O teólogo escocês Hugh Mackintosh definiu o perdão da seguinte maneira: “É um processo ativo da mente e do temperamento de alguém ferido, por meio do qual anula um dano moral para irmanar-se com quem o feriu, restabelecendo a liberdade e a alegria da amizade.” Incrível, não é? O perdão tem o potencial de transformar inimizade em irmandade e trocar dor por alegria. Quando estávamos presos ao ódio e ao ressentimento, foi o perdão que abriu caminho para a confiança e o amor.
Mas qual é o segredo da reconciliação? Segundo Mackintosh, tudo começa quando decidimos anular o “dano moral”. Isso é essencial, porque as feridas que carregamos criam barreiras entre nós e aqueles que nos machucaram. Quando alguém nos fere de forma injusta e profunda, essa dor se torna uma “parede de separação”, impedindo-nos de tratar o outro como irmão, já que a confiança e o amor foram traídos. Essa distância, por mais difícil que pareça, é natural e, muitas vezes, necessária para nos proteger de novas injustiças.
Por isso, desculpar não é o mesmo que perdoar – na verdade, é o oposto. Quando desculpamos alguém, negamos que tenha havido um dano, tornando o perdão desnecessário. Mas, para derrubar a “parede de separação”, primeiro precisamos reconhecer que ela existe.
Isso não significa ser sensível demais. Devemos superar questões triviais, mas reconhecer as feridas profundas. Porém, não basta reconhecê-las. É preciso abrir mão da vingança e, com a graça de Deus, perdoar quem nos feriu.
Quando pecamos, Deus não ignorou nossa culpa. Ele reconheceu sua gravidade, mas foi além: removeu a barreira do pecado, cumpriu a justiça e, por meio de Cristo, restaurou nossa comunhão com o Céu.
Existe algum “problema moral” que o separa de Deus? Convido você a confessar seus pecados e a aceitar o meio providenciado em Cristo para a reconciliação com Ele. Deus não o desculpa. Ele o perdoa. Você não precisa fingir nem se esconder. Apenas aceite a mão estendida em busca de sua amizade.