Os primeiros anos da minha educação começaram em uma escola que possuía uma única sala de aula, na Pensilvânia. Quando o tempo permitia, jogávamos softbol. Uma memória vívida desse tempo é de um jogo no qual eu e minha irmã, Maxine, fomos escolhidas para times opostos. Maxine, um ano mais nova que eu, tinha cabelos castanhos com tons dourados-avermelhados, que complementavam suas bochechas sardentas e nariz arrebitado. Quando fui à base para rebater, notei que ela era a receptora. Não era a melhor combinação! Eu, com o péssimo hábito de jogar o bastão ao ouvir a bola bater nele, pedi para Maxine se afastar, com medo de machucá-la. Mas, como eu temia, ela não se moveu. Quando acertei a bola, corri para a primeira base, porém, ao olhar para trás, vi uma multidão ao redor de minha irmã. Corri até ela e a encontrei com a boca sangrando e os dois dentes da frente quebrados.
Sentindo vergonha e culpa, afastei-me dali para secar minhas lágrimas, pensando: Será que alguém me amará novamente depois do que eu fiz? A professora nos conduziu para dentro da escola e pediu gentilmente para minha irmã e eu nos sentarmos enquanto aguardávamos o ônibus escolar. Quando mamãe, que era a motorista, abriu a porta, corri para o fundo do ônibus, enquanto a professora acompanhou minha irmã e explicou o ocorrido. Eu queria desaparecer. As outras crianças, percebendo minha dor, deram-me o espaço de que eu precisava.
Com o tempo, aprendi a me perdoar e, em vez de ressentimento ou raiva, experimentei o presente do amor e do perdão incondicionais.
Em Gênesis 45, José também ofereceu misericórdia aos seus irmãos, que haviam causado sofrimento a ele, dizendo: “Não fiquem tristes nem irritados contra vocês mesmos” (v. 5). Deus nos fala hoje por meio do exemplo gracioso de José, ensinando-nos a perdoar, assim como Ele nos perdoa.
Dottie Barnett