Esse paralítico havia perdido toda esperança de restabelecimento. Sua doença era o resultado de uma vida pecaminosa, e seus sofrimentos eram amargurados pelo remorso. […] Ansiava ver Jesus e receber a certeza do perdão, bem como a paz do Céu. Então estaria contente de viver ou morrer, segundo a vontade de Deus. […]
Suplicou aos amigos que o conduzissem em seu leito a Jesus, o que empreenderam satisfeitos. Tão compacta era, porém, a multidão que se aglomerara dentro e em volta da casa em que estava o Salvador, que era impossível ao doente e seus amigos chegarem até Ele. […]
Repetidamente os condutores do paralítico procuraram forçar caminho por entre a multidão, mas seus esforços eram inúteis. […] Por sugestão sua, os amigos o suspenderam para o telhado da casa e, abrindo o teto, baixaram-no aos pés de Jesus.
O discurso foi interrompido. O Salvador contemplou a dolorosa fisionomia e viu os olhos súplices Nele cravados. Bem conhecia Ele o anseio daquela alma oprimida. […] Havia sido Cristo quem atraíra o sofredor a Si. Agora, em palavras que soavam qual música aos ouvidos atentos do enfermo, o Salvador disse: “Coragem, filho; os seus pecados estão perdoados” (Mt 9:2).
O peso da culpa cai da alma do doente. Não pode duvidar. […] A esperança toma o lugar do desespero, e a alegria o do opressivo desalento. Desaparece o sofrimento físico do homem, e todo o seu ser se acha transformado. Sem mais nada pedir, repousa em tranquilo silêncio, feliz demais para falar alguma coisa (CBV, p. 38, 39 [73–76]).