Sir Walter Raleigh foi um dos homens mais brilhantes da corte da rainha Elizabeth I da Inglaterra. Cientista experiente e poeta talentoso, deixou obras ainda hoje consideradas excelentes. Além disso, destacou-se como líder, empresário dinâmico e grande capitão naval. Era também um cortesão carismático, capaz de cativar a própria rainha. No entanto, aonde quer que fosse, encontrava oposição. Mais tarde, caiu em desgraça, foi preso e morreu decapitado.
Raleigh não compreendia a hostilidade dos outros cortesãos. Sem disfarçar suas habilidades e qualidades, exibia-as com confiança, certo de que impressionaria as pessoas e conquistaria amigos. Entretanto, essa atitude apenas lhe rendeu inimigos silenciosos, que, sentindo-se inferiores, esperavam qualquer deslize para arruiná-lo.
No fim, sua execução ocorreu sob a acusação de traição, pois a inveja sempre encontra formas de mascarar seu caráter destrutivo. E a inveja despertada por Raleigh foi das mais cruéis: nasceu de sua graça e de seus talentos naturais – qualidades que ele acreditava dever expressar livremente.
O dinheiro é algo que pode ser conquistado. O poder também. Mas inteligência, beleza e carisma são qualidades impossíveis de adquirir. Quando o arcebispo de Retz foi promovido ao posto de cardeal, em 1651, sabia que muitos ex-colegas o invejariam. Para evitar atritos, minimizou seus méritos e agiu com humildade, fazendo de tudo para que os outros se sentissem confortáveis. Mais tarde, escreveu: “Essa estratégia reduziu a inveja que sentiam por mim, o que é o maior dos segredos.”
Como você pode ver, Deus nos instrui a considerar os outros “superiores” a nós mesmos, não apenas como uma demonstração de humildade cristã, mas também como um meio prático de viver em paz, evitando despertar ciúmes ou inveja. Tenha cuidado ao exibir suas virtudes, sejam elas físicas, mentais ou espirituais. Afinal, isso é uma questão de honestidade, pois, na realidade, tudo pertence a Deus.