Tempos atrás, assisti a um comercial interessante sobre prevenção do câncer de mama, no qual o marido e os filhos mandavam recados do tipo: “Eu posso chegar cedo por você”, “eu posso arrumar o quarto por você”… “mas não posso fazer a mamografia por você”.
Assim também é com o perdão de Deus. É como se Jesus dissesse: “Eu posso deixar o Céu e morrer por você. Mas não posso decidir por você.”
Segundo especialistas, todos nós temos a tendência de procrastinar tarefas e decisões que consideramos estressantes ou desafiadoras. Sentimos insegurança, por exemplo, quando precisamos aceitar uma transformação radical em nosso estilo de vida, mesmo que seja para melhor.
Sendo assim, é crucial estarmos atentos às armadilhas do nosso inconsciente, que nos prendem aos sentimentos que resistem à mudança. Uma dessas armadilhas é a sabotagem que fazemos ao perdão divino. Em outras palavras: nós nos arrependemos, pedimos perdão, Deus nos perdoa, mas nós mesmos não nos perdoamos.
A Bíblia não aborda diretamente o tema de perdoar a si mesmo, mas o conceito está nas entrelinhas do ensino bíblico. Veja a parábola do credor incompassivo (Mt 18:23-35). Ela fala de alguém que, tendo uma enorme dívida perdoada, não foi capaz de perdoar um colega que lhe devia pouco. Ele recebeu misericórdia e não foi misericordioso.
Por quê? A resposta está no autoperdão. Ao ser confrontado com sua dívida, ele não pede ao rei que o perdoe, mas que lhe dê um prazo: “Tenha paciência comigo, e pagarei tudo ao senhor” (v. 26). Ora, o valor que ele devia era 11 vezes maior do que os impostos anuais da Judeia, Pereia,
Idumeia, Galileia e Samaria. Ele nunca saldaria aquela dívida.
O texto diz que o rei perdoou-lhe a dívida, mas ele certamente saiu com a sensação de que apenas ganhara um prazo. A dívida continuava lá, de modo que não se sentiu perdoado. Por isso, foi incapaz de perdoar seu semelhante.
Deus nos convida hoje a experimentarmos o perdão. Somente assim poderemos seguir adiante, tendo paz com Deus e com o próximo.