Uma das coisas que aprendi a apreciar aqui na Austrália é a abundância de aves e como elas se adaptaram a viver em meio aos diversos empreendimentos que invadiram seus hábitats. Quando me mudei para a Austrália e ouvi o cucaburra pela primeira vez, perguntei-me se havia macacos na região. Seu forte vibrato grave parecia mais um som de macaco do que de um pássaro. Apesar de pequeno e com uma plumagem simples, o cucaburra canta de forma inconfundível.
Hoje pela manhã, antes de qualquer outro pássaro começar a dar sinal de vida, o cucaburra decidiu entoar seu canto bem ao lado da minha janela. Acordei e ouvi enquanto ele cantava alto e claro, alheio ao fato de que seu canto era bruto e áspero em comparação às melodias doces e harmoniosas das outras aves com quem ele divide o espaço. O pássaro cantava com vigor ao romper da aurora. Não havia garantia de que aquele cucaburra viveria para ver o dia seguinte, já que muitas aves são atropeladas. Mas, hoje, ele cantou com toda a sua força.
Enquanto permanecia deitada, passei a refletir sobre o canto do cucaburra. Embora ainda não estivéssemos no auge do inverno, o frio já era intenso. Enrolada em meu cobertor, comecei a conversar com Deus. O dia estava amanhecendo para mim também, mas com um tom bem diferente. Ao contrário do cucaburra, que não se preocupava com sua aparência ou como era percebido, eu estava preocupada a respeito de como eu seria vista neste novo país. No entanto, naquela manhã, o cucaburra me ensinou que devo usar minha voz para Deus onde quer que eu esteja e independentemente de como me defino: estrangeira, mulher, mãe, estudante ou qualquer outra coisa.
E quanto à sua voz? Há algo que esteja impedindo você de cantar? Você consegue elevar sua voz em louvor a Deus para que ela ressoe alta e clara para Sua glória?
Senhor, toca meus lábios para que eu cante Teus louvores, pois Tu habitas em meio ao louvor. Que minha voz seja usada por Ti e para Tua glória. Amém.
Grace Paulson