Você já reparou como muitos se tornam filósofos em um velório? Observe estas frases: “como a vida é curta”; “de que adianta a vaidade?”; “caixão não tem gaveta”. Por isso Salomão escreveu que às vezes é melhor “ir à casa onde há luto do que ir à casa onde há banquete” (Ec 7:2). Se não refletirmos em tempos de bonança, o faremos em tempos de adversidade.
Pode parecer mórbido, mas ninguém pensa no sentido da vida enquanto bebe e festeja a vitória do seu time. Mas, na hora da dor, todos começam a filosofar.
Não deveria ser assim. A correria da vida e o medo de encarar certas verdades nos levam a viver de maneira impulsiva, mecânica e não reflexiva. Vivemos como escovamos os dentes, sem realmente pensar no que estamos fazendo. Até o dia em que um problema bate à nossa porta, e perguntamos: Onde errei? Por que fiz isso?
Percebemos os problemas apenas quando já estão maduros, gerando consequências, ou então quando ocorrem na vida de outras pessoas. Aí é fácil. Somos especialistas nos problemas alheios.
Deus nos convida a perceber nossa história em curso, e não apenas a história passada ou de outrem. Precisamos colocar o dedo na pulsação dos fatos e averiguar o que eles estão nos sinalizando. Apontar as falhas do antigo Israel ou do meu vizinho não deve ser um meio de evitar uma autoanálise. Como está minha vida hoje? O que estou fazendo agora me levará para onde? Mais do que estudiosos da história, devemos ser testemunhas dela. A percepção do hoje pode evitar as manchetes do amanhã.
Por mais que estabeleçamos um ponto de chegada (queremos ir para o Céu), o trajeto momentâneo se torna tanto, ou mais, desafiador quanto a consciência do que realmente queremos. Isso se chama projeto de vida. É ele que nos sinaliza se estamos no itinerário certo em relação ao que desejamos. Por isso, é importante refletir. Na oração, falamos com Deus; na Bíblia, lemos o que Ele disse; e, na reflexão, unimos ambas em um diálogo permanente com o Pai. Você já refletiu hoje?