A porta do elevador se abriu, e eu me preparei para entrar.
– Hoje eu não entro aí. Vamos subir pelas escadas – anunciou minha mãe.
– Você, tão religiosa, tem medo de elevador? Não acha que Deus pode cuidar de você lá dentro? – retruquei com ironia.
Pois bem, aqui estou eu, 40 anos depois, ansiosa só de pensar em entrar em um elevador e, certamente, não entro sozinha. Já esperei ao lado de um elevador até alguém aparecer para que pudéssemos subir juntos. Também já pedi para uma pessoa me acompanhar até meu andar e depois voltar ao dela. Não tenho vergonha disso! Amigos que ficaram presos em elevadores adoram me contar suas histórias, todas absolutamente assustadoras para mim. Uma vez, Walter, meu marido, ficou preso em uma cabine de banheiro na igreja quando a porta emperrou. Depois dessa experiência, passei a ficar receosa até para trancar portas de banheiros em locais desconhecidos. Nunca pensei muito sobre o transtorno de ansiedade relacionado à claustrofobia, mas tenho muito medo de não ter como escapar, o que poderia resultar em um ataque de pânico.
Certo dia, enquanto me arrumava para uma consulta médica, Walter perguntou: “Que horas você vai? Vou com você.” Pensei em perguntar a razão, mas fiquei tão feliz que nem perguntei. No caminho, ele contou que uma voz o havia alertado para ir comigo. Ele pensou que, se não fosse e algo acontecesse comigo, ele nunca se perdoaria. Ai, Senhor! Mil pensamentos passaram pela minha mente. Será que sofreríamos um acidente? O carro ia quebrar? Eu ia passar mal? Seríamos assaltados no estacionamento?
Nós chegamos cedo, e o enorme estacionamento estava quase vazio. O segurança, que sempre me acompanhava no elevador, não estava no posto de costume. Nenhum outro paciente ou funcionário estava à vista, nós estávamos sozinhos. O Senhor sabia que eu ficaria ansiosa para entrar no elevador sozinha, então já havia providenciado um “cordeiro no arbusto”. Que Deus poderoso nós servimos!
No ano seguinte, vi minha mãe entrar no elevador sem hesitação.
– Ah, decidi que o Senhor cuidará de mim – respondeu ao meu olhar questionador.
Com a ajuda de Deus, espero dizer o mesmo muito em breve.
Shirley Sain Fordham