uma só fé” (Ef 4:5). Nessa experiência, todos os membros da igreja são iguais. Novamente, a igreja não é uma sociedade multifacetada na qual alguns membros são melhores cristãos porque receberam mais graça. A igreja não é dividida em grupos de membros mais espirituais ou menos espirituais, de acordo com o grau de sua fé. Ao contrário, a igreja como um todo está fundamentada e unida na mesma graça e na mesma aceitação dessa graça na fé. Em Efésios 4:7, Paulo parece falar sobre vários graus ou tipos de graça. Porém, ele não fala sobre a graça salvífica, mas sobre a diversidade dos dons espirituais para a edificação da igreja de Deus e para o cumprimento de sua missão. Além disso, quando, em 1 Coríntios 12:9, Paulo afirma que o Espírito dá fé a alguns, ele se refere ao mesmo tópico dos dons espirituais e não à fé salvífica dada a todos os seres humanos.
APLICAÇÃO À VIDA
- Peça aos alunos que pensem em maneiras de explicar a ira de Deus (Ef 2:3; Rm 1:18) aos (1) seus filhos, (2) seus vizinhos não adventistas e (3) seus colegas seculares e ateus.
- Peça aos alunos que descrevam para amigos da comunidade a experiência que tiveram quando foram vivificados com Cristo e em Cristo. Como manter viva essa experiência?
- Mesmo tendo crescido em ambientes cristãos, muitas pessoas podem estar mortas em pecados e não terem experimentado o novo nascimento. Como ajudar essas pessoas a experimentar a plenitude e ter “vida juntamente com Cristo” (Ef 2:5)? Como encorajar essas pessoas a renascer sem ter que passar por toda a miséria de uma vida pecaminosa?
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Missionário On-line
Nemanya - Sérvia
En quanto Nemanya estava navegan do pelo Instagram, ele percebeu que não conseguia encontrar muitas páginas com a mensagem adventista do sétimo dia em sua língua nativa, o sérvio. Ele se perguntou: “Por que nossa igreja não está bem representada no Instagram?”
Então ele se perguntou: “Por que ninguém faz algo a respeito?”
A próxima pergunta que veio à sua mente foi: “Por que eu não faço algo a respeito?”
Então, Nemanya começou um ministério on-line que hoje conta com mais 5 mil seguidores no Instagram ao redor do mundo e participantes adicionais em outras duas plataformas de redes sociais. Além de postar mensagens sobre as crenças adventistas na rede social, Nemanya supervisiona 10 pequenos grupos de estudo bíblico de 20 a 30 pessoas em cada, pelo Instagram. Pelo menos 10 jovens foram batizados nos últimos dois anos, e vários estão estudando para se tornar pastores no seminário adventista na capital da Sérvia, Belgrade.
Como é ser um missionário on-line?
“Pode ser assustador”, disse Nemanya, que tem 25 anos.
Um jovem escreveu que sua vida estava sendo ameaçada por um espírito do mal. O espírito do mal, que se identificou como deus, disse que ele havia matado outras pessoas. “Você pode orar por mim?”, o jovem perguntou a Nemanya.
Nemanya organizou um grupo de oração on-line de 10 pessoas, e eles oraram. Dois dias depois, o rapaz enviou uma mensagem expressando sua gratidão.
“Ontem, os ataques do espírito foram menores, e hoje ele não fez nenhum ataque”, escreveu ele.
O jovem entrou em um dos grupos de estudo bíblico on-line de Nemanya.
“Deus o ajudou”, disse Nemanya.
Outro grupo de estudo bíblico de Nemanya, um grupo de mulheres, recebeu uma mensagem de uma mulher chamada Tamara, em Viena, Áustria. Ela escreveu que desejava fortemente participar da Santa Ceia, mas não sabia aonde ir. Após postar sua mensagem no grupo, ela escreveu diretamente a Nemanya perguntando que igreja deveria frequentar. “Isso é fácil,” Nemanya respondeu. “Leia a Bíblia e ore, e Deus vai lhe dizer o que fazer.”
Tamara respondeu educadamente que ela já tinha lido a Bíblia e orado. Nemanya enviou materiais de estudo e várias postagens do Instagram para ela. “Obrigada”, escreveu Tamara. “Mas eu ainda não encontrei uma resposta.” Ela pediu ajuda pela terceira vez.
Desta vez, Nemanya respondeu: “Sugiro que você vá à Igreja Adventista do Sétimo Dia”.
Tamara não ficou satisfeita com a resposta e decidiu visitar outra igreja. No entanto, quando ela chegou, não conseguiu encontrar um lugar para estacionar. Ela deu várias voltas, mas ainda não conseguiu encontrar uma vaga vazia. Enquanto ela rodeava a igreja na Áustria, uma mulher adventista localizada a cerca de 500 quilômetros de distância, na Bósnia e na Herzegovina, notou a postagem inicial de Tamara em busca de ajuda no grupo de estudo bíblico para mulheres.
“Oi, Tamara”, escreveu a mulher. “Haverá uma Santa Ceia no sábado. Aqui está o endereço da igreja em Viena.”
Tamara ficou chocada. “Eu estava procurando uma vaga para estacionar e me sentindo bem para baixo”, ela respondeu. “Foi nesse momento que eu recebi sua mensagem.” Ela foi à Igreja Adventista participar da Santa Ceia naquele sábado. Agora ela está se preparando para o batismo.
Certa noite, enquanto Nemanya estava se preparando para ir para a cama, veio-lhe o pensamento: “Você deveria orar por Aleksa”. Aleksa havia aceitado a verdade após de entrar em um grupo de estudo bíblico on-line, mas não havia sido batizado. Então ele saiu do grupo, dizendo: “Eu conheço a verdade, mas não a quero. Eu quero viver a vida”.
Nemanya decidiu orar naquela noite. Ele fez uma oração muito simples: “Por favor, Deus, toque seu coração. Amém”.
No dia seguinte, Aleksa escreveu: “Ouça, eu sinto que o Espírito Santo está tocando meu coração”.
Nemanya ficou maravilhado. Foi exatamente por aquilo que ele havia orado.
“Seria legal se ele tivesse escrito: 'Quero voltar para o grupo'”, disse Nemanya. “Mas ele escreveu que estava experimentando exatamente o que eu havia orado. Ele voltou para o grupo depois disso.”
Outro jovem criticou ativamente os adventistas na rede social.
Nemanya escreveu para ele: “Oi! Por que você não lê O Grande Conflito?”
“Beleza, vou tentar”, respondeu o jovem.
Ele leu o livro inteiro de Ellen White em uma única noite. No dia seguinte, ele disse: “Parece que estou me tornando adventista”.
Ele aceitou que a Igreja Adventista ensina a verdade bíblica. Agora ele está se preparando para o batismo.
Nemanya é fruto da educação adventista do sétimo dia financiado pelas ofertas. Quando adolescente, ele estudou na Escola Secundária Adventista de Novi Sad, Sérvia, que foi aberta com a ajuda da oferta do décimo terceiro sábado recolhida no terceiro trimestre de 1997. Obrigado por suas ofertas que têm um efeito cascata em muitas vidas, ao longo de tantos anos.
Por Andrew McChesney
Dicas para a história
- Nemanya se pronuncia: ni-MEN-ia.
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Baixe as fotos no Facebook: bit.ly/fb-mq.
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Baixe publicações e fatos rápidos sobre a Divisão Transeuropeia: bit.ly/TED-2023.
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