No século 17, espalhou-se entre a alta sociedade europeia a notícia de que um médico rural suíço, chamado Michael Schuppach, praticava um tipo de medicina diferente. Ele utilizava pós obtidos de fontes naturais para realizar curas milagrosas. Logo, muitas pessoas ricas de todo o continente, afetadas por diversas doenças, reais ou imaginárias, decidiram empreender a difícil peregrinação até a aldeia alpina de Langnau, onde Schuppach vivia.
Durante a longa jornada, os peregrinos passavam pelas mais esplêndidas paisagens da Europa e respiravam o ar puro da Suíça. Quando finalmente chegavam ao vilarejo, já se sentiam quase curados. O lugar se transformou em uma área de descanso para os visitantes.
O “médico das montanhas” mantinha uma farmácia no vilarejo. Muita gente lotava a pequena sala, onde havia estantes cheias de frascos multicoloridos. Enquanto os medicamentos da época costumavam ter nomes e sabores horríveis, os de Schuppach recebiam nomes como “Óleo da Alegria” e “Pequenas Flores Para o Coração” – todos com sabor agradável. Sua farmácia tornou-se um centro de cura mental, alimentado pela credulidade das pessoas.
O “médico das montanhas” era um mestre da psicologia. Um paciente lhe contou, por exemplo, que havia engolido uma carroça de feno, incluindo o cocheiro, e que sentia fortes dores no peito por causa disso. O médico o ouviu com paciência, examinou-o e disse que conseguia escutar o estalo de um chicote em seu abdômen. Em seguida, administrou um sedativo e um purgante. O homem adormeceu em uma cadeira à porta da farmácia. Quando acordou, começou a vomitar e logo viu passar, a toda velocidade, uma carroça carregada de feno (o “médico das montanhas” a alugara para esse fim). O estalo do chicote do condutor fez com que o “doente” sentisse que, de alguma forma, o havia expulsado graças ao tratamento recebido.
Você pode achar isso ridículo. Mas não se engane: ainda hoje, muitas pessoas continuam acreditando nas mais estranhas afirmações sobre questões religiosas. Lembre-se: devemos ser “maduros” em nosso modo de pensar. E você, em que acredita?