Lição 11
06 a 12 de junho
Tribulações | 2º Trimestre 2026
Sábado à tarde
Ano Bíblico: RPSP: NE 3
Verso para memorizar: “E não somente isto, mas também nos gloriamos nas tribulações, sabendo que a tribulação produz perseverança, a perseverança produz experiência e a experiência produz esperança. Ora, a esperança não nos deixa decepcionados, porque o amor de Deus é derramado em nosso coração pelo Espírito Santo, que nos foi dado” (Rm 5:3-5).
Leituras da semana: Mc 4:35-41; 5:21-34; Rm 5:3-5; 8:18, 28; Jó 19:23-27; 23:8-12; Lc 24:13-27

Certa tarde, uma jovem caminhava para casa quando uma tempestade repentina começou a se formar. Ela apressou o passo, sabendo que ainda havia um bom caminho pela frente. Uma gota solitária caiu em seu rosto, depois outra, e, antes que percebesse, estava completamente encharcada. Correu até chegar em casa, onde o pai, que a observava, foi recebê-la com um cobertor. Ele perguntou: “Por que, a cada relâmpago, você parava de correr, olhava para o céu e sorria?” A menina respondeu: “Ah, é que Deus estava tirando uma foto minha!”

Como reagimos quando as tempestades da vida nos atingem ou quando enfrentamos momentos de crise em nosso relacionamento com Deus? Abaixamos a cabeça ou levantamos o rosto, certos de que Ele está ali, cuidando de nós?

Nesta semana, vamos refletir sobre as reações mais comuns que temos diante das provações. Vamos descobrir como usar os desafios da vida para fortalecer – e não enfraquecer – nosso relacionamento mais importante.

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Domingo, 07 de junho
Ano Bíblico: RPSP: NE 4
As tempestades da vida

Jesus havia passado o dia inteiro ensinando grandes multidões às margens do Mar da Galileia. Suas palavras ecoariam na mente do povo por muito tempo – e por toda a eternidade.

Ao cair da tarde, Jesus falou aos discípulos, convidando-os para uma travessia: “Vamos passar para a outra margem” (Mc 4:35). Jesus sabia que uma tempestade viria, mas ainda assim os chamou para ir. Ele tinha uma lição de vida muito importante para ensinar a Seus seguidores mais próximos.

1. Leia o relato da tempestade em Marcos 4:35-41. Que lições sobre fé encontramos nesse episódio?

Considere estes pontos:

1. Jesus adormeceu, provavelmente sobre o único travesseiro do barco. Os barcos de pesca geralmente tinham apenas um, no qual o condutor da embarcação, na popa, se assentava. Jesus estava, portanto, no “lugar do piloto”, mas “dormia ao leme”.

2. Nem todos os discípulos eram marinheiros inexperientes. Pedro, Tiago e João conheciam bem o Mar da Galileia e sabiam como lidar com tempestades.

3. Esse é o único registro nos evangelhos em que Jesus está dormindo. Enquanto os discípulos estavam aterrorizados e pensavam que iam morrer, Jesus dormia na popa.

4. A reação dos discípulos diante do perigo foi perguntar: “Mestre, não Te importas se morrermos?” (Mc 4:38, NVI). Eles questionaram o caráter de Jesus e Seu amor por eles. Muitas vezes, essa também é a nossa reação diante das dificuldades.

Em meio ao desespero, podemos tentar salvar a nós mesmos (como os discípulos). Às vezes, quando sofremos perdas e dores, começamos a duvi-dar do amor e do cuidado de Deus. Esperamos que Ele aja conforme o nosso ponto de vista humano, mas, assim como aconteceu com os discípulos, é nas tempestades da vida que Deus pode realizar os maiores milagres. Ele sempre é fiel, mesmo quando Sua aparente ausência nos deixa perplexos. O Senhor está conosco em nossas tempestades e pode acalmá-las quando não conseguimos.

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Qual costuma ser sua reação diante das tempestades da vida? Como esses momentos afetam seu relacionamento com Deus? Quando você viveu, na prática, o princípio de 2 Coríntios 5:7?
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Segunda-feira, 08 de junho
Ano Bíblico: RPSP: NE 5
Seja curada

Imagine a multidão agitada à beira do Mar da Galileia. Desde cedo, as pessoas aguardavam ansiosas o retorno de Jesus. Assim que Ele desceu do barco, todos se apertaram ao redor Dele e O seguiram em direção à aldeia de Cafarnaum. De repente, apareceu Jairo, o chefe da sinagoga, suplicando que Jesus fosse até sua casa para curar sua filha.

Entre a multidão, havia também uma mulher que sofria há muitos anos. Ela gastara tudo o que tinha com médicos, “sem, contudo, melhorar de saúde; pelo contrário, piorava cada vez mais” (Mc 5:26). Ao ouvir falar desse grande Homem da Galileia, o coração dela ficou cheio de esperança, e, com as poucas forças que ainda tinha, saiu de casa naquela manhã para misturar-se à multidão. O aperto das pessoas quase a sufocava enquanto tentava se aproximar de Jesus. Então, entre empurrões, ela finalmente O viu. E motivou a si mesma: “Se eu apenas tocar na roupa Dele, ficarei curada” (Mc 5:28).

2. Leia Marcos 5:21-34. O que aconteceu? E que lições podemos aprender com isso?

Esse episódio revela o cuidado e a compaixão de Jesus pelos doentes, pelos solitários e pelos perdidos no meio da multidão. Muitos O tocaram naquele dia, levados pelo movimento da multidão, mas apenas uma mulher O procurou intencionalmente para receber a bênção de que tanto necessi-tava. No entanto, não foi o toque dela que a curou, e sim sua fé. “O Salvador podia fazer distinção entre o toque da fé e o contato casual da multidão des-cuidosa” (Ellen G. White, O Desejado de Todas as Nações [CPB, 2021], p. 270). A roupa de Jesus não tinha poder em si mesma; foi a fé daquela mulher, expressa em sua decisão de tocá-Lo, que a curou.

Aquela mulher frágil, abatida pelo sofrimento, poderia ter ficado em casa, deitada em sua cama. Mas, em vez disso, saiu para encontrar Jesus, movida pela esperança de cura e de se aproximar Dele. Apenas vê-Lo de longe não bastava – ela precisava estar perto.

“Venham a Mim todos vocês que estão cansados e sobrecarregados, e Eu os aliviarei. Tomem sobre vocês o Meu jugo e aprendam de Mim, porque sou manso e humilde de coração; e vocês acharão descanso para a sua alma” (Mt 11:28, 29), Jesus nos convida.

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De que forma essa mulher, mesmo em grande necessidade, ilustra a verdade de Romanos 5:3-5? Como isso pode se refletir em sua vida?
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Terça-feira, 09 de junho
Ano Bíblico: RPSP: NE 6

Quando pensamos em provações na Bíblia, o primeiro nome que vem à mente costuma ser o de Jó. Ele não apenas perdeu todos os bens (Jó 1:14-17), mas também os filhos (Jó 1:18, 19) e a própria saúde (Jó 2:7). Para piorar, a esposa o incentivou a amaldiçoar a Deus e morrer (Jó 2:9). 

Depois de algum tempo, três amigos foram visitá-lo. Ficaram tão chocados com sua aparência que permaneceram em silêncio por sete dias (Jó 2:13). Quando finalmente falaram, tentaram oferecer explicações humanas para o sofrimento de Jó, mas acabaram aumentando ainda mais sua dor. Diziam que ele devia ter algum pecado oculto e que precisava se arrepender (Jó capítulos 8, 11 e 15). Um deles chegou a dizer: “É assim a habitação do perverso; esta é a situação de quem não conhece a Deus” (Jó 18:21, NVI). 

3. Como Jó respondeu? Jó 19:23-27; 23:8-12

Mesmo sem compreender o motivo de tantas tragédias, Jó permaneceu fiel. Ele se manteve firme, sem culpar ou amaldiçoar a Deus. Quando foi tentado a fazê-lo, respondeu: “Nu saí do ventre de minha mãe e nu voltarei. O Senhor o deu e o Senhor o tomou; bendito seja o nome do Senhor!” (Jó 1:21).

Nós também vivemos no meio desse mesmo conflito. Satanás nos aflige com dor, perdas e dificuldades para ofuscar nossa visão de um Deus amo-roso. Nessas horas, temos apenas duas opções: rejeitar o Senhor ou nos apegar a Ele com todas as forças. Embora a batalha seja intensa, deve-mos lembrar que, à luz da eternidade, nossas tribulações são passageiras (2Co 4:16-18). Há muito mais acontecendo além do que podemos enxergar, e um dos maiores desafios da fé é confiar em Deus mesmo nos momentos mais escuros. O Senhor já revelou, de muitas formas, a realidade do Seu amor – e é a esse amor que precisamos nos agarrar, mesmo quando não o sentimos plenamente.

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Se você está passando por um momento difícil, corra para Deus. Saia ao ar livre com sua Bíblia e um caderno e passe tempo com Ele. Copie Romanos 5:3-5 e medite na mensagem desse texto, crendo que o amor e o cuidado de Deus são o fundamento mais seguro da sua vida.
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Quarta-feira, 10 de junho
Ano Bíblico: RPSP: NE 7
O caminho de Emaús

As últimas semanas tinham sido intensas para dois discípulos, que repassavam na mente as conversas e os acontecimentos vividos: a entrada triunfal em Jerusalém e a purificação do templo; a Páscoa no cenáculo; as orações de Jesus no Getsêmani; a traição vergonhosa de Judas; o julgamento, as zombarias, o espancamento; o corpo ferido de Jesus pendendo na cruz e Suas palavras finais antes do último suspiro, enquanto a tarde escurecia. Depois disso, o rasgar estrondoso do véu do templo; túmulos de justos que se abriram; o corpo de Jesus, retirado com cuidado da cruz e colocado no túmulo antes do sábado. Em seguida, vieram a confusão, o desânimo e as perguntas. Como puderam se enganar tanto?

Os seguidores de Jesus estavam decepcionados, abatidos e confusos. Era a maior reviravolta da vida deles. O que não conseguiam perceber é que aquilo era apenas um momento dentro da maior história de todos os tempos. Enquanto dois deles caminhavam pela estrada de Emaús, Jesus Se aproximou e começou a andar com eles.

4. Leia Lucas 24:13-27. Descreva os dois pontos de vista da cena: dos discípulos e de Jesus.

Quando os olhos deles se abriram, correram de volta a Jerusalém para contar o que havia acontecido no caminho (Lc 24:33-35). Quando Jesus apareceu no meio deles, ficaram tomados de medo. Observe as perguntas que Ele fez:

“Por que vocês estão assustados? E por que surgem dúvidas no coração de vocês?” (Lc 24:38).

Essa também é a mensagem de Jesus para nós hoje. Com frequência, esquecemos que Ele caminha ao nosso lado nos vales da vida. Muitas vezes não O reconhecemos. Esquecemos que existe muito além do que vemos. Permitimos que a aflição e a dúvida se instalem no coração, como se nossa vida não estivesse segura em Suas mãos. E, não raras vezes, achamos que sabemos melhor do que Jesus o que realmente está acontecendo conosco (Lc 24:18).

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Estude algumas passagens que ensinam como reagir, como cristãos, às tribulações (Rm 8:28; Fp 4:4-13; Tg 1:2-4, 12; 2Co 12:9, 10). Com base em 2 Coríntios 1:4, escreva três mensagens que você pode compartilhar com alguém que está enfrentando lutas neste momento.
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Quinta-feira, 11 de junho
Ano Bíblico: RPSP: NE 8
Olhe para Jesus

Imagine-se neste sonho:

“Parecia-me estar sentada em desespero aterrador, com as mãos no rosto, refletindo assim: Se Jesus estivesse na Terra, eu iria a Ele e me lançaria aos Seus pés, e Lhe contaria todos os meus sofrimentos. Ele não Se desviaria de mim; teria de mim misericórdia, e eu O amaria e serviria sempre. Exatamente nesse momento se abriu a porta, e entrou uma pessoa de belo porte e semblante. Olhou para mim compassivamente e disse: ‘Você deseja ver a Jesus? Ele está aqui, e você pode vê-Lo, se o desejar. Tome tudo que possui e siga-me.’

“Ouvi isso com indescritível alegria; contente, ajuntei todas as minhas pequenas posses e toda ninharia que como tesouro eu guardava, e segui meu guia. Ele me conduziu a uma escada íngreme e aparentemente frágil. Começando a subir os degraus, aconselhou-me a conservar o olhar fixo para cima a fim de que não me atordoasse e caísse. Muitos outros que estavam fazendo essa íngreme ascensão caíam antes de chegar ao topo.

Finalmente, atingimos o último degrau e paramos diante de uma porta. Ali meu guia me informou que eu devia deixar todas as coisas que havia trazido. Alegremente as depus. Então ele abriu a porta e mandou-me entrar. Em um instante me achei diante de Jesus. Não havia como errar quanto àquele belo semblante; aquela expressão de benevolência e majestade não poderia pertencer a nenhum outro. Quando Seu olhar pousou sobre mim, vi logo que Ele estava familiarizado com todos os acontecimentos de minha vida e todos os meus íntimos pensamentos e sentimentos.

“Procurei desviar-me de Seu olhar, sentindo-me incapaz de suportá-lo por ser tão penetrante. Ele, porém, aproximou-Se com um sorriso e, pondo a mão sobre minha cabeça, disse: ‘Não tema!’ O som de Sua doce voz agitou-me o coração com uma felicidade que nunca antes havia experimentado. Eu estava alegre demais para poder proferir uma palavra, e, vencida pela emoção, caí prostrada aos Seus pés. Enquanto ali jazia inerte, cenas de beleza e glória passaram diante de mim, e parecia-me ter alcançado a segurança e paz do Céu. Por fim, recuperei as forças e me levantei. O olhar amorável de Jesus ainda estava sobre mim, e Seu sorriso me enchia de alegria a alma. Sua presença despertou em mim uma santa reverência e um amor inexprimível. [...]

“Esse sonho me deu esperança [...] [e] fé; e a beleza e simplicidade de confiar em Deus começaram a raiar em minha alma” (Ellen G. White, Primeiros Escritos [CPB, 2022], p. 93, 94).

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Que esperança você pode tomar para si, agora mesmo, a partir de Romanos 8:18, 28?
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Sexta-feira, 12 de junho
Ano Bíblico: RPSP: NE 9
Estudo adicional

Quando enfrentamos os desafios da vida, é justamente nesse momento que mais precisamos nos apegar a Deus. Os temas que exploramos ao longo deste trimestre contribuem para manter – ou renovar – uma caminhada sólida com o Senhor. Diante de tribulações, como enfermidades, dificuldades financeiras, crises conjugais, morte de um ente querido ou qualquer outra dificuldade que roube nossa alegria, considere as perguntas abaixo e reflita à luz do que estudamos.

Perguntas para consideração

1. De que modo a tribulação que você está enfrentando ou já enfrentou afetou sua visão de Deus? Como enxergar com mais clareza o verdadeiro caráter de Deus?

2. Quando foi a última vez que você orou para que a voz de Deus fosse mais forte em sua vida do que a voz do inimigo? Lembre-se: o ladrão (que, em última análise, é Satanás) vem para roubar, matar e destruir, mas Deus nos dá vida em abundância (Jo 10:10).

3. Seu coração é humilde? Você confia que Deus realmente é soberano e conduz sua vida, apesar das lutas? Se não, como cultivar uma fé humilde, que confia na bondade e no amor de Deus por você?

4. Você tem se firmado diariamente na Palavra? Peça a Deus que reacenda o primeiro amor enquanto atravessa tempos difíceis.

5. Quando foi a última vez que você buscou a Deus em oração como seu Consolador e Conselheiro, confiando que Ele cumpriu a promessa de jamais deixá-lo nem abandoná-lo (Hb 13:5)?

6. Se sua fé está fraca, ore: “Eu creio! Ajude-me na minha falta de fé!” (Mc 9:24). Cerque-se de pessoas que o encorajem, não daquelas que o desanimem.

7. O mundo nem sempre cuida das pessoas fragilizadas, ignoradas, feridas e quebrantadas. A mensagem de Deus “o Meu poder se aperfeiçoa na fraqueza” (2Co 12:9, NVI) pode transformar vidas. Pense em alguém a quem você pode levar essa palavra hoje.

Respostas às perguntas da semana: 1. Diante da tempestade, quem crê se apega à palavra e à presença de Jesus, não ao pânico; reconhece Sua autoridade e abandona a desconfiança quanto ao Seu cuidado. 2. A mulher foi curada porque creu. Aprendemos a buscar Jesus de modo intencional, perseverar sob pressão e testemunhar o que Ele realizou. 3. Jó permaneceu fiel: manteve a esperança no Redentor, guardou a palavra de Deus como prioridade e não atribuiu culpa ao Senhor, mesmo sem entender o sofrimento. 4. Em Emaús, os discípulos interpretaram os fatos de forma limitada. Jesus abriu as Escrituras, corrigiu o entendimento e transformou desalento em missão.

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Resumo da Lição 11
Tribulações | 2º Trimestre 2026

TEXTO-CHAVE: Jó 42:5, 6.

FOCO DO ESTUDO: Gn 50:20; Rm 8:28; Jó 10:9; 13:15; 19:23-27; Lc 24:13-35

ESBOÇO

Introdução: Como cristãos fiéis, podemos esperar com confiança que Deus nos proteja do mal e do perigo, e certamente temos boas razões para pensar que Ele o fará. Afinal, o Senhor prometeu nos guardar e nos abençoar (Nm 6:24). Nós nos esforçamos para honrá-Lo em tudo o que fazemos, para que não percamos essa bênção nem a reivindiquemos de modo presunçoso. Ainda assim, podemos adoecer e sofrer injustiça e opressão nesta vida. Nessas horas, clamamos a Deus por ajuda.

Não somos os únicos que suplicam a Deus durante os tempos sombrios da vida. A Bíblia está repleta de homens e mulheres de Deus que sofreram e clamaram por socorro. O livro de Salmos transborda de súplicas de pessoas piedosas que invocaram a Deus para livrá-las do mal (Sl 71:4; 97:10). O livro de Jó, em especial, ilustra bem esse fenômeno. Jó é um homem piedoso e, no entanto, apesar de toda a sua fidelidade, sofre grande tribulação e dor. Ele não compreende a razão de seu sofrimento. Em sua angústia, clama a Deus diante do que parecia ser uma grande injustiça. O caso de Jó merece nossa atenção exatamente por essa razão. Jó experimenta a graça de Deus em extremos opostos de felicidade e dor. Dentro desses dois limites, que descrevem seu árduo conflito, Jó aprende a ter esperança.

COMENTÁRIO

A experiência da graça. O livro de Jó começa com um registro enfático sobre as grandes virtudes de Jó. De acordo com o autor bíblico, Jó é “íntegro e reto” (Jó 1:1). Ele também era considerado “o maior de todos os do Oriente” (Jó 1:3). O próprio Deus testemunha sobre a singularidade e a unicidade de Jó, dizendo: “Não há ninguém como ele na Terra” (Jó 1:8). À luz de tudo o que se diz sobre Jó, ele é um homem perfeito. No entanto, no fim do livro, Jó, respondendo a Deus, confessa que, no tempo em que era julgado “perfeito”, seu relacionamento com Deus estava apenas em um estágio primitivo: “Eu Te conhecia só de ouvir.” Jó acrescenta então: “Mas agora os meus olhos Te veem” (Jó 42:5). Assim, Jó reconhece que havia algo importante que o impediu de ver a Deus plenamente no início.

Uma leitura atenta do texto bíblico – e particularmente do uso repetido da palavra khinam, que significa “sem motivo” ou “de graça” – nos ajuda a resolver essa questão.

A palavra khinam aparece pela primeira vez no livro de Jó em forma de pergunta, quando Satanás responde a Deus, que acabara de elogiar a piedade de Jó: “Será que é ‘sem motivo [khinam]’ que Jó teme a Deus?” (Jó 1:9). O argumento de Satanás é que Deus protegia Jó em excesso. Para provar seu ponto, Satanás então propôs um desafio a Deus: que lhe fosse permitido tocar nos bens de Jó, ou seja, atacar “tudo o que ele tem” (Jó 1:11). Satanás aposta que, nesse caso, Jó pecaria. Deus permite que toda a riqueza de Jó fique ao alcance devastador do poder de Satanás. Um ataque dos sabeus, fogo que caiu do céu e um grande vento devastaram suas propriedades (Jó 1:13-19). Após a destruição, Jó perde tudo o que possui. Embora lamente, Jó não peca (Jó 1:22).

Em resposta à acusação de Satanás, Deus usa a mesma palavra khinam que o inimigo havia usado ao acusá-Lo de colocar uma cerca de proteção em torno de Jó. O Senhor declara: “Embora você Me incitasse contra ele para destruí-lo sem motivo [khinam]” (Jó 2:3). Jó confirma essa noção quando emprega a mesma palavra em seu clamor a Deus sobre suas feridas, que se multiplicaram khinam, “sem motivo” (Jó 9:17).

A palavra khinam, que deriva de khen, “graça”, torna-se uma palavra-chave significativa que marca o destino de Jó. Por um lado, Jó sofre “sem motivo” (khinam). Por outro, ele é acusado de servir a Deus por motivos egoístas e pelo desejo de prosperidade. Essa acusação de Satanás também se repete nas suspeitas dos amigos de Jó (Jó 34:9; 35:3). O próprio Jó, em certos momentos, parece apoiar essa ideia quando enumera suas boas obras (Jó 29:12-17; 31:1) e declara sua expectativa de ser recompensado por elas (Jó 29:18). O que faltava, porém, no relacionamento de Jó com Deus era a experiência da graça. Jó precisou passar pela experiência do sofrimento “sem motivo”, “de graça”, isto é, sem a esperança de qualquer benefício, para compreender o dom imerecido da graça de Deus.

O problema do sofrimento. O livro de Jó enfatiza que é Satanás quem inicia o sofrimento na raça humana (Jó 1:12). O próprio Deus confirma a responsabilidade de Satanás pelo sofrimento de Jó (Jó 2:6). Ellen White é muito clara sobre quem culpar pelo sofrimento de Jó: “A história de Jó mostra que o sofrimento é causado por Satanás” (O Desejado de Todas as Nações [CPB, 2021], p. 378). Jesus também atribui o sofrimento ao inimigo (Mt 13:28). Então Jó está errado ao sugerir que Deus é responsável por sua dor?

Ao longo do livro, Jó atribui a Deus a responsabilidade por sua opressão (Jó 10:3) e diz que Ele o esmaga (Jó 16:12). Jó até argumenta: “Se Ele não é o causador disso, quem seria?” (Jó 9:24). No entanto, ao fim do livro, Deus responde às afirmações de Jó enumerando Suas obras da criação (Jó 38; 39). A defesa de Deus contra a acusação de Jó de que Ele é o destruidor é afirmar que Ele é o Criador. Assim, quando Jó coloca Deus na origem do sofrimento, ele realmente expressa a afirmação monoteísta de que há apenas um Deus, um poder, que é, em última instância, responsável pelo que acontece à humanidade. O Senhor, por meio de Moisés, expressa essa ideia com as seguintes palavras: “Vejam, agora, que Eu, sim, Eu sou Ele, e que não há nenhum deus além de Mim; Eu mato e Eu faço viver; Eu firo e Eu saro; e não há quem possa livrar alguém da Minha mão” (Dt 32:39). Esse paradoxo constitui a própria essência e qualidade da fé de Jó.

Como Jó afirma de forma célebre acerca do Senhor: “Eis que Ele me matará; mesmo assim defenderei minha conduta diante Dele” (Jó 13:15). O crente hebreu tem a convicção de que tanto o bem quanto o mal vêm das mãos de Deus (Pv 16:4), porque conhece a realidade da bondade e da graça divina e confia Nele, independentemente das circunstâncias e situações más da vida (Gn 50:20; Rm 8:28).

A visão da ressurreição. Ao seu amigo Bildade – que praticamente o acusa de ser um homem perverso, alguém que não conhece a Deus e, por isso, merece descer ao túmulo (Jó 18:21) –, Jó responde: “Eu sei que o meu Redentor vive” (Jó 19:25) e “Em minha carne verei a Deus” (Jó 19:26). Nesses dois versos, Jó confirma sua fé na ressurreição, a qual ocorrerá no fim dos tempos, quando “o Redentor”, que hoje vive, “por fim Se levantará sobre a Terra” (Jó 19:25). Assim, a partir de seus sofrimentos carnais, Jó extrai o seguinte paradoxo de esperança: “Depois, revestido este meu corpo da minha pele, em minha carne verei a Deus” (Jó 19:26).

Nesse verso, Jó não se refere a uma experiência existencial em sua vida presente. Tampouco fala de sua imortalidade após a morte. O evento ao qual ele alude pertence a um acontecimento cósmico que diz respeito à “Terra”, um evento escatológico situado no futuro distante, ’akharon, “último”, ou o último dia. Esse evento não é outro senão a ressurreição dos mortos, ocasião em que ele, em sua “carne” (Jó 19:26), verá a Deus (seu Redentor) com seus próprios olhos (Jó 19:27).

Ecoando novamente as últimas palavras de Bildade (Jó 18:21), Jó conclui ironicamente seu discurso com este alerta: “Para que vocês saibam que há um juízo” (Jó 19:29). A esperança de Jó em sua ressurreição está,

portanto, ligada ao dia do juízo, assim como no livro de Daniel (Dn 12:1-3). Jesus traz essa esperança à mente de Marta no dia da ressurreição de Lázaro (Jo 11:23). E Paulo prega sobre a bendita esperança àqueles que a negam (1Co 15:12-19). Essa esperança é a última mensagem da Bíblia: a única solução para o problema do mundo é a criação de “um novo céu e uma nova Terra”, onde “já não existirá mais morte, nem pranto” (Ap 21:1, 4). 

APLICAÇÃO PARA A VIDA

Dica para o professor: As seguintes perguntas podem ser discutidas pela classe como um todo ou em pequenos grupos, dependendo da preferência. Caso você escolha dividir a classe em pequenos grupos, reserve tempo suficiente para a discussão, guardando também tempo adequado para a apresentação das ideias no fim do estudo.

Além disso, incentive os membros da classe, na próxima semana, a participar de um ou mais dos exercícios listados na seção de atividades a seguir. Depois, convide-os a compartilhar sua experiência com a classe no próximo sábado. Como a atividade fortaleceu a fé deles? Como os aproximou de Jesus?

Perguntas para discussão:

1. Como você confortaria pessoas que sofrem sem razão aparente, como aconteceu com Jó?

2. Como você responderia àqueles que questionam a piedade e a devoção religiosa de pessoas que estão doentes ou enfermas?

3. Peça aos membros da classe que respondam às seguintes perguntas: Sua fé permaneceria inabalável se Deus não concedesse cura em resposta à sua oração em favor de alguém amado?

4. Você está preparado para agradecer a Deus por seu infortúnio (doença, reprovação em um exame, etc.), mesmo tendo feito seu melhor? Discuta.

5. Você culpa pessoas pobres por sua própria condição? Explique.

6. Quais são seus argumentos contra aqueles que afirmam que você merece seus fracassos? O que você pensa da ideia de que Deus responderá a todas as suas orações de acordo com suas expectativas e de que o sucesso sempre coroará a vida do povo de Deus?

7. Por que a resposta cósmica de Deus, com uma nova criação, é a única solução para nossos problemas pessoais e para os problemas de um mundo em sofrimento?

Atividades:

1. Escreva um sermão ou uma mensagem fúnebre para ser apresentada no sepultamento de um ente querido ou amigo falecido. Envie-a à família enlutada para trazer conforto.

2. Compartilhe histórias de sua vida em que você experimentou a graça de Deus durante um período doloroso. Aprenda a agradecer a Deus tanto coisas ruins quanto boas da vida.

3. Visite um amigo enfermo no hospital ou uma pessoa em estado terminal. Que palavras de consolo você compartilhará com ele ou ela?


Clínica Milagrosa

 

A história missionária desta semana apresenta eventos notáveis que levaram à abertura da Clínica Adventista do Sétimo Dia na ilha de Zanzibar, que faz parte da Tanzânia, e está localizada na costa leste da África. A clínica é um dos projetos missionários especiais deste trimestre. A história começa na década de 1980.

O alto funcionário do governo de Zanzibar estava em apuros. SeifSharif Hamad não se sentia bem durante uma visita à capital da Tanzânia, Dodoma. Como ministro-chefe, ele era um líder poderoso na ilha, o segundo mais poderoso depois do presidente de Zanzibar. Mas naquele dia em particular, ele se sentiu fraco e inseguro de si mesmo.

Alguém aconselhou que ele fosse à Clínica Adventista do Sétimo Dia. Agora, a clínica não era o centro médico mais próximo de seu local de trabalho, o prédio do parlamento. Havia outros hospitais nas proximidades. Mas o ministro chefe foi à clínica adventista. Ele ficou satisfeito com os cuidados que recebeu e perguntou à equipe da clínica: "Quem são vocês?".

Eles responderam: "Somos adventistas do sétimo dia".

Ele perguntou: "Sua organização tem liderança?".

Eles disseram: "Sim, temos liderança".

Então, ele perguntou: "Podemos abrir algo assim na ilha de Zanzibar?".

Eles disseram: "Sim, podemos".

A equipe da clínica passou o pedido para a União da Tanzânia da Igreja Adventista, cujos líderes ficaram encantados. Zanzibar provara ser um território particularmente desafiador desde que os primeiros obreiros da igreja chegaram lá, no final da década de 1930. Esses trabalhadores eram colportores e haviam tentado, sem sucesso, vender livros na ilha, onde a maioria das pessoas não era cristã. 

Mais recentemente, a igreja teve mais sucesso ao enviar médicos para conduzir programas de saúde sobre os perigos do álcool, do tabaco e da carne de porco. As iniciativas de saúde estavam alinhadas com as crenças de Zanzibar e tiveram uma boa resposta.

Agora, o ministro chefe de Zanzibar estava convidando os adventistas a abrir uma clínica que poderia expandir significativamente o trabalho missionário em saúde. Parecia bom demais para ser verdade.

A União da Tanzânia formou uma comissão de três membros para explorar a ideia de abrir uma clínica. Em pouco tempo, seus três membros chegaram a Zanzibar e se encontraram com o ministro-chefe em seu escritório em 7986. Ele se lembrou da clínica adventista que o havia tratado e convidou os visitantes a começarem a trabalhar na inauguração da clínica imediatamente. Ele também instruiu as autoridades de saúde da ilha a aprovarem uma proposta para o projeto.

Mas meses se passaram, e nada aconteceu. Nenhuma aprovação foi outorgada.

Finalmente, um líder da igreja foi até o ministro-chefe e perguntou o que estava acontecendo.

O ministro-chefe estava chateado com o atraso. Ele interveio para garantir que a proposta do projeto fosse aprovada rapidamente.

Então, a igreja precisava encontrar um local para a clínica. Os líderes da igreja pedi­ram ao colportor que estava morando na ilha há cinco anos para ajudar. O homem encontrou um antigo hotel composto por dois prédios localizados em lados opostos de uma rua. Os prédios estavam à venda há dois anos.A igreja comprou esses prédios.

Um médico, Josiah Tayali, chegou do continente para montar a clínica. Sob sua supervisão, os prédios foram reformados, e equipamentos médicos, cirúrgicos e de laboratório foram enviados do continente.

O Dr. Josiah recebeu permissão para abrir uma farmácia que vendia medicamentos na clínica. Por lei, todos os serviços médicos oferecidos em Zanzibar deveriam ser gratuitos, e ele estava procurando uma forma de ajudar a pagar os funcionários da clínica. O dinheiro que vinha das vendas dos medicamentos não era suficiente para cobrir os salários dos trabalhadores e comprar mais remédios.

O Dispensário Adventista do Sétimo Dia de Zanzibar foi inaugurado em 31 de janeiro de 1988.

O ministro-chefe de Zanzibar ficou satisfeito. Depois disso, quando os membros da família adoeciam, ele os enviava para a clínica para tratamento. Outros pacientes conhecidos da clínica inclui a esposa do presidente de Zanzibar e outros altos funcionári­os.A maioria dos pacientes, no entanto, são queles que vivem nas proximidades.

O Dr.Josiah, agora aposentado,chamou a clínica de um milagre de Deus.

"Este foi um chamado de Deus para trabalhar em Zanzibar", disse ele. "Não foi iniciado por nós."

O Dispensário Adventista do Sétimo Dia de Zanzibar oferece serviços essenciais em Zanzibar há quase 40 anos. Durante esse tempo, clínicas privadas foram autorizadas a abrir, e a clínica adventista se juntou a elas aceitando pagamentos por seus serviços. Mas agora seus dois prédios envelheceram e precisam ser substituídos. Você pode fazer parte dessa história milagrosa ao doar na Oferta do Décimo Terceiro Sábado deste trimestre, também conhecida como Oferta Trimestral de Projetos Missionários. Os fundos permitirão que os prédios da clínica sejam demolidos e substituídos por prédios modernos. Obrigado por doar generosamente a este importante projeto.

Conforme contado a Maika Tuima, escrito por Mereseini Galuvakadua.

 

Dicas para a história

  • Mostre o continente africano e a Tanzânia no mapa. Em seguida, mostre a ilha de Zanzibar, a localização do Dispensário Adventista do Sétimo Dia de Zanzibar, que receberá parte da oferta deste trimestre. 
  • Saiba que a foto mostra o prédio principal da clínica.
  • Assista a um pequeno vídeo no YouTube do Dr.Josiah Tayali em: bit.ly/Josiah2-ECD.
  • Assista a uma breve mensagem de agradecimento do Dr. Stephano Deus Mojo, diretor do Dispensário Adventista do Sétimo Dia de Zanzibar, no YouTube: bit.ly/Stephano-ECD. 
  • Saiba que esta história missionária está baseada em uma entrevista com o Dr.Josiah na clínica. Leia mais sobre a clínica em um artigo escrito pelo médico na Enciclopédia dos Adventistas do Sétimo Dia on-line: bit.ly/Zanzibar-Dispensary. 
  • Baixe as fotos desta história no Facebook: bit.ly/fb-mq.

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