Considerando que Jesus demonstrava interesse pelas outras pessoas, especialmente os sofredores e perdidos, seria de se esperar que Ele tivesse muito a dizer sobre o cuidado para com os outros. Suas palavras confirmam essa expectativa.
O ensino de Jesus é prático, centrado no significado de viver como seguidor de Deus. Sendo assim, vemos que o Senhor nos recomenda que pratiquemos atos de justiça, bondade e misericórdia como aqueles que Ele mesmo praticou enquanto esteve na Terra. Se seguirmos Seu exemplo, ministraremos aos outros como Ele fez.
Jesus também falou sobre o reino dos Céus. Em Sua descrição, esse reino é uma realidade da qual podemos fazer parte hoje. É um modo de viver que funciona com um conjunto diferente de prioridades, valores e moral em comparação com os elementos encontrados nos reinos terrestres. Os ensinamentos de Cristo estabelecem o modelo para esse reino, o qual inclui uma forte ênfase na nossa maneira de servir a Deus e, ao servi-lo, na forma como devemos nos relacionar com os outros. Também descobrimos que servir aos outros – cuidar de suas necessidades e elevá-los – é uma forma de servir diretamente a Deus.
O sermão (ou coleção de ensinamentos) mais longo de Jesus é o Sermão da Montanha. Sua descrição de três capítulos sobre a vida no reino de Deus começa com uma declaração de valores que veio a ser conhecida como as “Bem-aventuranças”.
1. Leia Mateus 5:2-16. Quais são as características comuns desses nove valores ou tipos de pessoas descritas por Jesus como “bem-aventurados”? Assinale a alternativa correta:
A. ( ) Essas características e valores são diferentes dos padrões do mundo e identificam os súditos do reino dos Céus.
B. ( ) Essas características acabam prejudicando nossa vida. Por isso, o mundo de hoje não valoriza esse tipo de pessoas e valores.
Juntamente com a profunda aplicação espiritual dessas palavras, não devemos perder de vista sua interpretação prática. Jesus falou sobre reconhecer a pobreza em nós e em nosso mundo. Ele também falou sobre retidão (traduzida como “justiça” em algumas versões da Bíblia), humildade, misericórdia, pacificação e pureza de coração. Devemos observar a diferença prática que essas qualidades fazem em nossa vida e em nosso mundo quando elas são vividas. Essa interpretação prática é enfatizada nas declarações seguintes de Jesus, nas quais Ele instou com Seus discípulos a ser sal e luz no mundo (Mt 5:13-16).
Quando usados apropriadamente, o sal e a luz fazem a diferença nos contextos em que são adicionados. O sal traz sabor e preserva os alimentos aos quais ele é acrescentado. Ele simboliza o bem que devemos fazer para os que nos rodeiam. Semelhantemente, a luz afasta a escuridão, revelando obstáculos e perigos, tornando uma casa ou cidade mais segura e apresentando um ponto de referência para nossa localização e navegação, mesmo a certa distância. Jesus mostrou que devemos resplandecer como a luz em uma noite escura: “Assim brilhe também a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos Céus” (Mt 5:16).
Os símbolos do sal e da luz indicam a responsabilidade dos discípulos em influenciar e melhorar a vida dos que estão à sua volta. Somos sal e luz quando choramos apropriadamente, temos um coração puro, praticamos a humildade, mostramos misericórdia, promovemos a paz e resistimos à opressão. Portanto, Jesus começou esse sermão com o chamado a incorporar esses valores de Seu reino, às vezes desprezados.
Quando consideramos o ensino de Jesus, vale a pena ter em mente Seus interlocutores e as circunstâncias em que eles viviam. Jesus havia começado a atrair multidões das regiões em que Ele havia ministrado (veja Mt 4:25; 5:1). A maioria era de pessoas comuns, vivendo sob o domínio do Império Romano, mas alguns eram governantes judeus e líderes religiosos. A vida das pessoas comuns era difícil. Elas tinham poucas escolhas para sua vida, que era sobrecarregada por pesados impostos e pela tradição religiosa.
Ao ensinar essas pessoas, Jesus estava evidentemente interessado em oferecer-lhes um modo de viver bem, com dignidade e coragem, quaisquer que fossem as circunstâncias. Um exemplo disso encontra-se em Mateus 5:38-48. Na língua portuguesa, essas ordens, “dar a outra face”, “dar também a capa” e “andar a segunda milha”, são bem conhecidas como clichês. Mas essa familiaridade interpreta mal as ações e atitudes radicais que Jesus ensinou nesse texto.
Os cenários descritos por Jesus eram experiências comuns para muitos que O ouviam. Esses ouvintes eram muitas vezes agredidos violentamente por seus “superiores” ou senhores. Muitas vezes ficavam endividados e perdiam sua propriedade para os proprietários de terras e credores. Muitas vezes eram pressionados pelos soldados romanos e forçados a trabalhar arduamente. Jesus ensinou o povo a responder com integridade, a tratar os opressores melhor do que eles mereciam e, ao fazê-lo, a resistir à perda de sua humanidade. Embora esses opressores tentassem exercer seu poder, o povo sempre teve a liberdade de escolher como reagiria e, resistindo de maneira não violenta e respondendo generosamente, expunham o mal da opressão e da injustiça que estava sendo cometida.
2. Compare Mateus 5:38-48 com Romanos 12:20, 21. Como devemos viver esses princípios radicais em nossa vida? Assinale a alternativa correta:
A. ( ) Tratando nossos inimigos com amor e lhes fazendo o bem.
B. ( ) Pagando o mal com o mal.
3. Leia Lucas 10:25-27. O intérprete da Lei que interrogou Jesus apresentou um resumo padrão dos mandamentos do Antigo Testamento para uma vida aceitável a Deus. Como esses dois mandamentos estão relacionados?
Quando Jesus era questionado, Ele muitas vezes concluía Suas respostas com um desfecho bem diferente daquilo que Seu interlocutor estava buscando. Em resposta à ordem de Levítico 19:18, de amar o próximo como a si mesmo, parece que muitos religiosos de Sua época passavam muito tempo e gastavam energia debatendo a extensão e os limites desse princípio. Eles debatiam sobre quem poderia ser incluído na categoria de “próximo”.
Jesus já havia buscado expandir o entendimento de Seus seguidores acerca desse termo, insistindo que eles não apenas deveriam amar o próximo, mas fazer o bem a todos: “Eu, porém, vos digo: amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem; para que vos torneis filhos do vosso Pai celeste, porque Ele faz nascer o Seu sol sobre maus e bons e vir chuvas sobre justos e injustos” (Mt 5:44, 45).
Mas quando um especialista na lei religiosa buscou pôr Jesus à prova, ele recorreu à questão muito debatida: “Quem é o meu próximo?” (Lc 10:29). Em resposta, Jesus contou a história do bom samaritano, porém, a resposta suprema à pergunta do intérprete da lei não devia definir a terminologia do “próximo”. Em vez disso, Jesus disse, em essência: “Vá e seja o próximo de qualquer um que necessite da sua ajuda” (veja Lc 10:36, 37).
4. Leia Lucas 10:30-37. Qual é o significado do contraste entre os três personagens que viram o homem ao lado da estrada precisando de ajuda?
Como de costume, a crítica mais severa de Jesus foi dirigida aos que se diziam religiosos, mas não mostravam interesse pelos sofredores. “Na história do bom samaritano, Cristo ilustrou a natureza da verdadeira religião. Mostrou que consiste não em sistemas, credos ou ritos, mas no cumprimento de atos de amor, em proporcionar aos outros o maior bem, em genuína bondade” (Ellen G. White, O Desejado de Todas as Nações, p. 497).
Jesus indicou um estrangeiro, alguém considerado infiel a Deus, a fim de demonstrar qual é o chamado do Senhor a todos os que alegam ser Seus seguidores. Como ocorreu com o intérprete da Lei no passado, ao perguntarmos a Cristo o que precisamos fazer para herdar a vida eterna, Ele nos ordena, em última análise, que sejamos o “próximo” de todo necessitado.
Na parábola do rico e Lázaro (Lc 16:19-31), Jesus comparou a vida de dois homens – um rico e outro extremamente pobre. Na ausência de assistência social, hospitais comunitários ou refeições para os pobres, era uma prática comum aos necessitados, portadores de deficiências ou desfavorecidos mendigar à porta das casas dos ricos. Esperava-se que os ricos fossem generosos em compartilhar um pouco de sua riqueza para aliviar o sofrimento dos pobres. Mas nessa história, o homem rico era “egoisticamente indiferente às necessidades de seu irmão sofredor” (Ellen G. White, Parábolas de Jesus, p. 261). Em vida, as respectivas circunstâncias desses dois homens permaneceram inalteradas; mas tendo morrido e sido julgados por Deus, suas posições foram dramaticamente invertidas.
5. Compare Lucas 16:19-31 com Lucas 12:13-21. Quais são as semelhanças e diferenças entre essas duas histórias e, juntas, o que elas nos ensinam?
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Em nenhuma dessas histórias há evidência de que os homens ficaram ricos fazendo algo errado. Talvez ambos tivessem trabalhado arduamente, administrado com cuidado e sido abençoados por Deus. Mas parece que algo deu errado em suas atitudes em relação à vida, a Deus, ao dinheiro e aos outros, e isso lhes trouxe um custo significativo e eterno.
A partir do imaginário popular acerca da vida após a morte dos dias de Jesus, a história do homem rico e Lázaro ensina que as escolhas que fazemos nesta vida são importantes para a próxima. Nossa maneira de reagir aos que buscam nossa ajuda ou necessitam dela demonstra nossas escolhas e prioridades. Como “Abraão” mencionou ao homem rico sofredor, a Bíblia apresenta uma direção mais do que adequada para escolhermos o melhor: “Eles têm Moisés e os Profetas; ouçam-nos” (Lc 16:29).
Jesus ensinou que as tentações relacionadas ao desejo de ter, manter ou alcançar riquezas podem nos afastar de Seu reino, distanciar-nos dos outros e nos levar ao egocentrismo e à autossuficiência. Jesus nos chamou a buscar Seu reino em primeiro lugar e compartilhar as bênçãos que recebemos com aqueles que nos rodeiam, especialmente com os necessitados.
Outra ocasião em que Jesus recebeu uma pergunta e deu uma resposta bastante diferente da expectativa dos Seus interlocutores se encontra no sermão registrado em Mateus 24 e 25. Os discípulos foram a Jesus e perguntaram sobre a destruição do templo em Jerusalém e sobre o momento de Seu retorno (veja Mt 24:1-3). A conclusão da Sua prolongada resposta a essa pergunta se referiu à prática de alimentar os famintos, dar de beber aos sedentos, acolher os estrangeiros, vestir o nu, cuidar dos enfermos e visitar os que estavam na prisão. Ele lhes assegurou: “Sempre que o fizestes a um destes Meus pequeninos irmãos, a Mim o fizestes” (Mt 25:40) e “Sempre que o deixastes de fazer a um destes mais pequeninos, a Mim o deixastes de fazer” (Mt 25:45).
Isso está relacionado às perguntas que deram início a esse ensinamento equivalente a uma descrição do juízo final. Ao longo de Mateus 24, Jesus apresentou respostas mais diretas às perguntas dos discípulos, dando sinais e advertências sobre a destruição de Jerusalém e o fim dos tempos, mas Ele enfatizou a necessidade de “vigiar” e viver de maneira apropriada à luz da promessa de Sua segunda vinda. Na primeira parte de Mateus 25, a história das virgens sábias e das tolas instiga a necessidade de preparação para um retorno inesperado ou demorado; a história dos três servos apresenta a necessidade de viver de modo correto e produtivo enquanto O aguardamos. Em seguida, a parábola das ovelhas e bodes é muito mais específica quanto às tarefas com as quais o povo de Deus deve estar ocupado.
6. Leia Mateus 25:31-46. O que Jesus disse nessa passagem? Por que esse texto não trata de salvação pelas obras? O que realmente significa ter uma fé salvífica?
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Jesus disse que quando servimos aos outros estamos servindo a Ele. Essa declaração deve transformar todos os nossos relacionamentos e atitudes. Imagine poder convidar Jesus para uma refeição ou visitá-Lo no hospital ou na prisão. [...] Jesus disse que fazemos isso quando oferecemos esse serviço às pessoas da nossa comunidade. Que oportunidade incrível Ele nos oferece dessa maneira!
Textos de Ellen G. White: O Desejado de Todas as Nações, p. 497-505 (“O Bom Samaritano”) e p. 637-641 (“Um Destes Meus Pequeninos Irmãos”); Parábolas de Jesus, p. 260-271 (“Como se Decide o Nosso Destino”) e p. 376-389 (“A Verdadeira Riqueza”).
“Cristo derriba a parede de separação, o amor-próprio, o separatista preconceito de nacionalidade e ensina amor a toda a família humana. Ergue os homens do estreito círculo que lhes prescreve o egoísmo; elimina todos os limites territoriais e as convencionais distinções da sociedade. Não faz diferença entre vizinhos e estrangeiros, amigos e inimigos. Ele nos ensina a considerar todo necessitado como nosso semelhante, e o mundo como o nosso campo” (Ellen G. White, O Maior Discurso de Cristo, p. 42).
“A norma da regra áurea é o verdadeiro padrão do cristianismo; tudo que a deixa de cumprir é um engano. Uma religião que induz os homens a estimarem em pouco os seres humanos, avaliados por Cristo em tão alto valor que por eles Se doou; uma religião que nos leve a negligenciar as necessidades humanas e seus sofrimentos ou direitos é falsa religião. Menosprezando os direitos do pobre, do sofredor e do pecador, estamos nos demonstrando traidores de Cristo. É porque os homens usam o nome de Cristo ao passo que na vida Lhe negam o caráter, que o cristianismo tem no mundo tão pouco poder” (Ellen G. White, O Maior Discurso de Cristo, p. 136, 137).
Perguntas para discussão
1. Das passagens estudadas nesta semana, qual é a sua favorita? Por quê?
2. Por que uma fé “que nos leve a negligenciar as necessidades humanas e seus sofrimentos ou direitos é falsa religião”?
3. Como os versos do estudo de quinta mostram o que também implica ter a “verdade”?
Resumo: Os ensinos de Jesus estabelecem um modo de vida diferente para os cidadãos do Seu reino. Com base no Antigo Testamento, Ele ampliou a ênfase em cuidar dos pobres e oprimidos, destacando que Seus seguidores viverão de modo compassivo enquanto aguardam Seu retorno.
Respostas e atividades da semana:
1. A.
2. A.
3. Não há como amar a Deus e odiar o próximo, pois Deus é amor. E quem ama o próximo ama a Deus.
4. É importante o contraste que Jesus fez entre o sacerdote e o levita (israelitas) e o samaritano, pois revela que os religiosos não fizeram a vontade do Pai.
5. Ambas tratam indiretamente da ganância e do amor ao dinheiro.
6. No Dia do Juízo, Cristo separará as ovelhas dos bodes com base no que fizemos ou deixamos de fazer. Embora sejamos salvos pela graça, as obras ou a falta delas nos condenarão, pois revelam o que vai em nosso coração. Ter uma fé salvífica significa crer na graça para a salvação e seguir o exemplo de Cristo.
Analisando o ministério de Jesus na Terra, ficamos impressionados com Sua grande abnegação em Seu contato diário com as pessoas. Ele procurava aprofundar os relacionamentos com os outros, buscando em primeiro lugar avaliar e descobrir as necessidades que eles sentiam para, em seguida, os levar a reconhecer suas maiores necessidades. “Nosso Senhor Jesus Cristo veio a este mundo como o infatigável Servo das necessidades do homem. [...] Era Sua missão restaurar inteiramente a humanidade; veio trazer-lhe saúde, paz e perfeição de caráter (Ellen G. White, A Ciência do Bom Viver, p. 17).
Objetivos do professor:
Examinar com a classe as ideias e princípios básicos encontrados no Sermão do Monte (Mt 5–7), incluindo as atitudes e bênçãos (as bem-aventuranças) que Jesus procurou esclarecer na mente de Seus seguidores.
Incentivar os membros da classe a buscar sabedoria para ter a melhor resposta diante das injustiças, lutando em favor dos indefesos e esperando que a vingança divina corrija as injustiças que não pudermos corrigir.
Desafiar os alunos a olhar com uma nova perspectiva as injustiças cometidas contra eles.
Lembrar aos alunos que, quando confrontados com a necessidade do “próximo”, devem pensar mais nos outros do que em si mesmos.
Mostrar à classe que, se por um lado somos salvos pela graça mediante a fé em Jesus Cristo, por outro lado seremos julgados pela maneira como essa fé atuou a serviço dos “mais pequeninos”.
Analisar com a classe a seguinte questão: De que maneira viver os ensinos e o ministério que Jesus exerceu em Seu primeiro advento prepara a nossa comunidade e a nós mesmos para Sua segunda vinda?
Escritura
No Sermão do Monte, Cristo estabeleceu os valores do reino dos Céus que também serão manifestados por Seu povo na Terra. A Oração do Senhor apresentada durante o Sermão do Monte suplica: “Venha o Teu reino; faça-se a Tua vontade, assim na Terra como no Céu” (Mt 6:10). Alguém disse que as bem-aventuranças são o manifesto do reino de Cristo. Esses princípios serão revelados em nossas ações.
As bem-aventuranças possivelmente se refiram à justiça. Por exemplo, a palavra grega para "retidão", que aparece na conhecida bem-aventurança de Mateus 5:6, às vezes é traduzida como "justiça".
De fato, como observamos na lição 2, às vezes as palavras retidão e justiça são usadas de forma alternada, tanto no Antigo quanto no Novo Testamento. Basicamente uma palavra hebraica (tsedeq), e uma palavra grega (dikaiosune) são usadas para ambos os termos. Um exemplo do uso alternado de “justiça” e “retidão” em português é encontrado na tradução da Nova Versão Internacional (NVI): “Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, pois serão satisfeitos” (Mt 5:6, ênfase acrescentada).
O texto Mateus 5:6 apresenta uma metáfora para a retidão moral. Essa representação poderia ser uma alusão ao Salmo 37:12-17, que fala de um tempo em que o poder dos opressores "será quebrado" (Sl 37:17, NVI). Peça à classe que leia e discuta essa passagem (Mt 5:6) que expressa um desejo por retidão pessoal, bem como o desejo de que o mundo inteiro seja caracterizado pela retidão (ou justiça) divina. Pergunte também: Que outras partes das bem-aventuranças estão relacionadas com a justiça e a misericórdia?
Imediatamente depois das bem-aventuranças, Jesus estabeleceu a identidade dos cristãos: “Vocês são o sal da Terra”. “Vocês são a luz do mundo" (Mt 5:13, 14, NVI, ênfase acrescentada). Verdadeiramente, somos sal e luz quando vivemos os princípios das bem-aventuranças. Alguém disse certa vez que é mais difícil ser sal do que luz. Comente com a classe essa declaração no contexto do nosso dever de nos envolvermos e nos misturarmos com a comunidade. Que importante papel tem o sal e a luz no ministério social? (Por exemplo, a luz geralmente brilha de longe, faz as trevas desaparecerem e nos ajuda a encontrar o que está perdido. Ser "sal", entretanto, exige um compromisso maior, porque o sal deve ser misturado com ingredientes diferentes de si mesmo para que suas propriedades curativas tenham efeito).
Ilustração
Anos atrás, um grupo de psicólogos realizou um estudo com base na parábola do bom samaritano. Eles se reuniram com um grupo de estudantes de teologia e pediram a cada um deles que fizesse uma pequena apresentação sobre o tema do bom samaritano. Depois, eles teriam que caminhar através de um beco para chegar a um prédio onde fariam a apresentação. No caminho, cada um dos estudantes encontrou um ator, fazendo o papel de um homem estendido no beco, gemendo e tossindo.
Poucos estudantes pararam para ajudar o homem ou para perguntar se ele estava bem. Alguns até mesmo pisaram na vítima, na pressa para chegar logo ao seu compromisso agendado. Os psicólogos concluíram que a compaixão e o amor pela humanidade muitas vezes funcionam na teoria, mas não na prática (Bryan Patterson, “Being a Good Samaritan is More Than Just Showing Compassion" [Ser um Bom Samaritano é Mais do que Mostrar Compaixão], Herald Sun, 25 de agosto de 2012). A seguinte declaração é creditada a C.S. Lewis: “É mais fácil ser entusiasta sobre a Humanidade com 'H' maiúsculo do que amar homens e mulheres individuais, especialmente aqueles que são entediantes, irritantes, imorais ou repulsivos. Amar todos em geral pode ser uma desculpa para não amar ninguém em particular”.
Discuta com a classe as implicações pessoais e denominacionais da história acima e da citação de C.S. Lewis. Escreva em um quadro, se for possível, ou em uma folha de papel, ideias específicas da classe sobre maneiras de ir além da teoria e servir pessoas ou grupos específicos em sua comunidade.
Escritura
Convide os membros da classe para ler Lucas 10:25-37 em voz alta, distribuindo um versículo por aluno. Em seguida, se possível, cantem juntos uma estrofe do hino “Salva-me Também” (Hinário Adventista do Sétimo Dia, no 399). Pergunte a si mesmo: “Às vezes canto e oro: 'Salvador benigno, atende, oh, não vás além! Outros tens abençoado, salva-me também’, mas, quando vejo alguém necessitado, sigo em frente e olho para o outro lado?”
Compartilhe e discuta os seguintes pontos:
1. Fale sobre um momento em sua vida em que alguém o ajudou quando você precisava.
2. Mencione uma ocasião em que você encontrou alguém necessitado e ajudou essa pessoa.
3. Como eu, ou a igreja corporativamente, olhamos para o outro lado para não ver o sofrimento e as necessidades dos outros?
4. O que acontece conosco, bem como aos outros, quando olhamos para o outro lado?
Resuma a parábola do bom samaritano contrastando as atitudes dos principais personagens da história. Em seguida, peça aos alunos que respondam às seguintes perguntas, conforme exemplificado pelas diferentes mentalidades da história:
A mentalidade do sacerdote e do levita: Se eu parar para ajudar esse homem, o que acontecerá comigo?
A mentalidade do bom samaritano: Se eu não parar para ajudar esse homem, o que acontecerá com ele?
Escritura
Leia Marcos 14:7. Algumas pessoas usam esse verso como desculpa para ignorar um dos tipos dos “mais pequeninos” irmãos – os pobres.
Elas racionalizam: “Porque os pobres sempre estarão conosco, o problema não acabará. Seja como for, o próprio Jesus afirmou isso. Então, por que tentar resolver o problema?”
Por favor, observe uma coisa: em Marcos 14:7, Jesus estava citando Deuteronômio 15. Olhando para Deuteronômio, podemos entender melhor o contexto de Seu comentário em Marcos 14:7. Há duas referências importantes aos pobres em Deuteronômio 15. Uma delas está no verso 11: “Pois nunca deixará de haver pobres na terra; por isso, Eu te ordeno: livremente, abrirás a mão para o teu irmão, para o necessitado, para o pobre na tua terra.” No entanto, sete versículos antes, no verso 4 (NVI), lemos: “Não deverá haver pobre algum no meio de vocês.” Então, como devemos conciliar os versos 4 e 11: "Não deverá haver pobre algum", e "nunca deixará de haver pobres na terra”?
Continuarão a existir pessoas pobres por causa da injustiça das outras pessoas. Mas a vontade de Deus é que não haja pobres (Dt 15:4) porque Deus providenciou recursos para cuidar dos famintos e dos pobres. Infelizmente, a injustiça dos seres humanos assegura que sempre haverá pobres (Dt 15:11). A continuação da pobreza no mundo não é uma desculpa para a inércia, mas uma ordem para que sejamos generosos.
Discuta a seguinte citação: “Cristo disse que teremos os pobres sempre conosco; e Ele une Seu interesse com o de Seu povo sofredor. O coração de nosso Redentor se compadece dos mais pobres e humildes de Seus filhos terrestres. Ele nos diz que eles são Seus representantes na Terra. O Senhor os pôs entre nós para despertar em nosso coração o amor que Ele sente pelos que sofrem e são oprimidos” (Ellen G. White, Patriarcas e Profetas, p. 535, ênfase acrescentada).
Aplicação para a vida
Discuta a seguinte colocação com a classe: Enquanto você aguarda o segundo advento de Cristo, faça uma avaliação da sua igreja sobre a eficiência de vocês em viver os métodos e ensinamentos do ministério de Cristo, exemplificados em Sua primeira vinda. Por exemplo:
1. Faça uma autoavaliação e dê uma nota a si mesmo com base em cada uma das atitudes das bem-aventuranças, sendo 1 para ruim e 4 para ótimo.
2. Segundo o entendimento de Mateus 5:14, em sua vida pessoal e na vida da igreja, a luz está brilhando como uma lâmpada de 300 Watts ou como uma lâmpada de 10 Watts? Por quê?
3. Leia a seguinte citação sobre a parábola do homem rico e Lázaro: “O rico não pertencia à classe representada pelo juiz injusto, que declarava abertamente seu desrespeito a Deus e ao homem. Professava ser filho de Abraão. Não maltratava o mendigo nem exigia que se retirasse porque sua aparência lhe era repugnante. Se esse pobre e asqueroso espécime da humanidade era confortado por contemplá-lo ao passar pelos portais, o rico consentia em que ele permanecesse. Mas, de forma egoísta, o rico era indiferente às necessidades de seu irmão sofredor” (Ellen G. White, Parábolas de Jesus, p. 261, ênfase acrescentada). Essa declaração pode trazer implicações aos membros da igreja que se acham em uma posição confortável. Diz respeito ao que o "homem rico" deixou de fazer. O que a sua igreja pode fazer em favor dos "Lázaros" da sua comunidade? Como você pode superar a indiferença?
4. Escreva em um quadro, se for possível, ou em uma folha de papel, alguns dos problemas mais urgentes dos “mais pequeninos” irmãos em sua comunidade: por exemplo, pessoas com necessidades especiais, tráfico de pessoas e uso de drogas (questões extremamente sérias). Mesmo que seja virtualmente impossível para a sua igreja intervir em cada uma dessas questões, escolha uma delas para começar e planeje um primeiro passo (para ideias adicionais, leia a Adventist Review [Revista Adventista em inglês] de agosto de 2016, uma edição que focalizou os “mais pequeninos” irmãos).
Anjos na tempestade
Annie Paama cresceu em um lar adventista na ilha do Pacifico Sul de Nova Caledônia. Mas, aos 16 anos, abandonou a igreja e mudou para casa do namorado, Leonce. Pouco tempo depois, tiveram dois filhos. Leonce bebia muito. Constantemente chegava em casa embriagado suscitando discussões tensas entre o casal. Algumas vezes ele batia nos filhos.
Certa noite, Annie ouviu Leonce gritando enquanto subia a colina em direção à casa, na cidade de Numeia. Ela percebeu que o marido estava embriagado. Uma chuva fina caía. Metereologistas previram que o ciclone Erika atingiria Nova Caledônia e solicitaram às pessoas a permanecer em casa. Annie não queria ficar presa em casa com um homem bêbado e violento. Ela pegou a filha de três anos, Morgane, e o filho de oito anos, Leonce Junior, colocou-os no carro e saiu de casa. Dirigiu Annie dirigiu até que o ponteiro do tanque de combustível mostrasse que estava vazio. Estacionou perto de uma árvore, sem saber onde estava, mas certa que estava em um local seguro na tempestade. Um vento forte açoitava o carro e um arrepio percorreu o interior. Annie percebeu que não havia levado cobertores quentes.
Ela olhou os filhos, e eles pareciam adormecidos da longe viagem. Então, lembrou-se de Deus pela primeira vez em muitos anos. “Deus, se Você existe, cuide de mim e dos meus filhos nesta noite”, disse. Assim que terminou a oração, um profundo cansaço tomou conta dela, levando-a a recostar-se no banco do veículo, enquanto olhou pela janela. Piscou e olhou novamente. Para sua surpresa, as nuvens recuaram e o céu se abriu.
Annie tremeu de medo ao olhar para cima. Viu milhares de anjos andando vigorosamente para frente e para trás no céu. Esticou o pescoço, esperando ver o trono de Deus. Então, os céus se fecharam e uma escada se estendeu do céu para o carro. Parecia uma escada gigante de corda. Os anjos usavam vestes de um branco brilhante, mais branco do que qualquer branco que Annie já tivesse visto. Ela não conseguiu ver claramente o rosto deles. Só conseguia dizer que eles eram altos, tinham asas e brilhavam intensamente com uma luz branca. Um anjo parou na frente do carro e estendeu as asas gigantescas, alcançando a parte de trás do carro. Os outros dois anjos ficaram um de cada lado do carro, cobrindo-o também com as asas.
Annie ficou apavorada e tremia de medo. Então, sentiu que o automóvel balançava como se fosse um bebê sendo balançado nos braços da mãe. Um calor agradável aqueceu o interior do carro. De repente, o medo de Annie sumiu e ela sentiu paz. Os olhos ficaram pesados e ela dormiu profundamente, acordando mais tarde ao som do canto dos pássaros. Olhou para a janela e viu que a escada descer novamente do céu. Os anjos dobraram as asas e subiram a escada. Enquanto os anjos subiam, Annie começou a tremer de frio. Nesse evento grandioso aconteceu, Annie percebeu que a oração havia sido respondida de maneira extraordinária. Imediatamente entregou o coração a Jesus. “Nunca mais voltarei a meus hábitos mundanos. Prometo viver para Ti”, orou, entregando-se a Ele
De alguma forma, Annie percebeu ter suficiente combustível no carro para ir à casa da mãe, que se opunha ao namoro e, durante anos, recusara-se ajudá-la. Mas, então, a recebeu de braços abertos, dando-lhe dinheiro para abastecer o veículo.
De volta à sua casa, Annie descobriu que ela sobrevivera ao ciclone intocada, embora as casas dos vizinhos tivessem sofrido danos. Ela derrubou fotos de Bob Marley e maconha das paredes, pegou suas joias e as jogou na fogueira. As chamas ainda estavam acesas quando Leonce voltou do trabalho. Ao ver a expressão de perplexidade no semblante do marido, Annie explicou que entregara o coração a Jesus. Leonce, então, perguntou sobre a noite anterior: “Onde você e as crianças estavam? Cheguei em casa e a encontrei vazia.” Annie contou que o tinha ouvido gritar, bêbado, enquanto subia a colina, por isso fugiu para evitar mais uma briga. Leonce sacudiu calmamente a cabeça e respondeu: “Não era eu. Não bebi ontem.”
Firmemente, Annie manteve a promessa de servir a Deus. Casou-se com Leonce e foi rebatizada. Ela também se tornou diaconisa da igreja adventista do sétimo dia Bethany, função que já havia ocupado por dez anos. Depois de ouvir a história do anjo, Leonce deixou de ser violento. Annie ora por seu batismo. Os filhos, agora adolescentes, mal podem acreditar que fizeram parte de uma noite tão memorável. Eles desejam passar por uma experiência semelhante. Annie sempre diz que isso é possível. “Vocês precisam manter um relacionamento com Deus e conversar com Ele. Então, Ele Se revelará a vocês.”
Há três anos, as ofertas do trimestre ajudaram a construir duas salas de Escola Sabatina para as crianças em Maré, uma ilha na Nova Caledônia. Muito agradecemos a vocês, por ajudarem pessoas a conhecer a Deus.

