Cristãos da maioria das denominações falam sobre lei e graça e entendem a relação entre elas. A lei é o padrão de santidade e justiça divinas, e violá-la é pecado. “Todo aquele que pratica o pecado também transgride a lei, porque o pecado é a transgressão da lei” (1Jo 3:4). E porque todos nós transgredimos essa lei, pois “a Escritura encerrou tudo sob o pecado” (Gl 3:22), somente a graça de Deus pode nos salvar. “Porque pela graça vocês são salvos, mediante a fé; e isto não vem de vocês, é dom de Deus” (Ef 2:8).
Nesse contexto, temos o “pequeno detalhe” do sábado do sétimo dia como parte da lei. Por várias razões, muitos cristãos estão determinados a rejeitá-lo, dando todos os tipos de desculpas para justificar essa atitude. Em algum momento, precisamos pensar também sobre esse assunto.
Embora expresso de maneiras diferentes e em cenários variados, o tema da lei e da graça está em toda a Bíblia, incluindo Deuteronômio. Sim, esse livro também apresenta a relação entre lei e graça, mas em um contexto singular.
Deus é amor, e o amor é o princípio abrangente de Seu caráter e o fundamento de Seu governo. Ele deseja que O amemos. Por isso, nos criou com liberdade moral, o que é inerente ao amor.
Algo central no conceito de liberdade moral é a lei moral. Embora partículas subatômicas, ondas do oceano e cangurus sigam a lei natural em certo nível, não cumprem, nem precisam cumprir a lei moral. Somente os seres morais precisam da lei moral, e é por isso que mesmo no Céu Deus tem uma lei moral para os anjos.
1. Leia Ezequiel 28:15, 16, sobre a queda de Lúcifer no Céu. Encontrou-se nele “iniquidade”, e ele também “pecou”. O uso dessas palavras, no contexto do Céu, confirma a existência da lei moral ali?
Tanto “iniquidade” quanto “pecado” são palavras usadas entre nós, humanos. Mas as Escrituras usam os mesmos termos para o que aconteceu no Céu, em outro nível da criação. Isso nos diz algo sobre o que existe ali, bem como na Terra.
2. “Que diremos, então? Que a lei é pecado? De modo nenhum! Mas eu não teria conhecido o pecado, a não ser por meio da lei. Porque eu não teria conhecido a cobiça, se a lei não tivesse dito: ‘Não cobice’”(Rm 7:7). Como pode a mesma ideia, pelo menos em princípio, existir no Céu, onde há seres morais livres, os anjos?
Como explica Ellen G. White: “A vontade de Deus se expressa nos preceitos de Sua santa lei, e os princípios dessa lei são os mesmos princípios do Céu. Os anjos celestiais não atingem mais alto conhecimento do que saber a vontade de Deus; e fazer Sua vontade é o mais elevado serviço em que se possam ocupar suas faculdades” (O Maior Discurso de Cristo, p. 109).
Céu, Terra, não importa: se Deus tem seres morais, haverá uma lei moral para governá-los, e a violação dessa lei, onde quer que seja, é pecado.
A nação hebraica nas fronteiras de Canaã, o povo escolhido de Deus, estava prestes a herdar a terra prometida. Deuteronômio contém as instruções finais de Moisés aos hebreus antes de tomarem a terra. Entre essas instruções estava a ordem para obedecer.
3. Leia os seguintes textos. O que é citado continuamente e por que isso é tão importante para o povo? Dt 4:44; 17:19; 28:58; 30:10; 31:12; 32:46; 33:2
Mesmo a leitura mais superficial do livro de Deuteronômio mostra como a obediência à lei era crucial para a nação de Israel. Obedecer era sua parte na aliança. Deus tinha feito muito por eles e ainda faria – coisas que eles não poderiam fazer por si mesmos e que não mereciam (isso é graça, Deus nos dando o que não merecemos). E o que Ele pediu em resposta foi obediência à Sua lei.
Não é diferente agora. A graça de Deus nos salva, à parte das obras da lei. “Concluímos, pois, que o ser humano é justificado pela fé, independentemente das obras da lei” (Rm 3:28). Nossa resposta é a obediência à lei. Obedecemos à lei, porém, não em uma tentativa inútil de sermos salvos por ela, “porque ninguém será justificado diante de Deus por obras da lei, pois pela lei vem o pleno conhecimento do pecado” (Rm 3:20), mas como resultado da salvação que tão graciosamente recebemos. “Se vocês Me amam, guardarão os Meus mandamentos” (Jo 14:15).
Deuteronômio pode ser visto como uma grande lição prática sobre a graça e a lei. Pela graça, Deus nos redime, faz por nós o que não poderíamos fazer por nós mesmos (assim como Israel não poderia ter escapado do Egito por suas próprias forças). Em resposta vivemos, pela fé, uma vida de obediência a Ele e à Sua lei. Desde a queda de Adão e Eva até o tempo de angústia e da imposição da marca da besta, Deus terá um povo descrito como “os que guardam os mandamentos de Deus e a fé em Jesus” (Ap 14:12). Em toda a história, o relacionamento do Senhor com Seu povo da aliança envolve a graça e a lei. A graça nos perdoa a transgressão da lei e nos permite obedecer- Lhe. A obediência resulta do nosso relacionamento de aliança com Ele.
Os céticos, que procuram razões para rejeitar a Bíblia, apontam para algumas palavras fortes de Deus que aparecem no AT. A ideia é que o Deus do AT era severo, vingativo e mesquinho, em contraste com Jesus. Esse não é um argumento novo, mas é tão falho agora como era quando foi promovido há muitos séculos.
Vez após vez, o AT apresenta o Senhor amando Seu povo e desejando somente o que era melhor para ele, e esse amor aparece com intensidade em Deuteronômio.
4. Leia Deuteronômio 10:1-15. Qual é o contexto imediato desses versos e o que eles ensinam sobre como Deus Se sentia em relação ao Seu povo, apesar dos pecados dele? O que nos ensinam sobre a graça?
A graça e o amor de Deus por Israel emanam desses textos. Observe que os versos 12 e 13 compõem uma frase longa, uma pergunta simples: O que Eu, o Senhor, estou pedindo a você, senão o seguinte [...] que vocês andem nos Meus caminhos, Me amem, Me sirvam e guardem os Meus estatutos para o seu bem?
Nesses versos no hebraico, as palavras para “seu” e “você” estão no singular. Embora Deus certamente esteja falando à nação como um todo, que bem fariam Suas palavras se o povo, de forma individual, obedecesse? O todo é tão bom quanto a soma das partes. O Senhor falou a cada um, individualmente, e a Israel como nação.
Observemos, também, o final do verso 13: guarde essas coisas letov Lak, ou seja, “para o seu bem”. Em outras palavras, Deus ordenou ao povo que obedecesse porque era do interesse do próprio povo fazê-lo. O Senhor o criou, o sustentava e sabia o que era melhor para ele. A obediência à lei, aos Dez Mandamentos, atuaria apenas em seu benefício.
Muitas vezes, a lei é comparada a uma cerca viva, um muro de proteção e, ao permanecerem em seu perímetro, seus seguidores são protegidos de uma série de males que, de outra forma, os alcançaria e os destruiria. Em suma, por amor ao Seu povo, Deus deu-lhe Sua lei, e a obediência a ela resultaria no bem dele.
Em Deuteronômio, um dos temas recorrentes é que o Senhor redimiu Seu povo Israel do Egito. Várias vezes, eles são lembrados do que Deus fez por eles: “E o Senhor nos tirou do Egito com mão poderosa, com braço estendido, com grande espanto, com sinais e com milagres” (Dt 26:8; Dt 16:1-6).
Em todo o AT, o relato do Êxodo é mencionado como um exemplo da poderosa libertação da parte de Deus, por Sua graça, da escravidão e opressão do Egito: “Pois Eu o tirei da terra do Egito e o resgatei da casa da servidão” (Mq 6:4). Mesmo no NT, esse acontecimento é mencionado como um símbolo de salvação pela fé em Cristo: “Pela fé, os israelitas atravessaram o Mar Vermelho como por terra seca. Quando os egípcios tentaram fazer o mesmo, foram engolidos pelo mar” (Hb 11:29; 1Co 10:1-4).
5. Leia Deuteronômio 5:6-22, onde Moisés repetiu os Dez Mandamentos, fundamento da aliança do povo com Yahweh. Observe o quarto mandamento e a razão dada para ele. O que é dito que revela a realidade da lei e da graça?
Moisés repetiu o mandamento básico de descansar no sábado do sétimo dia, mas lhe conferiu uma ênfase adicional. Isto é, embora tenha sido escrito em tábuas de pedra no Êxodo, Moisés expandiu o que já havia sido dado aos israelitas. Guardem o sábado, não apenas como memorial da criação, mas como memorial da redenção do Egito. A graça os salvou do Egito e ofereceu-lhes descanso de suas obras (Hb 4:1-5). Portanto, em resposta à graça divina, deveriam estender essa graça a outros.
Assim, o sábado se tornou não apenas um símbolo da criação, mas um símbolo de redenção e graça. Todos na casa, não apenas as crianças, mas os servos, os animais e até mesmo os estrangeiros, poderiam descansar. O sábado estende a outros a graça dada aos judeus, mesmo àqueles que não fazem parte do povo da aliança, e encontra-se no cerne da lei. O que Deus graciosamente fez por eles, deveriam fazer pelos outros.
O tema da justificação pela fé é central na religião cristã e bíblica. “O que diz a Escritura? [...]: ‘Abraão creu em Deus, e isso lhe foi atribuído para justiça’” (Rm 4:3).
Ellen G. White expressou isso da seguinte maneira: “Que é justificação pela fé? É a atuação de Deus abatendo até ao pó a glória do homem e fazendo por ele aquilo que não está em sua capacidade fazer por si mesmo. Quando o homem percebe sua insignificância, então está preparado para ser vestido com a justiça de Cristo” (A Fé Pela Qual Eu Vivo, p. 107).
Ao considerarmos quem é Deus, um Ser santo, em contraste com quem nós somos, seres profanos, seria necessário um incrível ato de graça para nos salvar. Esse ato aconteceu na cruz, com Cristo, o Inocente, morrendo pelos pecados dos culpados.
6. Com esse contexto em mente, leia Deuteronômio 9:1-6. O que Moisés disse ao povo que revela de forma dramática a realidade da graça para os indignos? Como isso reflete o princípio da justificação pela fé?
Se alguém quisesse resumir o ensino de Paulo sobre o evangelho, talvez pudesse utilizar a frase de Deuteronômio 9:5: “Não é por causa da justiça de vocês, nem por causa da retidão do seu coração” que Deus irá salvá- los. Ele o fará por causa da promessa do “evangelho eterno” (Ap 14:6) que nos foi dada “não segundo as nossas obras, mas conforme a sua própria determinação e graça que nos foi dada em Cristo Jesus, antes dos tempos eternos” (2Tm 1:9; veja também Tt 1:2). Se a promessa nos foi dada “antes dos tempos eternos”, certamente não poderia ser fundamentada em nossas obras, visto que nem mesmo existíamos “antes dos tempos eternos”.
Em suma, apesar de nossas falhas, erros e teimosia, o Senhor fará essa obra maravilhosa por nós e em nós. Portanto, como resultado, o Senhor ordena que obedeçamos a Ele e às Suas leis. A promessa já foi dada e cumprida: obras e obediência, mesmo que fossem boas o suficiente (o que não são), não são os meios de nossa salvação; são, em vez disso, o resultado.
O Senhor nos salvou pela graça; agora, com Sua lei escrita em nosso coração e Seu Espírito nos capacitando, obedeçamos à Sua lei.
“O inimigo de Cristo, que se rebelou contra a lei de Deus no Céu, tem, como um general habilidoso e treinado, trabalhado com todas as suas forças, trazendo um artifício após o outro, cheio de engano, para anular a lei de Deus, o único verdadeiro detector do pecado, o padrão da justiça” (Ellen G. White, Review and Herald, 18 de novembro de 1890).
Dois trilhões de galáxias brilham no cosmos. Cem bilhões de estrelas compõem cada galáxia. Dois trilhões de galáxias, com cem bilhões de estrelas em cada uma, chegam a 200.000.000.000.000.000.000.000 (sextilhões) de estrelas.
Um princípio da existência diz que quem concebe e cria algo deve ser maior e transcender o que concebeu e criou. Picasso é maior e transcende uma obra de arte dele. O Deus que concebeu e criou nosso cosmos é maior do que o cosmos e também o transcende.
Considerando que Deus é o Criador de todas as estrelas e de tudo o mais, que ato impressionante Ele fez? O Senhor Se “diminuiu”, tornou- Se um Bebê, viveu uma vida sem pecado e morreu na cruz, suportando a punição pelos nossos pecados e nossa maldade para que pudéssemos ter a promessa da vida eterna.
Diante de nós temos esta verdade: a graça nos foi dada em Jesus Cristo na cruz. E o que Deus nos pede? “De tudo o que se ouviu, a conclusão é esta: tema a Deus e guarde os Seus mandamentos, porque isto é o dever de cada pessoa” (Ec 12:13).
Perguntas para consideração
1. Como guardar os Dez Mandamentos (incluindo o quarto) e evitar o legalismo? Qual é a diferença entre obediência estrita e inabalável e legalismo?
2. Conhece histórias de pessoas que violaram os Dez Mandamentos e sofreram terríveis consequências? Como a lei reflete a realidade do amor de Deus por nós?
3. Por que a cruz deve nos mostrar a futilidade de tentar ganhar a entrada para o Céu?
Respostas e atividades da semana: 1. Se não houvesse lei moral no Céu, Lúcifer não teria pecado. 2. Os anjos são seres morais e devem ser governados por uma lei moral. 3. Obediência à lei de Deus é a marca do povo na aliança. 4. O Senhor fez novas tábuas da lei, renovando Sua aliança, apesar do pecado cometido pelo povo. 5. O sábado é um dia santo, como Deus é santo. Nesse dia, os israelitas deviam se lembrar de que foram escravos no Egito e, com Sua graça, o Senhor os libertou. 6. Deus lhes deu a terra não porque eram bons. Na verdade, não a mereciam. Não foi por suas obras, mas pela graça divina.
TEXTOS-CHAVES: Gl 2:21; Dt 9:1-6
FOCO DO ESTUDO: Ez 28:15; Sl 119:29, 41-45, 70, 92-97
ESBOÇO
O que observa a lei é muitas vezes acusado de ser legalista, sem alma nem inteligência, discípulo de uma religião retrógrada. Essa acusação é injusta. A lei, conforme compreendida em Israel, implica, ao contrário, uma luz que ajuda na caminhada espiritual e promove o progresso. O salmista compara a lei à lâmpada para os pés e à luz para o caminho (Sl 119:105).
Esse princípio está contido na palavra hebraica Torah, a qual está relacionada à palavra or, que significa “luz”. Quando alguém está caminhando à noite, a lâmpada aos seus pés não apenas lançará luz no caminho, mas também afastará as serpentes. Sendo assim, o simbolismo do poeta traduz a dupla função da lei: iluminar, ensinar e, portanto, ajudar a caminhar adiante, mas também proteger do perigo e garantir a segurança de quem caminha. O profeta Isaías usa a mesma associação ao dizer que, se as pessoas não têm a lei, “jamais verão a luz” (Is 8:20). A lei, que é luz, é a expressão da graça de Deus para o Seu povo. Essa luz nos ajudará a caminhar e assim sobreviver no caminho perigoso e escuro. Nesse sentido, a lei é dada para que possamos “viver” da maneira que Deus planejou.
Nesta lição, examinaremos a relação paradoxal entre a lei e a graça de Deus.
Tema da lição
• A graça e a lei: Qual é a relação entre a graça e a lei e como atuam na vida do crente?
COMENTÁRIO
Talvez o livro de Deuteronômio seja, dentre os livros do AT, o que mais apresenta a graça e a lei intrincadas de tal maneira que seria difícil ver uma separada da outra. Quando Moisés fala sobre a lei divina, ele pensa essencialmente na graça. A lei é entendida nesse livro como a marca da aliança. É por isso que a lei e a graça estão relacionadas tanto da perspectiva divina quanto da humana. Para Deus, a lei é a forma de fazer com que Sua vontade seja feita na Terra por meio da existência humana e da história. Para Israel, a lei é o sinal tangível de sua resposta a Deus e de sua relação de aliança com seu Senhor. Em outras palavras, a lei é o que torna a graça visível e concreta, na história e na vida; a graça é o que torna a lei possível, suportável e praticável.
A graça precede e conduz à lei
A relação entre a graça e a lei foi demonstrada na primeira mensagem que Adão ouviu no primeiro mandamento de Deus. A primeira vez que a palavra tsawah, “ordenou”, foi usada, referia-se à graça: “E o Senhor Deus ordenou ao homem: ‘De toda árvore do jardim você pode comer livremente’” (Gn 2:16). A dádiva divina de todas as árvores do jardim precedeu o mandamento de não comer da árvore do conhecimento. Da mesma forma, Deuteronômio começa com a graça de Deus, o que Ele fez por Seu povo e a dádiva da terra. Então, a partir desse lembrete concreto e histórico, Deus Se voltou para a lei e exigiu que Seu povo a observasse. Esse processo é visível na estrutura da aliança em Deuteronômio e é repetido ao longo do livro. Os Dez Mandamentos começam com a afirmação: “Eu sou o Senhor, seu Deus, que o tirei da terra do Egito” (Dt 5:6). Reconhecer o que Deus tinha feito por eles é o que levaria Israel à obediência aos mandamentos:
“Vocês viram o que fiz aos egípcios e como levei vocês sobre asas de águia e os trouxe para perto de Mim. Agora, pois, se ouvirem atentamente a Minha voz e guardarem a Minha aliança” (Êx 19:4, 5).
Observe que o chamado para “obedecer” (shama’), introduzido pela palavra “pois”, vem em seguida ao que Deus fez por eles, sendo também consequência direta disso.
No Salmo 119, o mais belo poema sobre a lei e a graça em toda a Bíblia, o salmista começa com a observação da graça: “Venham também sobre mim as Tuas misericórdias, Senhor, e a Tua salvação, segundo a Tua promessa” (Sl 119:41). Em seguida, ele passa para a próxima etapa, que é a lei: “Assim, observarei continuamente a Tua lei” (Sl 119:44). O livro de Deuteronômio afirma: “Porque o Senhor os amava” (Dt 7:8); “portanto, guardem” os Seus “mandamentos” (Dt 7:11). Em um nível humano, é por amor a Deus que Seu povo teria prazer em guardar Seus mandamentos. O salmista exclama: “[Eu] me alegro na Tua lei” (Sl 119:70; compare com Sl 119:174), ou “Quanto amo a Tua lei” (Sl 119:97).
Perguntas para discussão e reflexão: Por que a obediência aos mandamentos de Deus é a única resposta lógica e séria aos atos de Sua graça e salvação? Por que a ação deve levar à ação? O que você pensaria de um político que faz campanha apenas sobre desejos sentimentais, sem qualquer referência a seus projetos e planos para resolver problemas econômicos e sociais? Que razões justificam o amor do salmista pela lei?
A lei e a graça
A lei é definida como um presente de Deus. O verbo natan, “dar”, é usado por Deus para Se referir à lei: “Toda esta lei que hoje eu lhes proponho [natan]” (Dt 4:8). Os Dez Mandamentos foram “dados” por Deus (Êx 24:12). O salmista identifica literalmente a lei como graça: “Favorece-me com a Tua lei” (Sl 119:29). Outra tradução diz “concede-me piedosamente a Tua lei” (ARC). Assim, o salmista experimenta a lei de Deus em sua vida como graça, um caminho de liberdade: “Andarei em liberdade” (Sl 119:45). No NT, Jesus ecoa esse ponto de vista quando ensina a Seus discípulos que é em Suas palavras de verdade que encontrarão a liberdade (Jo 8:32; compare com Tg 1:25; 2:12).
É interessante que a palavra hebraica comum para designar a lei no AT é Torah, que significa “mostrar o caminho”. Essa é uma palavra comumente associada ao caminho indicado pelo sacerdote. Um exemplo disso encontra-se no livro de Ageu 2:11, onde o Senhor instrui o profeta a perguntar ao sacerdote o caminho, a orientação, em um caso particular. A lei é graça porque nos apresenta a maneira de solucionar os problemas, o caminho da vida e da liberdade.
Perguntas para discussão e reflexão: Como a identificação da lei com a graça afeta a salvação? À luz de Ezequiel 28:15, 16, por que encontramos a lei no Céu, embora lá não haja pecado (pelo menos depois que Lúcifer e os anjos caídos foram expulsos)? Por que a lei é a expressão do caráter divino e, portanto, uma forma de entender e amar a Deus? Leia os Dez Mandamentos e identifique a graça em cada um deles e explique por que constituem a graça na lei.
A graciosidade da lei
A lei de Deus como texto é linda, uma obra-prima da literatura. Ao dar os Dez Mandamentos, o Senhor os organizou de maneira artística. O seguinte exercício foi elaborado para ajudá-lo a apreciar a graça nos mandamentos de Deus:
• Primeiro, leia o texto bíblico simplesmente para apreciar sua beleza estética.
• Observe os paralelos entre os primeiros cinco mandamentos (1, 2, 3, 4, 5) e os últimos cinco mandamentos (6, 7, 8, 9, 10). Compare os mandamentos (o mandamento 1 com o 6 relaciona matar qualquer ser humano à imagem de Deus com a singularidade de Deus; 2 com 7 relaciona idolatria com adultério; 3 com 8 relaciona roubo com juramento falso; 4 com 9 relaciona quebra do sábado com falso testemunho; 5 com 10 relaciona a honra aos pais com cobiçar o cônjuge de outra pessoa). Que lição você deduz de cada comparação?
Perguntas para discussão e reflexão: Por que o sábado está no centro dos Dez Mandamentos? Que lições você infere dessa posição central do sábado? Como a transgressão do quarto mandamento afeta a observância dos outros? Como o sábado envolve a relação entre a lei e a graça? Compare o quarto e o quinto mandamentos. Que motivos comuns são compartilhados por esses dois mandamentos? Que lições você infere dessas conexões?
APLICAÇÃO PARA A VIDA
A esposa de um pastor dedicado ficou gravemente doente. Ele orou de forma sistemática, mas sua esposa nunca se recuperou. O homem ficou irado com Deus e decidiu deixar o ministério porque Deus não fez o milagre que ele havia pedido.
Perguntas para discussão e reflexão: Como essa história verdadeira se relaciona com sua própria experiência com Deus? Qual é a sua motivação em obedecer aos mandamentos? Até que ponto você guarda os mandamentos com a finalidade de ser abençoado por Deus? Você já sentiu em sua experiência pessoal a relação entre a lei e a graça?
Há um antigo Midrash rabínico (parábola) na antiga tradição judaica que comenta sobre a curiosa estratégia geográfica de Deus quando Ele deu a Torá. Por que Ele não a deu na terra de Israel ou na terra de Roma ou na Grécia? Cada nação tinha todo o direito de pensar que deveria ter merecido essa honra. A razão pela qual Deus escolheu uma terra de ninguém para dar a Torá foi para evitar qualquer tipo de orgulho nacionalista em relação à lei e permitir que qualquer pessoa que a deseje a tome para si.
Perguntas para reflexão
Já ouviu as seguintes confissões de fé, “Tenho orgulho de ser cristão”, ou “Tenho orgulho de ser adventista do sétimo dia”? Por que essas confissões são inadequadas? (Leia 1Co 1:31; Sl 34:3)? Como o orgulho da instituição pode afetar a eficiência da missão?
Ovelha perdida
Embora vivendo em tempos de pandemia do coronavírus, meu coração estava repleto de animação. Meu esposo e eu temos uma escola de inglês em Osaka, uma cidade japonesa com cerca de 2,7 milhões de pessoas. A escola foi fechada por causa da pandemia. Mas, antes que o governo japonês declarasse estado de emergência, organizamos nossas aulas online e, surpreendentemente, mantemos 90% de nossos alunos. Entretanto, fiquei mais impressionada com uma senhora de 60 anos, conhecida antiga chamada Chikako, que entrou em contato no auge da pandemia no Japão. Havíamos nos conhecido 13 anos antes, mas por dois anos perdemos o contato. Certo dia, enquanto estava voltando do escritório, recebi sua mensagem pelo Messenger.
“Quero frequentar a sua igreja, embora a pandemia esteja se espalhando”, escreveu ela. Chikako não era cristã. Fiquei surpresa com seu interesse de conhecer mais a Jesus. Trocamos breves mensagens de texto sobre o Cristianismo, como me tornei cristã, e combinamos de nos reunirmos no sábado, após o culto.
Em nosso encontro, contei-lhe a parábola da ovelha perdida. Ela ouviu atentamente as palavras de Jesus: “Qual de vocês que, possuindo cem ovelhas, e perdendo uma, não deixa as noventa e nove no campo e vai atrás da ovelha perdida, até encontrá-la? E quando a encontra, coloca-a alegremente sobre os ombros e vai para casa. Ao chegar, reúne seus amigos e vizinhos e diz: ‘Alegrem-se comigo, pois encontrei minha ovelha perdida’.
Eu lhes digo que, da mesma forma, haverá mais alegria no céu por um pecador que se arrepende do que por noventa e nove justos que não precisam arrepender-se” (Lucas 15:4-7, NVI).
Chikako se identificou imediatamente com a ovelha perdida. Ela disse que Jesus, por muitos anos, a chamou para segui-Lo, porém ela queria tomar a decisão em seu próprio tempo. Suas palavras seguintes me surpreenderam.
“Sou uma ovelha perdida e sei que Jesus tem me chamado, mas eu O ignoro”, disse ela. “Mas agora parei de ignorá-Lo e quero ser batizada.” Pareceu-me claro que o Espírito Santo trabalhou em seu coração, especialmente durante a pandemia, e fiquei feliz em compartilhar os ensinamentos e o amor de Jesus.
Depois disso, nos encontramos várias vezes. Um sábado, enquanto conversávamos sobre o motivo da morte de Jesus na cruz, ela se comoveu com a história do ladrão que, no último minuto, escolheu morrer como um verdadeiro crente em Jesus. Chikako ficou muito emocionada com o fato de que Jesus sempre ama e está pronto para perdoar. Ela percebeu que, embora tivesse lutado muito para experimentar alegria e paz, estava insatisfeita. “Eu gostaria de ser como o ladrão na cruz e aceitar Jesus”, disse ela.
A pandemia do coronavírus modificou a vida de todos nós, mas não pôde impedir Jesus de atrair as pessoas a ele. Ele diz: “Tenho outras ovelhas que não são deste aprisco. É necessário que eu as conduza também. Elas ouvirão a minha voz, e haverá um só rebanho e um só pastor” (Jo 10:16).
Jesus trabalha em nossa vida mesmo quando não vemos ou sentimos. Ele nos chama pelo nome e nos salvará quando nos rendermos a ele. A Covid-19 facilitou o trabalho online, como as aulas virtuais de inglês de Chie, ainda mais essenciais para compartilhar o evangelho. Parte da oferta deste trimestre está destinada a um projeto para ajudar os japoneses, especialmente os jovens, a aprender sobre Jesus pela Internet. Muito agradecemos por sua liberalidade.
Informações adicionais
• Peça a uma senhora para compartilhar essa história na primeira pessoa.
• Pronúncia de Chie:
• Pronúncia de Chikako: .
• Faça o download das fotos no Facebook: bit.ly/fb-mq.
• Para outras notícias sobre o Informativo Mundial e informações sobre a Divisão do Pacífico Norte-Asiático, acesse: bit.ly/nsd-2021.
Esta história ilustra os seguintes componentes do plano estratégico da !greja Adventista, “I Will Go”: Objetivo de Crescimento Espiritual nº 1 – “reavivar o conceito de missão mundial e sacrifício pela missão como um estilo de vida que envolva não apenas os pastores, mas todos os membros da igreja, jovens e idosos, na alegria de testemunhar por Cristo e de fazer discípulos”; Objetivo de Crescimento Espiritual nº 2 – “fortalecer e diversificar o alcance dos adventistas nas grandes cidades, através da Janela 10/40, entre grupos de pessoas não-alcançadas e para religiões não cristãs”. Conheça mais sobre o plano estratégico em IWillGo2020.org.

