Domingo
29 de março
Crueldade suprema
Cruel é o furor e impetuosa é a ira, mas quem pode resistir à inveja? Provérbios 27:4

A inveja é capaz de desencadear a crueldade suprema. A “parábola do homem ganancioso e do homem invejoso” pode nos ajudar a compreendê-la.

Um homem ganancioso e um homem invejoso encontraram-se com um rei, que lhes disse: “Um de vocês pode me pedir algo, e eu darei o que pedir, desde que eu dê o dobro ao outro.”

O invejoso não queria ser o primeiro a pedir, porque seu companheiro receberia o dobro. O ganancioso, por outro lado, não queria pedir primeiro porque desejava obter o máximo possível.

No final, o ganancioso insistiu para que fosse o invejoso o primeiro a fazer o pedido. Então, o invejoso pediu ao rei que lhe arrancasse um olho. Isso ilustra a criatividade do fabulista judeu Solomon Schimmel, mas traz consigo uma lição tão cortante quanto uma lâmina de barbear. A natureza do invejoso é capaz de tamanha crueldade. Ninguém deve subestimar a malícia da inveja.

É importante conhecer e aceitar a realidade. Uma das coisas mais difíceis para o ser humano é controlar os sentimentos de inferioridade. Quando nos deparamos com um talento superior ao nosso, sentimos desconforto. Isso ocorre porque temos uma consciência exagerada de nós mesmos. Essa perturbação em nossa imagem pessoal desperta emoções negativas, começando pela inveja. Imaginamos que, se tivéssemos as qualidades da pessoa que julgamos superior, seríamos mais felizes.

Não gostamos de admitir que sentimos inveja, pois é um sentimento condenado pela sociedade, e reconhecer que a sentimos é admitir nossa inferioridade. Como disse Plutarco, “de todos os distúrbios da alma, a inveja é o único que ninguém admite ter”. Mesmo diante dos amigos mais próximos, não aceitamos essa emoção, que corrói tudo o que há de nobre em nós.

Somente ao aceitarmos que Deus distribui talentos e habilidades com sabedoria podemos vencer a inveja. Deixaremos de invejar os outros e nos dedicaremos a cultivar nossos próprios talentos, sejam poucos ou muitos.

Cuidado com a inveja. Se a sentir, não a esconda nem a negue. Admita-a, primeiro diante de Deus, e depois diante de si mesmo. Então peça ao Senhor a graça para vencer essa “crueldade suprema”.