A Sra. Cameron, professora-chefe, estava parada na porta.
– Srta. Watkins, quero saber o que você fez com o Ramon.
O programa financiado pelo governo para crianças da pré-escola era novo em nosso local de trabalho. Como estudante universitária precisando de trabalho nas férias, eu havia enviado meu currículo e sido contratada, a única pessoa de minha etnia.
No início da década de 1960 no extremo sul dos Estados Unidos, o preconceito racial era muito forte. Eu pedia a Deus que me ajudasse a amar a todos sem distinção.
– Sra. Cameron – respondi discretamente –, acho que não sei bem o que a senhora quer dizer sobre o Ramon.
Ela sorriu e disse:
– Você está fazendo um ótimo trabalho, jovem. Ramon é como um fio de alta tensão! Nós o colocamos em sua sala de aula porque sabíamos bem como ele era. Qual é o seu segredo? – Eu queria dizer para ela que eu orava muito. Mas apenas sorri.
Muitas vezes, no parquinho, eu sentia uma mão pequena e suada apertando a minha. Ao olhar para baixo, sempre via Ramon olhando para mim com um grande sorriso. Balançávamos os braços e ríamos juntos.
A última semana de aula chegou, e percebi que Ramon estava bastante inquieto no tapete. Então me aproximei dele.
– Professora – ele disse baixinho –, por que você me ama?
– Ramon, você é um menino querido. Não é difícil amar você – respondi.
– Gostaria que minha mãe e meu pai me amassem como você me ama – ele afirmou com voz baixa. – Mas eles discutem, brigam e até me batem de vez em quando.
Lágrimas encheram os olhos dele e os meus também. Cochichei:
– Ramon, há um Deus no Céu que ama muito você. Vamos pedir a Ele para ajudar você a ter um lar feliz. – Ramon pareceu se acalmar. Espero que ele tenha visto, através de mim, que o amor de Deus “é paciente e bondoso” (1Co 13:4).
A despeito de quaisquer diferenças entre outras pessoas e nós, que a bondade do Céu caracterize todas as nossas interações.
Marybeth Gessele