Minha família morava em Carazinho, interior do Rio Grande do Sul, e era comum sairmos com nossos pais para estudar a Bíblia com outras famílias. Porém, havia um lugar especial para nós. Meus pais estudavam a Bíblia com os donos de uma fazenda, e aproveitávamos para brincar ali e durante o trajeto. Meu pai costumava deixar meu irmão e eu dirigirmos o carro quando entrávamos na estrada da fazenda. Era uma maneira divertida de nos ensinar a dirigir.
Antes de ligar o carro, meus pais tinham o hábito de orar pedindo proteção a Deus. Naquele dia, em especial, eu orei. Pedi que Deus nos acompanhasse e que Seus anjos nos livrassem de todos os perigos em nosso trajeto. Como meu pai não estava conosco, minha mãe resolveu que não entregaria o carro para nós ao chegarmos na estrada da fazenda. Então, ela seguiu dirigindo, mesmo ouvindo nossas reclamações. De repente, ao entrarmos em uma curva, deparamo-nos com pedras grandes e soltas na estrada. Como minha mãe tinha pressa, ela não estava conduzindo devagar. Apesar de já dirigir há algum tempo, ela não sabia que, se freasse nessas circunstâncias, perderia o controle do carro. Quando minha mãe pisou no freio, o carro rodou na estrada, bateu a parte da frente em um barranco, depois a parte traseira e novamente a parte dianteira. Finalmente, o carro parou.
Naquela época, não era obrigatório usar cinto de segurança como proteção. No primeiro impacto, minha mãe viu uma das crianças voar pela janela e, quando o carro voltou, sentiu que ele havia passado duas vezes por cima de algo. Algumas pessoas que estavam próximas viram o que aconteceu. Todos correram para socorrer minha mãe e a criança, pois o carro havia passado por cima dela! Para a admiração de todos, a criança se levantou apenas com uma escoriação, por ter batido no barranco, e poucos arranhões, por ter caído nas pedras.
Aquela criança era eu! Tenho certeza de que a oração que fiz, sem saber o que aconteceria, foi atendida. O anjo do Senhor nos livrou naquele dia. Sou grata a Deus por sempre ter permitido que esse anjo me guardasse.
Mirian Montin