Nosso carro acelerava pela estrada de cascalho, deixando uma espessa nuvem de poeira para trás. Meu marido, Henry, nossa filha de três anos, Godson, secretário do nosso colégio, e eu estávamos a caminho de casa, no campus do colégio próximo a Kampala, capital de Uganda.
Era 1977. O presidente ditatorial do país havia proibido várias denominações religiosas de operar igrejas, incluindo a nossa. Durante esse período, capangas do ditador, em reluzentes Mercedes-Benz pretos, tomavam veículos de pessoas, deixando os ocupantes à beira da estrada – nem sempre com vida. Mas, naquele dia, meus pensamentos estavam longe dos conflitos do país. Como uma típica “copiloto”, eu pedia a Henry que diminuísse a velocidade, mas parecia que meus protestos não surtiam efeito enquanto ele acelerava pela estrada.
Ao chegarmos ao campus, Henry dirigiu direto para a garagem e, então, explicou a razão de sua pressa: um Mercedes-Benz preto nos seguia desde que saímos da capital. O carro continuou bem próximo, mesmo depois que Henry saiu da estrada asfaltada e entrou na estreita e sinuosa estrada de cascalho, a cerca de 15 quilômetros do colégio. Próximo ao campus, Henry conseguiu, nas curvas, aumentar consideravelmente a distância entre nós e o perseguidor. Aparentemente, o outro motorista, cego pela espessa nuvem de poeira, tomou o caminho errado em uma bifurcação. Ao chegarmos ao campus, o Mercedes-Benz havia seguido na direção oposta à de nossa casa. Sem saber para onde nosso carro tinha ido, o motorista retornou a Kampala. Alguns dias depois, sob a cobertura da escuridão e por estradas secundárias, conseguimos deixar Uganda em segurança e entrar no Quênia, país vizinho.
O Deus de Moisés, que guiou os israelitas com uma coluna de nuvem durante o dia, enviou Seus anjos e uma “nuvem de poeira” para nos proteger do perigo.
“Você disse: ‘O Senhor é o meu refúgio.’ Você fez do Altíssimo a sua morada. Nenhum mal lhe sucederá, praga nenhuma chegará à sua tenda” (Sl 91:9, 10). Deus também cuida de você e de sua família!
Evelyn Porteza Tabingo