Lição 3
11 a 17 de abril
Orgulho e humildade | 2º Trimestre 2026
Sábado à tarde
Ano Bíblico: RPSP: 1CR 22
Verso para memorizar: “Porque todo o que se exalta será humilhado; e o que se humilha será exaltado” (Lc 14:11).
Leituras da semana: 1Jo 2:15-17; Lc 18:9-14; 1Jo 1:9; Hb 11:24-26; Lc 22:24-27; Fp 2:3-8

Todos nós conhecemos pessoas com o ego inflado, que acham que nunca estão erradas. Talvez você conheça alguém que sempre deseja estar no controle, que não aceita sugestões nem críticas construtivas, que vive em conflito com os outros e é especialista em rebaixar quem está ao redor. É fácil pensar em outras pessoas quando falamos disso. Mas a pergunta mais importante é: E quanto a nós? Quando apontamos o dedo para os outros e negamos a presença do orgulho em nossa própria vida, acabamos enganando a nós mesmos.

Todos nós lutamos contra o orgulho e já passamos por momentos em que sentimos vontade de parecer melhores do que os outros – no modo de falar, agir ou nos apresentar –, porque, no fundo, acreditamos que somos superiores em algum aspecto. Alguém já disse que o orgulho nasce do desejo de provar que temos valor. Mas a verdade é que não precisamos disso: somos valiosos porque fomos criados por Deus, e Cristo morreu por nós.

Nesta semana, vamos refletir sobre como o orgulho pode afetar nosso relacionamento com Deus e com as pessoas, bem como o que a Bíblia ensina sobre a humildade: diante dos outros e, acima de tudo, diante de Deus.

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Domingo, 12 de abril
Ano Bíblico: RPSP: 1CR 23
Aprisionados pelo orgulho

Orgulho. Quando você lê essa palavra, talvez pense em um líder político arrogante, em alguém rico ou famoso, ou até mesmo em um pavão. Orgulho é a sensação de que somos melhores ou mais importantes do que os outros. De fato, o orgulho é um sentimento – e não podemos nem devemos confiar nele.

O orgulho teve início em Lúcifer, o querubim cobridor, que servia a Deus de perto. Não sabemos exatamente quando ou como pensamentos egoístas surgiram em seu coração, mas sabemos que foi esse tipo de atitude que lançou o Universo no que hoje chamamos de grande conflito. O caráter de Satanás se tornou o oposto do caráter de Deus (compare Is 14:12-14 com Fp 2:5-11). Como resultado disso, o mundo tem sofrido as consequências do pecado, desde o momento em que Satanás plantou dúvidas na mente de Adão e Eva e os levou a amar a si mesmos e a confiar mais no eu do que em Deus.

1. Quais são os três ensinos principais sobre o orgulho e o amor ao mundo em 1 João 2:15-17?

O orgulho pode ter algum lado positivo? Talvez não no sentido mais comum da palavra. Às vezes, usamos esse termo com um tom afetuoso ao expressar admiração pelas conquistas de alguém: “Tenho tanto orgulho de você!” Mas é importante entender que buscar a excelência e reconhecer com gratidão os dons que Deus nos deu não é, por si só, sinal de orgulho.

Além disso, a Bíblia fala de uma forma saudável de amor-próprio. Pense no mandamento citado por Jesus em Marcos 12:31: “Ame o seu próximo como você ama a si mesmo.” Mas esse tipo de amor sempre é altruísta. Também não é orgulho reconhecer que temos a presença de Deus em nossa vida e vivemos com um propósito claro (veja 1Tm 3:1). O problema começa quando deixamos de atribuir a Deus a glória por tudo o que Ele realiza em nossa vida.

Por isso, precisamos nos lembrar sempre de que nossos bens, talentos e conquistas não definem o nosso valor. Nosso mérito sempre vem de Deus, porque tudo o que temos, até mesmo aquilo que pode nos tentar ao orgulho, vem unicamente Dele.

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Pergunte a si mesmo: “Quão orgulhoso tenho realmente sido?” De que forma isso pode estar afetando seu relacionamento com Deus e com as pessoas?
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Segunda-feira, 13 de abril
Ano Bíblico: RPSP: 1CR 24
Conheça a si mesmo

Dois homens foram à igreja para orar. Um deles, respeitado líder da comunidade, colocou-se à frente antes que o culto começasse, para que todos pudessem vê-lo. Em voz alta, ele agradeceu a Deus a santidade que enxergava em si mesmo. O outro, um homem desprezado pela sociedade, ficou nos fundos da igreja. Seus olhos estavam cheios de lágrimas, pesados pelo fardo do pecado. Em um canto mais afastado, caiu de joelhos e sussurrou em desespero: “Senhor, tenha misericórdia de mim, pois sou pecador!”

2. Leia Lucas 18:9-14. O que você pensa sobre esses dois homens? O que Jesus pensava? Que lição importante esse texto ensina a todos nós?

É muito fácil cair na tentação de querer se engrandecer. Às vezes, isso se torna quase automático, e queremos que os outros saibam das nossas conquistas e qualidades. Mas, diante do Céu, essas coisas não fazem diferença alguma para nossa reputação. Na verdade, o efeito é exatamente o oposto do que imaginamos: “Porque todo o que se exalta será humilhado; mas o que se humilha será exaltado” (Lc 18:14). Jesus também nos aconselhou a ocupar o lugar mais simples e deixar que o anfitrião, se quiser, nos honre diante dos outros (Lc 14:8-10). O reino que Jesus nos apresenta é o contrário da lógica humana. “Cristo só pode salvar quem reconhece ser pecador” (Ellen G. White, Parábolas de Jesus [CPB, 2022], p. 87).

Quando reconhecemos nossa real condição de pecadores e nossa profunda necessidade de Cristo, podemos nos aproximar Dele com a certeza da promessa: “Se confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça” (1Jo 1:9).

Quanto mais nos aproximamos de Cristo, mais claramente enxergamos nossa pecaminosidade e indignidade. “Só de um modo o verdadeiro conhecimento de si mesmo pode ser alcançado. Precisamos olhar a Cristo. Não conhecê-Lo é que dá aos seres humanos uma tão alta ideia de sua própria justiça” (Parábolas de Jesus, p. 88).

E o que Deus pensa do orgulho? A Bíblia não poderia ser mais clara: “Deus Se opõe aos orgulhosos, mas concede graça aos humildes” (1Pe 5:5, NVI).

Reserve um momento para orar agora mesmo, pedindo a Deus que o humilhe debaixo de Sua poderosa mão e que somente Ele o exalte no tempo certo (veja 1Pe 5:6).

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Terça-feira, 14 de abril
Ano Bíblico: RPSP: 1CR 25
Moisés, servo humilde

Os grandes salões do palácio egípcio eram marcados por luxo, prazer e conforto. “E Moisés foi educado em toda a ciência dos egípcios e era poderoso em palavras e obras” (At 7:22). Uma vida de poder, riqueza e prestígio estava ao seu alcance. Porém, Moisés fez uma escolha completamente diferente: “Como historiador, poeta, filósofo, general de exércitos e legislador, ninguém se iguala a ele. No entanto, apesar de ter o mundo aos seus pés, ele teve força moral para recusar toda riqueza, grandeza e fama, ‘preferindo ser maltratado junto com o povo de Deus a usufruir prazeres transitórios do pecado’” (Ellen G. White, Patriarcas e Profetas [CPB, 2022], p. 205).

3. Por que Moisés escolheu seguir um caminho diferente e muito mais humilde? Hb 11:24-26

A humildade demonstrada por Moisés nas últimas décadas de sua vida é realmente impressionante, especialmente quando nos lembramos do homem poderoso que ele foi e de onde ele veio. No entanto, por causa de um ato precipitado e pecaminoso, Moisés perdeu a autoconfiança e independência (Êx 2:12). Ele teve como sala de aula as montanhas do deserto e, com o orgulho deixado de lado, foi moldado por Deus durante 40 anos. Nesse tempo, aprendeu tudo de que precisava para conduzir um povo escravizado rumo à Terra Prometida. Diante da eternidade, o poder e as riquezas de uma possível vida no Egito perderam todo o brilho. Moisés foi chamado por Deus de maneira muito clara e decidiu aceitar esse chamado.

Talvez o aspecto mais marcante sobre esse tema esteja registrado em Números 12:3: “Moisés era um homem muito manso, mais do que qualquer outro sobre a terra.” Moisés, um dos maiores profetas e líderes da Bíblia, é lembrado por sua humildade e mansidão.

Agora pense em como a vida e a liderança de Moisés teriam sido diferentes se o orgulho tivesse se infiltrado em cada um dos seguintes momentos decisivos: a sarça ardente; as pragas do Egito; a travessia do Mar Vermelho; o maná que caía do céu; os encontros com Deus; a entrega dos Dez Mandamentos; e as palavras divinas após Moisés ferir a rocha.

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Será que alguém descreveria você como “humilde” ou “manso”? Reserve um tempo para ouvir o hino “Jesus é Melhor” ou ler sua letra no Hinário Adventista do Sétimo Dia, no 321. Reflita sobre essas palavras à luz da vida de Moisés – e da sua também.
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Quarta-feira, 15 de abril
Ano Bíblico: RPSP: 1CR 26
O pecado mais ofensivo

Imagine ser um dos discípulos de Jesus. Você pode viajar com Ele, comer com Ele, dormir perto Dele e aprender com Ele, enquanto vê incontáveis vidas sendo transformadas – inclusive a sua. As multidões O seguem, e você percebe quão especial é ter sido escolhido para estar entre os doze mais próximos Dele. Então surge uma pergunta: Quem será o mais importante dentre todos os discípulos?

4. Leia Lucas 22:24-27. Como Jesus respondeu à discussão dos discípulos sobre o que é a verdadeira grandeza? Que frase resume esse ensino de Jesus?

Seria natural imaginar que, depois de tanto tempo ao lado de Jesus, os discípulos jamais levantariam uma discussão como essa. Mas não foi o que aconteceu.

Em vez de se alegrarem com o chamado que haviam recebido, o orgulho cresceu no coração deles, e cada um começou a pensar que era melhor do que os outros. É fácil deixar esse tipo de pensamento tomar conta da nossa mente também.

No entanto, recebemos uma advertência séria: “Nada é tão ofensivo a Deus nem tão perigoso para o espírito humano como o orgulho e a presunção. De todos os pecados, esse é o que menos esperança incute e o mais irremediável” (Ellen G. White, Parábolas de Jesus [CPB, 2022], p. 85).

Isso é grave. Nada ofende mais a Deus do que o nosso orgulho – e esse é um pecado difícil de vencer, justamente porque muitas vezes nem conseguimos enxergá-lo. Quando nos tornamos autossuficientes, evitamos olhar para dentro de nós mesmos – afinal, o orgulho já assumiu o controle. Precisamos parar, fazer uma avaliação sincera e pedir que Deus abra nossos olhos para ver quem realmente somos. O orgulho pode ser a principal barreira que nos impede de viver hoje um relacionamento profundo com Deus.

Se você reconhece que só o Senhor pode remover o orgulho e o egoísmo do seu coração, pare agora mesmo e ore usando estas palavras: “Senhor, toma o meu coração, pois não consigo entregá-lo. É Tua propriedade. Conserva-o puro, pois não posso conservá-lo para Ti. Salva-me apesar de mim mesmo, tão fraco e tão dessemelhante de Cristo. Molda-me, forma-me e eleva-me a uma atmosfera pura e santa, onde a rica corrente de Teu amor possa fluir por minha alma” (Parábolas de Jesus, p. 88). 

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Quinta-feira, 16 de abril
Ano Bíblico: RPSP: 1CR 27
Contemple-O

5. Leia novamente Lucas 22:27. Qual é a principal mensagem desse versículo para todos os seguidores de Cristo?

Em claro contraste com o desejo dos discípulos de serem superiores e com a ideia de que eram melhores do que os outros, vemos Jesus – o exemplo supremo de humildade. Ele disse: “No meio de vocês, Eu sou como quem serve” (Lc 22:27). Dia após dia, Jesus era atento às necessidades daqueles que estavam ao Seu redor; cheio de compaixão, via as multidões como ovelhas sem pastor. Ele sabia que a humanidade precisava Dele mais do que tudo, mesmo que poucos entendessem isso. Jesus abriu mão do Céu e Se entregou à morte pela raça humana, com a esperança de que, ao entendermos esse gesto de amor, aceitássemos o convite para termos um relacionamento com Ele.

6. À luz de Filipenses 2:3-8 e do significado da cruz, como nós devemos viver?

Jesus entregou tudo. Quando paramos por tempo suficiente para contemplá-Lo – de modo verdadeiro e sincero –, é impossível não reconhecer nossa impureza, nosso pecado e o quanto precisamos desesperadamente Dele, hoje, em nossa vida. 

Quando olhamos para Jesus, tudo o mais perde a importância – inclusive nós mesmos e qualquer ideia de grandeza pessoal. Quem Ele é, o que Ele fez e o quanto ama Suas criaturas passam a ocupar o centro da nossa vida, e o ego desaparece.

Jesus: que nome lindo e poderoso! Ele é o exemplo perfeito de humildade. À medida que conhecemos mais sobre Ele, que entendemos o que Ele fez por nós e deixamos que Suas palavras de vida preencham nossa mente, reconhecemos o quanto somos orgulhosos e pecadores. Se até os discípulos – que conviveram com Jesus e aprenderam tanto com Ele – tiveram dificuldades com o orgulho, quem somos nós para achar que somos diferentes? A verdade é que só conseguimos crescer no relacionamento com Jesus quando aprendemos a ser humildes.

Pegue sua Bíblia, uma caneta e um caderno. Encontre um lugar tranquilo – talvez ao ar livre – e ore, pedindo que Deus fale com você e abrande o seu coração. Copie o Salmo 138, palavra por palavra. Enquanto escreve, quais palavras mais tocam seu coração?

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Sexta-feira, 17 de abril
Ano Bíblico: RPSP: 1CR 28
Estudo adicional

“Quanto mais nos achegarmos a Jesus e mais claramente discernirmos a pureza de Seu caráter, tanto mais claramente discerniremos a extrema malignidade do pecado, e tanto menos teremos a tendência de nos exaltar. Aqueles a quem o Céu considera santos são os últimos a alardear a própria bondade” (Ellen G. White, Parábolas de Jesus [CPB, 2022], p. 89).

“‘A humildade precede a honra’ (Pv 15:33). Para ocupar um elevado cargo diante dos seres humanos, o Céu escolhe o obreiro que, como João Batista, assume posição humilde diante de Deus. O discípulo mais semelhante às crianças é o mais eficiente no trabalho para Deus. Os seres celestiais podem cooperar com aquele que procura não se exaltar, mas salvar os outros. [...] Quando as pessoas se exaltam, sentindo que são uma necessidade para o sucesso do grande plano de Deus, o Senhor faz com que sejam deixadas de lado. [...]

“Não bastava aos discípulos de Jesus serem instruídos sobre a natureza de Seu reino. O que necessitavam era uma mudança de coração que os pusesse em harmonia com os princípios desse reino. [...] A simplicidade, o desprendimento e o confiante amor de uma criancinha são as qualidades estimadas pelo Céu. Essas são as características da verdadeira grandeza. [...] O coração sincero e contrito é precioso diante de Deus. Ele coloca Sua aprovação sobre as pessoas não por sua posição, não por riqueza ou grandeza intelectual, mas por sua unidade com Cristo” (Ellen G. White, O Desejado de Todas as Nações [CPB, 2021], p. 349, 350).

Perguntas para consideração
1. O que os versículos seguintes ensinam sobre orgulho e humildade? (Mt 23:12; Sl 25:9; 149:4; Tg 4:6, 10).

2. Responda com sinceridade: Alguma vez você já tentou alardear a própria bondade e santidade? Como isso afetou seu relacionamento com Deus ou com as pessoas ao seu redor?

3. O que você talvez precise mudar na sua vida para se humilhar diante de Deus e se aproximar mais Dele?

Respostas às perguntas da semana: 1. O orgulho e o amor ao mundo não vêm de Deus; o mundo e seus desejos passam; quem faz a vontade de Deus permanece. 2. O fariseu confiou em si; o publicano confessou seu pecado. Jesus justificou o humilde, não o orgulhoso. Deus rejeita a justiça própria e aceita o arrependimento. 3. Pela fé, Moisés recusou prestígio e riquezas para identificar-se com o povo de Deus, olhando para a recompensa eterna. 4. Jesus ensinou que a verdadeira grandeza está em servir. “No meio de vocês, Eu sou como quem serve.” 5. Jesus veio para servir; portanto, todo cristão deve imitar Seu serviço humilde. 6. Ele nos chama a viver com humildade e obediência, seguindo Cristo, que Se humilhou até a cruz por amor.

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Resumo da Lição 3
Orgulho e humildade | 2º Trimestre 2026

TEXTO-CHAVE: Lc 14:11
FOCO DO ESTUDO: Gn 11:5; Is 14:12-14; Nm 12:3; Lc 18:9-14; Sl 20:7

ESBOÇO

Introdução: Na primeira lição do trimestre, fomos confrontados com o diagnóstico do Senhor sobre a enfermidade espiritual de Laodiceia: “Você diz: ‘Sou rico, estou bem de vida e não preciso de nada.’ Mas você não sabe que é infeliz, sim, miserável, pobre, cego e nu” (Ap 3:17). João, o profeta do Apocalipse, denunciou o problema do orgulho espiritual, enraizado no foco do “eu”, com sua ênfase no ego. A dura realidade é que, separados de Deus, nada podemos fazer para vencer o “eu”. Podemos ser gratos porque a mensagem da Bíblia trata justamente da solução desse problema do “eu”, um problema que diz respeito a cada um de nós.

Nesta semana, analisaremos o pecado do orgulho a fim de compreender seu mecanismo e perceber seu perigo. Para isso, avançaremos em três etapas:

1. Primeiro, traçaremos a origem do orgulho no Céu, no tempo em que Lúcifer planejou usurpar o lugar de Deus (Is 14:13).

2. Em seguida, desceremos à Terra para examinar o esforço dos construtores de Babel, quando planejaram fazer um nome para si ao tentar edificar uma torre que alcançasse os céus (Gn 11:4).

3. Na terceira etapa, estudaremos diversos exemplos de orgulho em contraste com modelos de humildade: faraó e Moisés, Nabucodonosor e Daniel, e o fariseu e o publicano na parábola de Jesus (Lc 18:9-14). Essa terceira seção oferecerá uma reflexão comparativa sobre o orgulho e a humildade, com base no ensino da sabedoria bíblica (Pv 11:2; 27:1, 2).

COMENTÁRIO

O orgulho de Lúcifer. O texto-chave a respeito do orgulho de Lúcifer encontra-se em Isaías 14:12 a 15, dentro do contexto do oráculo de Isaías contra a Babilônia (Is 14:3-23). É interessante notar que a linguagem do oráculo contra Babilônia/Lúcifer nesse texto lembra a linguagem da acusação apocalíptica contra a igreja de Laodiceia. Ambas as acusações dizem respeito às declarações do que “tu [Lúcifer/Laodiceia] dizias” (Is 14:13, ARA; compare com Ap 3:17). Assim como na carta à igreja de Laodiceia, o oráculo de Isaías contra Lúcifer enfatiza a perspectiva da primeira pessoa (neste caso, a de Lúcifer), repetida cinco vezes: “Eu subirei”, “eu exaltarei”, “eu me assentarei”, “eu subirei” e “eu serei semelhante ao Altíssimo”. E, também como na carta à igreja de Laodiceia, o oráculo de Isaías marca um ponto de virada inesperado ao predizer: “você descerá ao mundo dos mortos” (Is 14:15). Em ambas as profecias, os autores inspirados descrevem um cenário de vanglória (indicado pelo orgulhoso “eu”), o qual é inequivocamente condenado.

Com esse pano de fundo em mente, vamos voltar agora para a história da queda de Lúcifer. Essa história está repleta de lições espirituais. Vamos analisá-la ponto a ponto:

O nome de Lúcifer. O problema de Lúcifer está implícito em seu nome. Lúcifer, que deriva do latim lux ferre, “portador de luz”, é a tradução do nome hebraico heylal, “luz”, que ecoa a exclamação de adoração divina aleluia. Assim, como a semântica de seu nome sugere, a intenção profunda de Lúcifer (isto é, o que ele buscava em seu coração [Is 14:13]) era ser adorado.

Sua ascensão. Para ser adorado, Lúcifer buscava subir de onde estava até o lugar de Deus, que ficava acima. O movimento de ascensão se repete várias vezes para dar ênfase. Primeiro, o verbo-chave que descreve sua ação, ‘alah, “subir”, é usado duas vezes, como o primeiro e o último verbo da série de ações nas frases: “Subirei ao Céu” (Is 14:13) e “Subirei acima das mais altas nuvens” (Is 14:14). Esse movimento de subida ressoa ainda no verbo ‘arim, “eu exaltarei”, que significa literalmente “levar para cima”, referindo-se ao trono de Lúcifer. Assim, Lúcifer pretendia, de forma audaciosa, elevar seu trono “acima das estrelas de Deus”, isto é, acima das estrelas mais altas.

O lugar de destino pretendido. Lúcifer tinha como objetivo alcançar “o monte da congregação”. A passagem paralela, em Ezequiel 28, refere-se ao santo “monte de Deus” (Ez 28:16), que designa o lugar do templo de Deus, onde o povo de Deus se reúne para adorá-Lo. Isaías 14:13 especifica, de fato, que esse lugar está situado “nas extremidades do Norte”, um superlativo para o ponto mais elevado, o próprio lugar de Deus, onde Ele é adorado no Céu. A mesma expressão aparece no Salmo 48 para designar o lugar do templo (Sl 48:2).

A intenção profunda. A passagem conclui com a revelação da verdadeira intenção de Lúcifer: “Serei semelhante ao Altíssimo” (Is 14:14). Essas são as últimas palavras de Lúcifer registradas no texto (Is 14:14). Essa narrativa revela a ousada blasfêmia do orgulho em toda a sua arrogância: tornar-se como Deus. A conclusão traz o alerta quanto ao resultado: o orgulho que buscou usurpar o lugar mais elevado do Céu, o lugar do próprio Deus, levará seu possuidor a terminar “infeliz, miserável, pobre, cego e nu” (Ap 3:17), “no mais profundo do abismo” (Is 14:15).

O orgulho de Babel. A linguagem usada para descrever a obra dos construtores de Babel reflete a do relato da criação, indicando claramente a intenção deles de suplantar e de se identificar como o próprio Criador. Essa intenção já havia sido antecipada no capítulo anterior, na tabela das nações, em que a fundação do reino de Babel por Ninrode foi introduzida com a palavra técnica re’shit, “princípio” (Gn 10:12) ou “começo”. Essa é a mesma palavra que introduz a obra da criação de Deus (Gn 1:1).

Da mesma forma, os construtores da Torre de Babel manifestaram o mesmo desejo de Ninrode de tomar o lugar de Deus. A expressão da Palavra divina, wayyomer ’Elohim, traduzida como “Deus disse”, que marca o ritmo da obra da criação, aparece aqui também, mas tinha os construtores como sujeito: wayy’omeru, “e disseram” (Gn 11:3, 4).

O cumprimento divino da criação, wayehi, “e houve” (Gn 1:3), agora descreve a realização de Babel: wattehi, “e façamos” (Gn 11:3, ARA). A mesma linguagem usada para a deliberação divina quando Deus propôs criar a humanidade, na‘aseh, “façamos” (Gn 1:26), reaparece quatro vezes em referência à deliberação dos construtores: “Vamos fazer tijolos”, “vamos queimá-los bem”, “vamos construir” e “vamos fazer” (Gn 11:3,4). Até mesmo a intenção deles de “tornar célebre” o próprio nome constitui uma usurpação das prerrogativas divinas, pois somente Deus é Aquele que pode “engrandecer o nome” (Gn 12:2) e o único que pode “fazer um nome para Si” (Is 63:12, 14; Jr 32:20).

Assim, os construtores de Babel possuem a mesma ambição de Lúcifer. Como Lúcifer antes deles, queriam subir até o lugar de Deus, à “porta de Deus” (Bab-El). A história termina com um trocadilho irônico em torno do nome da torre: Bab-El (“porta de Deus”), nome do empreendimento presunçoso, que resultou em balal, “confusão” (ver Gn 11:9).

Os orgulhosos e os humildes. A Bíblia não contém um estudo resumido sobre o orgulho e a humildade. Virtudes e falhas são mais bem compreendidas na ação de indivíduos, no desenrolar dos acontecimentos. Assim, na Bíblia, o ensino sobre orgulho e humildade é exemplificado pelo contraste entre pessoas humildes e orgulhosas: Caim e Abel, Jacó e Esaú, José e seus irmãos, faraó e Moisés, Daniel e Nabucodonosor. Nesta lição, apresentaremos apenas o contraste entre faraó e Moisés.

Faraó versus Moisés. No início do livro de Êxodo, ambos são confrontados com o agir de Deus. No entanto, eles reagem de maneira diferente à presença divina. Moisés reage apresentando duas perguntas. A primeira pergunta centrava-se nele mesmo: “Quem sou eu?” (Êx 3:11). Moisés se sentia insignificante diante de Deus e incapaz de cumprir a missão para a qual tinha sido chamado. A segunda pergunta de Moisés tem relação com o próprio Deus. Ele desejava conhecê-Lo (Êx 3:13) para poder se relacionar com Ele.

Por outro lado, quando faraó ouve falar de Deus, ele reage negando Sua existência. Diferentemente de Moisés, faraó se recusa a conhecê-Lo (Êx 5:2). Faraó não consegue reconhecer a existência de Deus simplesmente porque se considera um deus. Consequentemente, faraó se recusa a ouvir sobre outra divindade. Faraó inverte a ordem divina de deixar os israelitas livres para que possam guardar o sábado (Êx 5:69) e, em vez disso, ordena que Israel faça ainda mais trabalho.

Além disso, o Senhor conhecia Moisés face a face (Dt 34:10), enquanto faraó continuava rejeitando Deus e se recusava a humilhar-se perante Ele (Êx 10:3). Enquanto Moisés ficou conhecido como o homem mais humilde da Terra (Nm 12:3), faraó é lembrado como o mais orgulhoso (Êx 7–10; cf. Ne 9:10).

APLICAÇÃO PARA A VIDA

Dica para o professor – 1: Como morremos para o “eu”? E, igualmente importante, como mantemos um espírito humilde no serviço ao nosso Criador? Para aprofundar as respostas a esse tema, leia a reflexão abaixo e depois discuta com sua classe as perguntas a seguir.

Para reflexão: O Senhor concedeu a cada um de nós dons, tanto espirituais quanto naturais, para abençoar a Sua igreja. Esses dons podem incluir cantar, pregar, ensinar, ajudar, exercer hospitalidade, evangelizar, contar histórias, etc. Infelizmente, é muito fácil perdermos de vista o Doador dos dons e exaltarmos o vaso humano.

1. Quais coisas você pode fazer que o ajudarão a se manter humilde ao servir ao Senhor com os dons que Ele lhe concedeu para glorificá-Lo?

2. Quais são os perigos do orgulho e da autoexaltação?

3. Por que a humildade é tão importante ao servir ao Senhor?

4. Converse sobre suas respostas às perguntas acima à luz da confissão de Paulo: “Dia após dia, morro!” (1Co 15:31). Como Paulo propôs que experimentássemos essa “morte”? Por que essa “morte” é tão essencial para a humildade e para um serviço bem-sucedido ao Senhor?

Dica para o professor – 2: Divida sua classe em pequenos grupos e atribua a cada grupo um dos seguintes contrastes entre orgulho e humildade: Caim versus Abel, Abraão versus Ló, Jacó versus Esaú, José versus seus irmãos e Daniel versus Nabucodonosor. Dê a cada grupo um tempo para explorar os contrastes e preparar uma breve apresentação com os resultados de seu estudo. Em seguida, convide-os a compartilhar suas ideias com toda a classe.

Caim versus Abel (Gn 4). Compare o significado dos nomes Caim e Abel, a escolha da oferta de cada um e o diálogo entre eles.

Abraão versus Ló (Gn 13). Considere a atitude de cada um deles em sua escolha de terras.

Isaque versus Ismael (Gn 18). Compare as ocorrências de riso na narrativa. Depois, reflita sobre a submissão de Isaque ao ser oferecido em sacrifício (Gn 22). 

Jacó versus Esaú (Gn 27). Compare as atitudes dos irmãos em relação ao direito de primogenitura e o encontro posterior em Gênesis 33.

José versus seus irmãos (Gn  37). Contraste a reação dos irmãos de José diante de seus sonhos com o medo de uma possível retaliação (Gn 50).

Nabucodonosor versus Daniel (Dn 1; 3; 4). Considere a graciosa humildade de Daniel diante do decreto do rei. Também contraste a tentativa de Nabucodonosor de usurpar a supremacia de Deus em Daniel 3 com sua experiência de profunda humilhação em Daniel 4.


Terreno comprado duas vezes

República Democrática do Congo

Foi um dia sombrio para uma Universidade Adventista do Sétimo Dia na África.

Em 18 de março de 2001, combatentes armados entraram no campus da Universidade Adventista do Sétimo Dia de Lukanga, em Lubero, na República Democrática do Congo. Os intrusos pertenciam aos Mai-Mai, uma milícia liderada por senhores da guerra, chefes de aldeia e anciãos tribais tradicionais que haviam tomado parte do país. 

O nome Mai-Mai vem da palavra suaíli para água, maji. Os membros da milícia se borrifaram com água para se protegerem das balas.

Os combatentes Mai-Mai agrediram funcionários e atacaram estudantes da Universidade Adventista de Lukanga. Eles prenderam três estudantes e os levaram até a colina Nyarusunzu, onde outros combatentes estavam esperando. Eles interrogaram os estudantes, alegando que a universidade estava ocupando suas terras ilegalmente.

Embora a universidade tivesse sido estabelecida apenas três anos antes, em 1999, a Igreja Adventista possuía suas terras por décadas. A União do Zaire tinha fundado uma instituição mista denominada Instituto Adventista de Lukanga no terreno em 1965,e os alunos estudaram lá nos últimos 36 anos.

Em meio aos interrogatórios, um dos combatentes Mai-Mai ameaçou atirar nos três estudantes à queima-roupa. Então, uma discussão acalorada eclodiu entre os combatentes Mai-Mai, e o caos estourou. Em meio à confusão, o céu se abriu, e a chuva começou a cair torrencialmente.

Os combatentes Mai-Mai, conhecidos por acreditar que borrifar água os prote­geria das balas, não tinham nenhum desejo que ficar ali na chuva torrencial e se espalharam. Os três alunos escaparam.

Até hoje, muitas pessoas acreditam que Deus enviou a chuva para salvar as vidas daqueles alunos.

Mas a histórias não havia terminado.

Os acontecimentos de 18 de março e as reivindicações sobre o terreno levaram as famílias dos ex-chefes de terras a afirmarem que a universidade adventista estava ocupando suas terras ilegalmente. Em meio ao aumento das reclamações, a universidade tomou medidas para acalmar a situação. Em maio de 2001, dois meses depois do incidente na colina, a Igreja Adventista do Sétimo Dia ofereceu pagar às famílias pelo terreno pela segunda vez.

O acordo, que restaurou a paz, significava que a igreja pagou duas vezes pela mesma propriedade. Poderia dizer que a terra pertencia a eles duas vezes.

Deus também pode dizer que os humanos pertenceram a Ele duas vezes. Ele criou os humanos, e Ele redimiu os humanos. l Coríntios 6:20 diz: "Porque fostes comprados por bom preço; glorificai, pois, a Deus no vosso corpo e no vosso espírito, os quais pertencem a Deus" (ARC).

Assim como a universidade pode dizer da terra: "Você é minha duas vezes", Deus pode dizer sobre nós: "Vocês são meus duas vezes".

Faça parte da história da Universidade Adventista de Lukanga, contribuindo para a Oferta do Décimo Terceiro Sábado, também conhecida como Oferta Trimestral para os Projetos Missionários. Atualmente, os alunos da faculdade de enfermagem estão usando o pequeno laboratório da clínica da clínica universitá­ria para suas pesquisas. A oferta deste trimestre ajudará a construir um prédio para a faculdade de enfermagem da universidade, que terá laboratórios maiores para suas cinco áreas de estudo: enfermagem geral, obstetrícia, imagem, técnicas de laboratório e pediatria. Obrigado por doar generosamente para este importan­te projeto.

Por Andrew McChesney

Dicas para a história

• Mostre o continente africano e depois o país da República Democrática do Congo no mapa.

• Assista a um pequeno vídeo no YouTube do líder da Universidade Adventista de Lukanga, Malembe Tatasi Fils, em: bit.ly/ Malembe-ECD.

• Baixe fotos para esta história no Facebook: bit.ly/fb-mq.

• Leia mais sobre a Universidade Adventista de Lukanga na Enciclopédia dos Adventistas do Sétimo Dia em: bit.ly/Lukanga.

• Saiba que a faculdade de enfermagem foi inaugurada na Universidade Adventista de Lukanga, em 2072, e foi a primeira desse tipo no país. Agora forma cerca de 200 enfermeiros por ano.

• Saiba que 70 por cento dos pastores da República Democrática do Congo se formaram na Universidade Adventista de Lukanga.


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